quarta-feira, 2 de novembro de 2016


Todos os Santos: vida com Deus!

Halloween: paganismo!


«Europa trocou crucifixos por abóboras!»

O Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano, lamentou que a Europa do terceiro milénio troque os seus «símbolos mais queridos» pelas «abóboras» do Halloween. O número dois do Vaticano comentava assim, em 2009, a decisão do Tribunal Europeu de Direitos do Homem, que define a presença do crucifixo nas escolas como uma violação da liberdade religiosa dos alunos e como contrária ao direito dos pais em educarem os filhos segundo as suas convicções.

Claro que, subjacente à expansão do Halloween, está o tentar ofuscar a celebração de «Todos os Santos»: o ofuscar da Luz, da Vida, da Ressurreição, de Deus!

Celebrar o Halloween é celebrar a morte; Celebrar Todos os Santos é celebrar a Vida!

No contexto de campanhas publicitárias da promoção da festa de Halloween, de cada vez mais agressivas, a Conferência Episcopal da França, já no distante ano de 2003, publicou um comunicado para explicar o sentido da festa de «Todos os Santos» e do «Dia dos fiéis Defuntos».

Com a Festa de 1 de Novembro, dia de «Todos os Santos», a Igreja deseja «honrar os santos «anónimos», muito mais numerosos que os canonizados pela Igreja, que com frequência viveram na discrição ao serviço de Deus e de seus contemporâneos», recorda o texto. Neste sentido, declaram os bispos, a Festa de «Todos os Santos» é a festa de «todos os baptizados, pois cada um está chamado por Deus à santidade». Constitui, portanto, um convite a «experimentar a alegria daqueles que puseram Cristo no centro de suas vidas».

A 2 de Novembro, dia de oração pelos defuntos, é proposta uma prática que se iniciou com os primeiros cristãos: a ideia de convocar uma jornada especial de oração pelos falecidos, continuação de «Todos os Santos», surgiu no século X: «A 1 de Novembro, os católicos celebram na alegria a festa de Todos os Santos; no dia seguinte, rezam de maneira geral por todos os que morreram», afirma o documento.

Deste modo, a Igreja quer dar a entender que «a morte é uma realidade que se pode e que se deve assumir, pois constitui o passo no seguimento de Cristo ressuscitado». Isto explica as flores com que nestes dias se adornam os túmulos, «sinal de vida e de esperança», concluem os prelados.

Tradição das Crianças

A tradição diz que, em Portugal, no dia de Todos os Santos as crianças saem à rua e juntam-se em pequenos grupos para pedir o «Pão por Deus» de porta em porta. Em tempos, as crianças, quando pediam o «Pão por Deus», recitavam versos e recebiam como oferenda pão, broas, bolos, romãs e frutos secos, nozes, amêndoas ou castanhas, que colocavam dentro dos seus sacos de pano. É costume em algumas regiões os padrinhos oferecerem um bolo, o Santoro. Em algumas povoações chama-se a este dia o «Dia dos Bolinhos».

E o Halloween?

A festa de «Halloween» chegou dos Estados Unidos da América, e é agora muito celebrada também na Europa, assinalando-se a 31 de Outubro. A comemoração veio dos antigos povos bárbaros Celtas, que habitava a Grã-Bretanha há mais de 2000 anos. Os Celtas realizavam a colheita nessa época do ano, e, segundo um antigo ritual, para eles os espíritos das pessoas mortas voltariam à Terra durante a noite, e queriam, entre outras coisas, alimentar-se e assustar as pessoas. Então, os Celtas costumavam vestir-se com máscaras assustadoras para afastar estes espíritos. Esse episódio era conhecido como o «Samhaim». Com o passar do tempo, os cristãos chegaram à Grã-Bretanha, converteram os Celtas e outros povos da Ilha e a Igreja Católica transformou este ritual pagão numa festa religiosa, passando a ser celebrada nesta mesma época e, ao invés de honrar espíritos e forças ocultas, o povo recém catequizado deveria honrar os santos.

A tradição entre estes povos continuou, e além de celebrarem o «Dia de Todos os Santos», os não convertidos ao Cristianismo celebravam também a noite da véspera do Dia de Todos os Santos com as máscaras assustadoras e com comida. A noite era chamada de «All Hallows Evening»; abreviando-se, veio o Halloween.

Que nós, cristãos, celebremos a Vida e não a Morte, não nos deixando enganar e seduzir pela cultura da morte dos que vivem sem Deus!





terça-feira, 1 de novembro de 2016


Halloween: mera diversão?

Pois quem se diverte mesmo é o diabo!


Pe. Aldo Buonaiuto, exorcista italiano:

«Por trás das brincadeiras, a obra do diabo»

Das brincadeiras do Halloween para o ocultismo há só um pequeno passo, afirma o pe. Aldo Buonaiuto, da Comunidade Papa João XXIII. Ele é exorcista e coordenador de um serviço de ajuda a vítimas do ocultismo. Durante o mês de Outubro, a linha 0800 desse serviço toca sem parar.

