quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
O lóbi homossexualista no ministério da Educação
O grande educador sexual
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A chamada «educação sexual»: preparação ideológica
para a
pedofilia e para a
homossexualidade.
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Inês
Teotónio Pereira, Diário de Notícias, 10 de Dezembro de 2016
Já no próximo ano lectivo, uma criança com 5 anos pode
aprender educação sexual no pré-escolar através de temas pedagógicos como este:
«Desenvolver uma atitude positiva em relação ao prazer e à sexualidade.» Cinco
anos.
Já aos 10 é possível assistirem a aulas sobre
contraceptivos e aborto. Dez anos. Não sei porquê mas em Portugal convive-se
bem com o conceito do Estado Grande Educador: não aflige ninguém que o Estado
nos entre pela casa dentro e imponha como é que os nossos filhos devem ser
educados. Não é quais as competências que as crianças devem adquirir a
Matemática, Geografia ou Português. Isso é fascismo. Não, é mesmo o que eles
devem pensar, como devem ser formados. Imaginem que há por aí famílias que só
querem explicar aos filhos o que é o aborto depois de eles saberem como nascem
os bebés? Um perigo. Ora, na dúvida sobre quem são os pais, o Estado
antecipa-se através dos bancos da escola a educar os filhos segundo os cânones
de directores-gerais de Educação e técnicos que lhes vão recarregando as armas
com relatórios e estudos. Mas ninguém se chateia.
O conteúdo do documento intitulado Referencial da Educação para a Saúde e o facto de ainda ninguém ter
invadido o Ministério da Educação como consequência lógica deste documento é
prova dessa indiferença. Se fosse eu a entrar em casa da minha vizinha para
explicar à sua filha de 10 anos a diferença entre a interrupção voluntária da
gravidez e a não voluntária ou a dinâmica positiva do prazer e da sexualidade,
acredito que a minha vizinha chamasse a polícia. E bem. Mas, se for a
professora de ciências, não faz mal nenhum. Afinal, ela está apenas a educar
para a saúde.
Um Estado socialista
como o nosso vai até onde o deixam ir e com a convicção perigosa de quem se
acha mais habilitado do que os pais para educar os filhos. Seja em educação
sexual, alimentação, religião ou laicidade. Um Estado como o nosso não toca à
campainha para entrar em nossa casa. Entra. E é isto o mais sinistro do
documento referencial: o abuso. É que estas são portas que não se abrem a
estranhos e muito menos à figura abstracta que é o Estado.
domingo, 11 de dezembro de 2016
domingo, 4 de dezembro de 2016
Sextilhas para enfeitar a árvore do Natal 2016
Teresa Machado
«Pergunta ao meu inimigo quem sou, e ele me julgará mal, pergunta ao meu amigo, e ele dirá as minhas qualidades. Pergunta-me quem sou... e te direi: Sou o que tu vês... dependendo exclusivamente dos teus olhos!»
Marisa A.
Vamos falar de bonança
semear novo futuro
pra florir no amanhã.
Lutar com perseverança,
clarear o que está escuro
e viver com novo élan...
Procuremos ser exemplo,
olhar o Céu como templo
de inspiração e manobra...
Mas descer à terra e ver
que ainda há tanto por fazer
e há que lançar mãos à obra!
Que o vento ondule nos montes
varrendo em sua passagem
tudo o que está «pouco bem»,
que corra a águas nas fontes
para lavar na viagem
todo o «muito mau» também!
Tudo aquilo que mais quero
nem eu mesma sei se sei
o que é exactamente...
Só sei do meu desespero
pensando que morrerei
sem o ter... concretamente!
Inspirai-nos, Criador,
em dois mil e dezasseis
um Natal de sensatez...
Defendei a Paz e o Amor,
todos unidos podeis
ter esperanças de solidez!
domingo, 20 de novembro de 2016
Pode um psicólogo ser católico?
João Miguel Tavares, Público, 15 de
Novembro de 2016
Guardemos a mordaça e lembremos os
ensinamentos do bom e velho Stuart Mill: nunca devemos impedir de falar as
pessoas que acreditamos estarem erradas.
Indignação da semana: Maria José Vilaça, psicóloga e responsável da Associação dos Psicólogos Católicos, disse nas
páginas da revista Família Cristã que era possível aceitar um
filho homossexual sem aceitar a homossexualidade. «Eu aceito o meu filho, amo-o
se calhar até mais, porque sei que ele vive de uma forma que eu sei que não é
natural e que o faz sofrer.» E acrescentou: «É como ter um filho toxicodependente,
não vou dizer que é bom.» Esta frase provocou o habitual incêndio das redes
sociais e dezenas de queixas na Ordem dos Psicólogos, que emitiu um comunicado
onde recorda que nas suas intervenções públicas os psicólogos estão obrigados a
«observar o princípio do rigor e da independência, abstendo-se de fazer
declarações falsas ou sem fundamentação científica». De seguida, a Ordem
anunciou ir participar o caso ao Conselho Jurisdicional por considerar tais
declarações «de extrema gravidade».
