quinta-feira, 2 de julho de 2015


Calendário Escolar 2015/2016


 Calendário Educação pré-escolar
Início das actividades lectivas
Termo das actividades lectivas
Entre 15 e 21 de Setembro de 2015, inclusive
1 de Julho de 2016

Interrupções das actividades educativas
para a educação pré-escolar
Interrupções das actividades educativas
5 dias úteis (seguidos ou interpolados)
1.º
Entre 18 e 31 de Dezembro de 2015, inclusive
2.º
Entre 8 e 10 de Fevereiro de 2016, inclusive
3.º
Entre 21 de Março e 1 de Abril de 2016, inclusive

 Calendário  Ensinos Básico e Secundário
1.º Período
Início
Entre 15 e 21 de Setembro de 2015, inclusive
Termo
17 de Dezembro de 2015
2.º Período
Início
4 de Janeiro de 2016
Termo
18 de Março de 2016
3.º Período
Início
4 de Abril de 2016
Termo
3 de Junho de 2016 – para os alunos dos 9.º, 11.º e 12.º anos
9 de Junho de 2016 – para os alunos do 1.º, 2.º, 3.º, 4.º, 5.º, 6.º, 7.º, 8.º e 10.º anos
12 de Julho de 2016 – para os alunos dos 4.º e 6.º anos que venham a ter acompanhamento extraordinário
(Período de acompanhamento extraordinário para os 4.º e 6.º anos de 22 de Junho a 12 de Julho de 2016.)

Interrupções
Datas
1.º
De 18 a 31 de Dezembro de 2015
2.º
9 de Junho de 2016
3.º
De 21 de Março a 1 de Abril de 2016

 Calendário  Estabelecimentos Particulares de Ensino Especial
1.º Período
Início
1 e 3 de Setembro de 2015, inclusivé
Termo
31 de Dezembro de 2015
2.º Período
Início
6 de Janeiro de 2016
Termo
9 de Junho de 2016

Interrupções lectivas para os estabelecimentos particulares
de ensino especial
Interrupções
Datas
1.º
De 18 a 24 de Dezembro de 2015, inclusive
2.º
De 8 a 10 de Fevereiro de 2016
3.º
De 4 a 8 de Abril de 2016






Tarifas de roaming na Europa terminam em 2017



Se se confirmar o acordo informal hoje obtido e anunciado pela Comissão Europeia, a 15 de Junho de 2017 deixará de haver qualquer custo adicional por se realizar uma chamada telefónica dentro do espaço da União Europeia. Note-se que esta extinção das tarifas de roaming abrangerá também mensagens de texto e tráfego de dados. Até lá, está também prevista uma nova redução das tarifas em vigor, em Abril de 2016.

A Comissão Europeia informou também que o acesso à internet será feito de forma neutral, ou seja, não serão admitidas discriminações no acesso à rede devendo as condições da infra-estrutura ser partilhado de forma igual por todos os utilizadores, não podendo haver, portanto, contractos que privilegiem em termos de velocidade, alguns clientes de fornecedores de acesso face a outros. Apenas sítios de interesse público ou ligados à segurança nacional poderão ser sujeitos a discriminações positivas.





terça-feira, 30 de junho de 2015


Pedófilos querem os mesmos direitos

que os homossexuais



Não deveria ser surpresa que os pedófilos estão usando as mesmas tácticas usadas por activistas dos direitos «gays» para procurar estatuto semelhante argumentando que o seu desejo por crianças é uma orientação sexual diferente que heterossexuais ou homossexuais.

Uma conferência académica realizada na universidade de Cambridge disse que o interesse pela pedofilia é «natural e normal para os homens», e que «pelo menos uma minoria considerável de homens normais gostaria de ter sexo com crianças, e os machos normais são despertados por crianças.»

Esses sentimentos foram discutidos numa conferência que teve lugar no ano passado para discutir a classificação da sexualidade no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), o manual psiquiátrico internacional padrão usado pelo sistema legal.




Usando as mesmas tácticas usadas por activistas dos direitos dos «gays», pedófilos começaram a procurar estatuto semelhante argumentando que o seu desejo por crianças é uma orientação sexual diferente que heterossexuais ou homossexuais.

Os críticos do estilo de vida homossexual há muito tempo alegam que, uma vez que se torne aceitável identificar a homossexualidade como simplesmente um «estilo de vida alternativo» ou orientação sexual, logicamente nada seria fora dos limites.