Este é um relato de há poucos dias:

«Ligou uma mãe desesperada, que tinha descoberto as mentiras do filho, um rapaz excelente, sincero, que, de repente, mudou de círculo de amizades. Descobriu que o rapaz tinha profanado um cemitério… Eu falei com o rapaz. Porque fizeste isso? E a primeira palavra foi Halloween. Chorando, falou-me da forte persuasão dos novos amigos. No começo parecia tudo uma brincadeira, um jogo. Depois, descobriu que eles estavam agindo a sério; que todos eles acreditavam mesmo naquilo que estavam a fazer. E ele não conseguia livrar-se deles». O episódio quase banal revela como é fácil entrar nesses circuitos. Mas, «especialmente para um jovem, não é fácil sair deles, por vergonha, medo e tantas dinâmicas típicas dessa idade».


O pe. Aldo Buonaiuto acaba de lançar, em Itália, o livro «Halloween: Lo scherzetto del diavolo» (A brincadeira do diabo – título livremente traduzido; a obra ainda não está disponível em português), que examina aspectos históricos e sociológicos desse fenómeno dito cultural.

Segundo ele, a famosa frase «doçura ou travessura?» vem de outra: «oferenda ou maldição?», de origens celtas e usada em sacrifícios ao deus da morte, Samhain, para propiciar um bom Inverno. Embora este significado mais recôndito fique escondido sob a pátina comercial, «o Halloween continua a ser a festa mais importante dos satanistas, envolvendo ocultismo, esoterismo, magia e bruxaria». Por trás das máscaras, o pe. Aldo vê «a obra insidiosa do diabo, uma rasteira indirecta para derrubar as suas vítimas». Os média fazem o resto: «As crianças de hoje nem sabem que existe a festa de Todos os Santos, mas sabem, porque isso é incutido até nas escolas, que existe o Dia das Bruxas – ou Halloween».

E quanto à memória dos falecidos?

«Sequer é comparável. O Halloween exalta o espiritismo, o mundo invisível ligado às forças demoníacas. O Dia de Finados está ligado à crença na vida eterna, na ressurreição do corpo. As religiões têm respeito pelos mortos. O Halloween não tem. Ele ultraja os mortos».

«Não se pode banalizar este fenómeno. Para muita gente, é só um momento de diversão, mas, para os satanistas, a participação indirecta também conta: quem se fantasia está de certa forma exaltando o reino do mal. Que pai quer ver o seu filho de rosto desfigurado, sem os olhos, gotejando sangue? Qual é a diversão nisso? O que se esconde de verdade por trás desse fenómeno que leva a considerar esse tipo de coisa como normal?».

O exorcista está convicto:

«A nossa sociedade não precisa de Halloween, de monstruosidade, de imagens agressivas e violentas do macabro e do horror. Esta sociedade não precisa das trevas. Os nossos filhos precisam da luz. Porque não lhes oferecemos a festa dos santos? Esta é que é uma beleza! É um grande desafio numa sociedade que se devota às coisas ruins para torná-las normais».

Daí o convite: preparar festas temáticas sobre as vidas dos santos. E um apelo aos sacerdotes, professores e catequistas:

«Tenham a coragem de testemunhar a fé desses grandes heróis, os santos e beatos, que têm muito a transmitir para esta sociedade. Abram as portas das paróquias não para abóboras vazias, mas para belas festas! O Dia de Todos os Santos é uma grande oportunidade para sermos quem somos: filhos da luz!».





quinta-feira, 27 de outubro de 2016


Projecto Família já ajudou

mais de três mil crianças a ficar com os pais



Há dez anos que o Movimento de Defesa da Vida actua na prevenção da institucionalização de crianças. O apoio é dado em casa das famílias, com disponibilidade 24 horas por dia.

Não se ajudam as famílias em risco retirando-lhes os filhos, mas sim ajudando-as a refazer a vida. É nesta base que a actua o «Projecto Família», do MDV – Movimento Defesa da Vida, que desde que foi criado já evitou que milhares de crianças fossem institucionalizadas. O trabalho foi reconhecido internacionalmente com o Local Answers Award, entregue nas Conferências do Estoril.

A directora técnica do MDV, Carmelita Dinis, falou à Renascença sobre a metodologia que seguem no «Projecto Família» e o esforço que fazem para se financiarem, porque a ajuda que recebem da Segurança Social não chega. O projecto está actualmente em Lisboa, Almada/Seixal e Gondomar e em 10 anos foram acompanhadas 1.952 famílias e 3.302 crianças e jovens.

Como é que funciona o Projecto Família?

É um projecto de preservação familiar, trabalha sobretudo com famílias com crianças e jovens em risco na perspectiva de, trabalhando com a família, tentar não remover as crianças, mas remover os riscos que tornam difícil a permanência da criança em casa. Por isso, sempre numa perspectiva de manter a unidade familiar, tendo em atenção, e no centro, aquilo que é o bem-estar e o desenvolvimento da criança.

Como é que identificam as famílias em risco?

