domingo, 4 de dezembro de 2016

Sextilhas para enfeitar a árvore do Natal 2016


Teresa Machado

«Pergunta ao meu inimigo quem sou, e ele me julgará mal, pergunta ao meu amigo, e ele dirá as minhas qualidades. Pergunta-me quem sou... e te direi: Sou o que tu vês... dependendo exclusivamente dos teus  olhos!»

Marisa A.

      Vamos falar de bonança
      semear novo futuro
      pra florir no amanhã.
      Lutar com perseverança,
      clarear o que está escuro
      e viver com novo élan...

      Procuremos ser exemplo,
      olhar o Céu como templo
      de inspiração e manobra...
      Mas descer à terra e ver
      que ainda há tanto por fazer
      e há que lançar mãos à obra!

      Que o vento ondule nos montes
      varrendo em sua passagem
      tudo o que está «pouco bem»,
      que corra a águas nas fontes
      para lavar na viagem
      todo o «muito mau» também!

      Tudo aquilo que mais quero
      nem eu mesma sei se sei
      o que é exactamente...
      Só sei do meu desespero
      pensando que morrerei
      sem o ter... concretamente!

      Inspirai-nos, Criador,
      em dois mil e dezasseis
      um Natal de sensatez...
      Defendei a Paz e o Amor,
      todos unidos podeis
      ter esperanças de solidez!




                                                         

domingo, 20 de novembro de 2016


Pode um psicólogo ser católico?


João Miguel Tavares, Público, 15 de Novembro de 2016

Guardemos a mordaça e lembremos os ensinamentos do bom e velho Stuart Mill: nunca devemos impedir de falar as pessoas que acreditamos estarem erradas.

Indignação da semana: Maria José Vilaçapsicóloga e responsável da Associação dos Psicólogos Católicos, disse nas páginas da revista Família Cristã que era possível aceitar um filho homossexual sem aceitar a homossexualidade. «Eu aceito o meu filho, amo-o se calhar até mais, porque sei que ele vive de uma forma que eu sei que não é natural e que o faz sofrer.» E acrescentou: «É como ter um filho toxicodependente, não vou dizer que é bom.» Esta frase provocou o habitual incêndio das redes sociais e dezenas de queixas na Ordem dos Psicólogos, que emitiu um comunicado onde recorda que nas suas intervenções públicas os psicólogos estão obrigados a «observar o princípio do rigor e da independência, abstendo-se de fazer declarações falsas ou sem fundamentação científica». De seguida, a Ordem anunciou ir participar o caso ao Conselho Jurisdicional por considerar tais declarações «de extrema gravidade».

Cá está – um piscar de olhos e já se foi longe demais. A opinião que eu tenho em relação às declarações de Maria José Vilaça é igual à dos indignados: discordo profundamente dela e acho a comparação entre um filho homossexual e um filho toxicodependente de uma infelicidade extrema. Parece-me, por isso, perfeitamente natural que as pessoas manifestem a sua discordância pública em relação à senhora e que as redes sociais se incendeiem, como de costume. Nada contra até aqui. Tudo contra a partir daqui: há um momento, altamente desagradável, mas cada vez mais recorrente, em que se passa do direito de discordar para o desejo de despedir. As pessoas deixam de se limitar a criticar Maria José Vilaça por ter dito uma tontice, e a rebater a sua opinião com argumentos sustentados, e passam a defender que ela deve ser silenciada e proibida de exercer a sua profissão porque, pelos vistos, hoje em dia não se pode ser psicólogo e ao mesmo tempo considerar a homossexualidade uma prática «não natural».

Mas será que não se pode mesmo? É que se não se pode, como a Ordem dos Psicólogos parece defender, se passou a ser uma coisa tão inadmissível como a prática da lobotomia para curar doenças mentais, então há aqui uma notícia muito maior do que as declarações de Maria José Vilaça, e que está tristemente a passar ao lado da comunicação social. A primeira frase de todos os artigos sobre este tema deveria ser esta: «A Ordem dos Psicólogos Portugueses defende que um católico que aceite os ensinamentos da Igreja em relação à homossexualidade não tem condições para ser psicólogo e deve abandonar de imediato a sua profissão.» Esta é a notícia, meus senhores. Mandem imprimir, enviem para o Vaticano e informem o Papa Francisco.

Guardemos a mordaça e lembremos os ensinamentos do bom e velho Stuart Mill: nunca devemos impedir de falar as pessoas que acreditamos estarem erradas. Ao exporem as suas ideias, temos uma excelente oportunidade para as rebater e mostrar aos outros a superioridade dos nossos argumentos. Infelizmente, é cada vez menos isso que estamos a fazer. A linha entre o confronto de ideias e o silenciamento de ideias está a ser ultrapassada vezes sem fim, criando uma pressão insustentável sobre quem pensa diferente de nós. Depois espantamo-nos que as pessoas mintam nas sondagens sobre a sua orientação de voto e acabem a colocar a cruzinha em Donald Trump quando ninguém está a ver. Numa sociedade livre, a resposta a quem diz parvoeiras não é «cala-te!». É, isso sim, «que argumentos tens para defender tamanha parvoíce?».





sábado, 19 de novembro de 2016


África une-se em bloco para dizer

um rotundo «não» à colonização ideológica

que a ONU pretende impor


Los 54 países africanos se han unido en bloque contra la ideología de género en la ONU

Javier Lozano

El Papa Francisco alerta muy a menudo de la «colonización ideológica» que se está produciendo principalmente a través de la ideología de género. Y esta ofensiva se realiza, según ha dicho también el Pontífice, a través de gobiernos nacionales y organismos internacionales.

