quinta-feira, 22 de junho de 2017

A ideologia de género é contra os termos «pai» e «mãe»


Jurandir Dias, Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, 20 de Junho de 2017

Adelaida de la Calle,
Conselheira de Educação
da Junta da Andaluzia
Em Espanha, o Ministério da Educação da Junta da Andaluzia decidiu suprimir os termos «pai» e «mãe» na inscrição para o próximo ano lectivo. Os pais são considerados apenas «tutores» – que têm a guarda – dos filhos. Na ficha de matrícula figuram apenas os campos «tutor 1» e «tutor 2» em vez de pai e mãe.

O blog «Heraldos de Sevilla» comentou: «A Junta da Andaluzia elimina os termos «pai» e «mãe» das suas matrículas para agradar ao colectivo homossexual. (…) A alteração parece ser uma tentativa de mudar o sexo das palavras em favor da igualdade».[1]

«Esta não é a primeira exigência do lobby [homossexual] nas escolas»  comenta o site La Gaceta – «já que considerou ‘discriminatória’ a celebração do Dia das mães e dos pais e pediu para mudar as festividades para o Dia Internacional das Famílias – 15 de Maio». Este seria um dia em que «todas as crianças podem celebrar a diversidade da família na nossa sociedade», argumentaram.[2]

A iniciativa do Governo causou a indignação dos pais, que a consideram absurda e ridícula.

Por aí se entende porque nos países onde a ideologia de género foi aplicada, sob qualquer pretexto, os pais perdem a guarda dos filhos para o Estado. Assim, chamou a atenção do mundo inteiro um facto que aconteceu na cidade de Naustdal, Noruega, onde «uma família cristã formada pelo romeno Marius Bodnariu e a norueguesa Ruth tiveram os seus cinco filhos sequestrados pelo Governo, após uma denúncia encaminhada para o serviço social do país, ‘alegando radicalização e doutrinação cristã’.» Na Alemanha, os pais de nove filhos foram presos porque uma filha se recusou a  participar na aula de «educação sexual».[3]

A famigerada ideologia de género não se contenta em suprimir os sexos masculino e feminino com o uso da palavra «género», mas quer suprimir também os termos «pai» e «mãe». Isto é a doutrina comunista posta em prática. Se os pais são apenas tutores dos filhos, quem serão então os pais verdadeiros? O Estado totalitário, que decidirá como devem ser educadas as crianças?


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sexta-feira, 2 de junho de 2017

Colheitas de sangue para Junho no posto fixo da ADASCA em Aveiro



Vem a ADASCA por este meio dar a conhecer as próximas datas relativas às sessões de colheitas que vai realizar durante o mês de Junho no Posto Fixo, localizado no Mercado Municipal de Santiago, 1.º Piso.

Colheitas de Sangue para Junho

Dias 7, 14, 21 e 28 das 15 horas às 19:30 horas

Dias 3, 17 e 24 das 9 horas às 13 horas

As sessões agendadas para o mês de Julho podem ser consultadas
no site: www.adasca.pt

Tendo em conta o interesse público destas iniciativas agradecemos a melhor divulgação possível reencaminhando pelos contactos de cada um. Obrigado.

Cumprimentos,

Joaquim Carlos

964 470 432





quarta-feira, 24 de maio de 2017

Anda um pai a criar uma filha para isto…


Laurinda Alves, Observador, 23 de Maio de 2017

Estes rapazes e raparigas terão os seus filhos e as filhas, e uma das grandes interrogações também passa por saber como agiriam se soubessem que as suas próprias filhas se vendem por um par de shots.

Indo directamente ao assunto e usando a terminologia dos próprios alunos universitários que montaram as barracas das Queimas das Fitas, este ano houve tendas particularmente más em alguns dos queimódromos: a «Tenda das Tetas», onde bastava «mostrar as mamas» para ter bebidas à borla, e a barraca onde as raparigas também não pagavam se dessem beijos na boca umas das outras. Não estamos a falar de beijinhos infantis (que já seriam de mau gosto, até para raparigas que vivem a sua homossexualidade com autenticidade e sem exibicionismos), mas de beijos pornograficamente demorados, elaborados, incitados e aplaudidos pelos rapazes em volta. Beijos de bordel, dados em estado líquido, note-se, com níveis de alcoolémia de rebentar qualquer escala.

Não estive em nenhuma das Queimas, seja a do Porto, de Braga ou de Coimbra, mas bastaram-me três brevísssimos vídeos, destes que circulam nas redes sociais e no whatsapp (que um comité de ética me enviou por ser jornalista e cronista, para perceber a extensão do fenómeno, e para que não escrevesse sem saber exactamente sobre o que estava a escrever), dizia eu que me bastaram estes três fragmentos descarada e propositadamente gravados para circularem na net, para compreender que a realidade ultrapassa a ficção. Em todos podemos ver as caras e os corpos dos estudantes envolvidos, em todos se ouvem gargalhadas e frases obscenas em tudo iguais às que já vimos ou ouvimos no cinema, ou em documentários sobre assédio, bullying, estupro e outros abusos. Dá náuseas ver estes vídeos, confesso, mas são uma realidade real, nua e crua. Servem para perceber de que falamos, quando falamos de animação em certas festas estudantis.