Cá está – um piscar de olhos e já se foi
longe demais. A opinião que eu tenho em relação às declarações de Maria José
Vilaça é igual à dos indignados: discordo profundamente dela e acho a
comparação entre um filho homossexual e um filho toxicodependente de uma
infelicidade extrema. Parece-me, por isso, perfeitamente natural que as pessoas
manifestem a sua discordância pública em relação à senhora e que as redes
sociais se incendeiem, como de costume. Nada contra até aqui. Tudo contra a
partir daqui: há um momento, altamente desagradável, mas cada vez mais
recorrente, em que se passa do direito de discordar para o desejo de despedir.
As pessoas deixam de se limitar a criticar Maria José Vilaça por ter dito uma
tontice, e a rebater a sua opinião com argumentos sustentados, e passam a
defender que ela deve ser silenciada e proibida de exercer a sua profissão
porque, pelos vistos, hoje em dia não se pode ser psicólogo e ao mesmo tempo
considerar a homossexualidade uma prática «não natural».
Mas será que não se pode mesmo? É que se não
se pode, como a Ordem dos Psicólogos parece defender, se passou a ser uma coisa
tão inadmissível como a prática da lobotomia para curar doenças mentais, então
há aqui uma notícia muito maior do que as declarações de Maria José Vilaça, e
que está tristemente a passar ao lado da comunicação social. A primeira frase
de todos os artigos sobre este tema deveria ser esta: «A Ordem dos Psicólogos
Portugueses defende que um católico que aceite os ensinamentos da Igreja em
relação à homossexualidade não tem condições para ser psicólogo e deve
abandonar de imediato a sua profissão.» Esta é a notícia, meus senhores. Mandem
imprimir, enviem para o Vaticano e informem o Papa Francisco.
sábado, 19 de novembro de 2016
África une-se em bloco para dizer
um rotundo «não» à colonização ideológica
que a ONU pretende impor
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| Los 54 países africanos se han unido en bloque contra la ideología de género en la ONU |
Javier Lozano
El Papa Francisco alerta muy a menudo de
la «colonización ideológica» que se está
produciendo principalmente a través de la ideología de género. Y esta ofensiva
se realiza, según ha dicho también el Pontífice, a través de gobiernos
nacionales y organismos internacionales.
Precisamente, Naciones Unidas y la
diplomacia de Estados Unidos han sido los grandes promotores de
políticas que buscan imponer esta ideologia en todos los países privilegiando
principalmente al lobby LGTBI.
África y América Latina, los principales
objetivos
Si estos son los promotores, las principales
víctimas son África y América Latina. Ya sea mediante presiones políticas o
mediante el «chantaje» con grandes sumas de dinero, los países de estos
continentes se están viendo sometidos a una gran presión para que aprueben leyes nacionales como las
uniones homosexuales o la implantación de la ideología de género en los
colegios. De no hacerlo podrían perder las ayudas económicas. Y por regla
general todos estos países son pobres o bien están en vías de desarrollo.
Mientras que en América los dirigentes de
estos países van poco a poco sucumbiendo a estas presiones tal y como ha pasado
en México, Chile o Uruguay, en África se ha producido un curioso
fenómeno. Todo el continente se ha unido en bloque para decir
basta a estas imposiciones de la ONU y Estados Unidos.
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| La ONU se ha convertido en el gran promotor de la ideología de género |
La ONU ha hecho de los «nuevos derechos» para
los LGTBI una prioridad absoluta y para ello la Comisión de Derechos Humanos de
Naciones Unidas anunció la creación del puesto de experto en asuntos LGTBI y
que debería velar por la instauración de sus políticas en los distintos países.
Un activista proLGTB para el cargo
En teoría este nuevo experto debería luchar
contra la violencia pero grupos profamilia como el Center for Family&Human
Rights lo dudan. El director del Centro de Estudios Legales de este grupo,
Stefano Gennarini, ya afirmó que «el nombramiento aumenta las sospechas
de que este puesto de nueva creación no se limitará a la investigación de la
violencia contra las personas que se identifican como lesbianas, gais o
transgénero sino que más bien será utilizado para promover una agenda
amplia de derechos sexuales».
Finalmente, el perfil de la persona elegida
confirmaba estas sospechas. En la reñida votación de la Comisión de Derechos
Humanos (23 votos a favor, 18 en contra y seis abstenciones) se eligió el
nombre del responsable, el abogado tailandés Vitit Muntarbhorn, un
homosexualista que fue uno de los principales autores de los Principios de Yogyakarta, un documento clave para el lobby LGTBI en el que se exige que el
derecho internacional obligue a implantar derechos especiales a este colectivo aunque
para ello haya que socavar otros como el de la libertad de expresión y de
religión.
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| Vitit Mumtarbhorn, un activista proLGTB fue la persona elegida por la ONU para el cargo |
África no se resigna a ser colonizada
Los países africanos no han querido
resignarse y aceptar esta imposición. Para ello, la pasada semana el Grupo
Africano, que engloba a los 54 países del continente, presentó una
resolución que cuestiona la legalidad de la decisión tomada por la Comisión de
Derechos Humanos para crear esta especie de figura de comisario para
los LGTBI.
No sólo los africanos se mostraron en contra
sino también países de mayoría musulmana y potencias influyentes como Rusia,
China o India.
Tal y como recoge C-Fam, el grupo de países africanos dijo estar «perturbado» por
el bombardeo incesante de un enfoque centrado en «comportamientos e intereses
sexuales» y ha pedido éstos que no se vinculen a las normas sobre derechos
humanos.
