segunda-feira, 16 de março de 2015
Educar na sobriedade e na temperança
Pe. Rodrigo Lynce de Faria, Voz de Lamego
«Não é nada lógico dar aos meus filhos tudo aquilo que eles me pedem. Se o fizesse, converter-me-ia num «pai fixe», mas esta expressão parece-me sinónima de «pai cúmplice». Estaria a ser conivente com a sua falta de sobriedade. Penso que nós, pais, necessitamos da virtude da fortaleza para não transigirmos com os caprichos dos nossos filhos».
Sábias palavras pronunciadas por um pai de uma família numerosa. Nos dias de hoje, é necessária valentia da parte dos pais para proporem aos seus filhos um estilo de vida sóbrio e temperado. Um estilo de vida que não está nada na moda!
Primeiro, devem fazê-lo com o próprio exemplo. Já diz o famoso ditado: «quem não vive o que ensina, não ensina nada!». Além disso, somente se os pais são sóbrios é que percebem que a sobriedade é um bem de enorme valor para os seus filhos.
Depois, é necessário dar aos filhos razões válidas pelas quais vale a pena viver um estilo de vida assim. Sendo conscientes de que as mensagens que os filhos recebem todos os dias na publicidade, nos meios de comunicação, dos colegas da escola vão, habitualmente, em sentido contrário: quanto mais consumires, mais feliz serás!
Raciocinar com os filhos com paciência. Que cada filho compreenda que é amado pelo que é, não por aquilo que tem ou pela sua «imagem». Criar uma atmosfera familiar na qual se note que o verdadeiramente importante são as pessoas e não as coisas.
Um ponto de capital importância neste esforço educativo é estimular a generosidade dos filhos com os mais necessitados. Fazê-los compreender que, geralmente, somente uma pessoa que é sóbria e temperada, consegue ter sensibilidade para as necessidades dos outros e fortaleza para os ajudar com generosidade.
domingo, 15 de março de 2015
Durante quanto tempo tem de guardar
documentos do IRS?
(Economia & Finanças)
Durante quanto tempo tem de guardar documentos do IRS? O prazo para guardar os documentos que suportam a declaração anual de IRS é de quatros anos. Assim, durante quatro anos deverá manter disponíveis para uma eventual inspecção das finanças todos os comprovativos de rendimentos e facturas das despesas declaradas como sejam de saúde, educação, ou demais comprovativos de toda a informação declarada às finanças.
Essa obrigação deverá ser aliviada à medida que passar a haver o registo e reporte centralizado à Autoridade Tributária, algo que estará em vigor desde 2015. Ainda assim, sempre que através do portal e-factura verifique um erro ou omissão e introduza a respectiva correcção a uma factura ou mesmo sempre que insira uma nova factura que esteja omissa, deverá guardar esses documentos. Note que essa informação ao ser da responsabilidade do contribuinte pode ter de ser validada caso haja uma inspecção devendo assim guardá-la durante os mesmos quatro anos. As restante facturas que cheguem directamente aos serviços das finanças enviadas pelos fornecedores não terão de ser arquivadas pelo contribuinte.
sábado, 14 de março de 2015
sexta-feira, 13 de março de 2015
Há lugar para gente normal na política?
Helena Matos,
Observador, 8 de Março de 2015
Que os partidos tenham à sua frente «gente normal»
parece-me bem mais tranquilizador do que aqueles momentos em que estão
entregues a pessoas que pairam acima das circunstâncias prosaicas da vida.
Conta-se, não sei se com fundamento ou sem ele, que
a vida política de Cavaco Silva esteve para acabar quando a sua mulher percebeu
que um jornalista andara a fazer perguntas aos operários de uma pequena obra
que decorria na casa do então primeiro-ministro. Aquilo a que estamos agora a
assistir é à aplicação aos actuais líderes do PSD e do PS do escrutínio dos
detalhes do quotidiano a que até agora praticamente só se sujeitara de forma
tão sistemática Cavaco Silva.
Enquanto escrevo, as dívidas de Passos Coelho à
Segurança Social fazem manchete. Entretanto no blogue Portugal Profundo
publica-se uma investigação sobre o local de residência de António Costa em
2013 e 2014. Mais ou menos em simultâneo assistimos também ao ressuscitar dos
problemas do apuramento dos montantes de contribuição autárquica pagos por Costa
no século passado e a uma onda de indignação com o facto de Passos ter sido
alvo de processos de execução fiscal.
Lendo e ouvindo as notícias sobres estes casos (e
presumo que nas próximas semanas outros surgirão a um ritmo pendular) deparo
com incumprimentos, imprevidência e naturalmente com o reverso do mundo
kafkiano constituído pela nossa administração – ou seja aquele volúvel «vamos a
um suponhamos» na hora de calcular os montantes de IMI e segurança social e em
que mesmo depois de tudo pago parece que continuamos sempre em falta – mas não
encontro tentativa alguma de usar em benefício próprio o poder que se deteve ou
detém. E aqui chego à dúvida que dá título a este texto: há lugar para gente
normal na política? Ou seja, gente com família, flutuações nos rendimentos,
documentos mal preenchidos, multas…? Não sei, e é aí que para mim está parte da
questão.
Na política, como em tudo, as pessoas com vidas
perfeitas causam-me grandes reservas. Em primeiro lugar porque para se ter uma
vida perfeita do ponto de vista político é cada vez mais necessário ter sido
sempre funcionário público (ou do partido), de preferência com direito a um
serviço de secretariado, para culpar pelos eventuais erros e atrasos, e
motorista a quem imputar os excessos de velocidade e estacionamentos em locais
indevidos. Ora essa vida perfeita é de temer num político: coisas tão
corriqueiras quanto o sistema para pagamento das SCUTS ou as inúmeras
obrigações fiscais e administrativas a que estão sujeitos empresas e cidadãos
só podem ter saído da cabeça de quem está de má fé ou de quem vive no universo
protegido e artificial que se sustenta do Estado e a quem tudo parece legítimo
na hora de lhe arranjar mais sustento e poder.