Os advogados «gays»  tomaram ofensa de tal posição insistindo que isso nunca iria acontecer. No entanto, os psiquiatras estão começando agora a defender a redefinição da pedofilia da mesma forma que a homossexualidade foi redefinida há vários anos.

Em 1973, a Associação Americana de Psiquiatria desclassificou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais. Um grupo de psiquiatras com B4U-Act realizou recentemente um simpósio propondo uma nova definição para a pedofilia no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos de Saúde Mental da APA.

O B4U-Act chama aos pedófilos «pessoas atraídas por menores». O site da organização afirma que o seu propósito é «ajudar os profissionais de saúde mental a aprender mais sobre a atracção por menores e considerar os efeitos dos estereótipos, o estigma e o medo.»

Em 1998, a APA emitiu um relatório afirmando que “o potencial negativo do sexo adulto com crianças foi exagerado» e que «a grande maioria dos homens e mulheres não relataram nenhum efeito sexual negativo de experiências de abuso sexual na infância.»

A pedofilia já recebeu o estatuto de protegida pelo Governo Federal.  Matthew Shephard e James Byrd Jr., da Lei de Prevenção de Crimes de Ódio listam a «orientação sexual» como uma classe protegida; no entanto, eles não definem o termo.

Os republicanos tentaram adicionar uma emenda especificando que «a pedofilia não é protegida como orientação»; no entanto, a alteração foi rejeitada pelos democratas. O republicano Alcee Hastings (D-FL) afirmou que todos os estilos de vida sexuais alternativos devem ser protegidos nos termos da lei. «Este projecto aborda a nossa determinação para acabar com a violência baseada no preconceito e garantir que todos os americanos, independentemente da raça, cor, religião, nacionalidade, sexo, orientação sexual, identidade de género ou deficiência ou todos esses «filias e fetiches e «ismos» que foram apresentados não precisam viver com medo por causa do que eles são. Exorto os meus colegas a votar a favor dessa regra.»

A Casa Branca elogiou o projecto, dizendo: «No fundo, isto não é apenas sobre as nossas leis; isto é sobre o que somos como povo. Isto é sobre se nos valorizamos um ao outro – abraçar as nossas diferenças em vez de permitir que elas se tornem uma fonte de animosidade.»

No início deste ano dois psicólogos do Canadá declararam que a pedofilia é uma orientação sexual, assim como a homossexualidade ou a heterossexualidade.

Van Gijseghem, psicólogo e professor aposentado da Universidade de Montreal, disse aos membros do Parlamento que «os pedófilos não são simplesmente pessoas que cometem um pequeno delito de vez em quando, mas sim tratam-se de pessoas com o que é equivalente a uma orientação sexual, assim como um outro indivíduo pode ser heterossexual ou mesmo homossexual.

Ele passou a dizer: «Verdadeiros pedófilos têm uma preferência exclusiva por crianças, que é o mesmo que ter uma orientação sexual. Você não pode mudar a orientação sexual da pessoa. Ela pode, no entanto, permanecer abstinente.»

Quando perguntado se se deve comparar os pedófilos aos homossexuais, Van Gijseghem respondeu: «Se, por exemplo, você estava vivendo numa sociedade onde a heterossexualidade é proscrita ou proibida e lhe fosse dito que tinha que fazer terapia para mudar a sua orientação sexual, provavelmente diria que isso é um pouco louco. Por outras palavras, não iria aceitar. Eu uso esta analogia para dizer que, sim, realmente, os pedófilos não mudam a sua orientação sexual.»

Dr. Quinsey, professor emérito de psicologia na universidade de Queen em Kingston, Ontário, concordou com Van Gijseghem. Quinsey disse que os interesses sexuais dos pedófilos preferem crianças e, «não há evidências de que esse tipo de preferências possam ser alteradas por meio de tratamento, ou com qualquer outra coisa.»

Em Julho de 2010, um jornal de saúde pública de Harvard disse: «A pedofilia é uma orientação sexual e não deve mudar. O tratamento tem por objectivo capacitar alguém para resistir a agir sobre os seus impulsos sexuais.»

Linda Harvey, da Missão América, disse que o impulso dos pedófilos para ter igualdade de direitos tornar-se-ão cada vez mais comuns como os grupos LGBT que continuam a afirmar-se.«Faz tudo parte de um plano para introduzir o sexo para crianças em idades cada vez mais jovens; para convencê-los de que a amizade normal é realmente uma atracção sexual.»