El embajador de Botsuana dijo durante la
presentación de esta resolución que «el Grupo Africano está muy
preocupado por los intentos de introducir e imponer nuevas nociones y conceptos que
no están acordados internacionalmente».
Por todo ello, el continente africano ha
pedido que se suspenda temporalmente tanto el nombramiento de Vitit
Muntarbhorn como la creación del puesto en sí hasta que se produzca un
diálogo profundo sobre la legitimidad de dicho puesto en la ONU.
Reacción de Occidente contra la posición de
África
Las reacciones de los países que defienden la
ideología de género han sido rápidas y unánimes en sus críticas a los estados
africanos. Como era de esperar, la diplomacia estadounidense fue de las
primeras en manifestarse y dijo estar «profundamente preocupada» por
la propuesta africana ya que reabrir la decisión de la Comisión de Derechos
Humanos sería, a su juicio, «sentar un precedente muy peligroso».
En la misma línea se manifestó Reino Unido,
afirmando que la propuesta supone un ataque al Consejo por lo que su
país luchará para que se mantenga este experto para temas LGTB.
También países latinoamericanos como Chile,
Costa Rica o Brasil criticaron la postura de África tildándola de «inapropiada»
y de debilitar la protección de cualquier de estos colectivos.
«África salvará la familia»
Sin embargo, África ha decidido no sucumbir ni dejarse colonizar por estas ideologías pese a las molestias y problemas que esto les está ocasionando y les ocasionará. Ya lo dijo el año pasado el prefecto para la Congregación para el Culto Divino, el guineano Robert Sarah:
Sin embargo, África ha decidido no sucumbir ni dejarse colonizar por estas ideologías pese a las molestias y problemas que esto les está ocasionando y les ocasionará. Ya lo dijo el año pasado el prefecto para la Congregación para el Culto Divino, el guineano Robert Sarah:
«Confío absolutamente en la cultura africana;
confío absolutamente en la fe de África y estoy seguro de que África salvará a
la familia, que África salvará a la Iglesia. Así como
África salvó a la Sagrada Familia también, ahora, en esta época moderna, salvará
la familia humana».
Así funciona la diplomacia de los EEUU de
Obama
África está respondiendo a esta petición
aunque no lo tendrá nada fácil pues las presiones serán enormes. Y para saber
cómo se las gasta la diplomacia del hasta ahora presidente Obama vale con el
testimonio de la embajadora de su país ante la ONU, Samantha Power.
En un acto con Human Rights Campaign, el
mayor lobby gay de Estados Unidos, la embajadora les explicaba entusiasmada cómo
actuaba la diplomacia para imponer los temas LGTB al resto de países. Esto
decía:
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| Samantha Power es además de embajadora una de las personas más cercanas a Obama |
«Utilizamos todos los
componentes a nuestro alcance. Los embajadores estadounidenses de todo el mundo
se pusieron a trabajar a toda máquina. Exigimos el pago de deudas. E incluso
cuando sospechábamos que habíamos pasado a tener la mayoría de votos seguimos
trabajando. Y cuando los países no respondían nuestras
llamadas, los acorralábamos en el Salón de la Asamblea General, en el Consejo
de Seguridad o incluso en los baños».
terça-feira, 15 de novembro de 2016
Rapaz ou rapariga: uma escolha?
Cláudia Sebastião
«Já sabem se é menino ou menina?», é a pergunta mais ouvida por casais à
espera de bebé. O enxoval, o nome e o quarto do bebé são preparados a partir
daí. Mais tarde, começarão as perguntas sobre as diferenças entre meninas e
meninos. Agora imagine que não respondia ou que dizia: «Teres pipi não
significa que sejas menina. Podes decidir mais tarde.»
Diogo Costa Gonçalves é professor auxiliar da
Faculdade de Direito de Lisboa. Em 2003, foi consultor da Conferência Episcopal
para uma carta pastoral sobre a ideologia de género. À FAMÍLIA CRISTÃ faz
questão de dizer que o termo não significa igualdade de direitos entre homens e
mulheres. Então o que é?
Diogo Costa Gonçalves explica tratar-se de uma
estrutura de pensamento antropológica cuja característica fundamental é
«entender a masculinidade e a feminilidade como produtos puramente culturais,
sendo absolutamente indiferente a realidade genital ou cromossomática com que
as pessoas nascem; defende que a identidade sexual é produzida por um contexto
cultural patriarcal e machista que visa subjugar a mulher». Ou seja, ninguém
nasce homem ou mulher, torna-se homem ou mulher pela educação e pela cultura.
Assim, o objectivo da ideologia de género é ter uma sociedade sem sexos.
Para isso, desde os primeiros anos é preciso
promover a troca de papéis e eliminar as diferenças de comportamento entre
meninas e meninos. Maria José Vilaça é psicóloga e afirma que nesta ideologia
«tudo aquilo que eu sou passa a ser determinado pela minha preferência sexual e
não pelo meu corpo. Há uma espécie de divisão entre aquilo que eu sou e aquilo
que o meu corpo é.»