Quem vive fora desse casulo estatal confronta-se
com os tectos para os recibos verdes, os meandros dos actos únicos, as facturas
de que teve de pagar IVA mas que nunca lhe foram pagas, as multas porque não
entregou a tempo o anexo X do modelo Z ou trocou o PEC com o PPC, a saber
Pagamento Especial por Conta e Pagamento por Conta, duas denominações que só
fazem sentido para o seu criador… Caso o político em causa tenha sido
empresário a possibilidade de aparecer um papelinho entregue fora de prazo
aumenta exponencialmente. A transformação da classe política numa espécie de
casta superior dos quadros do universo Estado, quando não numa promoção para
quadros partidários, não é alheia a esta quase impossibilidade técnica de quem
está fora do casulo passar no escrutínio.
Em segundo lugar a perfeição causa-me dúvidas porque
frequentemente não passa de uma ficção e uma ficção criada por quem tem poder
para seu próprio benefício. Querem que recorde a perfeição mais que perfeita
encarnada por Ricardo Salgado? E o curriculum ganhador de Sócrates? E já
esqueceram a bajulação de que estes homens foram alvo por gente que andava de
dedo em riste a acusar os outros? Em geral os maiores problemas escondem-se
atrás das maiores perfeições. Mais perverso ainda, o problema dos perfeitos é
que ao serem descobertas as suas imperfeições, para não lhes chamar outra
coisa, continuam a manter contra a evidência dos factos, as suas narrativas
perfeitas de vidas perfeitas e de decisões perfeitas. Não é por acaso que ouvir
Bava e Ricardo Salgado na AR ou ler as declarações indignadas de Sócrates com a
situação fiscal de Passos Coelho nos põe simultaneamente entre o riso e o
choro. Afinal já não se trata de mentir ou falar verdade mas sim de manter para
lá do razoável uma narrativa de que já sobra apenas aquele patético
protagonista.
Que os partidos tenham à sua frente «gente normal»
parece-me bem mais tranquilizador do que aqueles momentos em que estão
entregues a pessoas que pairam acima das circunstâncias prosaicas da vida. Mas
não se pode também subestimar a vulnerabilidade que tal representa face aos
corruptos – que imediatamente nivelam tudo pelo seu nível, invariavelmente
baixo – e aos radicais. O radicalismo cresce também porque os radicais
conseguem alimentar no eleitorado a ideia de que todos, à excepção deles, são
corruptos.
quinta-feira, 12 de março de 2015
Jogo de futebol
Inês Teotónio Pereira
Saí dali a pensar como seria o País se nas escolas houvesse este empenho dos pais
O assunto é sério: é dia de jogo. As equipas alinham-se no relvado, a cantoria do hino é dispensada, mas os cumprimentos aos adversários são solenes. Os pais acomodam-se na bancada de pedra e não tiram os olhos dos filhos. O árbitro apita e o desafio de 40 minutos começa. O meu filho tenta chutar a bola mas dá um pontapé no ar. Rio-me, mas os outros pais lançam-me um olhar de desprezo pela minha insensibilidade. Ok. Isto é a sério. Encolho-me timidamente. A barafunda no campo é enorme. Os jogadores correm todos atrás da bola sem ordem e o mister grita que é preciso manter as posições. Dificilmente se percebe quem está à defesa ou ao ataque. Às ordens do mister a equipa disciplina-se mas a bola insiste em sair das quatro linhas. As crianças não levantam cabeça nem se incomodam com a chuva que cai com intensidade. Os pais muito menos. De repente um miúdo pequenino sai do meio da confusão com a bola nos pés e corre em direcção à baliza contrária. Os pais entram em delírio: «Leva! Leva!» A criança obedece e leva o esférico até ao outro lado do campo. Está isolada, só tem um guarda-redes minúsculo pela frente, mas falha a baliza. Os pais disfarçam a desilusão e a mãe do pequenote atira em jeito de brincadeira: «Hoje não jantas!» Rimo-nos todos. A criança ignora a gracinha. Ainda está zero a zero e o mister não mexe na equipa. A bancada agita-se. É preciso fazer qualquer coisa porque os adversários «têm qualidade técnica» e assim perdemos. Correcto. Os pais têm sempre razão e percebe-se pelos festejos que é marcado um golo lá ao fundo.
Acabam as risadas e começa a análise. Ouve-se que a equipa adversária é «interessante» e que o mister não responde à exigência do desafio. «Muda a defesa, pá!» «Não vês que os miúdos estão cansados?!» Os miúdos, esses, nem olham para os pais. Têm os olhos no esférico e o coração aos saltos. No meio do campo um rapaz cai. Queixa--se da perna. As atenções passam do mister para o árbitro. Por enquanto nada de palavrões, ele é apenas acusado de «palhaço» e de «cego». É livre a nosso favor. O rapaz arrisca a baliza e marca golo. Não se percebe como, porque a bola passou por meia dúzia de crianças que a desviam na tentativa de defender mas acabam por confundir o pobre guarda-redes. O autor do primeiro golo dá um salto estilo CR7 e é abraçado pelos colegas. Acendem-se cigarros na bancada e as mães gritam palavras de encorajamento.
O meu filho corre atrás da bola sem sucesso até que por mero acaso ela lhe cai aos pés. O meu coração pára. Os pais gritam o seu nome: «Leva! Leva!» Levanto-me com orgulho. É agora. Passa um, passa outro, está quase a chegar à baliza quando tropeça e deixa a bola fugir. Ops… Sento-me. Os outros pais também. Finalmente intervalo com empate. Trocam-se os campos e o mister mexe na equipa. Na bancada analisa-se detalhadamente a primeira parte do jogo entre uma e outra cerveja. Os jogadores partem ao ataque. Os golos sucedem-se de um lado e de outro. Perco-lhes a conta e deixo de perceber quem está a ganhar. A gritaria sobe de tom, os insultos de intensidade e a semelhança entre aquele grupo de pais e qualquer outra claque profissional não é coincidência. No fim do jogo percebo que perdemos. «Isto não pode continuar! Ou o gajo percebe que tem de escolher os melhores quando são jogos a sério ou não estamos aqui a fazer nada! Por isso é que este país não anda para frente: não se levam as coisas a sério!»