Precisamente, Naciones Unidas y la diplomacia de Estados Unidos han sido los grandes promotores de políticas que buscan imponer esta ideologia en todos los países privilegiando principalmente al lobby LGTBI.

África y América Latina, los principales objetivos

Si estos son los promotores, las principales víctimas son África y América Latina. Ya sea mediante presiones políticas o mediante el «chantaje» con grandes sumas de dinero, los países de estos continentes se están viendo sometidos a una gran presión para que aprueben leyes nacionales como las uniones homosexuales o la implantación de la ideología de género en los colegios. De no hacerlo podrían perder las ayudas económicas. Y por regla general todos estos países son pobres o bien están en vías de desarrollo.

Mientras que en América los dirigentes de estos países van poco a poco sucumbiendo a estas presiones tal y como ha pasado en México, Chile o Uruguay, en África se ha producido un curioso fenómeno. Todo el continente se ha unido en bloque para decir basta a estas imposiciones de la ONU y Estados Unidos.

La ONU se ha convertido en el gran promotor de la ideología de género

La ONU ha hecho de los «nuevos derechos» para los LGTBI una prioridad absoluta y para ello la Comisión de Derechos Humanos de Naciones Unidas anunció la creación del puesto de experto en asuntos LGTBI y que debería velar por la instauración de sus políticas en los distintos países.

Un activista proLGTB para el cargo

En teoría este nuevo experto debería luchar contra la violencia pero grupos profamilia como el Center for Family&Human Rights lo dudan. El director del Centro de Estudios Legales de este grupo, Stefano Gennarini, ya afirmó  que «el nombramiento aumenta las sospechas de que este puesto de nueva creación no se limitará a la investigación de la violencia contra las personas que se identifican como lesbianas, gais o transgénero sino que más bien será utilizado para promover una agenda amplia de derechos sexuales».

Finalmente, el perfil de la persona elegida confirmaba estas sospechas. En la reñida votación de la Comisión de Derechos Humanos (23 votos a favor, 18 en contra y seis abstenciones) se eligió el nombre del responsable, el abogado tailandés Vitit Muntarbhorn, un homosexualista que fue uno de los principales autores de los Principios de Yogyakarta, un documento clave para el lobby LGTBI en el que se exige que el derecho internacional obligue a implantar derechos especiales a este colectivo aunque para ello haya que socavar otros como el de la libertad de expresión y de religión.

Vitit Mumtarbhorn, un activista proLGTB fue la persona elegida por la ONU para el cargo

África no se resigna a ser colonizada

Los países africanos no han querido resignarse y aceptar esta imposición. Para ello, la pasada semana el Grupo Africano, que engloba a los 54 países del continente, presentó una resolución que cuestiona la legalidad de la decisión tomada por la Comisión de Derechos Humanos para crear esta especie de figura de comisario para los LGTBI.

No sólo los africanos se mostraron en contra sino también países de mayoría musulmana y potencias influyentes como Rusia, China o India.

Tal y como recoge C-Famel grupo de países africanos dijo estar «perturbado» por el bombardeo incesante de un enfoque centrado en «comportamientos e intereses sexuales» y ha pedido éstos que no se vinculen a las normas sobre derechos humanos.

El embajador de Botsuana dijo durante la presentación de esta resolución que «el Grupo Africano está muy preocupado por los intentos de introducir e imponer nuevas nociones y conceptos que no están acordados internacionalmente».

Por todo ello, el continente africano ha pedido que se suspenda temporalmente tanto el nombramiento de Vitit Muntarbhorn como la creación del puesto en sí hasta que se produzca un diálogo profundo sobre la legitimidad de dicho puesto en la ONU.

Reacción de Occidente contra la posición de África

Las reacciones de los países que defienden la ideología de género han sido rápidas y unánimes en sus críticas a los estados africanos. Como era de esperar, la diplomacia estadounidense fue de las primeras en manifestarse y dijo estar «profundamente preocupada» por la propuesta africana ya que reabrir la decisión de la Comisión de Derechos Humanos sería, a su juicio, «sentar un precedente muy peligroso».

En la misma línea se manifestó Reino Unido, afirmando que la propuesta supone un ataque al Consejo por lo que su país luchará para que se mantenga este experto para temas LGTB.

También países latinoamericanos como Chile, Costa Rica o Brasil criticaron la postura de África tildándola de «inapropiada» y de debilitar la protección de cualquier de estos colectivos.