Milton Diamond, professor da universidade do Havaí e director do Centro do Pacífico para Sex and Society, afirmou que a pornografia infantil poderia ser benéfica para a sociedade porque, «os potenciais criminosos sexuais usam a pornografia infantil como um substituto para o sexo contra as crianças.»

Diamond é um professor distinto do Instituto para o Estudo Avançado da Sexualidade Humana , em San Francisco. O IASHS defendeu abertamente a revogação da proibição Revolucionária da guerra contra os homossexuais no serviço militar.

O IASHS apresenta, no seu site, uma lista de «direitos sexuais básicos», que inclui «o direito de se envolver em actos ou actividades de qualquer natureza sexual, desde que não envolvam actos não-consensuais, a violência, constrangimento, coacção ou fraude. «Outro direito é, ser livre de perseguições, condenação, discriminação ou intervenção social no comportamento sexual privado» e «a liberdade de qualquer pensamento sexual, fantasia ou desejo.» A organização também diz que ninguém deve ser «desfavorecido por causa da idade.»

[Nota]: o site também diz na sua declaração de missão: O Instituto dedica-se à crença de que os direitos sexuais são direitos humanos básicos e é conveniente para ajudar os alunos a compreender que muitas pessoas foram feridas, falsamente presas e perseguidas por causa das leis e desinformação sobre o papel e o lugar da sexualidade e as suas muitas expressões por indivíduos na nossa sociedade.

As leis que protegem as crianças foram contestadas em vários estados, incluindo a Califórnia, Geórgia e Iowa. Os criminosos sexuais afirmam que as leis lhes proibem viver perto de escolas ou parques e são injustas porque os penaliza para a vida.



Tradução: Emerson de Oliveira





quarta-feira, 24 de junho de 2015


Vamos referendar o Acordo Ortográfico!


Heduíno Gomes

Em boa a verdade, a ortografia não é assunto que se referende por constituir matéria a ser tratada por especialistas — competentes e não por broncos ou vendidos a interesses —, no exercício da autoridade do Estado que defenda a identidade nacional — Estado que não temos.

Esta acção política do referendo não é propriamente para decidir da correcta ortografia mas apenas se destina a travar esse crime contra a língua portuguesa iniciado por Santana Lopes-Cavaco e continuado pelos sucessivos políticos medíocres que nos têm governado ao longo destes decénios.

Eis os elementos essenciais sobre a iniciativa.


Recolha de assinaturas está em marcha.

Personalidades das áreas da política, artes, cultura e académicos estão a recolher assinaturas para um 
referendo ao Acordo Ortográfico  (AO1990) e questionam sobre a matéria os candidatos a cargos políticos nas próximas eleições.

Finalmente, os cidadãos podem pronunciar-se sobre um assunto que sempre foi decidido e imposto sem lógica.

Da lista fazem parte escritores, professores e cientistas, políticos, comentadores, jornalistas, todos juntos numa iniciativa que nasceu em Abril passado num fórum realizado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa com o título «Pela Língua Portuguesa, diga NÃO ao Acordo Ortográfico de 1990».

Além do referendo, os promotores querem também perguntar às forças políticas e aos candidatos presidenciais o que pensam sobre o Acordo, se o utilizarão no exercício do cargo caso sejam eleitos, de que forma Portugal se deve de desvincular (se for o caso) e em que sentido votarão a iniciativa de referendo na Assembleia da República.

A iniciativa tem 52 mandatários. O referendo, segundo a Constituição (artigo 115.º  2) pode resultar de iniciativa de cidadãos dirigida à Assembleia da República. São necessárias 75 mil assinaturas.


Onde Assino?

https://referendoao90.wordpress.com/






segunda-feira, 22 de junho de 2015


Patrícia Lança sobre mulheres na tropa


Heduíno Gomes

A Patrícia Lança, falecida o ano passado, era luso-britânica e serviu, durante a II Grande Guerra, como sargento, no exército britânico. Estava num serviço de apoio ao Estado-Maior, e portanto na retaguarda.

Ela e o marido, Carlos Lança, foram activos militantes comunistas, tendo estado em Praga nos serviços de propaganda. Cortaram com a União Soviética em 1956, quando da invasão da Polónia e da Hungria. O seu corte com o marxismo teve lugar já no princípio dos anos 70. Entretanto, haviam residido em Argel, onde constaram entre as vítimas do bando de Argel, que integrava o «democrata» Manuel Alegre, então trauliteiro do PCP.