De seguida vamos todos para a porta dos balneários esperar pelos filhos. Do mister não há sinal e do árbitro muito menos. Um a um os jogadores vão saindo radiantes por terem passado uma manhã a jogar à boa. Não se fala mais do jogo. A multidão dispersa com a garantia de que para a semana há mais. Ponho o braço à volta do meu filho e pergunto-lhe se gostou. «Sim, sim! Mas fomos roubados!»
Saí dali com pena do mister e do árbitro. Nenhum deles tem um sindicato que os proteja ao estilo da FENPROF, nem os filhos uma associação que os defenda dos pais. Saí dali a pensar como seria o País se nas escolas houvesse este empenho dos pais. Sim, como seria o País se a escola fosse levada tão a sério como são levados os jogos de futebol de fim-de-semana? Para a semana há mais.
quarta-feira, 11 de março de 2015
Escândalo em Inglaterra:
11 bebés e uma mãe morreram
por «falhas graves» do hospital
Andreia Félix Coelho, Jornal Sol, 4 de Março de 2015
A imprensa britânica divulgou as conclusões de um inquérito ao escândalo que está a abalar o sistema nacional de saúde britânico. O caso Morecambe Bay chocou os ingleses depois de surgirem suspeitas de que dezenas de bebés e mães morreram num hospital por complicações que seriam facilmente tratáveis. A investigação independente a estas mortes conclui agora que existiu «uma série de falhas a todos os níveis» no Hospital Furness General em Barrow, Cumbria, unidade que se revelou «seriamente disfuncional».
Com base neste relatório, o secretário de Estado da Saúde, Jeremy Hunt, já veio pedir desculpa às famílias afectadas e garantiu que a tutela vai «lançar uma longa e implacável busca pela verdade».
A investigação analisou mais de 50 mortes ocorridas entre 2004 e 2013, um número estranhamente elevado que fez soar os alarmes e motivou o inquérito. De todos estes casos, os especialistas concluíram que 11 recém-nascidos e uma mãe morreram por falta de cuidados adequados.
Entre as várias falhas contam-se falta de comunicação entre enfermeiras parteiras e médicos. Estas enfermeiras têm obrigação de monitorizar as mães antes e durante o trabalho de parto, assim como os bebés, prevenindo qualquer complicação. Ao mínimo sinal de que o parto se pode complicar, devem chamar imediatamente um médico obstetra e/ou um neonatologista. Mas isto não acontecia.
As enfermeiras auto-intitulavam-se «As Mosqueteiras» agindo na lógica de «uma por todas e todas por uma» e conspiravam para encobrir os erros umas das outras. Este grupo de mulheres dominava todas as enfermeiras do hospital. Preconizadoras do parto natural «a qualquer custo», introduziram no hospital uma «cultura de ‘eles e nós’», adiando ao máximo os pedidos de auxílio aos obstetras e pediatras. A este comportamento das profissionais de saúde somou-se a falta de pessoal clínico para o número de mulheres e crianças a assistir. Os médicos eram também coniventes com esta situação e ajudaram também a «abafar» vários casos que correram mal.
Os investigadores detectaram ainda relatórios e troca de emails com as famílias das vítimas em que fica claro que os responsáveis da unidade de saúde encobriram as falhas, destruindo mesmo notas médicas e continuando a gerir o hospital com os problemas já detectados.
Mas a investigação aponta também o dedo ao sistema nacional de saúde e fala em «muitas oportunidades perdidas» pelas instituições inspectoras de ter detectado os problemas. Acusa mesmo a Inspecção-Geral, a autoridade regional e mais quatro institutos de negligência, já que deveriam ter levado a cabo investigações mais profundas perante uma taxa de mortalidade tão elevada comparativamente com outras maternidades.
Com base neste relatório, o secretário de Estado da Saúde, Jeremy Hunt, já veio pedir desculpa às famílias afectadas e garantiu que a tutela vai «lançar uma longa e implacável busca pela verdade».
Este escândalo vem relançar o debate sobre a possibilidade de escolha no parto. Os sucessivos governos britânicos têm-se mostrado apoiantes das teorias de que as mulheres devem poder escolher entre ter os bebés em casa, numa clínica de enfermeiras parteiras ou no hospital. No ano passado, as autoridades de saúde recomendaram mesmo as clínicas de parteiras para a maioria das mulheres terem os seus bebés. Mas, motivados por este escândalo, os especialistas que são contra esta visão, vêm novamente alertar para os riscos de fazer partos fora do contexto hospitalar.
terça-feira, 10 de março de 2015
A perspectiva cristã sobre o pai
O pai e o mundo moderno
Evelyn Mayer
«Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?» Mt 7,11
Quando nos interrogamos sobre o papel de pai no mundo moderno, as respostas que nos dão são as de que este papel mudou: hoje, o pai saiu do papel de «opressor, tirano e totalitário» para um baby-sitter moderno. Dezenas, diria até centenas de matérias, vídeos, reportagens e afins mostram – orgulhosos! – os homens que decidiram realizarem-se (cof!) no papel de «donos de casa». São tão generosos, tão homens-beto que, a fim de demonstrarem a sua sensibilidade à realização da esposa, ficam em casa e viram «Amélia».