El cardenal Sarah es actualmente uno de los africanos más influyentes en la Iglesia Católica

«África salvará la familia»

Sin embargo, África ha decidido no sucumbir ni dejarse colonizar por estas ideologías pese a las molestias y problemas que esto les está ocasionando y les ocasionará. Ya lo dijo el año pasado el prefecto para la Congregación para el Culto Divino, el guineano Robert Sarah:

«Confío absolutamente en la cultura africana; confío absolutamente en la fe de África y estoy seguro de que África salvará a la familia, que África salvará a la Iglesia. Así como África salvó a la Sagrada Familia también, ahora, en esta época moderna, salvará la familia humana».

Así funciona la diplomacia de los EEUU de Obama

África está respondiendo a esta petición aunque no lo tendrá nada fácil pues las presiones serán enormes. Y para saber cómo se las gasta la diplomacia del hasta ahora presidente Obama vale con el testimonio de la embajadora de su país ante la ONU, Samantha Power.

En un acto con Human Rights Campaign, el mayor lobby gay de Estados Unidos, la embajadora les explicaba entusiasmada cómo actuaba la diplomacia para imponer los temas LGTB al resto de países. Esto decía:

Samantha Power es además de embajadora una de las personas más cercanas a Obama

«Utilizamos todos los componentes a nuestro alcance. Los embajadores estadounidenses de todo el mundo se pusieron a trabajar a toda máquina. Exigimos el pago de deudas. E incluso cuando sospechábamos que habíamos pasado a tener la mayoría de votos seguimos trabajando. Y cuando los países no respondían nuestras llamadas, los acorralábamos en el Salón de la Asamblea General, en el Consejo de Seguridad o incluso en los baños».

Se prevé que la resolución de los países africanos se vote antes de que acabe el mes de noviembre y estos países más algunos otros prometen dar guerra. Para entonces, Donald Trump todavía no habrá tomado posesión de su cargo, lo hará a finales de enero, por lo que este será el colofón de la administración Obama, este será su legado.





terça-feira, 15 de novembro de 2016


Rapaz ou rapariga: uma escolha?




Cláudia Sebastião

«Já sabem se é menino ou menina?», é a pergunta mais ouvida por casais à espera de bebé. O enxoval, o nome e o quarto do bebé são preparados a partir daí. Mais tarde, começarão as perguntas sobre as diferenças entre meninas e meninos. Agora imagine que não respondia ou que dizia: «Teres pipi não significa que sejas menina. Podes decidir mais tarde.»

Diogo Costa Gonçalves é professor auxiliar da Faculdade de Direito de Lisboa. Em 2003, foi consultor da Conferência Episcopal para uma carta pastoral sobre a ideologia de género. À FAMÍLIA CRISTÃ faz questão de dizer que o termo não significa igualdade de direitos entre homens e mulheres. Então o que é?

Diogo Costa Gonçalves explica tratar-se de uma estrutura de pensamento antropológica cuja característica fundamental é «entender a masculinidade e a feminilidade como produtos puramente culturais, sendo absolutamente indiferente a realidade genital ou cromossomática com que as pessoas nascem; defende que a identidade sexual é produzida por um contexto cultural patriarcal e machista que visa subjugar a mulher». Ou seja, ninguém nasce homem ou mulher, torna-se homem ou mulher pela educação e pela cultura. Assim, o objectivo da ideologia de género é ter uma sociedade sem sexos.

Para isso, desde os primeiros anos é preciso promover a troca de papéis e eliminar as diferenças de comportamento entre meninas e meninos. Maria José Vilaça é psicóloga e afirma que nesta ideologia «tudo aquilo que eu sou passa a ser determinado pela minha preferência sexual e não pelo meu corpo. Há uma espécie de divisão entre aquilo que eu sou e aquilo que o meu corpo é.»

Em Portugal, Diogo Costa Gonçalves explica que o primeiro passo da ideologia de género foi dado na lei do divórcio sem culpa. Ou melhor, numa das epígrafes do registo civil. «O que era ‘poder paternal’ passou a chamar-se ‘poder parental’. Foi uma manipulação de linguagem importante porque o termo ‘paternidade’ está muito relacionado com a geração biológica. Era preciso desconstruir socialmente a figura do pai e da mãe.»

«Ideologia de género já está nas escolas»

A Comunidade de Madrid aprovou a Lei contra a LBGT fobia que obriga a integrar a realidade homossexual, bissexual, transexual, transgénero e intersexual nos conteúdos escolares transversais de todas as escolas madrilenas, públicas e privadas.

Diogo Costa Gonçalves tem sete filhos e diz que isso já está a acontecer em Portugal. «A ideologia de género está cá. Os programas de educação sexual são em bom rigor de ideologia de género em todos os graus de ensino. Promove-se a confusão da identidade sexual. Isto é, tenho de descobrir se sou mesmo heterossexual ou não e diz-se que a família é uma construção cultural tão válida como qualquer outra relação.»

Maria José Vilaça concorda e fala da sua experiência: «Hoje, nas escolas, falo com miúdos de 16 ou 17 anos que não tiveram uma namorada e a primeira ideia que têm é: ‘Será que eu sou homossexual ou bissexual?’ Já não lhes passa pela cabeça serem heterossexuais.»