Pergunto-me quem serão os pobres pais das raparigas e rapazes que confundem prostituição com diversão? Mas também me pergunto quem serão estas mulheres que não conhecem a história das mulheres, nem as suas lutas, provações, perseguições e privações ao longo dos séculos? Estas raparigas andam na universidade, mas não sabem básicos essenciais sobre a Humanidade. Não só aceitam as regras do jogo, como estimulam a perversidade dos homens, entregando-se a estas supostas brincadeiras com leviandade. Universitárias e universitários deste calibre são um verdadeiro retrocesso civilizacional. Não é preciso ser feminista para sofrer por ver uma rapariga vender-se por um copo ou dois de cerveja.

Nestas e noutras tendas parece que nunca faltou freguesia e o alcool jorrou até nascer o dia. Os rapazes e as raparigas beberam torrencialmente shots atrás de shots (tão baratos, afinal, pois bastava «mostrar as mamas» e deixar o soutien pendurado na tenda para ganharem mais bebidas de borla!), tudo à custa da exposição barata da intimidade do seu corpo. Ou à custa da exibição de beijos entre mulheres, escandalosos beijos pagos a dobrar, pois faziam-se rodas e as bebidas duplicavam se as raparigas beijassem à esquerda e depois à direita, trocando de pares para gáudio dos voyeurs.

Ver rapazes e raparigas embriagados, aos bordos, a dizerem e fazerem coisas estúpidas é degradante. Vê-los em multidão, a pedirem e a consentirem comportamentos bizarros, é alarmante. Sabemos que certas praxes académicas vão ainda mais longe e são muito mais humilhantes do que isto, por não deixarem margem ao livre consentimento e funcionarem em modo submissão, mas não deixa de ser chocante ver estudantes universitários divertirem-se comprando-se e vendendo-se uns aos outros de formas mais ou menos obscenas. E fazerem tudo isto de livre vontade, sem serem obrigados a nada. Só porque sim e porque assim não pagam bebidas.

O efeito manada é perverso e estupidificante. Aliás, só assim se compreende que apesar de individualmente alguns destes alunos de cursos superiores condenarem comportamentos abusivos e serem capazes de participar em manifestações pelos direitos humanos ou assinarem petições públicas contra violações colectivas na Índia, para dar um exemplo recente, possam em noites de muitos copos perder a cabeça e a noção dos limites.

Podem argumentar que a promiscuidade neste tipo de festas é um clássico universitário e só lá vai quem quer, ou quem não se importa de participar, mas não tenho a certeza de que lá estejam só rapazes e raparigas hiper conscientes da sua própria inclinação à devassa. Muito pelo contrário. Nestas Queimas há bilhetes para famílias e estudantes do secundário. Ou seja, podem lá ir pais com filhos e também podem ir adolescentes sozinhos, pois supostamente as Queimas são festas abertas às cidades onde decorrem. Há concertos e acontecimentos culturais, vêm músicos e artistas de outros pontos do país, e tudo isto revela que as Queimas não são festas só para adultos. Muito menos são consideradas festas pornográficas ou orgias colectivas, que também as há por aí, mas para gente que sabe exactamente ao que vai.

Durante e depois da semana da Queima houve queixas e levantaram-se processos. A Polícia Judiciária está a investigar o caso do alegado abuso sexual de uma jovem num autocarro, mais uma situação que envolveu vários estudantes e foi filmada com o mesmo propósito de divulgar nas redes sociais. Este caso já fez correr muita tinta nos jornais, mas ainda ninguém sabe como vai terminar. No meio de tudo isto, ficamos a saber muitas coisas sobre sites e grupos secretos que operam no facebook e foram criados para partilhar conteúdos sexualmente explícitos. As notícias são inquietantes, os vídeos tornam-se virais e todas as raparigas e rapazes que se vêem nos vídeos ficam para sempre reféns destas mesmas imagens. Não há volta a dar. Ninguém saberá nunca a que mãos é que estas imagens vão parar. Nem quando é que vão parar de circular.

Perante esta realidade é impossível não olhar com perplexidade para o cúmulo de excessos, mas também é impossível não nos interrogarmos. Algumas perguntas têm que ficar a fazer eco e a incomodar-nos. Questões sobre quem organiza tudo isto, naturalmente, mas também sobre as relações entre pais e filhos, alunos e professores, amigos e amigas. As famílias já não são o que eram e, por isso, ninguém sabe até que ponto uma rapariga ou um rapaz têm condições para entender o impacto daquilo que estão a viver. Muito menos para fazerem a sua catarse pós-ressaca, no caso de terem consciência do que viveram durante a bebedeira.

Estes rapazes e estas raparigas são jovens e têm um futuro pela frente. Muitos deles virão a ser pais, terão os seus filhos e as suas filhas, e uma das grandes interrogações também passa por saber como agiriam se soubessem que as suas próprias filhas se vendem por um par de shots ou de cervejas. Neste tempo, em que são filhos, entram no jogo e estabelecem os seus valores e preços, mas será que gostariam que a sua filha se prostituísse e fosse filmada enquanto se prostituia? E será que não se angustiariam com o facto de essas imagens ficarem para sempre na net?







terça-feira, 16 de maio de 2017

A ideologia que nasceu morta


Jurandir Dias, Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, 11 de Maio de 2017

O dr. Milton Diamond [foto ao lado], especialista em sexualidade humana e pesquisador da universidade do Havai, graduado pela universidade do Kansas em 1962 como Ph.D em anatomia e patologia, tornou-se amplamente conhecido pelo caso John/Joan, onde acompanhou David Reimer, que foi um menino criado como menina quando teve o seu órgão genital amputado acidentalmente numa cirurgia da fimose.