Mal sabem estes pais (e mães) que colaboram absurda e ingenuamente para este programa ideológico e partidário feminista vigente nos nossos tempos. Com a ascensão do feminismo, colocar a mulher como dona de casa é mantê-la em submissão ao esposo. Ser submissa é viver sob a opressão machista. Qual a forma «lógica» em «oprimir» o homem, fazendo-o sentir física, emocional e socialmente o que as mulheres sentiram durante séculos? Predestiná-los ao serviço doméstico. E, assim, os filhos crescem sem compreenderem o que, de facto, representam pai e mãe na sociedade, bem como eles mesmos.
Quer dizer então, Evelyn, que você é contra o facto de homem fazer o trabalho doméstico? Não. O meu marido, por exemplo, ensinou-me a fazer grandes coisas acerca disso. Mas, depois de ter ensinado, renunciou, porque compreendeu que eu agora já sei… Entretanto, quando ele verifica que estou apressada e/ou sobrecarregada, prontifica-se em auxiliar-me sem que eu lhe peça. Quanto a isso, sou favorável. Contudo, jamais aceitaria que o meu esposo viesse a desempenhar o trabalho doméstico. E o motivo é simples: não foi para isso que ele foi criado. Os homens, por mais caprichosos que sejam (e o são!) não têm a delicadeza das esposas em pensar nos detalhes mínimos para a casa: enxoval, louça, decoração, flores... Evidenciar isso não é desmerecer os homens. Pelo contrário: é dizer que os homens têm papéis diferentes das mulheres. Do mesmo modo, não sou favorável que a mulher deva assumir uma profissão de auto-risco, que exija dela uma força descomunal apenas para provar que pode fazer tudo semelhante ao homem. Porque motivo? Competição?! Que absurdo! Qual a necessidade de perder toda a feminilidade para mostrar-se «tanto como» competente ao homem? Sendo o homem mais forte por natureza, que seja ele a fazer o que a natureza lhe incubiu. Enquanto isso, nós – mulheres – lhes satisfazemos e completamos com a doçura que nos cabe. E, desculpem-me as feministas, mas não encontro nisso machismo, mas sim, realidade. Verdade!
Numa sociedade como a nossa, é um facto que a mulher está praticamente impedida do trabalho doméstico. Com uma renda apertada, pouco tempo e/ou com condições para formar-se, o homem tem necessitado do apoio da sua companheira para que os filhos tenham comida à mesa. A mulher tem saído de casa mais do que deveria. Não acredito que isso seja culpa dela ou dele (somente), mas sim, de uma sociedade que se descristianizou. Retirando Deus do centro do universo, racionalizando todo e qualquer pensamento e paradigma (leia-se «tabu»), a nossa sociedade passou a ver cada ser humano como um ser «unissexualizado». Logo, homens e mulheres devem ter direitos e deveres como se, naturalmente falando, fossem iguais, o que não acontece.
Não é de hoje que a mulher trabalha para auxiliar o marido nas rendas da casa. A mulher citada em Provérbios 31, 10-31, mostra que, além de cuidar do marido e da casa, ela faz trabalhos artesanais para auxiliá-lo na renda. E a alegria desta mulher está em saber que o coração do seu marido a ela está confiado (cf. PV 31,11). E isso só foi possível porque esta é temente ao Senhor. Temer ao Senhor, algo quase que inexistente nos nossos dias.
Cabe a nós, cristãos, lembrar que neste dia dos pais devemos exaltar o real papel do homem na família: chefe. Devemos, como aqueles que desejam imitar Cristo, fazer valer o modelo de família que, antes, nos exortou Paulo: «as mulheres sejam submissas aos seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, o seu corpo, da qual ele é o Salvador [...] Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do baptismo e pela palavra [...] Em resumo, o que importa é que cada um ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher respeite o seu marido.» (Efésios 5, 22-23; 25-26; 33).Ora, dar ao homem o papel de chefe não é dar-lhe o bastão de prepotente, mas de zelador. Note que Paulo compara a vocação de esposo à de Cristo, evidenciando quão duríssimo é ser esposo aquilo que espera o Senhor. Zelar pela esposa, santificá-la, fazer da sua casa um lar que bendiga ao Senhor (cf. Js 24, 15) é algo possível àquele que em Deus confia.
Cabe a nós, também, esposas, observar se não estamos «castrando» os nossos maridos. Com o advento feminista, muitas de nós procuramos tanto nos auto-realizarmos (como se o facto de sermos donas de casa, esposas e mães fosse um sacrilégio) que acabamos por impedir, e até mesmo castrar os nossos esposos. Não lhes damos mais o direito de advogar em nosso favor, não lhes pedimos conselhos tanto quanto deveríamos fazer, colocamos as nossas vontades e direitos acima das deles que estes acabam perdidos quanto ao seu papel neste núcleo familiar. Submissão não é viver à sombra, mas auxiliar os maridos que nos guiam para Deus. É fazer com que o marido brilhe e o brilho dele seja também o da mulher, que o apoia, que o consola e serve de suporte para toda a vida. Nenhuma mulher que faça valer o seu papel de esposa se sente triste, como pintam as «feminazis». Todas elas sabem que honrar o seu esposo é papel primordial no caminho da salvação. Sabem que, honrando os seus maridos, os seus filhos terão alegria ao ver que o pai é o reflexo de Deus, da esperança nas suas vidas.
Que São José, pai adoptivo de Jesus e benditíssimo esposo da Virgem Santíssima possa abençoar todos os pais neste dia. Que ele também ensine os homens e as mulheres do nosso tempo a viver o sagrado sacramento do matrimónio como nos ensinou São Paulo, pois é isto que de nós espera o Senhor.
Vivemos tempos de hipocondria?
Revista do Expresso, 7 de Março de 2015
Gary S. Chapman / Getty images
Texto Luciana Leiderfarb infografia Ana Serra
«Este é o reflexo de uma sociedade com falta de pudor no exagero do tratamento, que é altamente tecnológica e que não quer morrer», diz Manuel Sobrinho Simões
Diz o ditado que quem procura, encontra. E quem procura utilizando os mais inovadores meios de rastreio, encontra quase sempre. A mesma classe médica que advogou o diagnóstico precoce alerta para os perigos de sobrediagnosticar.