Escolas de Madrid ensinam ideologia de género

Manuel Martínez-Sellés é médico cardiologista em Madrid. Vê a aprovação da lei LGBT «com enorme preocupação». Como investigador, afirma que «a ideologia de género está em total contradição com o conhecimento da ciência sobre a biologia e a realidade física. Infelizmente, esta ideologia já está a transformar escolas em fábricas de crianças sem sexo.»

Arantzazu Perez Grande é professora primária: ensina língua e matemática a crianças de seis anos. Católica, não se pode recusar a aplicar a lei, porque «podemos ser vítimas de sanções económicas ou até, no meu caso, perder o emprego, porque sou funcionária pública». Esta professora é mãe de três crianças. «Claro que me preocupa, porque quero poder dar aos meus filhos a educação e as crenças que eu tenho. Não quero que o Estado lhes diga o que têm de pensar ou no que têm de acreditar.»

Manuel Martínez-Sellés e Maria José Vilaça acrescentam que nos Estados Unidos da América o Colégio de Pediatria publicou um documento intitulado A ideologia de género prejudica as crianças. Nesse documento, os pediatras norte-americanos defendem que «a sexualidade humana é uma característica biológica binária objectiva» e que «ninguém nasce com um género, todos nascemos com um sexo.

Mulheres e homens são diferentes?

Há investigações que comprovam isto mesmo. Independentemente das diferenças culturais, sociais e económicas, homens e mulheres são diferentes. Richard A. Lippa, da Universidade da Califórnia, fez uma investigação sobre preferências profissionais, com 200 mil entrevistas a pessoas de 53 países da Europa, América, África e Ásia. O investigador concluiu que os homens tendem para trabalhos mais técnicos, enquanto as mulheres preferem as ocupações sociais. Acontece em todos os países e continentes. Também o professor Simon Baron-Cohen, do Trinity College da Universidade de Cambridge, autor de Sex differences in human neonatal social perception, constatou que os bebés meninos, com apenas horas de vida, se fixam mais em objectos mecânicos e as bebés meninas dão mais atenção a rostos humanos.

Dicas para os pais

Que podem os pais fazer? Diogo Costa Gonçalves diz que «é preciso criar espírito crítico nos educadores. Nenhum dos nossos pais se sentou connosco a explicar porque é que o casamento é entre um homem e uma mulher. Era dado mais do que adquirido. Neste momento, vou ter de fazer isso com os meus filhos.»

Além disso, socialmente Maria José Vilaça defende que é preciso «tentar não ser influenciado do ponto de vista sentimental, moral e ideológico». Mas, ao mesmo tempo, como acolher os homossexuais? A psicóloga acompanha famílias e pais e salienta que para aceitar o filho não é preciso aceitar a homossexualidade. «Eu aceito o meu filho, amo-o se calhar até mais, porque sei que ele vive de uma forma que eu sei que não é natural e que o faz sofrer.» É como ter um filho toxicodependente, não vou dizer que é bom.»





segunda-feira, 7 de novembro de 2016


500 anos depois, de joelhos diante de Lutero


O Papa Francisco e o pastor luterano Martin Junge assinam uma «Declaração Conjunta».
O heresiarca Lutero definiu, no século XVI, o Papa como
«apóstolo de Satanás» e «anticristo».

Roberto De Mattei

O Concílio de Trento pronunciou um ditame irrevogável sobre a incompatibilidade entre a fé católica e a protestante.

Dizemo-lo com profunda dor. Parece uma nova religião aquela que aflorou em Lund no dia 31 de Outubro, durante o encontro ecuménico entre o Papa Francisco e os representantes da Federação Luterana Mundial. Uma religião em que são claros os pontos de partida, mas obscura e inquietante a linha de chegada.

O slogan que mais ressoou na catedral de Lund foi o da necessidade de um «caminho comum» que leve católicos e luteranos «do conflito à comunhão». Tanto o Papa Francisco quanto o pastor Martin Junge, secretário da Federação Luterana, se referiram nos seus sermões à parábola evangélica da videira e dos ramos. Católicos e luteranos seriam «ramos secos» de uma única árvore que não dá frutos por causa da separação de 1517. Mas ninguém sabe quais seriam esses «frutos». O que católicos e luteranos parecem ter agora em comum é apenas uma situação de profunda crise, ainda que por motivos diferentes.

O luteranismo foi um dos principais factores da secularização da sociedade ocidental e hoje está agonizando pela coerência com que desenvolveu os germes de dissolução que portava dentro de si desde a sua irrupção. Na vanguarda da secularização estiveram os países escandinavos, apresentados por longo tempo como modelo do nosso futuro. Mas a Suécia, depois de ter-se transformado na pátria do multiculturalismo e dos direitos homossexuais, é hoje um país onde apenas 2% dos luteranos são praticantes, enquanto quase 10% da população segue a religião islâmica.

A Igreja católica, pelo contrário, está em crise de autodemolição porque abandonou a sua Tradição para abraçar o processo de secularização do mundo moderno na hora em que este entrava na sua fase final de decomposição. Os luteranos procuram no ecumenismo um sopro de vida, e a Igreja católica não adverte nesse abraço o mau hálito da morte.