Temos neste momento em Lisboa, Almada/Seixal e Gondomar Centros de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental (CAFAP). Com isto acabamos por trabalhar em estreita ligação com o sistema de prevenção e protecção, por isso neste momento a maior parte das famílias, se não a totalidade, são famílias que nos são sinalizadas e referenciadas pelas comissões de protecção de crianças e jovens, ou pelas equipas da Segurança Social que dão apoio ao Tribunal, ou mesmo directamente pelo tribunal.

Ou seja, são situações de crise acentuada, quer seja de crise económica, quer a nível de relação, que levam a que haja aqui risco para estas crianças e uma possível retirada. Por isso, o «Projecto Família» pretende ser muitas vezes uma última oportunidade de trabalhar com as famílias, de forma que as crianças possam permanecer.

E como é que actuam? Têm técnicos especializados?

Temos uma equipa de técnicos nos vários locais. São pessoas que são da área das ciências sociais e humanas, psicólogos, serviço social, da área da reinserção social, e até da economia, que fazem uma formação específica de 40 horas dentro da metodologia do projecto, porque é uma metodologia que tem algumas características inovadoras. A família é referenciada, há uma reunião de apresentação…

A família que vai ser ajudada tem de autorizar esta intervenção?

Sim, porque todo o trabalho do técnico é feito em casa, não há trabalho de gabinete. Pode haver depois referenciação para serviços de psicologia, terapia familiar, caso seja necessário, mas este trabalho de proximidade e colaboração com a família é feito em casa. Este técnico está disponível para a família 24 horas por dia, todos os dias, ou seja, trabalha com a família naquele que é o horário da família, porque muitas vezes as situações de crise e de tensão familiar dão-se ao final do dia e ao fim-de-semana. Por isso é muito importante ter lá alguém no horário em que a família necessita de ajuda, e esta pessoa está disponível. Há uma fase inicial de intervenção intensiva de seis semanas, e depois há um acompanhamento até um ano. Nesta fase intensiva cada técnico só tem duas famílias.

Há uma dedicação quase exclusiva?

Sim, e uma relação de proximidade. Não deixa de ser um técnico, mas está lá para ajudar também a ser um catalisador da mudança, vai tentar trabalhar com aquela família, fomentando a que sejam eles a perceber que podem ter melhores condições de vida e que têm essa capacidade de conseguir organizar-se de forma diferente para que os filhos permaneçam com eles.

E também ajudam as pessoas a reorganizar a vida, permitindo-lhes que façam alguma formação, na procura de emprego?

Sim, até porque onde trabalhamos, e estamos a falar de cidades grandes, continuamos a encontrar pessoas que estão completamente à margem do sistema social, completamente desinseridas e que precisam de ajuda em termos do sistema de saúde mental. Por isso é muito importante ajudá-las a, não só procurar os serviços, como às vezes ir acompanhá-las aos serviços.

A perspectiva é que no prazo de um ano as famílias estejam reestruturadas?

Sim. Depois daquela primeira fase de intervenção intensiva, de seis semanas, há aquilo a que nós chamamos os «follow up» de um, três, seis meses e 12 meses, por isso continuamos a acompanhar. Ao fim de um ano é avaliado se aquela criança permanece naquela família, e isso é tido como um factor de sucesso também deste projecto.

Neste momento quantos técnicos têm a trabalhar?

Em Lisboa temos à volta de cinco técnicos mais o supervisor, isto no trabalho directo com a família, porque depois também temos nos vários núcleos algum trabalho de complementaridade. Por exemplo, em Lisboa, temos também um serviço de psicologia de consultas, que apesar de estar aberto ao público, dá sobretudo prioridade às famílias do «Projecto Família», temos um serviço de apoio à procura de emprego. Ou seja, em Lisboa temos uma equipa com mais pessoas, no resto dos sítios temos sempre três a quatro assistentes familiares, um supervisor e um coordenador.

E em termos de famílias?

Normalmente em Lisboa acompanhamos cento e tal famílias, no resto dos sítios são menos. No ano 2015 apoiámos cerca de 267 famílias e 505 crianças. Ao todo, desde o início do projecto, já acompanhámos 1.952 famílias e 3.302 crianças e jovens. Não trabalhamos só com as famílias na perspectiva de evitar a institucionalização, temos também acompanhamento nos casos de reunificação. Ou seja, situações de crianças que estão em centros de acolhimento e que regressam a casa, nós também intervimos para ajudar os pais nesse regresso a casa.

Desde 2015 também temos o Ponto de Encontro Familiar, trabalhamos também nas situações de divórcio e de conflito grave ao nível das responsabilidades parentais, e que muitas vezes tenta facilitar os contactos dos pais no pós-divorcio, tentando centrar muito as questões no interesse dos filhos, e na forma como se pode ser pai e mãe depois de deixar de ser casal.