Depois do 25A, deu o nome para as listas do PSD... e acabou por ser eleita deputada durante 4 anos na enxurrada do cavaquismo. Sempre se distanciou do cavaquismo e das taras dos e das cavaquistas, nomeadamente do feminismo das senhoritas da organização de fachada «Mulheres Social-Democratas» e dos mansos oportunistas que lhes aparam as «igualdades» e as «quotas» para mulheres.

Publicou no Diabo muitos artigos, nomeadamente contra o feminismo, um dos quais com o sugestivo título /Deverá a Mãe-Natureza Mudar de Sexo?\.

Uma vez, em conversa sobre as mulheres nas Forças Armadas, diz-me ela: — Ó Heduíno, já pensaste se uma mulher está na frente da batalha e precisa de fazer chichi?

Era a opinião de uma mulher com provas dadas, uma mulher não-bibelot...

Patrícia Lança, sargento, em 1943, e em 2003.





quarta-feira, 17 de junho de 2015


«Chega de igualdade!

Mulher não dá para ser soldado!»

— diz capitã dos Marines


Luis Dufaur

No artigo intitulado «Chega disso! Nós não fomos criados todos iguais», a capitã defende que a anatomia feminina não é capaz de resistir às asperezas de uma longa carreira militar que envolve operações de infantaria.

Ela adverte que os Fuzileiros Navais (Marines) vão sofrer «um aumento colossal no número de mulheres incapacitadas e obrigadas a concluir a sua carreira por motivos de saúde».

Katie Petrónio baseia-se na experiência pessoal, adquirida em situação de combate. Causando-lhe sérios danos físicos, malgrado um promissor começo na elite da oficialidade da arma.

A capitã escreveu que «preenchia todas as condições» para ser uma mulher-soldado ideal quando começou a carreira. «Eu era uma estrela no hóquei sobre o gelo no Bowdoin College, pequena escola de elite em Maine, com um título em Direito e Administração».

Ela também tirou resultados «de longe acima da média em todos os testes físicos de capacidade para mulheres», embora não completasse todo o treino prévio.

«Cinco anos depois, eu não sou fisicamente a mulher que uma vez fui, e os meus pontos de vista a respeito da mulher ser bem sucedida numa carreira duradoura na infantaria mudaram muito», escreveu Petrónio.

«Mulher nunca deveria ser soldado de infantaria»,
escreveu a capitã dos Marines Katie Petrónio na revista «Marine Corps Gazette»,
segundo informou a agência LifeSiteNews.

«Eu posso dizer, com base na minha experiência pessoal directa no Iraque e no Afeganistão, e não é apenas uma impressão, que nós ainda não começamos a analisar e a compreender as questões específicas de saúde do género e os danos físicos nas mulheres por causa de contínuas operações de combate».

Petrónio «participou em numerosas operações de combate» que por vezes duravam semanas, sofrendo stress e falta de sono. As suas pernas começaram a atrofiar-se, perdeu a mobilidade, perdeu peso, parou de produzir estrógenio e desenvolveu uma síndrome no ovário que a deixou estéril.

Ela completou o seu período com bons resultados, mas percebeu que lhe seria impossível aguentar o esforço que um homem é capaz de fazer e pediu para se retirar por motivos de saúde.

Petrónio manifestou a sua preocupação diante da pressão dos grupos que impulsionam a integração de mulheres no corpo de infantaria.

«Quem está a promover esta agenda? Eu não vejo Marines femininas, recrutas ou oficiais, batendo às portas do Congresso, queixando-se de que a sua impotência para servir na infantaria viola o direito à igualdade» escreve ela.

Kate diz que essa pressão está sendo aplicada pelo «pequeno comité de civis nomeado pelo Secretário da Defesa» denominado Comité Consultivo de Defesa para Mulheres no Serviço (Defense Advisory Committee on Women in the Service – DACOWITS).

Embora alguns deles tenham experiência militar, nenhum de seus membros «estão no serviço activo ou têm qualquer tipo de experiência recente em combate ou em operações relevantes sobre as realidades que eles estão tentando modificar», observou Petrónio.





domingo, 14 de junho de 2015


Sem exames os meus filhos vão estudar

em S. Bento


Inês Teotónio Pereira, ionline, 13 de Junho de 2015

Parece que corro o risco de o meu sofrimento voltar, pois uma das promessas do PS é acabar com os exames «nos primeiros anos de escolaridade».

