Daniel Darling
Na semana passada eu escrevi sobre as 5 coisas que uma filha deve ouvir
do seu pai.
Hoje eu quero falar sobre pais e filhos.
Assim como é maravilhoso ser o pai de filhas, é maravilhoso ser pai de
um filho.
Na minha casa, Daniel Jr (4 anos de idade) e eu estamos a perder 4-1 com as
raparigas, e por isso fizemos uma espécie de aliança para garantir que nem tudo
fica pintado de cor-de-rosa, que vemos futebol com alguma regularidade, e que
se vêem tantos filmes de super-heróis como filmes da Barbie.
Falando a sério, o trabalho de criar um filho é uma tarefa nobre e
importante.
Infelizmente, é um trabalho que muitos homens desleixam, abrindo caminho
ao que agora se vê como uma crise de grandes proporções no nosso país: a crise
da paternidade.
Quando tiver vagar veja as estatísticas e ficar a saber que uma
percentagem muito elevada dos jovens que estão na prisão tiveram pouca ou
nenhuma experiência de envolvimento com o pai. Na minha função pastoral, eu vi
os efeitos devastadores da ausência do pai ou da sua falta de liderança na vida
do filho.
Homens, ser pai para os filhos é um trabalho sério.
Por isso, gostaria de apontar 5 coisas que todo filho precisa ouvir do
pai;
1.ª Gosto de ti
Qualquer rapaz precisa de ouvir e saber que o pai o ama.
Sem essa afirmação, um homem carrega feridas profundas que afectam os
seus relacionamentos mais importantes.
Encontrei homens de todas idades que sonham ouvir essas palavras mágicas
que significam bem mais quando vêm do pai: gosto de ti.
Nesta altura o meu filho tem só 4 anos, por isso é mais fácil dizer
essas coisas. Suspeito que, à medida que crescer, vai ser um pouco mais
complicado. Mas continuo a pensar dizer.
Porque por detrás de uma aparência às vezes áspera de um rapaz jovem há
um coração que deseja sentir o amor do pai.
O que você pode não perceber é que a primeira imagem que o miúdo vai ter do seu
Pai celestial é a imagem do pai terreno quando olha para ele.
Ou seja, toca a dizer ao seu rapaz que gosta dele.
2.ª Estou orgulhoso de ti
Nem sei dizer quantos homens conheço que ainda hoje vivem à espera de
ter a aprovação do pai.
No fundo do coração perguntam, porto-me minimamente bem?
Estou a fazer o que é certo? O meu pai estará contente comigo?
Ando a aprender que é importante para nós, pais, sermos firmes com os
filhos de muitas maneiras (ver abaixo), mas nunca devemos negar a nossa
aprovação. Eles precisam de saber, nos momentos certos das suas vidas, que não
é preciso que façam mais para conquistar o nosso favor.
Claro, às vezes eles vão decepcionar e temos de lho fazer saber e
sentir.
E, no entanto, é importante não sermos como senhores que, ao tentar
motivar os nossos filhos para a grandeza, omitimos o maior condimento que pode
facilitar o êxito: a confiança.
Lembro-me da aprovação que Deus faz ao seu Filho quando estava a ser
baptizado por João Batista.
«Este é o meu Filho amado, em ponho a minha complacência» (Mateus 3,17 e
Marcos 19,35). Sim, há implicações teológicas importantes nesta frase para além
da aprovação, mas não posso deixar de ver a aprovação de Deus a Jesus como um
modelo para a relação que temos com os nossos filhos.
Se o seu filho não subir à 1.ª divisão, se ele entrar numa universidade
que não é Harvard, se ele se tornar camionista em vez de pastor evangélico,
nunca lhe dê a impressão de que gosta menos dele.
Não magoe a sua alma dessa maneira.
3.ª Tu não és um choninhas, és um soldado
Hoje a cultura apresenta uma imagem confusa da masculinidade.
O que é um homem? A cultura dominante diz que ele é uma espécie de
inútil e que o melhor que ele consegue é desperdiçar a adolescência
satisfazendo os impulsos sexuais, brincando às guerras na playstation, e sem
qualquer tipo de ambição nobre.
Mas Deus não fez o seu filho, ou o meu filho, para ser um indolente, mas
para ser um soldado.
Por favor, não se ponham nervosos com a palavra «soldado». É bom para
encorajar os filhos a serem masculinos.
Isto não tem a ver com ser caçador de leões, condutor de camiões TIR.
Muitos homens verdadeiros bebem leite, conduzem utilitários pequenos, e
detestam camuflados (como eu).
Há uma visão de masculinidade na Bíblia, de nobreza e força, de coragem
e sacrifício. Um homem de verdade luta por aquilo que ama.
Um homem de verdade valoriza a mulher que Deus lhe dá. Não se serve
dela.
Um verdadeiro homem procura seguir o chamamento que Deus estampou na sua
alma, e que é descoberto através da intimidade com Deus, da identificação com
os dons e talentos recebidos, e da satisfação das necessidades profundas do
mundo (para parafrasear Buechner).
Ninguém consegue ajudar melhor os nossos filhos a orientar-se para a sua
missão que nós, os pais.
Não deixemos o futuro dos nossos filhos ao acaso.
Vamos estar ao lado deles, modelando para eles um modo de viver que
tenha sentido.
4.ª O trabalho duro é um dom, não é uma maldição
Ócio, preguiça e indecisão são as melhores ferramentas do diabo para
arruinar as vidas dos homens jovens.
Pessoal, os nossos filhos precisam de nós para trabalhar no duro e ser
incentivados e preparados para trabalhar no duro.
Eles precisam de perceber que o trabalho é mais duro por causa da queda
original, mas em última análise foi dado por Deus para saborear o seu
beneplácito.
Ficar com as mãos sujas no esforço, na luta, no cansaço – tudo isto é
bom, não é mau.
Infelizmente muitos jovens nunca viram como é importante para um homem
poder trabalhar. Vamos mostrar-lhes que o trabalho traz alegria.
O trabalho honra a Deus. O trabalho bem feito dá glória ao Criador.
Seja feito com os dedos num teclado, cortando árvores à machadada, ou manobrando uma empilhadora. Seja feito num escritório com ar-condicionado, em pântanos lamacentos, ou debaixo de um carro.
Mas não se enganem: o trabalho importa e o que fizermos com as nossas
mãos, se for bem feito, é um sinal do Criador.
5.ª Tens talento, mas não és Deus
Vamos embeber os nossos filhos num sentimento de confiança, de
aprovação, de dignidade. Mas vamos lembrar-lhes que, embora agraciados pelo
Criador, eles não são Deus.
Temos de lhes ensinar que a masculinidade genuína não se envaidece.
Inclina-se. Pega numa toalha e lava os pés dos outros.
Um homem de verdade sente-se confortável tanto quando reza como quando
fala. Ele sabe que a sua força não está nas suas façanhas ou naquilo que ele
acha que as pessoas pensam dele. A força vem de Deus.
Esta humildade alimenta a compaixão e vai permitir-lhes perdoar àqueles
que os hão-de ferir duramente. Vamos ajudar os nossos filhos a saber que as
suas vidas realmente começam, não quando eles tiverem 18 anos ou quando tiverem
o primeiro trabalho ou quando se apaixonarem por uma mulher.
As suas vidas começaram numa colina poeirenta há 2.000 anos, aos pés de
uma cruz romana, onde a justiça e o perdão se reuniram no sacrifício sangrento
do seu salvador.
Vamos ensiná-los que viver a vida sem Jesus é como dar um concerto no
convés do Titanic. É bom enquanto dura, mas, por fim, acaba na tristeza.
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