O diagnóstico precoce foi, nas últimas décadas, responsável pelo decréscimo da mortalidade em doenças potencialmente letais, como o cancro. E todos já ouvimos, alguma vez, o discurso médico a apregoar os seus benefícios. Por «todos», leia-se os cidadãos de uma sociedade obcecada pela doença, com acesso aos mais inovadores meios de diagnóstico, viciada em check-ups e no consumo da saúde, no fundo, na procura do que está errado mesmo quando nada aparenta estar. Sim, há doenças que mais vale encontrar o mais cedo possível. Mas não cedo demais.
O alerta vem da própria classe médica, que tem vindo a chamar a atenção para os perigos do sobrediagnóstico (overdiagnosis). O termo, de utilização recente, denuncia o diagnóstico em indivíduos saudáveis de doenças que nunca iriam desenvolver sintomas ou serem letais. É usada sobretudo pelos especialistas em cancro, referindo-se a lesões pré-cancerosas e microscópicas que são encontradas por acaso («acidentalomas»), graças aos avanços da imagiologia médica, mas cuja evolução pode não se verificar. Porém, uma vez que se deu por eles, o comportamento médico mais comum é rotulá-los de «cancro» e desencadear toda uma série de tratamentos caros e agressivos a que o paciente poderia ser poupado.
«Quando ouvem a palavra ‘cancro’, os pacientes assumem que irá progredir e causar a morte. Mas deparamo-nos com demasiados cancros de evolução lenta, que não deveriam sequer ser encontrados», diz Laura Esserman, que dirige um painel de médicos do Instituto Nacional de Cancro (INC) norte-americano a estudar o assunto, citada pelo «Wall Street Journal». Este grupo defende uma mudança de atitude na pesquisa sobre o cancro que começa pela linguagem, propondo que, em vez de cancros ou carcinomas, as lesões pré-malignas sejam identificadas como «lesões indolentes de origem epitelial», ou IDLE.
Estudos recentes demonstram que 30% dos cancros da mama, 60% da próstata e 90% da tiroide são de improvável evolução. A estes últimos dedicou-se Manuel Sobrinho Simões, tendo no ano 2003 coassinado, no «International Journal of Surgical Pathology», um texto conhecido como «Porto Proposal» que, já então, advogava uma alteração no léxico médico que tornasse os microcarcinomas em simples microtumores. Para o investigador, «não se devem fazer biopsias a lesões abaixo de 1 cm. Porque se meter uma agulha, na maioria dos casos vou encontrar microcarcinomas e as pessoas, nesses casos, querem ser tratadas.» E porque é aconselhável não o serem? «Há lesões pequenas que, deixadas à sua história natural, não se vão desenvolver. A epidemia de cancro que presenciamos é fruto da longevidade mas também do desenvolvimento dos meios de diagnóstico, que permitem ver lesões cada vez mais pequenas.»
Em 2014, um artigo do «New England Journal of Medicine» destacava uma pesquisa sobre a Coreia do Sul, onde um aumento exponencial de cancros da tiroide nas mulheres coincidiu com o uso generalizado de aparelhos de imagiologia de última geração. Por outro lado, verificava-se um ligeiro aumento da mortalidade. Isto levou médicos como H. Gilbert Welch a concluir que se o recurso à TAC e à ressonância magnética ajuda a detectar cancros em estádios precoces, não faz a mortalidade por cancro decrescer. Este internista norte-americano, autor do livro «Overdiagnosed — Making People Sick in the Porsuit of Health», diz que é preciso «procurar de forma menos impetuosa cancros diminutos e fazer um esforço em diferenciar quais cancros irão trazer consequências ou não».
É o que está a ser feito por Harold E. Varmus, prémio Nobel da Medicina em 1989 e actual director do INC, que conduz uma investigação centrada «não tanto nas formas de detectar prematuramente o cancro», mas «nos factores que podem determinar quão agressivo este irá ser». Porém, enquanto não houver resultados, outras instituições relevantes como a American Cancer Society mantêm uma posição cautelosa. «Entre 10% e 30% das mulheres com cancro de mama ficariam bem se apenas as observássemos continuadamente. Mas não posso olhar nos olhos delas e dizer: «Você está entre as 10% a 30% que não deveria ser tratada», contrapôs o seu presidente, Otis Brawley.
Sobrinho Simões concorda com o melindroso da questão. E refere que outras doenças, como a hipertensão, a asma e a depressão, estão também a ser sobrediagnosticadas. Será o reflexo de uma sociedade hipocondríaca? «Isto é uma discussão das sociedades afluentes ocidentais, que se podem dar ao luxo de pôr em causa o valor quase milagroso do diagnóstico precoce. E é certamente o reflexo de uma sociedade com falta de pudor no exagero do tratamento, que é altamente tecnológica e que não quer morrer.»
domingo, 8 de março de 2015
A minha abordagem à ideologia de género
João Pedro Cabral Valente
Em primeiro lugar quero desde já esclarecer que sou um básico.
Não sou um intelectual, um artista, um filósofo. Digamos que o meu pensamento está ao nível de um chofer de praça médio (sem ofensa aos chofers de praça, bem entendido).
Mas às vezes dá-me para matutar em certas coisas, que hei-de eu fazer?
A última foi aquilo da ideologia do género. Se bem percebi, as crianças nascem sem um sexo predefinido e mais tarde hão-de fazer uma escolha.
Ora isto anda-me cá a queimar os neurónios. Então se o Joãozinho nasce com um pirilau e a Ritinha com um pipi porque raio ele há-de escolher ser uma Ritinha ou vice-versa?
Quando eu andei na Escola, bem sei que já foi há muito tempo, ensinaram-me que o primeiro instinto de qualquer animal, cão, gato, aranha ou homem, é o da conservação da espécie, ou seja: um animal faz tudo para que a espécie sobreviva e se propague. Só depois vem o instinto da conservação do próprio.