A primeira grande contrariedade do meu filho mais velho foi o exame do sexto ano. Até lá a criança teve uma vida santa. Ele era um rapaz feliz, descontraído e sem preocupações. Comia, dormia, brincava e fazia os trabalhos de casa. O azar dele foi que a dada altura, sem que tenha feito alguma coisa por isso, o País mudou de governo e o ministério da educação mudou de mãos. Foi o fim de uma era. As férias da Páscoa começaram e acabaram com e ele a estudar para o raio dos exames. Português e Matemática, ainda por cima – podiam ter escolhido educação cívica e moral, sempre era mais aceitável. Ele refilou, refilou, estudou, estudou, eu gritei, gritei e ele passou com distinção. Mas nunca mais foi o mesmo.

No ano seguinte o meu outro filho também fez o exame do sexto ano. «Olha, não te preocupes que aquilo até é fácil. Não precisas de estudar tanto quanto eu estudei», aconselhou o mais velho. Só que o rapaz é perfeccionista e estudou que nem um condenado. Passou com boas notas. Mas nunca mais foi mesmo: achava que era melhor do que era e os exames injectaram-lhe alguma humildade. O ano passado, o meu terceiro filho fez o exame do 4.º ano. Tive mais pena da professora do que dele. A professora esforçou-se a sério para que os seus meninos ficassem bem na fotografia e eles ficaram. Este meu filho, mais inseguro, descobriu que conseguia boas notas se estudasse e que a nota do exame só dependia da vontade dele em responder às exigências da professora. Também este nunca mais foi o mesmo.

Eu também nunca mais fui a mesma. Ao princípio considerava os exames uma questão de vida ou de morte, uma prova definitiva. Confesso que cheguei a ter pena da criançada, dúvidas se eles tinham idade para serem sujeitos a uma prova tão séria e medo das consequências se os resultados não fossem bons. Sofri. Mas isso só aconteceu com os dois primeiros. A minha sorte é que tenho mais e por isso com o terceiro descontraí. Tinha aprendido que, afinal, nada dependia de mim e que muito pouco dependia dos exames. Mesmo que o resultado do exame fosse desastroso era preciso um ano inteiro desastroso para que a nota final fosse trágica. Eles perceberam cedo que a preparação para o exame começa no primeiro dia de aulas, por isso, mais do que a função de avaliação, os exames tiveram sempre nos meus filhos um efeito pedagógico. Não foi por causa dos meus gritos ou ameaças que eles começaram a levar a escola a sério, mas sim – e custa-me dizer isto revelando assim a minha irrelevância – por causa dos exames.

Por tudo isto sou hoje uma mãe diferente. E sou de tal maneira diferente que suspeito até ser de alguma forma negligente. Este ano o meu filho mais velho faz os exames do 9.º ano e eu, supostamente uma mãe responsável e presente, achava que a data do primeiro exame era ontem e não depois de amanhã. Só descobri na véspera que ainda faltavam três dias. O rapaz ainda não comentou este meu engano, mas suspeito que abalei de alguma forma a pouca confiança em datas que ele deposita em mim. Seja como for, a verdade é que os exames tiverem o efeito milagroso de transferir a angústia dos pais para os filhos, pelo menos no meu caso (até um bocadinho de mais, é certo). Agora, são eles que sofrem e eu vou mais vezes ao cinema.

Mas parece que corro o risco de o meu sofrimento voltar, pois uma das promessas do PS é acabar com os exames «nos primeiros anos de escolaridade». Ora, como eu ainda tenho mais três filhos para fazerem exames nos «primeiros anos de escolaridade», esta promessa socialista preocupa-me tanto quanto me aterroriza a ideia de o PS ganhar eleições. Para o ano a minha filha faz o exame do 4.º ano – «para o ano é que é mesmo a sério», diz ela – e por isso já proclamou que vai começar a estudar desde o primeiro dia de aulas. Ainda não lhe disse que a concretização desse plano depende de umas eleições – não tive coragem. Mas, caso se concretize esse cenário dantesco prometido pelo PS, vai daqui a minha promessa em como depositarei estes meus filhos à porta de São Bento, pelo menos três vezes por semana, para que o Dr. Costa tome conta deles e os transforme em alunos responsáveis e estudiosos. Só não pode avaliá-los. Coitado do Dr. Costa: o que os meus filhos gozariam com ele.





domingo, 31 de maio de 2015


O Alzheimer descrito pelo próprio paciente


Arthur Rivin (Foi clínico-geral e é professor emérito na universidade da Califórnia)

Sou médico aposentado e professor de medicina. E tenho Alzheimer.