Muito do trabalho que fazem passa, portanto, por esta questão da mediação e orientação familiar, mas o MDV também promove seminários, formação, até ao nível da educação sexual…

Sim, continuamos a manter o que esteve na origem do MDV, e que foi esta tónica na educação sexual e planeamento familiar. Tivemos um protocolo com o Ministério da Educação até 2005, que deixámos de ter, mas continuamos a fazer o atendimento na área do planeamento familiar, colaboramos com alguns locais onde estão jovens mães ou grávidas adolescentes. Às vezes fazemos só as sessões, outras vezes fazemos um acompanhamento mais profundo, dando conhecimento de todos os métodos de planeamento familiar, mas com enfoque particular na questão do planeamento familiar natural.

O MDV não está ligado à Igreja, mas tem esta preocupação de divulgar e dar a conhecer estes métodos que a Igreja defende, e que a nível médico nem sempre são apresentados como opção…

O MDV é uma associação aconfessional e apolítica, mas tem na sua base os valores do humanismo cristão, e por isso faz sentido esta nossa actividade. Relativamente a estes métodos, temos tido muitas vezes pedidos de enfermeiros, e jovens enfermeiros, que não têm esta área na sua formação e que têm muito interesse.

Em termos de financiamento, as ajudas que recebem são suficientes?

Como IPSS temos um protocolo com a Segurança Social, mas não cobre o financiamento da totalidade das nossas actividades, por isso temos necessidade de continuar a ter aqui um trabalho de angariação de fundos e de donativos. Fazemos campanhas com regularidade e tentamos sensibilizar também empresas e particulares para a continuidade desse apoio financeiro de que precisamos.

Temos também alguns serviços que estão abertos à comunidade. Por exemplo, o Departamento de Psicologia também dá consultas e está aberto ao público, que é uma forma também de nos sustentarmos e conseguirmos depois dar este tipo de resposta às outras famílias. Estamos a tentar estender no próximo ano a outro tipo de serviços, como a terapia da fala, porque é das coisas que vamos sentindo que é muito importante e que às vezes não existe na comunidade, os encontros com pais, que são sessões mais de sensibilização para a parentalidade e para a educação dos filhos, é dirigido às famílias do «Projecto Família», mas está aberto ao público em geral.

Por exemplo a área da psicologia é uma área que até ao ano 2015 estava contemplada no acordo que tínhamos com a Segurança Social e que deixou de ser financiada, por isso neste momento houve a necessidade de abrirmos ao público de forma a conseguirmos financiar e dar o apoio às famílias que damos.

Também contam com a ajuda de voluntariado?

Todas as pessoas que têm um trabalho directo com a família – sobretudo no Projecto Família, no Ponto de Encontro Familiar e na mediação – tudo o que é trabalho mais técnico é trabalho pago. Mas temos também um grupo de voluntários, em articulação até com algumas empresas, que nos apoia nas actividades que vamos desenvolvendo com as famílias, por exemplo no dia da criança e no dia da família. Temos também uma Lojinha Social, que também é organizada por voluntários e temos algumas actividades de apoio ao estudo a crianças do Projecto Família. Também organizamos colónias de férias, e aí sim, contamos muito com os voluntários.





segunda-feira, 24 de outubro de 2016


Árvore genealógica original...



Luiz Fernando Veríssimo

— Mãe, vou casar!

— Jura, meu filho?! Estou tão feliz! Quem é a moça?

— Não é moça. Vou casar com um moço. O nome dele é Murilo.

— Você falou Murilo... Ou foi meu cérebro que sofreu um pequeno surto psicótico?

— Eu falei Murilo. Por quê, mãe? Tá acontecendo alguma coisa?

— Nada, não.. Só minha visão que está um pouco turva. E meu coração, que talvez dê uma parada. No mais, tá tudo óptimo.

— Se você tiver algum problema em relação a isto, melhor falar logo...

— Problema? Problema nenhum. Só pensei que algum dia ia ter uma nora... Ou isso.

— Você vai ter uma nora. Só que uma nora... Meio macho. Ou um genro meio fêmea. Resumindo: uma nora quase macho, tendendo a um genro quase fêmea...

— E quando eu vou conhecer o meu. A minha... O Murilo?

— Pode chamar ele de Biscoito. É o apelido.

— Tá! Biscoito... Já gostei dele... Alguém com esse  apelido só pode ser uma pessoa bacana. Quando o Biscoito vem aqui?

— Por quê?

— Por nada. Só pra eu poder desacordar seu pai com antecedência.

— Você acha que o Papai não vai aceitar?

— Claro que vai aceitar! Lógico que vai. Só não sei se ele vai sobreviver... Mas isso também é uma bobagem. Ele morre sabendo que você achou sua cara-metade... E olha que espectáculo: as duas metade com bigode.

— Mãe, que besteira ... Hoje em dia ... Praticamente todos  os meus amigos são gays.

— Só espero que tenha sobrado algum que não seja... Pra poder apresentar pra tua irmã.

— A Bel já tá namorando.

— A Bel? Namorando?! Ela não me falou nada... Quem é?

— Uma tal de Veruska.

— Como?

— Veruska...

— Ah!, bom! Que susto! Pensei que você tivesse falado Veruska.

— Mãe!!!...

— Tá..., tá..., tudo bem... Se vocês são felizes. Só fico  triste porque não vou ter um neto...