Em Portugal, Diogo Costa Gonçalves explica que o
primeiro passo da ideologia de género foi dado na lei do divórcio sem culpa. Ou
melhor, numa das epígrafes do registo civil. «O que era ‘poder paternal’ passou
a chamar-se ‘poder parental’. Foi uma manipulação de linguagem importante
porque o termo ‘paternidade’ está muito relacionado com a geração biológica.
Era preciso desconstruir socialmente a figura do pai e da mãe.»
«Ideologia de género já está nas escolas»
A Comunidade de Madrid aprovou a Lei contra a
LBGT fobia que obriga a integrar a realidade homossexual, bissexual,
transexual, transgénero e intersexual nos conteúdos escolares transversais de
todas as escolas madrilenas, públicas e privadas.
Diogo Costa Gonçalves tem sete filhos e diz que
isso já está a acontecer em Portugal. «A ideologia de género está cá. Os
programas de educação sexual são em bom rigor de ideologia de género em todos
os graus de ensino. Promove-se a confusão da identidade sexual. Isto é, tenho
de descobrir se sou mesmo heterossexual ou não e diz-se que a família é uma
construção cultural tão válida como qualquer outra relação.»
Maria José Vilaça concorda e fala da sua
experiência: «Hoje, nas escolas, falo com miúdos de 16 ou 17 anos que não
tiveram uma namorada e a primeira ideia que têm é: ‘Será que eu sou homossexual
ou bissexual?’ Já não lhes passa pela cabeça serem heterossexuais.»
Escolas de Madrid ensinam ideologia de género
Manuel Martínez-Sellés é médico cardiologista em
Madrid. Vê a aprovação da lei LGBT «com enorme preocupação». Como investigador,
afirma que «a ideologia de género está em total contradição com o conhecimento
da ciência sobre a biologia e a realidade física. Infelizmente, esta ideologia
já está a transformar escolas em fábricas de crianças sem sexo.»
Arantzazu Perez Grande é professora primária:
ensina língua e matemática a crianças de seis anos. Católica, não se pode
recusar a aplicar a lei, porque «podemos ser vítimas de sanções económicas ou
até, no meu caso, perder o emprego, porque sou funcionária pública». Esta
professora é mãe de três crianças. «Claro que me preocupa, porque quero poder
dar aos meus filhos a educação e as crenças que eu tenho. Não quero que o
Estado lhes diga o que têm de pensar ou no que têm de acreditar.»
Manuel Martínez-Sellés e Maria José Vilaça
acrescentam que nos Estados Unidos da América o Colégio de Pediatria publicou
um documento intitulado A ideologia de género prejudica as crianças. Nesse
documento, os pediatras norte-americanos defendem que «a sexualidade humana é
uma característica biológica binária objectiva» e que «ninguém nasce com um
género, todos nascemos com um sexo.
Mulheres e homens são diferentes?
Há investigações que comprovam isto mesmo.
Independentemente das diferenças culturais, sociais e económicas, homens e
mulheres são diferentes. Richard A. Lippa, da Universidade da Califórnia, fez
uma investigação sobre preferências profissionais, com 200 mil entrevistas a pessoas
de 53 países da Europa, América, África e Ásia. O investigador concluiu que os
homens tendem para trabalhos mais técnicos, enquanto as mulheres preferem as
ocupações sociais. Acontece em todos os países e continentes. Também o
professor Simon Baron-Cohen, do Trinity College da Universidade de Cambridge,
autor de Sex differences in human neonatal social perception, constatou
que os bebés meninos, com apenas horas de vida, se fixam mais em objectos
mecânicos e as bebés meninas dão mais atenção a rostos humanos.
Dicas para os pais
Que podem os pais fazer? Diogo Costa Gonçalves
diz que «é preciso criar espírito crítico nos educadores. Nenhum dos nossos
pais se sentou connosco a explicar porque é que o casamento é entre um homem e
uma mulher. Era dado mais do que adquirido. Neste momento, vou ter de fazer
isso com os meus filhos.»
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
500 anos depois, de joelhos diante de Lutero
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| O Papa Francisco e o pastor luterano Martin Junge assinam uma «Declaração Conjunta». O heresiarca Lutero definiu, no século XVI, o Papa como «apóstolo de Satanás» e «anticristo». |
Roberto De Mattei
O Concílio de Trento pronunciou um ditame irrevogável sobre a
incompatibilidade entre a fé católica e a protestante.
Dizemo-lo com profunda dor. Parece uma nova religião aquela que aflorou
em Lund no dia 31 de Outubro, durante o encontro ecuménico entre o Papa
Francisco e os representantes da Federação Luterana Mundial. Uma religião em
que são claros os pontos de partida, mas obscura e inquietante a linha de
chegada.
O slogan que mais ressoou na catedral de Lund foi o da necessidade de um
«caminho comum» que leve católicos e luteranos «do conflito à comunhão». Tanto
o Papa Francisco quanto o pastor Martin Junge, secretário da Federação
Luterana, se referiram nos seus sermões à parábola evangélica da videira e dos
ramos. Católicos e luteranos seriam «ramos secos» de uma única árvore que não
dá frutos por causa da separação de 1517. Mas ninguém sabe quais seriam esses
«frutos». O que católicos e luteranos parecem ter agora em comum é apenas uma
situação de profunda crise, ainda que por motivos diferentes.