Tenho visto naqueles documentários da televisão as mães leoas a atacarem hordas de hienas para salvarem as crias pondo em risco a própria vida. Para elas é mais importante defender a prole do que a elas próprias. E as avezinhas que voam quilómetros e quilómetros para procurarem comida para os filhotes e a defendê-los dos predadores. E o mesmo com todos os animais, pequenos ou grandes. Toda a gente sabe que não é boa ideia chegarmo-nos a uma cria quando a mãe está por perto. Era muito mais fácil e menos perigoso para as mães (e pais em certas espécies) porem-nos no mundo e dizerem: agora desenrascam-se. Mas não, até algumas espécies de salmão vêm do oceano salgado, sobem com enorme esforço rios de água doce para irem desovar onde nasceram. E a seguir morrem. O importante está feito, continuar a espécie!
No meu fraco entendimento, também acho fácil perceber porque é que os machos procuram em primeiro lugar as fêmeas que lhes parecem capazes de gerar melhores crias e as fêmeas entregam-se aos machos mais fortes, mais saudáveis, mais belos ou vistosos e com mais poder. O resultado desse cruzamento vão ser crias com maior probabilidade de sobreviver e vingar na vida. Mais uma vez o instinto da conservação da espécie.
E eu, cá para mim, o ser humano é um bicho, um animal, pronto (sem ofensa). Qual é o homem que não gostava de ter uma Angelina Jolie a jeito? Ou a mulher que virava a cara ao Brad Pitt? Ambos são belos, fortes, poderosos, à partida bons reprodutores. As suas três «crias» biológicas têm todo o potencial para continuarem a espécie humana nas melhores condições.
Bom, voltando ao Joãozinho e à Ritinha. Se os seus atributos sexuais ficam definidos no momento em que foram gerados (aquela coisa dos cromossomas X e Y), por que raio haviam eles de resolver mais tarde que querem ser uma Joãozinha ou um Ritinho? É o instinto de conservação da espécie? Claro que não.
À excepção de casos patológicos raros e complicados, o que acontece é um desvio comportamental, ou seja: uma alteração a esse instinto de conservação da espécie na sua componente reprodutiva que pode ser resultado de grande variedade de razões: pais ou mães excessivamente dominadores ou pelo contrário ausentes ou desinteressados, outros traumas sofridos desde a mais tenra infância, violência doméstica, abandono, aquilo que agora se chama bullying e que no meu tempo se chamava levar pancada dos colegas e ser alvo da chacota da escola (refúgio de relações desiguais de poder), dificuldade de abordagem ao sexo oposto, pressão social de grupos com o mesmo tipo de problemas, no caso de adultos relações heterossexuais fracassadas e traumatizantes, enfim: há um grande número de razões que, à medida que as pessoas crescem, se combinam, adicionam e se misturam com outras vivências e sentimentos, dando origem a esses desvios.
Este assunto veio-me à ideia depois de ter lido um artigo segundo o qual, só na cidade de Paderborn, na Alemanha, um conjunto de pais já tinha passado, no total, 210 dias presos, ou porque não tinham deixado os filhos irem às aulas de educação sexual, ou porque as próprias crianças se recusavam a ir, aulas nas quais entre outras coisas, se ensina a tal «ideologia do género».
Não julguem que sou homofóbico (acho este termo ridículo). Tenho alguns bons amigos e muitos conhecidos que são homossexuais, que estimo como a todos os que não o são. Não os acho culpados de nada. Quando muito serão vítimas.
Mas confesso que me assusta quando, como se não bastasse já a comunicação social, os estados, por meio das escolas, quererem formatar a cabeça das crianças, não só em assuntos tão sensíveis como este, mas também noutros como por exemplo na História ou nas Ciências.
Para mim que, repito, sou básico, a família é o núcleo da sociedade. A família é que deve educar e a escola limitar-se a ensinar. Uma sociedade sã e livre não resulta com certeza daquilo que os governos querem fazer de nós mas antes começa por uma família sã e equilibrada que ama, cuida e acompanha o crescimento e desenvolvimento dos seus filhos.
sexta-feira, 6 de março de 2015
A mulher, coração da família
D. Fernando Arêas Rifan
(Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney)
No próximo domingo, dia 8, será o Dia Internacional da Mulher, razão de falarmos da dignidade especial daquela que é o coração da família. A sua dignidade deve ser destacada, pois a crise actual da família atinge especialmente a mulher. «Na nossa época, o matrimónio e a família estão em crise. Vivemos numa cultura do provisório, na qual cada vez mais pessoas renunciam ao matrimónio como compromisso público. Esta revolução nos costumes e na moral agitou com frequência a «bandeira da liberdade», mas na realidade trouxe devastação espiritual e material a numerosos seres humanos, de maneira especial aos mais vulneráveis. É cada vez mais evidente que o declínio da cultura do matrimónio está associado a um aumento da pobreza e a uma série de numerosos outros problemas sociais que atingem em medida desproporcional as mulheres, as crianças e os idosos. E são sempre eles quem mais sofre nesta crise» (Papa Francisco, Discurso aos participantes no encontro internacional sobre a complementaridade entre homem e a mulher, 17/11/2014).
Foi o cristianismo que salvou a dignidade da mulher! A história, nos testemunhos de Juvenal e Ovídio, conta-nos que a moral sexual e a fidelidade conjugal, antes do cristianismo, estavam em extrema degradação. Constatamos isso, vendo actualmente a situação da mulher nos povos que não têm o cristianismo. No começo do século II, Tácito afirmava que uma mulher casta era um fenómeno raro. Galeno, o médico grego do século II, ficava impressionado com a rectidão do comportamento sexual dos cristãos. Os próprios historiadores são obrigados a confessar que foram os cristãos que restauraram a dignidade do matrimónio.