Quando aquele menino já se tornara adulto, o Dr. Milton, após rastrear o caso, descobriu que os esforços para transformá-lo em mulher não tinham funcionado como foi falsamente relatado na literatura científica.

John Money, iniciador da ideologia de género.
Ao tentar pôr em prática a sua teoria destruiu
a vida de uma família inteira.
Trata-se de Bruce/Brenda/David – estes foram os nomes adoptados durante a sua triste vida – que teve a infelicidade de ter sido tratado pelo Dr. John William Money (1921-2006), professor na prestigiosa universidade Johns Hopkins, em Baltimore, e médico no Johns Hopkins Hospital. David Reimer acabou por suicidar-se.

Foi neste hospital que outro médico, o Dr. Paul McHugh, durante o seu mandato como chefe do departamento de Psicologia, acabou com a cirurgia de mudança de sexo naquela instituição. Constatou que este procedimento não ajudava as pessoas com problemas de identidade sexual, inclusive levando muitos ao suicídio, conforme já relatamos neste site.

Para entender este facto, convém relembrá-lo.

Em 1965, na cidade de Winnipeg, Manitoba, no Canadá, um casal de pequenos fazendeiros tiverem dois filhos gémeos: Brian e Bruce. Com apenas 8 meses, os bebés apresentavam dificuldades para urinar e foram diagnosticados com fimose. No dia 27 de Abril de 1966, um urologista fez a cirurgia a Bruce utilizando um equipamento eléctrico para fazer a cauterização. O aparelho apresentou um defeito na primeira tentativa, mesmo assim o médico insistiu e acabou por queimar o órgão masculino do menino.[1]

Os pais do menino ficaram completamente arrasados e desistiram da cirurgia do outro filho que apresentava o mesmo diagnóstico e que acabou por se resolver sem intervenção cirúrgica.

Pouco tempo depois, o casal Reimer viu na televisão uma entrevista com o Dr. Money, que falava sobre a mudança de sexo. O casal resolveu pedir ajuda a este médico. Aos 21 meses de idade, foi realizada uma cirurgia para redefinir o sexo. O menino foi castrado. Os médicos tinham calculado ser mais fácil reconstituir um sexo feminino.[2]

O dr. Money orientou os pais a criar o Bruce como se fosse uma menina. Vestindo-o como menina e os brinquedos deviam ser de meninas. Mas deveriam manter segredo sobre o verdadeiro sexo da criança. Isto não deveria ser revelado nem para o irmão gémeo. Deram-lhe, então, o nome de Brenda.

Apesar dos pais seguirem os conselhos de Money, as coisas não corriam como ele tinha previsto. Aos dois anos, quando a mãe tentou vestir o menino com o seu primeiro vestido, este opôs-se energicamente. Janet, a mãe, então exclamou: «Meu Deus, ele sabe que é um menino e não quer vestir-se como uma menina!». Outros problemas apareceram também na escola, pois a «menina» apresentava comportamentos masculinos e, por causa disso, era rejeitada pelas colegas.

Os problemas só pioravam com o decorrer do tempo. Mesmo assim, o dr. Money proclamava através dos media que a sua experiência estava a ser um sucesso. Num artigo publicado em Archives of Sexual Behaviour, escreveu: «O comportamento da menina é claramente o de uma menina activa, bem diferente das formas masculinas do seu irmão gémeo» e que «os gémeos estavam felizes nos seus papéis estipulados: Brian era um menino forte e traquinas; «Brenda», a sua irmã, era uma doce menina». A revista Time afirmava que «este caso constitui um apoio férreo à maior das batalhas pela libertação da mulher: o conceito de que as pautas convencionais sobre a conduta masculina e feminina podem ser alteradas».

Os gémeos eram obrigados a seguir periodicamente sessões de «psicoterapia» com Money. Estas sessões eram muito traumáticas, conforme relatou posteriormente David. Numa tentativa de estabelecer a diferença de comportamento entre homem e mulher, Money mostrava-lhes fotos sexuais explícitas, fazia os meninos despirem-se e tocar nas suas partes íntimas e fotografava-os em várias posições. Obrigava também as crianças a encenaram posições de sexo entre os dois e tirava fotografias nesta situação. O dr. Money achava que «jogos sexuais infantis» eram «importantes para a identidade de género adulta saudável».[3]

Este médico defendia comportamentos sexuais ousados, como «casamentos» em que os cônjuges poderiam ter amantes com consentimento mútuo, estimulava o sexo em grupo e bissexual. Chegava até a tolerar o incesto e a pedofilia.

A senhora Janet, sentindo-se culpada e desorientada com a situação do filho, entrou em depressão e tentou o suicídio. O pai tornou-se alcoólico, e o irmão Brian começou a usar drogas e a praticar crimes.