O luteranismo foi um dos principais factores da secularização da
sociedade ocidental e hoje está agonizando pela coerência com que desenvolveu
os germes de dissolução que portava dentro de si desde a sua irrupção. Na
vanguarda da secularização estiveram os países escandinavos, apresentados por
longo tempo como modelo do nosso futuro. Mas a Suécia, depois de ter-se transformado
na pátria do multiculturalismo e dos direitos homossexuais, é hoje um país onde
apenas 2% dos luteranos são praticantes, enquanto quase 10% da população segue
a religião islâmica.
A Igreja católica, pelo contrário, está em crise de autodemolição porque
abandonou a sua Tradição para abraçar o processo de secularização do mundo
moderno na hora em que este entrava na sua fase final de decomposição. Os
luteranos procuram no ecumenismo um sopro de vida, e a Igreja católica não
adverte nesse abraço o mau hálito da morte.
«O que nos une é muito mais do que aquilo que nos divide», foi
ainda dito na cerimónia de Lund. Mas, o que une católicos e luteranos? Nada,
nem sequer o significado do baptismo, o único dos sete sacramentos que os
luteranos reconhecem. Para os católicos, o baptismo elimina de facto o pecado
original, enquanto para os luteranos ele não pode apagá-lo, porque consideram a
natureza humana radicalmente corrupta, e irremovível o pecado. A fórmula de
Lutero «peca com força, mas crê com maior força ainda» resume o seu pensamento.
O homem é incapaz de praticar o bem e não pode senão pecar e abandonar-se
cegamente à misericórdia divina. A vontade corrompida do homem não tendo
nenhuma participação nesse acto de fé, no fundo é Deus que decide, de forma
arbitrária e inapelável, quem se condena e quem se salva, como deduziu Calvino.
Não existe liberdade, mas apenas rigorosa predestinação dos eleitos e dos
condenados.
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| Santo Inácio de Loyola combateu com muita coragem e eficácia a heresia luterana |
A «Sola Fede» é acompanhada pela «Sola Scriptura». Para os católicos, a
Sagrada Escritura e a Tradição são as duas fontes da Revelação divina. Os
luteranos eliminam a Tradição porque afirmam que o homem deve ter uma relação
directa com Deus, sem a mediação da Igreja. É o princípio do «livre exame» das
Escrituras, a partir do qual fluem o individualismo e o relativismo
contemporâneos. Este princípio implica a negação do papel da Igreja e do Papa,
que Lutero define como «apóstolo de Satanás» e «anticristo». Lutero odiava
especialmente o Papa e a Missa católica, que ele queria reduzir a mera
comemoração, negando-lhe o carácter de sacrifício e impugnando a transubstanciação
do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo. Mas, para os católicos,
a renovação incruenta do sacrifício de Cristo existente na Missa é a fonte
principal da graça divina. Trata-se de simples incompreensões e
mal-entendidos?
O Papa Francisco declarou em Lund: «Também nós devemos olhar, com
amor e honestidade, para o nosso passado e reconhecer o erro e pedir perdão.»
E ainda: «Com a mesma honestidade e amor, temos de reconhecer que a nossa
divisão se afastava da intuição originária do povo de Deus, cujo anseio é
naturalmente estar unido, e, historicamente, foi perpetuada mais por homens do
poder deste mundo do que por vontade do povo fiel.» — Quem são esses homens
de poder? Os Papas e os santos, que combateram o luteranismo desde o início? A
Igreja, que o condenou durante cinco séculos?
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
Todos os Santos: vida com Deus!
Halloween: paganismo!
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| «Europa trocou crucifixos por abóboras!» |
O Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano, lamentou
que a Europa do terceiro milénio troque os seus «símbolos mais
queridos» pelas «abóboras» do Halloween. O número dois do Vaticano
comentava assim, em 2009, a decisão do Tribunal Europeu de Direitos do Homem,
que define a presença do crucifixo nas escolas como uma violação da liberdade
religiosa dos alunos e como contrária ao direito dos pais em educarem os filhos
segundo as suas convicções.
Claro que, subjacente à expansão do Halloween, está o tentar ofuscar a
celebração de «Todos os Santos»: o ofuscar da Luz, da Vida, da Ressurreição, de
Deus!
Celebrar o Halloween é celebrar a morte; Celebrar Todos os
Santos é celebrar a Vida!
No contexto de campanhas publicitárias da promoção da festa de
Halloween, de cada vez mais agressivas, a Conferência Episcopal da França, já
no distante ano de 2003, publicou um comunicado para explicar o sentido da
festa de «Todos os Santos» e do «Dia dos fiéis Defuntos».
Com a Festa de 1 de Novembro, dia de «Todos os Santos», a Igreja deseja
«honrar os santos «anónimos», muito mais numerosos que os
canonizados pela Igreja, que com frequência viveram na discrição ao serviço de
Deus e de seus contemporâneos», recorda o texto. Neste sentido, declaram os
bispos, a Festa de «Todos os Santos» é a festa de «todos os baptizados,
pois cada um está chamado por Deus à santidade». Constitui, portanto, um
convite a «experimentar a alegria daqueles que puseram Cristo no centro de suas
vidas».