Antes do meu diagnóstico, estava familiarizado com a doença, tratando pacientes com Alzheimer durante anos. Mas demorei para suspeitar da minha própria aflição.

Hoje, sabendo que tenho a doença, consegui determinar quando ela começou, há 10 anos, quando estava com 76. Eu presidia a um programa mensal de palestras sobre ética médica e conhecia a maior parte dos oradores. Mas, de repente, precisei recorrer ao material que já estava preparado para fazer as apresentações. Comecei então a esquecer nomes, mas nunca as fisionomias. Esses lapsos são comuns em pessoas idosas, de modo que não me preocupei.

Nos anos seguintes, submeti-me a uma cirurgia das coronárias e mais tarde tive dois pequenos derrames cerebrais. O meu neurologista atribuiu os meus problemas a esses derrames, mas a minha mente continuou a deteriorar-se. O golpe final foi há um ano, quando estava recebendo uma menção honrosa no hospital onde trabalhava. Levantei-me para agradecer e não consegui dizer uma palavra sequer.

A minha mulher insistiu para eu consultar um médico. O meu médico de clínica-geral realizou uma série de testes de memória no seu consultório e pediu depois uma tomografia PET, que diagnostica a doença com 95% de precisão. Comecei a ser medicado com Aricept, que tem muitos efeitos colaterais. Ressenti-me de dois deles: diarreia e perda de apetite.

O meu médico insistiu para eu continuar. Os efeitos colaterais desapareceram e comecei a tomar mais um medicamento, Namenda. Esses remédios, em muitos pacientes, não surtem efeito nenhum. Fui um dos raros felizardos.

Em dois meses, senti-me muito melhor e hoje quase voltei ao normal.

Demoramos muito tempo para compreender essa doença desde que Alois Alzheimer, médico alemão, estabeleceu os primeiros elos, no início do século 20, entre a demência e a presença de placas e emaranhados de material desconhecido.

Hoje sabemos que esse material é a acumulação de uma proteína chamada beta-amiloide. A hipótese principal para o mecanismo da doença de Alzheimer é que essa proteína se acumula nas células do cérebro, provocando uma degeneração dos neurónios. Hoje, há alguns produtos farmacêuticos para limpar essa proteína das células.

No entanto, as placas de amiloide podem ser detectadas apenas numa autópsia, de modo que são associadas apenas com pessoas que desenvolveram plenamente a doença. Não sabemos se esses são os primeiros indicadores biológicos da doença.

Mas há muitas coisas que aprendemos. A partir da minha melhora, passei a fazer uma lista de insights que gostaria de compartilhar com outras pessoas que enfrentam problemas de memória: tenha sempre consigo um caderninho de notas e escreva o que deseja lembrar mais tarde.

Quando não conseguir lembrar-se de um nome, peça para que a pessoa o repita e então escreva. Leia livros. Faça caminhadas. Dedique-se ao desenho e à pintura.

Pratique jardinagem. Faça quebra-cabeças e jogos. Experimente coisas novas. Organize o seu dia. Adopte uma dieta saudável, que inclua peixe duas vezes por semana, frutas, legumes, vegetais e ácidos gordos (Ómega 3).

Não se afaste dos amigos e da sua família. É um conselho que aprendi com muito sacrifício. Temendo que as pessoas se apiedassem de mim, procurei manter a minha doença em segredo e isso significou afastar-me das pessoas que eu amava. Mas agora sinto-me gratificado ao ver como as pessoas são tolerantes e como desejam ajudar.

A doença afecta 1 em cada 8 pessoas com mais de 65 anos e quase metade dos que têm mais de 85. A previsão é de que o número de pessoas com Alzheimer nos EUA duplique até 2030.