«O que nos une é muito mais do que aquilo que nos divide», foi ainda dito na cerimónia de Lund. Mas, o que une católicos e luteranos? Nada, nem sequer o significado do baptismo, o único dos sete sacramentos que os luteranos reconhecem. Para os católicos, o baptismo elimina de facto o pecado original, enquanto para os luteranos ele não pode apagá-lo, porque consideram a natureza humana radicalmente corrupta, e irremovível o pecado. A fórmula de Lutero «peca com força, mas crê com maior força ainda» resume o seu pensamento. O homem é incapaz de praticar o bem e não pode senão pecar e abandonar-se cegamente à misericórdia divina. A vontade corrompida do homem não tendo nenhuma participação nesse acto de fé, no fundo é Deus que decide, de forma arbitrária e inapelável, quem se condena e quem se salva, como deduziu Calvino. Não existe liberdade, mas apenas rigorosa predestinação dos eleitos e dos condenados.

Santo Inácio de Loyola combateu
com muita coragem e eficácia
a heresia luterana
A «Sola Fede» é acompanhada pela «Sola Scriptura». Para os católicos, a Sagrada Escritura e a Tradição são as duas fontes da Revelação divina. Os luteranos eliminam a Tradição porque afirmam que o homem deve ter uma relação directa com Deus, sem a mediação da Igreja. É o princípio do «livre exame» das Escrituras, a partir do qual fluem o individualismo e o relativismo contemporâneos. Este princípio implica a negação do papel da Igreja e do Papa, que Lutero define como «apóstolo de Satanás» e «anticristo». Lutero odiava especialmente o Papa e a Missa católica, que ele queria reduzir a mera comemoração, negando-lhe o carácter de sacrifício e impugnando a transubstanciação do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo. Mas, para os católicos, a renovação incruenta do sacrifício de Cristo existente na Missa é a fonte principal da graça divina. Trata-se de simples incompreensões e mal-entendidos?

O Papa Francisco declarou em Lund: «Também nós devemos olhar, com amor e honestidade, para o nosso passado e reconhecer o erro e pedir perdão.» E ainda: «Com a mesma honestidade e amor, temos de reconhecer que a nossa divisão se afastava da intuição originária do povo de Deus, cujo anseio é naturalmente estar unido, e, historicamente, foi perpetuada mais por homens do poder deste mundo do que por vontade do povo fiel.» — Quem são esses homens de poder? Os Papas e os santos, que combateram o luteranismo desde o início? A Igreja, que o condenou durante cinco séculos?

O Concílio de Trento pronunciou um ditame irrevogável sobre a incompatibilidade entre a fé católica e a protestante. Não podemos seguir o Papa Francisco por um caminho diferente.





quarta-feira, 2 de novembro de 2016


Todos os Santos: vida com Deus!

Halloween: paganismo!


«Europa trocou crucifixos por abóboras!»

O Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano, lamentou que a Europa do terceiro milénio troque os seus «símbolos mais queridos» pelas «abóboras» do Halloween. O número dois do Vaticano comentava assim, em 2009, a decisão do Tribunal Europeu de Direitos do Homem, que define a presença do crucifixo nas escolas como uma violação da liberdade religiosa dos alunos e como contrária ao direito dos pais em educarem os filhos segundo as suas convicções.

Claro que, subjacente à expansão do Halloween, está o tentar ofuscar a celebração de «Todos os Santos»: o ofuscar da Luz, da Vida, da Ressurreição, de Deus!

Celebrar o Halloween é celebrar a morte; Celebrar Todos os Santos é celebrar a Vida!

No contexto de campanhas publicitárias da promoção da festa de Halloween, de cada vez mais agressivas, a Conferência Episcopal da França, já no distante ano de 2003, publicou um comunicado para explicar o sentido da festa de «Todos os Santos» e do «Dia dos fiéis Defuntos».

Com a Festa de 1 de Novembro, dia de «Todos os Santos», a Igreja deseja «honrar os santos «anónimos», muito mais numerosos que os canonizados pela Igreja, que com frequência viveram na discrição ao serviço de Deus e de seus contemporâneos», recorda o texto. Neste sentido, declaram os bispos, a Festa de «Todos os Santos» é a festa de «todos os baptizados, pois cada um está chamado por Deus à santidade». Constitui, portanto, um convite a «experimentar a alegria daqueles que puseram Cristo no centro de suas vidas».

A 2 de Novembro, dia de oração pelos defuntos, é proposta uma prática que se iniciou com os primeiros cristãos: a ideia de convocar uma jornada especial de oração pelos falecidos, continuação de «Todos os Santos», surgiu no século X: «A 1 de Novembro, os católicos celebram na alegria a festa de Todos os Santos; no dia seguinte, rezam de maneira geral por todos os que morreram», afirma o documento.

Deste modo, a Igreja quer dar a entender que «a morte é uma realidade que se pode e que se deve assumir, pois constitui o passo no seguimento de Cristo ressuscitado». Isto explica as flores com que nestes dias se adornam os túmulos, «sinal de vida e de esperança», concluem os prelados.