Quando tinha 14 anos, Bruce, ou «Brenda», que tinha tomado estrogénio durante toda a adolescência, profundamente abalado com as sessões de psicoterapia, entrou em depressão e disse aos pais que iria cometer suicídio se eles o fizessem ver novamente o Dr. Money.

O pai de «Brenda/Bruce» resolveu então revelar-lhe o segredo. Este facto foi um alívio para o rapaz que disse depois: «De repente, tudo fazia sentido. Ficava claro porque me sentia daquela forma. Eu não estava louco».

Nessa ocasião, «Bruce/Brenda» decidiu fazer uma nova cirurgia para recompor a sua genitália masculina e tomar hormónios masculinos para restabelecer o seu físico masculino. Ele então adoptou o nome de David.

Como não havia mais visitas dos seus pacientes, o Dr. Money interrompeu as publicações a respeito do «sucesso» da sua experimentação. Isto chamou a atenção do Dr. Milton Diamond que resolveu procurar David e investigar o que estava a acontecer.

David já estava com 30 anos de idade quando foi encontrado por Diamond. Nessa ocasião, ficou a saber que a sua história era divulgada no mundo inteiro e que era conhecida como o caso «John/Joan» em artigos e livros da comunidade científica.

Indignado com tal facto, resolveu colaborar com o Dr. Diamond que pôs a claro toda a farsa da teoria de Money. Ele não queria que outras pessoas passassem pela triste experiência pela qual passou. O trabalho de Diamond foi amplamente divulgado.[4]

Contudo, os problemas de David não terminaram por aí. Em 2002, o seu irmão gémeo Brian, que sofria de esquizofrenia, suicidou-se com uma overdose de antidepressivos. A sua esposa, que não suportou o seu temperamento depressivo, abandonou-o. Na manhã de 5 de Maio de 2004, com 38 anos de idade, David suicidou-se com um tiro na cabeça.

Com David Reimer, morre também a tentativa de comprovação cientifica da ideologia de género. Apesar disso, os promotores dessa famigerada teoria continuam a exibir o seu putrefacto e malcheiroso cadáver e fingir que ele está vivo.

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Referências:

[1] Disponível em http://www.polbr.med.br/ano04/psi0604.php Acessado em: 09/05/2017.

[2] Disponível em http://sciencecases.lib.buffalo.edu/cs/files/gender_reassignment.pdf Acessado em: 09/05/2017

[3] Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/David_Reimer Acessado em: 09/05/2017.

[4] Disponível em http://www.polbr.med.br/ano04/psi0604.php  Acessado em: 09/05/2017.





segunda-feira, 15 de maio de 2017

sexta-feira, 12 de maio de 2017

É bom conhecermos a verdadeira Marine Le Pen (2): influências maçónicas


https://www.youtube.com/watch?v=gi5405Bs7xc&feature=youtu.be






É bom conhecermos a verdadeira Marine Le Pen (1): abortista

A eurodéputée Sophie Montel do FN, que preside ao groupe frontistea no Conselho Regional de Bourgogne-Franche-Comté, pronunciou um discurso centrado no «direito das mulheres», apoiando o aborto:

«Nous ne faisons pas du vieux conservatisme en reprenant à notre compte des combats d'arrière-garde. Nous sublimons la femme, nous défendons la libre disposition de son corps qui passe naturellement par la sanctuarisation de la contraception et la non-remise en cause de l'avortement. Oui, mes amis, le Front national défend le droit de la femme à disposer de son corps.»

Marine Le Pen e a eurodéputée Sophie Montel do FN, que preside
ao groupe frontistea no Conselho Regional de Bourgogne-Franche-Comté

«Tens razão, Sophie» — exclama Marine

Sophie Montel foi aplaudida por parte da sala e assobiada por outra. Esta passagem soa a ataque a  Marion Maréchal-Le Pen, sobrinha de Marine Le Pen, e que tem sobre este assunto uma posição totalmente contrária.  Marion  refere-se à «banalização do aborto».

No seu discurso, Marine Le Pen disse a Sophie Montel: «Tens razão, Sophie».





terça-feira, 25 de abril de 2017

Prazeres que conduzem à psicose, distracções que preparam para o trabalho




Plinio Corrêa de Oliveira, IPCO, 23 de Abril de 2017

Todos os sociólogos deploram a exagerada concentração demográfica nos grandes centros modernos. E apontam como uma das razões deste facto a atracção que as diversões das cidades muito desenvolvidas exercem sobre a alma simples do homem do campo.

Iluminação pública esplêndida, zona comercial muito movimentada de dia, decorada de vitrines resplandecentes à noite, cinemas com anúncios aliciantes, bares, boîtes, confeitarias, restaurantes, botequins de rádio violentamente sintonizado e coruscantes luzes, enfim atracções para todos os gostos, todas as bolsas, todos os vícios. É hoje o quadro já trivial, das megalópoles modernas, de que o Rio de Janeiro e São Paulo nos oferecem o exemplo típico.

As atracções deste género são feitas para excitar, empolgar, pôr em desvario as pessoas. Elas criam uma sede de prazeres sempre mais violentos, emoções sempre mais fortes, vibrações sempre mais intensas. E é assim que «descansa» um pobre homem que trabalhou intensamente o dia todo.