A 2 de Novembro, dia de oração pelos defuntos, é proposta uma prática que se iniciou com os primeiros cristãos: a
ideia de convocar uma jornada especial de oração pelos falecidos, continuação
de «Todos os Santos», surgiu no século X: «A 1 de Novembro, os
católicos celebram na alegria a festa de Todos os Santos; no dia seguinte,
rezam de maneira geral por todos os que morreram», afirma o documento.
Deste modo, a Igreja quer dar a entender que «a morte é uma
realidade que se pode e que se deve assumir, pois constitui o passo no
seguimento de Cristo ressuscitado». Isto explica as flores com que nestes
dias se adornam os túmulos, «sinal de vida e de esperança», concluem os
prelados.
Tradição das Crianças
A tradição diz que, em Portugal, no dia de Todos os Santos as crianças
saem à rua e juntam-se em pequenos grupos para pedir o «Pão por Deus»
de porta em porta. Em tempos, as crianças, quando pediam o «Pão por
Deus», recitavam versos e recebiam como oferenda pão, broas, bolos, romãs e
frutos secos, nozes, amêndoas ou castanhas, que colocavam dentro dos seus sacos
de pano. É costume em algumas regiões os padrinhos oferecerem um bolo, o
Santoro. Em algumas povoações chama-se a este dia o «Dia dos Bolinhos».
E o Halloween?
A festa de «Halloween» chegou dos Estados Unidos da América, e é agora
muito celebrada também na Europa, assinalando-se a 31 de Outubro. A comemoração
veio dos antigos povos bárbaros Celtas, que habitava a Grã-Bretanha há mais de
2000 anos. Os Celtas realizavam a colheita nessa época do ano, e, segundo um
antigo ritual, para eles os espíritos das pessoas mortas voltariam à Terra
durante a noite, e queriam, entre outras coisas, alimentar-se e assustar as
pessoas. Então, os Celtas costumavam vestir-se com máscaras assustadoras para
afastar estes espíritos. Esse episódio era conhecido como o «Samhaim». Com o
passar do tempo, os cristãos chegaram à Grã-Bretanha, converteram os Celtas e
outros povos da Ilha e a Igreja Católica transformou este ritual pagão
numa festa religiosa, passando a ser celebrada nesta mesma época e, ao
invés de honrar espíritos e forças ocultas, o povo recém catequizado
deveria honrar os santos.
A tradição entre estes povos continuou, e além de celebrarem o «Dia de
Todos os Santos», os não convertidos ao Cristianismo celebravam também
a noite da véspera do Dia de Todos os Santos com as máscaras assustadoras e com
comida. A noite era chamada de «All Hallows Evening»; abreviando-se,
veio o Halloween.
terça-feira, 1 de novembro de 2016
Halloween: mera diversão?
Pois quem se diverte mesmo é o diabo!
Pe. Aldo Buonaiuto, exorcista italiano:
«Por trás das brincadeiras, a obra do diabo»
Das brincadeiras do Halloween para o ocultismo há só um pequeno passo,
afirma o pe. Aldo Buonaiuto, da Comunidade Papa João XXIII. Ele é exorcista e
coordenador de um serviço de ajuda a vítimas do ocultismo. Durante o mês de
Outubro, a linha 0800 desse serviço toca sem parar.
Este é um relato de há poucos dias:
«Ligou uma mãe desesperada, que tinha descoberto
as mentiras do filho, um rapaz excelente, sincero, que, de repente, mudou de
círculo de amizades. Descobriu que o rapaz tinha
profanado um cemitério… Eu falei com o rapaz. Porque fizeste isso? E a
primeira palavra foi Halloween. Chorando, falou-me da forte persuasão dos novos
amigos. No começo parecia tudo uma brincadeira, um jogo. Depois, descobriu que
eles estavam agindo a sério; que todos eles acreditavam mesmo naquilo que
estavam a fazer. E ele não conseguia livrar-se deles». O episódio quase banal
revela como é fácil entrar nesses circuitos. Mas, «especialmente para um jovem,
não é fácil sair deles, por vergonha, medo e tantas dinâmicas típicas dessa
idade».
O pe. Aldo Buonaiuto acaba de lançar, em Itália, o livro «Halloween: Lo
scherzetto del diavolo» (A brincadeira do diabo – título livremente traduzido;
a obra ainda não está disponível em português), que examina aspectos históricos
e sociológicos desse fenómeno dito cultural.
Segundo ele, a famosa frase «doçura ou travessura?» vem de outra:
«oferenda ou maldição?», de origens celtas e usada em sacrifícios ao deus da
morte, Samhain, para propiciar um bom Inverno. Embora este significado mais
recôndito fique escondido sob a pátina comercial, «o Halloween continua a ser a
festa mais importante dos satanistas, envolvendo ocultismo, esoterismo, magia e
bruxaria». Por trás das máscaras, o pe. Aldo vê «a obra insidiosa do diabo, uma
rasteira indirecta para derrubar as suas vítimas». Os média fazem o resto: «As
crianças de hoje nem sabem que existe a festa de Todos os Santos, mas sabem,
porque isso é incutido até nas escolas, que existe o Dia das Bruxas – ou
Halloween».
E quanto à memória dos falecidos?
«Sequer é comparável. O Halloween exalta o espiritismo, o mundo
invisível ligado às forças demoníacas. O Dia de Finados está ligado à crença na
vida eterna, na ressurreição do corpo. As religiões têm respeito pelos mortos.