— Por que não? Eu e o Biscoito queremos dois filhos. Eu vou doar os espermatozóides. E a ex-namorada do Biscoito vai doar os óvulos.

— Ex-namorada? O Biscoito tem ex-namorada?

— Quando ele era hétero... A Veruska.

— Que Veruska?

— Namorada da Bel...

— «Peraí». A ex-namorada do teu actual namorado... é a actual  namorada da tua irmã. Que é minha filha também... Que se chama Bel. É isso? Porque eu me perdi um pouco...

— É isso. Pois é... A Veruska doou os óvulos. E nós vamos  alugar um útero.

— De quem?

— Da Bel.

— Mas... Logo da Bel?! Quer dizer então... Que a Bel vai  gerar um filho teu e do Biscoito. Com o teu espermatozóide e com o óvulo da namorada dela, que é a Veruska...

— Isso.

— Essa criança, de uma certa forma, vai ser tua filha, filha do Biscoito, filha da Veruska e filha da Bel.

— Em termos...

— A criança vai ter duas mães: você e o Biscoito. E dois pais: a Veruska e a Bel.

— Por aí...

— Por outro lado, a Bel... além de mãe, é tia... ou tio....  porque é tua irmã.

— Exacto. E ano que vem vamos ter um segundo filho. Aí o Biscoito é que entra com o espermatozóide. Que dessa vez vai ser gerado no ventre da Veruska... Com o óvulo da Bel. A gente só vai trocar.

— Só trocar, né? Agora o óvulo vai ser da Bel. E o ventre da Veruska.

— Exacto!

— Agora eu entendi! Agora eu realmente entendi...

— Entendeu o quê?

— Entendi que é uma espécie de swing dos tempos modernos!

— Que swing, mãe?!!....

— É swing, sim! Uma troca de casais... Com os óvulos e os espermatozóides, uma hora no útero de uma, outra hora no útero de outra...

— Mas…

— Mas uns tomates! Isso é um bacanal de última geração! E pior... com incesto no meio...

— A Bel e a Veruska só vão ajudar na concepção do nosso  filho, só isso...

— Sei!!!... E quando elas quiserem ter filhos...

— Nós ajudamos.

— Quer saber? No final das contas não entendi mais nada. Não entendi quem vai ser mãe de quem, quem vai ser pai de quem, de quem vai ser o útero, o espermatozóide... A única coisa que eu entendi  é que...

— Que…?

— Fazer árvore genealógica daqui prà frente... vai ser...





quarta-feira, 12 de outubro de 2016


Centro Internet Segura

Apresenta websérie

«Net Com Consciência»


Exame Informática

Há um conjunto de vídeos dedicados ao público juvenil e que aborda temas como o cyberbulling, sexting, privacidade online e muitos outros temas tecnológicos. Agora, vai poder ser usado nas escolas.

A iniciativa foi organizada pelo Centro Internet Segura e coordenado pela FCT. O objectivo foi apresentar em vídeo explicações sobre vários temas tecnológicos como cyberbulling, sexting, privacidade online e muitos outros. Estes conteúdos foram disponibilizados durante o Verão, no YouTube e vão agora ser oferecidos em pack para utilização pelas escolas, com adaptações também para os alunos com necessidades educativas especiais, explica o comunicado de imprensa. Os vídeos vão ter versões com áudio descrição, língua gestual portuguesa e legendas em português e inglês.

No total, são dez episódios que caracterizam os comportamentos online mais frequentes entre os jovens e os riscos a que estes estão expostos se não fizerem uma utilização responsável da Internet e das tecnologias. Os vídeos contam com participações dos actores Alexandre Silva, Pedro Górgia e Tiago Aldeia e, durante a apresentação marcada para hoje, os protagonistas saem do mundo virtual para interagir com os participantes.


Veja todos os vídeos no canal do YouTube.



Consulte o programa completo aqui.

http://www.internetsegura.pt/evento/marca-diferen%C3%A7a-por-uma-internet-melhor




terça-feira, 11 de outubro de 2016


Destacado jornalista australiano

condena pressão para a eutanásia


Paul Kelly teme que se vai mudar o país para sempre.



Paul Russell, Mercatornet, 3 de Outubro de 2016

One of Australia’s most respected journalists, Paul Kelly, has kicked back against what some of his journalistic colleagues have been treating as a rising tide in favour of euthanasia. Kelly is a former editor of The Australian, a television pundit and the author of eight books on Australian politics. Politicians will listen carefully to what he says.

«Legalise euthanasia and compassionate society dies too», published in The Weekend Australian, is a serious look at euthanasia in the places where it has been made legal. Kelly concludes that society is irrevocably damaged by the introduction of the practice of doctors killing people.

He opens with an emotional plea:

«If you love your parents, respect your children, care for your society and think compassionately about your world then it is time to open your hearts when a jurisdiction legalises killing or, as it is called, euthanasia.»

That there is renewed public interest in euthanasia in Australia at the moment cannot be denied – partly because this month marks the 20th anniversary of the first euthanasia death under the short-lived Northern Territory law (the first of its kind anywhere in the world) and partly because some journalists have been beating the drum.