Sei que, como qualquer outro ser humano, um dia vou morrer. Assim, certifiquei-me dos documentos que necessitava examinar e assinar enquanto ainda estou capaz e desperto, coisas como deixar recomendações por escrito ou uma ordem para desligar os aparelhos quando não houver probabilidade de recuperação. Procurei assegurar que aqueles que amo saibam da minha vontade. Quando não souber mais quem sou, não reconhecer mais as pessoas ou estiver incapacitado, sem nenhuma probabilidade de melhora, quero apenas consolo e cuidados paliativos.





quarta-feira, 27 de maio de 2015


Família securitária


Inês Teotónio Pereira, Jornal i, 23 de Maio de 2015

Ao fim de alguns anos a montar esta rede, posso dizer com orgulho que os meus serviços secretos não envergonhariam qualquer país da antiga Cortina de Ferro.

Eu sou daquelas mães que proíbe os filhos de fazerem imensas coisas. Sou uma espécie de mãe securitária. Chego mesmo a ter uma rede de informadores, dentro da minha própria casa, ao estilo da Stasi, e cultivo a política do bufo. Ou seja, todos os meus filhos estão autorizados a fazer queixinhas uns dos outros, a denunciarem situações de injustiça e a alertarem os seus progenitores quando outro ou outros transgridem as regras.

Por exemplo, quando alguém não puxa o autoclismo, têm todos a obrigação de denunciar o prevaricador de forma que ele possa ser devidamente sancionado; do mesmo modo, sempre que um mais forte bate noutro mais fraco, com ou sem razão, também deve ser denunciado.

Também recorro muitas vezes a esta rede de bufos para estar a par da vida de cada um dos meus filhos. Com quem eles se dão na escola, se andam a estudar ou não, se andam tristes, se se queixam de mim, etc. A única coisa que não permito é que eles contem segredos que lhes foram confiados. Mas ainda depende: se o segredo prejudicar alguém, deve ser tornado público.

Ao fim de alguns anos a montar esta rede, posso dizer com orgulho que os meus serviços secretos não envergonhariam qualquer país da antiga Cortina de Ferro. Aliás, suspeito mesmo que o Muro não teria caído se todos os profissionais dos serviços secretos desses países trabalhassem tão bem quanto os meus filhos.

Esta minha rede é fundamental para fazer cumprir a lista detalhada de coisas que eles não podem fazer e de obrigações que eles têm de cumprir. Pois, como eu tenho filhos a mais e tempo a menos, preciso de ajuda para a devida monitorização.

Só para dar alguns exemplos, correndo o perigo de ser exaustiva, em minha casa é proibido: os mais velhos baterem nos mais novos, comer na sala, comer fora das refeições qualquer coisa que não seja leite ou fruta, ver televisão se alguém estiver a estudar (a não ser o canal Babyfirst), andarem descalços, jogar futebol na sala ou na varanda, terem os quartos desarrumados (que é como quem diz, não haver coisas no chão), ver o «Dead Man Walking» (só é permitido a partir dos 16 anos), jogar videogames de guerra e de cabeças a saltar se os mais novos estiverem a assistir, ligar para telemóveis do telefone de casa ou fazer o bebé gritar.


Ora, é fácil perceber que, sem bufos, é impossível fazer cumprir todas estas regras e mais outras tantas que não me dei ao trabalho de nomear.

É claro que estou consciente, como qualquer ditador minimamente competente deve estar, de que, muitas vezes, os meus filhos conspiram contra mim e organizam-se de forma a conseguir proteger-se uns aos outros em nome de uma qualquer prevaricação. E, muitas vezes, conseguem.

Nestes casos, eu trato de aliviar a tensão para que não aconteça uma revolução e cedo numa ou noutra regra – não tanto quanto Gorbachov, mas vou cedendo. E é assim que tenho conseguido que a casa não nos caia em cima e que os meus filhos não sejam obesos.

Mas a verdade é que não consigo mais do que isto. As minhas regras, a minha gestão familiar securitária servem apenas para que consigamos todos viver uns com os outros com alguma harmonia. Mas pouco mais. Tudo o resto, ou seja, a educação deles, vai muito para além das regras. O que nos une verdadeiramente, aquilo que nos transforma, de facto, numa família são os valores que partilhamos e que transmitimos uns aos outros. Só eles farão dos meus filhos bons cidadãos.

Quando casos como os desta semana de violência são tornados públicos, lembro-me sempre das minhas regras e de como elas são tão insignificantes ao pé dos valores que tento transmitir aos meus filhos. É que, em minha casa tal como no país, não há regras ou leis que nos valham se não existirem valores. E este é um desafio das famílias, não do Estado ou dessa entidade abstracta que é a sociedade.