O cristianismo estendeu o conceito de adultério também à infidelidade do marido, pois no mundo antigo ele só se limitava à infidelidade da esposa. O cristianismo santificou o matrimónio, elevando-o à ordem de sacramento, proibindo o divórcio, que prejudica, sobretudo, a mulher. O cristianismo, ao contrário da mentalidade machista, iguala o pecado do homem e da mulher: o sexto e o nono mandamentos valem igualmente para os dois.
As mulheres encontraram na Igreja, conforme a sua própria condição, o seu lugar digno: foi-lhes permitido formar comunidades religiosas dotadas de governo próprio, dirigir as suas próprias escolas, conventos, colégios, hospitais e orfanatos, coisa impensável no mundo antigo (cf. Thomas E. Woods Jr, «Como a Igreja católica construiu a civilização Ocidental»). O homem e a mulher são seres humanos, em grau igual, ambos criados à imagem de Deus. Mas, «a igualdade de dignidade não significa ser idêntico aos homens. Isso só empobrece as mulheres e toda a sociedade, deformando ou perdendo a riqueza única e valores próprios da feminilidade. Na visão da Igreja, o homem e a mulher foram chamados pelo Criador para viver em profunda comunhão entre si, conhecendo-se mutuamente, para dar a si mesmos e agir em conjunto, tendendo para o bem comum com as características complementares do que é feminino e masculino» (S. João Paulo II, Mensagem sobre a mulher, 26/5/1995).
segunda-feira, 2 de março de 2015
Entrega do IRS dos rendimentos de 2014
- Trabalhadores que auferem rendimentos exclusivamente por conta de outrem ou pensões:
- Entrega em Papel: Março de 2015
- Entrega pela Internet: Abril de 2015
- Trabalhadores independentes e restantes casos não previstos na situação anterior (rendimentos dos anexos B, C, D, I, G, G1 e L só por via eletrónica):
- Entrega em Papel: Abril de 2015
- Entrega pela Internet: Maio de 2015
sábado, 28 de fevereiro de 2015
Isenção de pagamento de taxa moderadora
até aos 18 anos
O Conselho de Ministros decidiu a 26 de Fevereiro pela isenção de pagamento de taxa moderadora até aos 18 anos.
Sem mais detalhes do que os que a seguir se reproduzem, eis o ponto 8 do comunicado do Conselho de Ministros que parece alargar a isenção a todos os jovens com menos de 18 anos:
8. O Conselho de Ministros aprovou a alteração do regime de isenção de taxas moderadoras, de forma a estender a isenção a todos os menores.
Pretende-se, com esta alteração, promover a saúde garantir a eliminação de quaisquer constrangimentos financeiros no acesso dos menores aos serviços de saúde assegurados pelo Serviço Nacional de Saúde.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Comissões da Conta Base: qual o melhor banco?
– Nenhum!
Instituição de crédito
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Conta Base
|
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Comissão (valor anual)
|
Acresce imposto
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Montante mínimo de abertura
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Banco
BIC Português
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24 €
|
Imp.
selo (4%)
|
250 €
|
|
Banco
Bilbao Vizcaya Argentaria
|
72 €
|
Imp.
selo (4%)
|
500 €
|
|
Banco
BPI
|
75 €
|
Imp.
selo (4%)
|
100 €
|
|
Banco
Comercial Português
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72 €
|
Imp.
selo (4%)
|
000 €
|
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Banco
Santander Totta
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63,6 €
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Imp.
selo (4%)
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150 €
|
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Caixa
Económica Montepio Geral
|
66 €
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Imp.
selo (4%)
|
100 €
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|
Caixa
Geral de Depósitos
|
60 €
|
Imp.
selo (4%)
|
100 €
|
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Agrícola Crédito Agrícola
|
71,4 €
|
Imp.
selo (4%)
|
000 €
|
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O exemplo CR7
Inês Teotónio Pereira
Os meus filhos, tal como o Cristiano Ronaldo, andam no futebol. Têm treino três vezes por semana e jogos ao fim-de-semana. Ao contrário do Cristiano Ronaldo, resistem a ir ao treino quando chove, quando está frio ou estão cansados
Cristiano Ronaldo deu uma entrevista a Marcelo Rebelo de Sousa em que explica que a pobreza em que cresceu e o que sofreu não foram empecilhos à sua carreira. Diz ele que as oportunidades se criam e que não há sucesso sem trabalho. Marcelo contrapôs com o facto de Cristiano Ronaldo ser um génio e por isso o seu exemplo não poder ser seguido por todos os que não nasceram geniais. Este comentário do professor resume todo o equívoco português, o equívoco segundo o qual as circunstâncias são determinantes em tudo. Ou seja, a pobreza, o azar e a falta de oportunidades são consideradas fatalidades que condicionam determinantemente o sucesso de cada um. Por isso, dentro desta lógica, são as circunstâncias que devem mudar e não a atitude que se deve ter para as superar. Cristiano Ronaldo não se ficou com o comentário do professor e argumentou que nunca a falta de oportunidades lhe serviu de desculpa e quem se desculpa com elas é porque não ambiciona verdadeiramente ultrapassá-las. Respondeu que todos temos de nos superar e dar o melhor que temos e podemos. Competir com nós próprios é a estratégia certa, diz o futebolista.
Os meus filhos também se queixam das circunstâncias da vida. Apesar de terem uma vida fantástica, de terem nascido numa família alargada e solidária e de nunca lhes ter faltado nada, eles queixam-se. Queixam-se dos professores, do excesso de trabalho, das horas a que se levantam e das horas a que vão para a cama. Queixam-se da piscina que não têm, das viagens que não fazem ou do cão que lhes falta. Há sempre qualquer de fora que condiciona a sua felicidade. Há sempre uma circunstância que os impede de serem mais felizes. Os meus filhos, tal como o Cristiano Ronaldo, também andam no futebol. Têm treino três vezes por semana e jogos ao fim-de-semana. Mas, ao contrário do Cristiano Ronaldo, resistem a ir ao treino cada vez que chove, quando está mais frio, quando têm trabalhos em excesso ou quando estão cansados. Vivem de certa forma desiludidos porque queriam ser génios da bola mas não há olheiro que lhes tenha dado uma olhadela. Por isso esforçam-se q.b. E é neste q.b. adormecido que vivemos todos. O quanto baste, basta. As metas são feitas pelas circunstâncias e não pelas capacidades de cada um
.