Over these last 20 years, the arguments against euthanasia have not changed. What has changed is the effectiveness of palliative medicine in eliminating pain and suffering. Kelly correctly cautions, however, that «this is a critical trend but cannot conceal the fact painful deaths still exist and become the main argument for legal change. But euthanasia should not be seen as a substitute for palliative care – that would be a medical and moral blunder.»

Kelly's second point is to cite the developments in who gets euthanasia and the rise in the numbers in Belgium and Holland to conclude that, «where euthanasia is legalised the record is clear – its availability generates rapid and ever expanding use and wider legal boundaries. Its rate and practice quickly exceeds the small number of cases based on the original criteria of unacceptable pain.»

He makes his point by posing a series of questions which actually chronicle the progress of euthanasia in Belgium and Holland:

«If you sanction killing for end-of-life pain relief, how can you deny this right to people in pain who aren't dying? If you give this right to adults, how can you deny this right to children? If you give this right to people in physical pain, how can you deny this right to people with mental illness? If you give this right to people with mental illness, how can you deny this right to people who are exhausted with life?»

«Culture and values will change to justify the death process,» says Kelly as he introduces to readers of The Australian to the story of Tom Mortier and the death of his mother. Kelly uses quotes from Belgian euthanasia supremo, Wim Distelmans, to note some of his more outrageous comments that, frankly, raise no eyebrows in his homeland.

Kelly quotes Mortier when responding to Distelmans' claim that giving a lethal injection is an act of «unconditional love»:

«I loved my Mother for more than 30 years and I wanted her to live; Dr Distelmans loved her so much – 'unconditionally' – that after a few brief consultations over six months he gave her a lethal injection.»

The leading voice for Australian euthanasia at the moment, Andrew Denton, once commented to me about Tom Mortier's situation saying that, sad as it is, it was after all his mother's decision – it was her choice. No person who has read Tom's story could dismiss what happened so easily – unless they had an agenda. But Denton's words actually uncover one of the most significant changes that euthanasia laws create that, ultimately, become the driver for cultural drift and euthanasia expansion. Kelly writes:

«The trend and logic is unassailable; once legislated the principle of euthanasia is settled and the practice of euthanasia is widened, if not by law then by administrative laxity and de facto regulatory sanction. Of course, many euthanasia cases are never declared.

«A 2012 report by the European Institute of Bioethics said: ‘Initially legalised under very strict conditions, euthanasia has greadually become a very normal and even ordinary act to which patients are deemed to have a right.

«Many advocates in Australia use the rights language. Once this takes hold, then holding back the tide is nearly impossible.»

Denton and others are in denial of this reality; most likely because they realise the potency of the argument.

The «rights» argument is also present in the questions posed by Kelly. It is the denial of human nature: «Experience in other jurisdictions leads to the unambiguous conclusion: the threshold event is the original legalising of euthanasia. After this there is only one debate – it is over when and how to expand the sanctioned killings.»

Kelly is highly critical of the Victorian Parliamentary Report on end-of-life choices and cites the dissenting report by Daniel Melino MLC (Victoria) which, contrary to the style of the main report, is written in a scholarly manner and is exceptionally well-referenced.

He calls the main reports assertions that a law could be written with «robust eligibility criteria» and their denial of the «slippery slope», heroic optimism:

«It is echoed on nation after nation, year after year. It testifies to the deepest humanist conviction that mankind and wise governments can introduce euthanasia regimes with the necessary legal safeguards and the necessary regulatory protections to manage the promotion of death to ensure only net gains for the social order.

«It is surely extraordinary that people sceptical of the ability of governments to get trains running on time fool themselves into thinking they can confidently manage a regime that sanctions the termination of human life.»

Kelly goes on to quote the new head of the Australian Medical Association (AMA), Dr Michael Gannon and Liz Callaghan from Palliative Care Australia, who both content that euthanasia does not have a legitimate place in medicine and palliative medicine. Kelly also notes the push from within the AMA for that body to adopt what is known as a neutral position on euthanasia, a tactic that has been tried in a number of jurisdictions and is likely to fail once more in Australia.

The pro-euthanasia movement know that once the peak medical body «goes neutral» it can no longer express an opinion either way. Would we want the AMA to adopt a neutral position on Medicare or on government health policy? Not likely. They are the peak body whose members, charged with our care, know the reality far better than anyone else. We need them to express an opinion on all sorts of health-related matters, euthanasia being one.

Kelly closes by returning to a personal appeal to his reader:

«If we proceed then life will change, there will be a ‘slippery slope’, your relationship with your doctor will be different, the vulnerable will have a reason to feel uneasy, the push to make euthanasia a right will be inevitable, the frail will feel obliged to volunteer and our values as a community will shift more quickly than you appreciate.»

Paul Russell is director of HOPE: preventing euthanasia & assisted suicide, which is based in Australia. This article has been edited and republished from his blog with permission.






Eutanásia: aprender com os erros do Canadá

Agora que os médicos podem matar,
as pessoas vão ter medo de cuidados paliativos...