Tradição das Crianças

A tradição diz que, em Portugal, no dia de Todos os Santos as crianças saem à rua e juntam-se em pequenos grupos para pedir o «Pão por Deus» de porta em porta. Em tempos, as crianças, quando pediam o «Pão por Deus», recitavam versos e recebiam como oferenda pão, broas, bolos, romãs e frutos secos, nozes, amêndoas ou castanhas, que colocavam dentro dos seus sacos de pano. É costume em algumas regiões os padrinhos oferecerem um bolo, o Santoro. Em algumas povoações chama-se a este dia o «Dia dos Bolinhos».

E o Halloween?

A festa de «Halloween» chegou dos Estados Unidos da América, e é agora muito celebrada também na Europa, assinalando-se a 31 de Outubro. A comemoração veio dos antigos povos bárbaros Celtas, que habitava a Grã-Bretanha há mais de 2000 anos. Os Celtas realizavam a colheita nessa época do ano, e, segundo um antigo ritual, para eles os espíritos das pessoas mortas voltariam à Terra durante a noite, e queriam, entre outras coisas, alimentar-se e assustar as pessoas. Então, os Celtas costumavam vestir-se com máscaras assustadoras para afastar estes espíritos. Esse episódio era conhecido como o «Samhaim». Com o passar do tempo, os cristãos chegaram à Grã-Bretanha, converteram os Celtas e outros povos da Ilha e a Igreja Católica transformou este ritual pagão numa festa religiosa, passando a ser celebrada nesta mesma época e, ao invés de honrar espíritos e forças ocultas, o povo recém catequizado deveria honrar os santos.

A tradição entre estes povos continuou, e além de celebrarem o «Dia de Todos os Santos», os não convertidos ao Cristianismo celebravam também a noite da véspera do Dia de Todos os Santos com as máscaras assustadoras e com comida. A noite era chamada de «All Hallows Evening»; abreviando-se, veio o Halloween.

Que nós, cristãos, celebremos a Vida e não a Morte, não nos deixando enganar e seduzir pela cultura da morte dos que vivem sem Deus!





terça-feira, 1 de novembro de 2016


Halloween: mera diversão?

Pois quem se diverte mesmo é o diabo!


Pe. Aldo Buonaiuto, exorcista italiano:

«Por trás das brincadeiras, a obra do diabo»

Das brincadeiras do Halloween para o ocultismo há só um pequeno passo, afirma o pe. Aldo Buonaiuto, da Comunidade Papa João XXIII. Ele é exorcista e coordenador de um serviço de ajuda a vítimas do ocultismo. Durante o mês de Outubro, a linha 0800 desse serviço toca sem parar.

Este é um relato de há poucos dias:

«Ligou uma mãe desesperada, que tinha descoberto as mentiras do filho, um rapaz excelente, sincero, que, de repente, mudou de círculo de amizades. Descobriu que o rapaz tinha profanado um cemitério… Eu falei com o rapaz. Porque fizeste isso? E a primeira palavra foi Halloween. Chorando, falou-me da forte persuasão dos novos amigos. No começo parecia tudo uma brincadeira, um jogo. Depois, descobriu que eles estavam agindo a sério; que todos eles acreditavam mesmo naquilo que estavam a fazer. E ele não conseguia livrar-se deles». O episódio quase banal revela como é fácil entrar nesses circuitos. Mas, «especialmente para um jovem, não é fácil sair deles, por vergonha, medo e tantas dinâmicas típicas dessa idade».


O pe. Aldo Buonaiuto acaba de lançar, em Itália, o livro «Halloween: Lo scherzetto del diavolo» (A brincadeira do diabo – título livremente traduzido; a obra ainda não está disponível em português), que examina aspectos históricos e sociológicos desse fenómeno dito cultural.

Segundo ele, a famosa frase «doçura ou travessura?» vem de outra: «oferenda ou maldição?», de origens celtas e usada em sacrifícios ao deus da morte, Samhain, para propiciar um bom Inverno. Embora este significado mais recôndito fique escondido sob a pátina comercial, «o Halloween continua a ser a festa mais importante dos satanistas, envolvendo ocultismo, esoterismo, magia e bruxaria». Por trás das máscaras, o pe. Aldo vê «a obra insidiosa do diabo, uma rasteira indirecta para derrubar as suas vítimas». Os média fazem o resto: «As crianças de hoje nem sabem que existe a festa de Todos os Santos, mas sabem, porque isso é incutido até nas escolas, que existe o Dia das Bruxas – ou Halloween».

E quanto à memória dos falecidos?

«Sequer é comparável. O Halloween exalta o espiritismo, o mundo invisível ligado às forças demoníacas. O Dia de Finados está ligado à crença na vida eterna, na ressurreição do corpo. As religiões têm respeito pelos mortos. O Halloween não tem. Ele ultraja os mortos».

«Não se pode banalizar este fenómeno. Para muita gente, é só um momento de diversão, mas, para os satanistas, a participação indirecta também conta: quem se fantasia está de certa forma exaltando o reino do mal. Que pai quer ver o seu filho de rosto desfigurado, sem os olhos, gotejando sangue? Qual é a diversão nisso? O que se esconde de verdade por trás desse fenómeno que leva a considerar esse tipo de coisa como normal?».