O Halloween não tem. Ele ultraja os mortos».
«Não se pode banalizar este fenómeno. Para muita gente, é só um momento
de diversão, mas, para os satanistas, a participação indirecta também conta:
quem se fantasia está de certa forma exaltando o reino do mal. Que pai quer ver
o seu filho de rosto desfigurado, sem os olhos, gotejando sangue? Qual é a
diversão nisso? O que se esconde de verdade por trás desse fenómeno que leva a
considerar esse tipo de coisa como normal?».
O exorcista está convicto:
«A nossa sociedade não precisa de Halloween, de monstruosidade, de
imagens agressivas e violentas do macabro e do horror. Esta sociedade não
precisa das trevas. Os nossos filhos precisam da luz. Porque não lhes
oferecemos a festa dos santos? Esta é que é uma beleza! É um grande desafio
numa sociedade que se devota às coisas ruins para torná-las normais».
Daí o convite: preparar festas temáticas sobre as vidas dos santos. E um
apelo aos sacerdotes, professores e catequistas:
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
Projecto Família já ajudou
mais de três mil crianças a ficar com os pais
Há dez anos que o Movimento de Defesa da Vida actua na prevenção da institucionalização de crianças. O apoio é dado em casa das famílias, com disponibilidade 24 horas por dia.
Não se ajudam as famílias em risco retirando-lhes os filhos, mas sim ajudando-as a refazer a vida. É nesta base que a actua o «Projecto Família», do MDV – Movimento Defesa da Vida, que desde que foi criado já evitou que milhares de crianças fossem institucionalizadas. O trabalho foi reconhecido internacionalmente com o Local Answers Award, entregue nas Conferências do Estoril.
A directora técnica do MDV, Carmelita Dinis, falou à Renascença sobre a metodologia que seguem no «Projecto Família» e o esforço que fazem para se financiarem, porque a ajuda que recebem da Segurança Social não chega. O projecto está actualmente em Lisboa, Almada/Seixal e Gondomar e em 10 anos foram acompanhadas 1.952 famílias e 3.302 crianças e jovens.
Como é que funciona o Projecto Família?
É um projecto de preservação familiar, trabalha sobretudo com famílias com crianças e jovens em risco na perspectiva de, trabalhando com a família, tentar não remover as crianças, mas remover os riscos que tornam difícil a permanência da criança em casa. Por isso, sempre numa perspectiva de manter a unidade familiar, tendo em atenção, e no centro, aquilo que é o bem-estar e o desenvolvimento da criança.
Como é que identificam as famílias em risco?
Temos neste momento em Lisboa, Almada/Seixal e Gondomar Centros de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental (CAFAP). Com isto acabamos por trabalhar em estreita ligação com o sistema de prevenção e protecção, por isso neste momento a maior parte das famílias, se não a totalidade, são famílias que nos são sinalizadas e referenciadas pelas comissões de protecção de crianças e jovens, ou pelas equipas da Segurança Social que dão apoio ao Tribunal, ou mesmo directamente pelo tribunal.
Ou seja, são situações de crise acentuada, quer seja de crise económica, quer a nível de relação, que levam a que haja aqui risco para estas crianças e uma possível retirada. Por isso, o «Projecto Família» pretende ser muitas vezes uma última oportunidade de trabalhar com as famílias, de forma que as crianças possam permanecer.
E como é que actuam? Têm técnicos especializados?
Temos uma equipa de técnicos nos vários locais. São pessoas que são da área das ciências sociais e humanas, psicólogos, serviço social, da área da reinserção social, e até da economia, que fazem uma formação específica de 40 horas dentro da metodologia do projecto, porque é uma metodologia que tem algumas características inovadoras. A família é referenciada, há uma reunião de apresentação…
A família que vai ser ajudada tem de autorizar esta intervenção?
Sim, porque todo o trabalho do técnico é feito em casa, não há trabalho de gabinete. Pode haver depois referenciação para serviços de psicologia, terapia familiar, caso seja necessário, mas este trabalho de proximidade e colaboração com a família é feito em casa. Este técnico está disponível para a família 24 horas por dia, todos os dias, ou seja, trabalha com a família naquele que é o horário da família, porque muitas vezes as situações de crise e de tensão familiar dão-se ao final do dia e ao fim-de-semana. Por isso é muito importante ter lá alguém no horário em que a família necessita de ajuda, e esta pessoa está disponível. Há uma fase inicial de intervenção intensiva de seis semanas, e depois há um acompanhamento até um ano. Nesta fase intensiva cada técnico só tem duas famílias.
Há uma dedicação quase exclusiva?
Sim, e uma relação de proximidade. Não deixa de ser um técnico, mas está lá para ajudar também a ser um catalisador da mudança, vai tentar trabalhar com aquela família, fomentando a que sejam eles a perceber que podem ter melhores condições de vida e que têm essa capacidade de conseguir organizar-se de forma diferente para que os filhos permaneçam com eles.
E também ajudam as pessoas a reorganizar a vida, permitindo-lhes que façam alguma formação, na procura de emprego?
Sim, até porque onde trabalhamos, e estamos a falar de cidades grandes, continuamos a encontrar pessoas que estão completamente à margem do sistema social, completamente desinseridas e que precisam de ajuda em termos do sistema de saúde mental. Por isso é muito importante ajudá-las a, não só procurar os serviços, como às vezes ir acompanhá-las aos serviços.