Will Johnston, Mercatornet, 5 de Outubro de 2016

The Carter decision to allow assisted suicide and euthanasia claimed that Canada could avoid abuses through careful guidelines and screening. Medically facilitated elder abuse by greedy relatives and medicalized suicide for the depressed  a grim reality where this practice is legal -- were supposed to be avoidable, said the judge because of a superior medical culture in Canada. The abuses of Belgium? Not for us.

Experience proves otherwise.

According to the new law, it will be five years before Canada's assisted suicide and euthanasia regime has to report back to the nation. Two stories offer reasons why that report will fail to reveal those depressed patients, far from death, who are steered to suicide by others and by their untreated mental illness.

A friend, herself dealing with advanced ovarian cancer, heard from a neighbour that his wife was going to get assisted suicide. The neighbour said they would be going to a doctor in Vancouver to get this done. This baffled my friend, who had seen the woman outside her home, gardening. The husband made other comments suggesting that his wife would be dead soon. She had heart trouble.

My friend tipped off her own nurse to get community services involved and the suicidal woman's depression began to be addressed by a nurse and social worker. This apparently able-bodied woman did not go to Vancouver right away  but she had been invited, as soon became clear.

I will let my friend's words testify to the end of that story:

«A few days later the husband came over with a clipboard and a pen. He started by saying, ‘Damn government did not pass the bill.’ He asked me to sign a form – that he needed two signatures for the doctor in Vancouver. He stated that none of their family and friends would sign. I almost passed out!

Seriously. I told him I would not sign. He assumed that it was on religious grounds and I said no it was experiential. He said ‘OK, then I will ask your husband.’ I told him he had better not even bring it up!

We went on a two-day visit to the grandsons and came back on June 7 (the designated day of the euthanasia) and his balcony was draped in black crepe.

Several days later I bumped into him at the mailbox and he complained that none of the neighbours had given condolences even though he made it obvious that [his wife] had ‘passed.’ I asked him how he was and he said that his wife had a nice last day, that she liked the walk around the seawall.

He also told me that he felt sorry for the poor doctor because she was so tired because she had so many euthanasias that day. He and the boyfriend are now residing together in a big new travel coach parked elsewhere in the same trailer park and the Mustang has become the vehicle of preference and he sold his house. No one talks to him...»

This appears to be medical homicide as a solution to depression, apparently facilitated by a husband with other interests.

Several weeks ago I was contacted by the wife of a young man with a neurological disease. The man had been assured by a euthanasia-performing doctor in Vancouver that he qualified for an assisted suicide. He was depressed and never ventured outdoors.

At the patient's invitation I visited him in his shared room in a dingy nursing home, a place once described to me as «a prison.» He told me about his struggle to find a cure with massive doses of vitamins. He was less disabled than, for instance, Walter Lawrence, who works in Vancouver as an inspiring peer counsellor to spinal injury patients and others.

But this patient had lost hope for the future and felt his existence was meaningless and that death was the only solution. This death-focused tunnel vision defines a suicidal depression, and any able-bodied person would be given psychological help to relieve it. This disabled man, who was nowhere near dying, was instead killed by a Vancouver physician.

The physician's rationale for circumventing the law, reportedly given over the phone before she met or examined the patient, was that he could easily get bed sores and then die of infection, so that his death «was reasonably foreseeable.»

What surprised his wife was «how easy» it was for her depressed, self-isolated husband to be killed under the new regime. What seems obvious is that the whole nature of this death is not going to be reported to the Minister of Health or the Minister of Justice – there is no transparency to this system.

Five years from now, the mandatory report is going to be full of bland and self-justifying statistics presented by the very doctors who have done the killing. By sanitizing these medicalized suicides and homicides with the now-familiar euphemisms about «medical aid in dying,» the uninvolved public will be reassured that nothing has gone wrong.

Canada has simply created a system which offers, and completes, suicide for people whose personalities, disabilities and personal situations put them at high risk for it. Well over a hundred real people have died in the few months since the old law was discarded. To complain that this was repeatedly predicted is to indulge in powerless understatement.

And next, we have the unfolding tragedy of palliative care. That medical specialty has always struggled to reassure fearful dying people that palliation has nothing to do with «mercy killing» and assisted suicide. Reluctant families have been truthfully promised that hospice nurses and doctors are not self-appointed angels of death.

Sadly, palliative care wards and hospices across Canada are, right now, in a hailstorm of administrative edicts to perform euthanasia inside their walls, in whispering range of those families and patients who had been promised a refuge of care.

Violating the principles and purposes of palliative care is in no way required by the new law. The thoughtless imposition of this radical shift needs to be halted. Hospital administrators can and must provide other locations for those few final minutes.

Our Minister of Health and her provincial colleagues would be wise to act quickly on this. The principles of suicide prevention have been betrayed. It is not inevitable that the principles of palliative care must be next.


Dr Will Johnston is a family physician in Vancouver. This article has been republished with permission from Huffington Post Canada.






Mãe coragem


P. Gonçalo Portocarrero de Almada, Observador, 8 de Outubro de 2016

Heróis são a Liliana Melo e os seus filhos. É o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que agora condenou o Estado português, por este incrível atropelo dos mais elementares direitos fundamentais.