O exorcista está convicto:

«A nossa sociedade não precisa de Halloween, de monstruosidade, de imagens agressivas e violentas do macabro e do horror. Esta sociedade não precisa das trevas. Os nossos filhos precisam da luz. Porque não lhes oferecemos a festa dos santos? Esta é que é uma beleza! É um grande desafio numa sociedade que se devota às coisas ruins para torná-las normais».

Daí o convite: preparar festas temáticas sobre as vidas dos santos. E um apelo aos sacerdotes, professores e catequistas:

«Tenham a coragem de testemunhar a fé desses grandes heróis, os santos e beatos, que têm muito a transmitir para esta sociedade. Abram as portas das paróquias não para abóboras vazias, mas para belas festas! O Dia de Todos os Santos é uma grande oportunidade para sermos quem somos: filhos da luz!».





quinta-feira, 27 de outubro de 2016


Projecto Família já ajudou

mais de três mil crianças a ficar com os pais



Há dez anos que o Movimento de Defesa da Vida actua na prevenção da institucionalização de crianças. O apoio é dado em casa das famílias, com disponibilidade 24 horas por dia.

Não se ajudam as famílias em risco retirando-lhes os filhos, mas sim ajudando-as a refazer a vida. É nesta base que a actua o «Projecto Família», do MDV – Movimento Defesa da Vida, que desde que foi criado já evitou que milhares de crianças fossem institucionalizadas. O trabalho foi reconhecido internacionalmente com o Local Answers Award, entregue nas Conferências do Estoril.

A directora técnica do MDV, Carmelita Dinis, falou à Renascença sobre a metodologia que seguem no «Projecto Família» e o esforço que fazem para se financiarem, porque a ajuda que recebem da Segurança Social não chega. O projecto está actualmente em Lisboa, Almada/Seixal e Gondomar e em 10 anos foram acompanhadas 1.952 famílias e 3.302 crianças e jovens.

Como é que funciona o Projecto Família?

É um projecto de preservação familiar, trabalha sobretudo com famílias com crianças e jovens em risco na perspectiva de, trabalhando com a família, tentar não remover as crianças, mas remover os riscos que tornam difícil a permanência da criança em casa. Por isso, sempre numa perspectiva de manter a unidade familiar, tendo em atenção, e no centro, aquilo que é o bem-estar e o desenvolvimento da criança.

Como é que identificam as famílias em risco?

Temos neste momento em Lisboa, Almada/Seixal e Gondomar Centros de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental (CAFAP). Com isto acabamos por trabalhar em estreita ligação com o sistema de prevenção e protecção, por isso neste momento a maior parte das famílias, se não a totalidade, são famílias que nos são sinalizadas e referenciadas pelas comissões de protecção de crianças e jovens, ou pelas equipas da Segurança Social que dão apoio ao Tribunal, ou mesmo directamente pelo tribunal.

Ou seja, são situações de crise acentuada, quer seja de crise económica, quer a nível de relação, que levam a que haja aqui risco para estas crianças e uma possível retirada. Por isso, o «Projecto Família» pretende ser muitas vezes uma última oportunidade de trabalhar com as famílias, de forma que as crianças possam permanecer.

E como é que actuam? Têm técnicos especializados?

Temos uma equipa de técnicos nos vários locais. São pessoas que são da área das ciências sociais e humanas, psicólogos, serviço social, da área da reinserção social, e até da economia, que fazem uma formação específica de 40 horas dentro da metodologia do projecto, porque é uma metodologia que tem algumas características inovadoras. A família é referenciada, há uma reunião de apresentação…

A família que vai ser ajudada tem de autorizar esta intervenção?

Sim, porque todo o trabalho do técnico é feito em casa, não há trabalho de gabinete. Pode haver depois referenciação para serviços de psicologia, terapia familiar, caso seja necessário, mas este trabalho de proximidade e colaboração com a família é feito em casa. Este técnico está disponível para a família 24 horas por dia, todos os dias, ou seja, trabalha com a família naquele que é o horário da família, porque muitas vezes as situações de crise e de tensão familiar dão-se ao final do dia e ao fim-de-semana. Por isso é muito importante ter lá alguém no horário em que a família necessita de ajuda, e esta pessoa está disponível. Há uma fase inicial de intervenção intensiva de seis semanas, e depois há um acompanhamento até um ano. Nesta fase intensiva cada técnico só tem duas famílias.

Há uma dedicação quase exclusiva?

Sim, e uma relação de proximidade. Não deixa de ser um técnico, mas está lá para ajudar também a ser um catalisador da mudança, vai tentar trabalhar com aquela família, fomentando a que sejam eles a perceber que podem ter melhores condições de vida e que têm essa capacidade de conseguir organizar-se de forma diferente para que os filhos permaneçam com eles.

E também ajudam as pessoas a reorganizar a vida, permitindo-lhes que façam alguma formação, na procura de emprego?

Sim, até porque onde trabalhamos, e estamos a falar de cidades grandes, continuamos a encontrar pessoas que estão completamente à margem do sistema social, completamente desinseridas e que precisam de ajuda em termos do sistema de saúde mental. Por isso é muito importante ajudá-las a, não só procurar os serviços, como às vezes ir acompanhá-las aos serviços.