A distensão dos prazeres castos e calmos do lar, ou de uma vida razoável, temperante, tranquila, parecem aos viciados em excitações, das megalópoles, de um tédio insuportável.

E, assim, só a intemperança, a excitação e o vício divertem. É de admirar que neste ambiente sejam tantos os pecados e tão terríveis as psicoses?

A nossa fotografia apresenta um dos mil, ou antes dos milhões de aspectos que esta excitação apresenta. Lado a lado, um jovem robusto urra num rictus que tem um quê de entusiasmo, um quê de gemido, um quê de imprecação, uma jovem sorri deliciada, enlevada, como que sentindo escorrer um deleite interior em todos os seus nervos, e outro jovem, sumamente atento, utiliza uma revista como corneta. São três jovens que «descansam» divertindo-se. Com o quê? Um match? Um torneio? Não… ouvem um jazz!

Aí está uma manifestação extrema de um facto psicológico que em proporções mais discretas é comum. Se assim se vibra com o jazz, que dizer das vibrações provocadas pelo cinema, pela rádio e pelo desporto? Não é assim precisamente, que as almas acabam por perder o gosto do lar e do trabalho, ou por cair na psicose?

* * *

Num botequim popular de uma aldeia alemã, terminada a faina diária, cinco camponeses divertem-se, a ouvir uma leitura, comentada, que um deles lhes faz, à luz de um candeeiro. Homens de meia idade, fortes, calmos, que encontram um prazer inteligente e cheio de espírito, nesta coisa tão agradável e tão simples que é uma leitura feita com «verve» numa roda de companheiros que sabem analisar, comentar e sorrir. Prazer sem gastos, tranquilo e tonificante, que distrai sem viciar, e prepara o homem para novos esforços, por uma sábia distensão.

Note-se que não se trata de intelectuais, mas de simples camponeses, os quais ainda apreciam este prazer supremo dos antigos, hoje quase extinto, isto é, uma boa conversa.

Mas este ambiente espirituoso e recto tem de resultar de condições gerais da vida. Se estes homens tivessem passado o dia inteiro a trabalhar num ambiente trepidante, se tivessem viajado horas num comboio de subúrbio, se ao lado da sua calma e decente «brauerei» houvesse um cinema «deslumbrante», e o rádio do botequim vizinho estivesse a encher o quarteirão com as notícias perturbadoras da política, ou das crises económicas, descrevendo o último crime, ou difundindo um jazz «electrizante», poderiam eles conversar e descansar assim?

Não há algo de muito profundo a mudar, nestas condições gerais da existência hodierna?





domingo, 16 de abril de 2017

Adopção de crianças por homossexuais:

razões para o não


Pe. João Paulo Pimentel

O primeiro problema decorrente da adopção de crianças por pares homossexuais deriva do facto de se ter chamado «casamento» a tais uniões. Como bem esclarecia um documento da Congregação para a Doutrina da Fé de 3 de Junho de 2003, «não existe nenhum fundamento para equiparar ou estabelecer analogias, mesmo remotas, entre as uniões homossexuais e o plano de Deus sobre o matrimónio e a família» (n.º 4). Aliás, a insistência, por parte de uma minoria (ainda que ruidosa e financeiramente poderosa), para viabilizar a adopção nestes moldes deve-se, em boa parte, à vontade de conquistar uma maior legitimidade social para as próprias uniões homossexuais. As crianças são um meio em vista de um objectivo ideológico.

Quando a sociedade afirma que uma união homossexual pode ser um casamento está a evidenciar que, pelo caminho, perdeu valores fundamentais:
  • Perdeu a consciência da riqueza da diferenciação sexual;
  • Perdeu o significado profundo do corpo, que pode expressar um amor de doação precisamente porque há um outro que é diferente e complementar;
  • Perdeu o nexo entre a união conjugal e a procriação como se esta fosse um acidente da anterior que talvez uma vez na vida possa suceder;
  • Perdeu o significado da entrega do próprio «eu» no acto conjugal que é visto apenas como um disfrutar mutuamente um com o outro;
  • Perdeu a consciência da existência de uma união entre um homem e uma mulher que é para toda a vida e tem a chancela divina;
  • De facto, perdeu a consciência de que há um plano de Deus para o amor humano entre um homem e uma mulher e de que esse plano é essencial para as felicidades terrena e eterna.
O casamento é, portanto, uma união indissolúvel de amor entre um homem e uma mulher; mas há países que, apesar de aplicarem a certas uniões homossexuais o nome de «casamento», não reconhecem aos pares homossexuais o «direito» de adoptar. Nesses casos, que razões adicionais podem ser apresentadas para se evitar um novo mal? Apresentaremos um elenco de razões, sinteticamente expostas e distribuídas por dois grupos. No primeiro, exporemos as razões essenciais para ajudar a entender que tais adopções são sempre um mal. No segundo, apresentaremos razões que derivam sobretudo do que até agora se pôde observar nos países em que se legalizaram essas adopções. As consequências negativas permanecem válidas mesmo que, nalguns casos, não se tenham verificado; são, na verdade, riscos muito sérios que reforçam a rejeição das adopções por homossexuais.