Já lá vão mais de quatro anos desde que o Tribunal de Sintra mandou retirar, a Liliana Melo, sete filhos, com idades entre os seis meses e os sete anos. A implacável decisão judicial, que apanhou de surpresa a mãe, incapaz de se opor a uma tão dramática medida, foi executada com requintes de especial crueldade: a casa familiar foi cercada por polícias e os filhos que nela se encontravam – um dos sete conseguiu, felizmente, evitar a captura, encontrando-se desde então em casa de outros familiares – foram levados para diversas instituições, para adopção.

Sem meios económicos ou outros, Liliana Melo começou, nesse mês de Maio – em que, por cruel ironia, se celebra o dia da mãe – a percorrer a sua via-sacra. Não é difícil imaginar a sua angústia quando se viu só, num país que não é o da sua naturalidade, proibida de ter consigo os seus filhos e até de com eles contactar. Tratada pelas autoridades judiciais e policiais como se fosse uma criminosa, Liliana é responsável pelo crime de ser mãe de muitos filhos, com as agravantes de ser cabo-verdiana, muçulmana e pobre.

Mas Liliana Melo não desistiu. Graças a Deus, não lhe faltou, desde a primeira hora, o apoio de duas corajosas advogadas, que assumiram pro bono a sua defesa. E foi com surpresa que verificaram que, ao contrário do que seria de supor pela brutal decisão judicial, não constava a ocorrência de maus-tratos, abusos, violência doméstica ou grave negligência, que justificasse não só a retirada forçosa dos seis filhos, mas sobretudo a sua separação.

Mãe coragem, Liliana Melo teve que esperar três anos para ver, de novo, os filhos que a justiça portuguesa não só lhe roubou, como impediu de contactar. Graças a uma decisão provisória do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, de Fevereiro de 2015, o Estado português foi obrigado a pôr termo à separação dos irmãos, bem como à proibição que, até então, impediu a mãe de estar com estes seus filhos.

Vale a pena recordar esse primeiro encontro, três anos depois da dolorosa separação da família: «as crianças chegaram à sala e não houve nenhuma palavra trocada. A mãe apenas abriu os braços e estiveram a chorar, agarrados uns aos outros, durante largo tempo».

Mesmo já autorizada a visitar os filhos nas instituições que os acolheram, Liliana ainda teve que sofrer não poucas humilhações. Por exemplo, no aniversário de um deles, fez-lhe o bolo que sabia ser do seu especial agrado, meteu-se no comboio e foi ter com o «menino dos anos». Mas, ao chegar à referida instituição, foi-lhe dito que não lhe era permitido entregar ao filho o seu bolo preferido, mas que podia compra-lhe outro. Liliana confidenciou que, nesse dia, voltou para casa a chorar: eram muito diferentes o bolo comprado numa pastelaria e aquele que ele mais gostava, feito pela sua mãe!

Se a mãe nunca desistiu dos seus filhos, os filhos também nunca desistiram da mãe. Dois episódios. Um dos pequenos perguntou uma vez, a uma das advogadas que tratavam do caso, quando é que acabava o «para sempre», porque tinham-lhe dito que ia ficar «para sempre» na instituição e ele supunha que, depois, poderia voltar para casa … Outro filho, que Liliana Melo foi buscar à escola, fez questão de levar a mãe à sua sala de aulas, para a apresentar, orgulhosamente, aos seus colegas!

Nesta história há muitos vilões, nomeadamente o Estado português, alguma da sua justiça e alguma da sua Segurança Social que, embora exemplares em geral, neste caso, em vez de ajudarem uma família com necessidades, tudo fizeram para a destruir.

Também o foram, por omissão, os políticos, de esquerda ou de direita, que andam sempre a encher a boca com as causas sociais, mas depois nada fazem para resolver os casos concretos. Andam a brincar ao Robin dos Bosques, à frente das câmaras da televisão, exibem a sua indignação sempre que têm um microfone pela frente mas, depois, não mexem um dedo. Uma certa comunicação social, mais atenta às causas fracturantes do que às pessoas fracturadas, foi também cúmplice, pelo seu silêncio, quando era sua obrigação informar sobre estes casos de inadmissível prepotência estatal.

Heróis são a Liliana Melo e os seus filhos, finalmente reunidos na casa que nunca devia ter deixado de ser a sua. É o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos que, em acórdão recente, recomendou a reunificação de toda a família e condenou o Estado português, por este incrível atropelo dos mais elementares direitos fundamentais, obrigando-o também a uma pesada multa que, contudo, não paga o sofrimento desta família durante quatro longos anos. São as advogadas Paula Penha Gonçalves e Clotilde Almeida, que deram a esta mãe e aos seus filhos o apoio do seu muito saber e do seu imenso trabalho, sem outra recompensa que não seja o consolo de ver, de novo, a família unida. Foi também o jornalista José Manuel Fernandes que, numa exemplar reportagem, teve a coragem de denunciar este caso. Bem-hajam!