A perspectiva é que no prazo de um ano as famílias estejam reestruturadas?

Sim. Depois daquela primeira fase de intervenção intensiva, de seis semanas, há aquilo a que nós chamamos os «follow up» de um, três, seis meses e 12 meses, por isso continuamos a acompanhar. Ao fim de um ano é avaliado se aquela criança permanece naquela família, e isso é tido como um factor de sucesso também deste projecto.

Neste momento quantos técnicos têm a trabalhar?

Em Lisboa temos à volta de cinco técnicos mais o supervisor, isto no trabalho directo com a família, porque depois também temos nos vários núcleos algum trabalho de complementaridade. Por exemplo, em Lisboa, temos também um serviço de psicologia de consultas, que apesar de estar aberto ao público, dá sobretudo prioridade às famílias do «Projecto Família», temos um serviço de apoio à procura de emprego. Ou seja, em Lisboa temos uma equipa com mais pessoas, no resto dos sítios temos sempre três a quatro assistentes familiares, um supervisor e um coordenador.

E em termos de famílias?

Normalmente em Lisboa acompanhamos cento e tal famílias, no resto dos sítios são menos. No ano 2015 apoiámos cerca de 267 famílias e 505 crianças. Ao todo, desde o início do projecto, já acompanhámos 1.952 famílias e 3.302 crianças e jovens. Não trabalhamos só com as famílias na perspectiva de evitar a institucionalização, temos também acompanhamento nos casos de reunificação. Ou seja, situações de crianças que estão em centros de acolhimento e que regressam a casa, nós também intervimos para ajudar os pais nesse regresso a casa.

Desde 2015 também temos o Ponto de Encontro Familiar, trabalhamos também nas situações de divórcio e de conflito grave ao nível das responsabilidades parentais, e que muitas vezes tenta facilitar os contactos dos pais no pós-divorcio, tentando centrar muito as questões no interesse dos filhos, e na forma como se pode ser pai e mãe depois de deixar de ser casal.

Muito do trabalho que fazem passa, portanto, por esta questão da mediação e orientação familiar, mas o MDV também promove seminários, formação, até ao nível da educação sexual…

Sim, continuamos a manter o que esteve na origem do MDV, e que foi esta tónica na educação sexual e planeamento familiar. Tivemos um protocolo com o Ministério da Educação até 2005, que deixámos de ter, mas continuamos a fazer o atendimento na área do planeamento familiar, colaboramos com alguns locais onde estão jovens mães ou grávidas adolescentes. Às vezes fazemos só as sessões, outras vezes fazemos um acompanhamento mais profundo, dando conhecimento de todos os métodos de planeamento familiar, mas com enfoque particular na questão do planeamento familiar natural.

O MDV não está ligado à Igreja, mas tem esta preocupação de divulgar e dar a conhecer estes métodos que a Igreja defende, e que a nível médico nem sempre são apresentados como opção…

O MDV é uma associação aconfessional e apolítica, mas tem na sua base os valores do humanismo cristão, e por isso faz sentido esta nossa actividade. Relativamente a estes métodos, temos tido muitas vezes pedidos de enfermeiros, e jovens enfermeiros, que não têm esta área na sua formação e que têm muito interesse.

Em termos de financiamento, as ajudas que recebem são suficientes?

Como IPSS temos um protocolo com a Segurança Social, mas não cobre o financiamento da totalidade das nossas actividades, por isso temos necessidade de continuar a ter aqui um trabalho de angariação de fundos e de donativos. Fazemos campanhas com regularidade e tentamos sensibilizar também empresas e particulares para a continuidade desse apoio financeiro de que precisamos.

Temos também alguns serviços que estão abertos à comunidade. Por exemplo, o Departamento de Psicologia também dá consultas e está aberto ao público, que é uma forma também de nos sustentarmos e conseguirmos depois dar este tipo de resposta às outras famílias. Estamos a tentar estender no próximo ano a outro tipo de serviços, como a terapia da fala, porque é das coisas que vamos sentindo que é muito importante e que às vezes não existe na comunidade, os encontros com pais, que são sessões mais de sensibilização para a parentalidade e para a educação dos filhos, é dirigido às famílias do «Projecto Família», mas está aberto ao público em geral.

Por exemplo a área da psicologia é uma área que até ao ano 2015 estava contemplada no acordo que tínhamos com a Segurança Social e que deixou de ser financiada, por isso neste momento houve a necessidade de abrirmos ao público de forma a conseguirmos financiar e dar o apoio às famílias que damos.

Também contam com a ajuda de voluntariado?

Todas as pessoas que têm um trabalho directo com a família – sobretudo no Projecto Família, no Ponto de Encontro Familiar e na mediação – tudo o que é trabalho mais técnico é trabalho pago. Mas temos também um grupo de voluntários, em articulação até com algumas empresas, que nos apoia nas actividades que vamos desenvolvendo com as famílias, por exemplo no dia da criança e no dia da família. Temos também uma Lojinha Social, que também é organizada por voluntários e temos algumas actividades de apoio ao estudo a crianças do Projecto Família. Também organizamos colónias de férias, e aí sim, contamos muito com os voluntários.