I. Razões essenciais

1. O bem da criança é secundarizado

O segundo princípio da Declaração Universal dos Direitos da Criança estabelece que, quando se formulam leis relacionadas com a criança, a consideração fundamental a que se deve atender é ao interesse superior da mesma: «Tomar-se-á exclusivamente em conta o bem da própria criança». Permitir a adopção para «consolar» pares homossexuais é inverter a lógica da adopção. Em tais casos, as crianças são vistas como um meio para satisfazer esses pares, os quais chegam ao ponto de reclamar o «direito» a ter crianças.

Há muitos casais heterossexuais dispostos a adoptar crianças sem o conseguirem; não faltam homens e mulheres para adoptar. A finalidade da adopção é proteger a criança desamparada, não a satisfação de adultos que não podem gerar. Além disso, a adopção deve imitar a natureza (adoptio imitat naturam), e a criança é naturalmente gerada por um homem e por uma mulher.

A adopção por homossexuais acaba por consagrar o princípio de que as crianças são, no fundo, propriedade dos «pais» ou «mães» (de quem o Estado considere «pais» ou «mães»). Deste modo, não é garantido às crianças, na prática, o protagonismo das suas vidas. Todos deveríamos responder honestamente a perguntas como as que se seguem: que família será melhor para esta criança? No caso de eu morrer, a que tipo de pessoas gostaria que os meus filhos fossem confiados?

2. Ausência de modelos próximos de ambos os sexos

A criança fica domesticamente privada, de modo deliberado, do enriquecedor contributo da diversidade masculina e feminina. Ela necessita de um pai e de uma mãe, nomeadamente para se identificar com a pessoa do seu sexo e para aprender acerca do respeito, do afecto e da complementaridade que a pessoa do outro sexo pode proporcionar. Várias pessoas educadas com dois pais ou com duas mães queixaram-se de que não aprenderam, na prática, como se lida com pessoas do outro sexo. A criança que vive num lar habitado por homossexuais não tem a experiência real, em casa, das diferenças entre o homem e a mulher. Pelo contrário: aprende erroneamente que são irrelevantes tanto as diferenças sexuais quanto a atracção por pessoas do outro sexo.

3. Dificuldade acrescida para conhecer Deus

Para os que são crentes, vale a pena pensar nas razões teológicas que desaconselham este tipo de adopções. Para conhecer Deus – que tem «coração» de pai e de mãe –, é fundamental conhecer a fundo a riqueza da diversidade sexual. Sem essa experiência, dificulta-se muito um conhecimento mais verdadeiro de Deus. Que sentido fará para uma criança adoptada por dois homens as palavras de Isaías: «Acaso pode uma mulher esquecer-se do seu bebé, não ter carinho pelo fruto das suas entranhas? Ainda que ela se esquecesse dele, Eu nunca te esqueceria» (Is 49, 15)?

Claro que esta lacuna também sucede, em parte, nas crianças que perderam o pai ou a mãe. No entanto, nestes casos, elas aprendem desde muito cedo que falta «algo» nas suas vidas: a experiência da paternidade ou da maternidade. Não lhes é dito que a paternidade ou a maternidade são supérfluas.

4. Mensagem de que o outro sexo é irrelevante

Quando admite a possibilidade da adopção por duas pessoas do mesmo sexo, o Estado está a afirmar implicitamente que o outro sexo não é relevante na formação das crianças. Como se sentirá uma mulher a quem é dito, pelas «leis» e por costumes práticos, que a sua condição de mãe é pouco relevante na formação das crianças? E como se sentirá um pai a quem é dito que a sua condição de pai é dispensável?

Este argumento é desenvolvido no seguinte testemunho (consultado online a 27 de Dezembro de 2015):

Doug Mainwaring 

5. Grave escândalo moral

Do ponto de vista moral, o facto de as crianças serem habituadas desde cedo a conviverem com uma situação gravemente pecaminosa (um dos pecados que, nos catecismos antigos, de modo pedagógico, se incluía entre aqueles que «clamam aos Céus») levá-las-á a tomar por bom o que é mau. A indução desse erro moral é um escândalo no sentido próprio do termo. E Jesus é bem claro a este respeito: «Quem escandalizar um destes pequeninos que creem em Mim, melhor lhe fora que lhe pendurassem ao pescoço a mó de um moinho e que o lançassem ao fundo do mar. Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai daquele homem por quem vem o escândalo!» (Mt 18, 6-7).

6. Constatação precoce da condição de ser adoptado

É preferível não precipitar a informação que se dá a uma criança adoptada sobre a sua situação, para se evitar que ela se sinta diferente das outras. Nos casos das crianças que forem adoptadas por dois homens ou por duas mulheres, será impossível mantê-las na ignorância até à idade e até ao momento mais conveniente.