A perspectiva é que no prazo de um ano as famílias estejam reestruturadas?
Sim. Depois daquela primeira fase de intervenção intensiva, de seis semanas, há aquilo a que nós chamamos os «follow up» de um, três, seis meses e 12 meses, por isso continuamos a acompanhar. Ao fim de um ano é avaliado se aquela criança permanece naquela família, e isso é tido como um factor de sucesso também deste projecto.
Neste momento quantos técnicos têm a trabalhar?
Em Lisboa temos à volta de cinco técnicos mais o supervisor, isto no trabalho directo com a família, porque depois também temos nos vários núcleos algum trabalho de complementaridade. Por exemplo, em Lisboa, temos também um serviço de psicologia de consultas, que apesar de estar aberto ao público, dá sobretudo prioridade às famílias do «Projecto Família», temos um serviço de apoio à procura de emprego. Ou seja, em Lisboa temos uma equipa com mais pessoas, no resto dos sítios temos sempre três a quatro assistentes familiares, um supervisor e um coordenador.
E em termos de famílias?
Normalmente em Lisboa acompanhamos cento e tal famílias, no resto dos sítios são menos. No ano 2015 apoiámos cerca de 267 famílias e 505 crianças. Ao todo, desde o início do projecto, já acompanhámos 1.952 famílias e 3.302 crianças e jovens. Não trabalhamos só com as famílias na perspectiva de evitar a institucionalização, temos também acompanhamento nos casos de reunificação. Ou seja, situações de crianças que estão em centros de acolhimento e que regressam a casa, nós também intervimos para ajudar os pais nesse regresso a casa.
Desde 2015 também temos o Ponto de Encontro Familiar, trabalhamos também nas situações de divórcio e de conflito grave ao nível das responsabilidades parentais, e que muitas vezes tenta facilitar os contactos dos pais no pós-divorcio, tentando centrar muito as questões no interesse dos filhos, e na forma como se pode ser pai e mãe depois de deixar de ser casal.
Muito do trabalho que fazem passa, portanto, por esta questão da mediação e orientação familiar, mas o MDV também promove seminários, formação, até ao nível da educação sexual…
Sim, continuamos a manter o que esteve na origem do MDV, e que foi esta tónica na educação sexual e planeamento familiar. Tivemos um protocolo com o Ministério da Educação até 2005, que deixámos de ter, mas continuamos a fazer o atendimento na área do planeamento familiar, colaboramos com alguns locais onde estão jovens mães ou grávidas adolescentes. Às vezes fazemos só as sessões, outras vezes fazemos um acompanhamento mais profundo, dando conhecimento de todos os métodos de planeamento familiar, mas com enfoque particular na questão do planeamento familiar natural.
O MDV não está ligado à Igreja, mas tem esta preocupação de divulgar e dar a conhecer estes métodos que a Igreja defende, e que a nível médico nem sempre são apresentados como opção…
O MDV é uma associação aconfessional e apolítica, mas tem na sua base os valores do humanismo cristão, e por isso faz sentido esta nossa actividade. Relativamente a estes métodos, temos tido muitas vezes pedidos de enfermeiros, e jovens enfermeiros, que não têm esta área na sua formação e que têm muito interesse.
Em termos de financiamento, as ajudas que recebem são suficientes?
Como IPSS temos um protocolo com a Segurança Social, mas não cobre o financiamento da totalidade das nossas actividades, por isso temos necessidade de continuar a ter aqui um trabalho de angariação de fundos e de donativos. Fazemos campanhas com regularidade e tentamos sensibilizar também empresas e particulares para a continuidade desse apoio financeiro de que precisamos.
Temos também alguns serviços que estão abertos à comunidade. Por exemplo, o Departamento de Psicologia também dá consultas e está aberto ao público, que é uma forma também de nos sustentarmos e conseguirmos depois dar este tipo de resposta às outras famílias. Estamos a tentar estender no próximo ano a outro tipo de serviços, como a terapia da fala, porque é das coisas que vamos sentindo que é muito importante e que às vezes não existe na comunidade, os encontros com pais, que são sessões mais de sensibilização para a parentalidade e para a educação dos filhos, é dirigido às famílias do «Projecto Família», mas está aberto ao público em geral.
Por exemplo a área da psicologia é uma área que até ao ano 2015 estava contemplada no acordo que tínhamos com a Segurança Social e que deixou de ser financiada, por isso neste momento houve a necessidade de abrirmos ao público de forma a conseguirmos financiar e dar o apoio às famílias que damos.
Também contam com a ajuda de voluntariado?
Todas as pessoas que têm um trabalho directo com a família – sobretudo no Projecto Família, no Ponto de Encontro Familiar e na mediação – tudo o que é trabalho mais técnico é trabalho pago. Mas temos também um grupo de voluntários, em articulação até com algumas empresas, que nos apoia nas actividades que vamos desenvolvendo com as famílias, por exemplo no dia da criança e no dia da família. Temos também uma Lojinha Social, que também é organizada por voluntários e temos algumas actividades de apoio ao estudo a crianças do Projecto Família. Também organizamos colónias de férias, e aí sim, contamos muito com os voluntários.
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