O País sofre deste mal e vai-se anestesiando na crítica às circunstâncias, ao sistema, à cultura, etc. Encostando-se à teoria de que nada depende de nós mesmos mas sim de uma entidade abstracta, de uma lei que não mudou, de um dinheiro que não chega e de um sistema caduco. E enquanto nada disto mudar ninguém pode mudar. O atira culpas é um desporto nacional mais popular que o próprio futebol. Mas se é assim no país, nas famílias o clima é idêntico. Os alunos não são bons alunos porque têm maus professores e os professores não são melhores professores porque a educação dos alunos é má. Os pais culpam os professores pelo resultado dos filhos, culpam a televisão pela falta de educação dos filhos e culpam a sociedade, o Estado ou a Europa pelo futuro incerto dos filhos. Nada depende verdadeiramente dos próprios filhos e pouco depende deles próprios. Os pais passam a maior parte do seu tempo preocupados com as circunstâncias, com as condições de vida que devem dar aos filhos e com o conforto que lhes devem proporcionar. Sim, é legítimo que assim seja, e é bom que esta seja uma das preocupações cimeiras de qualquer pai ou mãe. Mas esta preocupação anula todas as outras. Anula a exigência de esforço apesar do conforto, a exigência de trabalho apesar das facilidades e a exigência de responsabilidade apesar da falta de autonomia. E também anula tudo isso quando não há conforto ou facilidades.
No país e nas famílias o que interessa não devem ser as metas mas sim o esforço de cada um por dar o seu melhor em todas as circunstâncias. Sejam as condições favoráveis ou desfavoráveis, sejam as oportunidades muitas ou poucas. E este é um bom começo para mudar as próprias circunstâncias. Aliás, é o único começo possível. Cristiano Ronaldo fez exactamente isto quando tinha 12 anos e não tinha um tostão no bolso. E hoje faz o mesmo apesar de adulto e ter mais dinheiro do que o PIB de muitos países. O grande exemplo de CR7 não é o seu génio futebolístico, mas sim o percurso que fez apesar das malfadadas circunstâncias.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Legalização das drogas leves:
uma irresponsabilidade política
Pedro Afonso, Psiquiatra
A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz,
defendeu recentemente, numa entrevista à TSF, a legalização da venda de drogas
leves em Portugal e a sua venda nas farmácias. De acordo com a sua
argumentação, os ganhos para os cidadãos seriam alcançados graças à diminuição
de outros crimes.
Infelizmente, a sra. ministra parece desconhecer
que as designadas «drogas leves» não são, na realidade, assim tão leves,
já que podem provocar danos gravíssimos a quem as consome. Tomemos como exemplo
o cannabis. Esta droga muito popularizada e consumida na nossa
sociedade, inclusivamente por jovens, pode contribuir para o aparecimento de
várias doenças psiquiátricas.
O consumo de cannabis (excluindo,
obviamente, a utilização restrita dos seus derivados para alguns fins
terapêuticos) aumenta o risco do aparecimento de psicoses, que impedem uma
pessoa de pensar adequadamente e interferem negativamente, entre outros
factores, com o rendimento cognitivo (a memória, concentração, etc.),
prejudicando gravemente o funcionamento profissional e escolar.
Já há muitos anos que existem inúmeros estudos
científicos que associam o consumo de cannabis à
esquizofrenia. Por exemplo, em 2011, o psiquiatra holandês Jim Van Os publicou
um estudo longitudinal com a duração de dez anos, tendo comprovado que o
consumo regular desta droga aumenta o risco de desenvolvimento de sintomas
psicóticos. Além disso, o consumo de cannabis tem sido
associado a um aumento do risco de: comportamentos antissociais, ideação
suicida, dificuldades no relacionamento interpessoal, consumo de outras drogas
ilícitas, designadamente drogas injectáveis, etc..
Por inúmeras razões, intoxicou-se a sociedade com a
ideia falsa de que as «drogas leves» não causam danos à saúde. Existe ainda uma
ideologia que defende a liberalização das drogas, vendo o consumo das mesmas
como um exercício de liberdade individual; o direito de qualquer um de nós
fazer o que quer relativamente à sua saúde e à sua própria vida,
designadamente, destruindo-a. Acontece que ninguém sofre sozinho neste
processo de autodestruição, já que há pais, filhos, irmãos, amigos, etc., que
também sofrem com a escolha deste caminho. Um homem não pode usar a sua
liberdade para abdicar dela e se converter num escravo de uma droga que o vai
destruindo. Seria, portanto, um sinal errado se o Estado promovesse a
legalização e a venda nas farmácias de drogas que «matam devagarinho».
Devemos desconfiar sempre de um Estado que, com o falso argumento da liberdade individual, deixe de ser regulador, criando na lei alguns limites, devidamente justificados, aos comportamentos individuais; devemos desconfiar de um Estado que, sob o disfarce de um paternalismo permissivo, rejeita a ciência, nega irresponsavelmente a realidade de um mal e evoca critérios errados para justificar políticas que facilitam a autodestruição do ser humano.
Na verdade, se a sra. ministra deseja realmente
introduzir medidas que tragam benefícios para os cidadãos, então deve promover
campanhas de esclarecimento, informando com rigor científico que as «drogas
leves» afinal são «pesadas». Esta medida seria muito bem vista pelos pais,
professores e por muitos daqueles profissionais de saúde que lutam diariamente
há décadas neste país para retirar milhares de pessoas da escravidão das
drogas.
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