II. Razões empíricas

1. Riscos de instabilidade

Outro motivo que – sem ser o mais importante e decisivo – desaconselha este tipo de adopção é a falta de estabilidade nas uniões homossexuais. Não é que não possam dar-se excepções, mas estas são tão raras que o legislador – mesmo se não encontrasse outras razões para negar a adopção – deveria exigir uma estabilidade de vários anos antes de entregar uma criança à adopção por homossexuais. Quando um casal diz que se vai separar, os que o rodeiam sentem habitualmente pena e aconselham a uma reflexão séria antes de a separação ser consumada. No caso de pares homossexuais, haverá alguém próximo que lamente essa separação anunciada? Aliás, os próprios, quando se comprometem numa união mais pública e estável, quererão mesmo viver juntos para toda a vida?

Mas a falta de estabilidade nestes casos não decorre apenas da pouca durabilidade (a duração média do «vínculo» não costuma ser superior a três anos): é sabido que os conflitos e os comportamentos violentos entre pares homossexuais são duas a três vezes mais frequentes do que os ocorridos em casais heterossexuais; além disso, as mudanças de «companheiro» são muito frequentes, e a promiscuidade sexual é maior do que a que ocorre em casais heterossexuais. Tudo isto contribui para a instabilidade afectiva das crianças adoptadas.

2. Risco de sérios transtornos

Alguns psiquiatras afirmam que os principais riscos que correm as crianças adoptadas por homossexuais são, do ponto de vista médico, os seguintes:
  • Transtornos na identidade sexual;
  • Maior incidência de comportamentos homossexuais ao chegarem à adolescência (em concreto, estes sete vezes mais frequentes do que em crianças que vivem com os pais biológicos e em famílias com o pai e a mãe em casa);
  • Tendências significativamente maiores para a promiscuidade sexual, transtornos da conduta, a depressão, comportamentos agressivos, a ansiedade, a hiperactividade e as insónias.
Estes argumentos são rebatidos tanto em artigos quanto por aqueles que estimam ainda ter decorrido pouco tempo para se chegar a conclusões certas (dizem que «as amostras» são insuficientes para se chegar a conclusões nesta matéria). Sendo assim, talvez a formulação mais correcta do argumento pudesse ser a seguinte: existe uma forte possibilidade e um aumento do risco de que as tais crianças desenvolvam problemas emocionais, confusões na identidade sexual e depressões; há uma dificuldade real de a criança se adaptar e crescer harmonicamente quando é educada por dois homens ou por duas mulheres, em vez de o ser por um homem e por uma mulher.

3. Outros riscos e dúvidas

Vale a pena levantar mais algumas questões, numa tentativa de convidar o leitor a reflectir:
  • Quando um rapaz adoptado por dois homens sentir atracção por raparigas, estará à-vontade para o manifestar aos que dizem ser seus pais?
  • Quando as crianças nessas condições se derem conta de que a maioria das pessoas tem uma atracção pelo outro sexo, como olharão para os que dizem ser seus pais?
  • Não será previsível que crianças nessas situações acabem por ser malvistas pelos seus colegas?
  • Que farão os pais que se vêem confrontados com um convite do colega do filho que foi adoptado por dois homens ou por duas mulheres (referimo-nos aos que desejam que os seus filhos saibam o que está bem e o que está mal)? Deixarão o filho ir a casa do colega adoptado?
Para concluir, sugerimos que se veja um último testemunho (consultado online a 27 de Dezembro de 2015):

Professor Robert Oscar Lopez 

Defendamos o bem das crianças!





sábado, 15 de abril de 2017

O feitiço que se volta contra o feiticeiro



Jurandir Dias, Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, 13 de Abril de 2017

A empresa americana Target tornou-se alvo, literalmente, de uma saraivada de críticas nos medias sociais após divulgar num blog, em Abril de 2016, um anúncio favorável à ideologia de género. Líderes da American Family Association (AFA) promoveram um boicote à empresa através de um abaixo assinado com mais de 1,4 milhões de assinaturas. Também foi criado a hashtag #BoycottTarget onde milhares de pessoas se manifestaram.

O anúncio da empresa dizia: «Nós convidamos os funcionários transgéneros e clientes a usar casas de banho ou vestiários que correspondam à sua identidade de género».

«A política de Target é exactamente como os predadores sexuais têm acesso às suas vítimas», disse o presidente da AFA, Tim Wildmon, numa carta aberta. «Isso significa que um homem pode simplesmente dizer hoje que se sente como uma mulher e entrar nas casas de banho das mulheres… mesmo que meninas ou mulheres já estejam lá.»[i]

Wildmon insistiu para que as pessoas assinassem a promessa de boicote, observando que a política da empresa «representa um perigo para as esposas e filhas». Também pediu que as pessoas eventualmente lesadas se queixem contra a política da Target, tanto junto da Polícia assim como nas páginas do Facebook.

A campanha contra a Target, que favorece a ideologia de género, resultou na queda do valor das suas acções ao nível mais baixo desde 2014. O preço das acções da empresa e os seus ganhos nunca se recuperaram desde o anúncio em 2016. De facto, as perspectivas da empresa foram tão sombrias que, no início deste mês, a empresa fechou abruptamente alguns importantes projectos com os quais esperava recuperar o mercado retalhista. As vendas caíram quase 6% nos três trimestres após a publicação do post, comparado com o mesmo período do ano anterior. No total, os lucros cairam 43%, segundo o site Chicago Tribune.

O boicote custou à empresa milhões em vendas perdidas e despesas adicionais. Depois do anúncio, a empresa foi obrigada a gastar US$20 milhões na instalação de casas de banho individuais em todas as lojas.

«Isto é o que acontece quando você ignora uma parcela significativa dos seus clientes», observa o articulista Jim Hoft.

Apesar dos prejuízos, o CEO da Target, Brian Cornell, numa entrevista à CNBC, insiste: «Nós tomámos uma posição, e vamos continuar a abraçar a nossa crença de diversidade e inclusão».

Este caso da Target, com as suas consequências, faz-nos lembrar novamente o famoso ditado francês: «Chassez le naturel, il revient au galop.» (Cassai o natural, ele voltará a galope). Numa linguagem popular, dizemos que é o feitiço que se volta contra o feiticeiro.






sexta-feira, 14 de abril de 2017

Torremolinos: bar aberto


Pedro Afonso, Observador, 12 de Abril de 2017

Muitos pais têm perdido a autoridade sobre os seus filhos, e com frequência capitulam quando é necessário impor limites ou aplicar castigos. Ouço-os dizer, num tom resignado, que «agora é tudo assim».

O País ficou chocado com a notícia da expulsão de mais de um milhar de jovens devido a actos de vandalismo num hotel de Torremolinos, onde estavam hospedados. Mas o que é que pode explicar esta autêntica olimpíada de vandalismo e de destruição? Existem várias razões, mas talvez a mais importante seja a ausência de uma capacidade que os clássicos chamavam de temperança (do latim temperantia), mais recentemente designada por autocontrolo e que faz parte da «Inteligência emocional».

Quando não se possui autocontrolo são transferidos para o comportamento um conjunto de impulsos mais primitivos, entre os quais se encontram a busca do prazer imediato e a violência. Nestas idades o córtex pré-frontal ainda não atingiu a maturidade necessária para controlar de forma adequada os impulsos e as emoções provenientes da activação de outra estrutura nervosa chamada amígdala e que integra o sistema límbico. Mas este aspecto não serve por si só para tornar inimputáveis os jovens, nem tão-pouco para justificar o seu comportamento, serve apenas para reforçar a necessidade de se defender uma educação com uma componente normativa, de modo a serem transmitidas regras e um sentido de responsabilidade.

Neste contexto, é totalmente incompreensível que se organize uma viagem de finalistas com o «bar aberto», possibilitando o consumo de bebidas alcoólicas a menores de forma totalmente desregrada. Ora, nestas idades é o mesmo que dizer «podes beber até caíres para o lado», e muitas vezes caem mesmo para o lado sem darem por isso. Quando se bebe álcool o objectivo é fazê-lo de forma moderada, facilitando o convívio social, e não propriamente beber até atingir o coma alcoólico, como infelizmente acontece cada vez mais nestas idades.

Se o autodomínio é uma virtude, há muitos jovens que não conseguem desenvolver esta capacidade e levam esta limitação para a vida adulta, tornando-se pessoas imaturas, escravos dos próprios desejos, com grandes dificuldades de adaptação e com poucas probabilidades de sucesso na sua vida familiar, social e profissional.

Nas últimas décadas houve uma tendência para se implementar modelos educativos experimentais teóricos, como uma vertente demasiado desresponsabilizadora, totalmente dissociados da realidade psicobiológica humana. Os resultados estão à vista: casos crescentes de indisciplina, desautorização da figura do professor e uma desvalorização do ensino. A sociedade não melhorou, e este modelo acaba por contribuir para que muitos jovens perpetuem a sua adolescência na idade adulta, através de uma atitude perante a vida irrealista, governada pelos desejos, repleta de direitos e desprovida de deveres.

Talvez por isso, as expulsões de alunos das salas de aula, por razões disciplinares, continuem a ser demasiado frequentes nalgumas escolas. Há dias escutei um relato de uma professora que tinha expulso 15 dos 30 alunos da turma por indisciplina. Percebe-se que há um ambiente difícil. Estes casos fazem da actividade docente um exercício insuportável de paciência, comprometem a saúde psíquica dos professores, e originam uma tensão constante que nem o melhor dos ansiolíticos consegue atenuar. Estas situações de indisciplina revelam comportamentos anti-sociais que — embora num modelo de menor escala, e sem o efeito potenciador do álcool e das drogas —, acabam por replicar a situação de expulsão dos finalistas em Torremolinos.

Muitos pais têm perdido a autoridade sobre os seus filhos, e com frequência capitulam quando é necessário impor limites ou aplicar castigos perante comportamentos desviantes. Ouço-os dizer, num tom resignado, «agora é tudo assim», «todos os amigos consomem álcool e drogas», etc. Porém os limites e as repreensões também têm uma função pedagógica, ajudam a estruturar a personalidade, preparando os adolescentes para a vida adulta, já que na vida real todos nós somos confrontados com limites e consequências quando desrespeitamos determinadas regras e obrigações.

Os actos de vandalismo ocorridos em Espanha, cometidos provavelmente por um número restrito de jovens, acabaram por dar uma péssima imagem dos colegas, humilharam os pais e desprestigiaram o País. Afinal, o autocontrolo é uma virtude humana que deve ser ensinada e aprendida. Como disse Benjamin Franklin «A fúria tem sempre uma razão, mas raramente uma boa razão».