quarta-feira, 27 de maio de 2015
Os dois fins do casamento
Michel Schooyans, professor emérito da universidade de Lovaina, Bélgica
A segunda sessão do Sínodo sobre a família está próxima. Por ocasião dessa sessão serão rediscutidas três questões entrelaçadas: a união conjugal, o casamento e a família. Chegamos de facto a uma época da história da humanidade na qual, sem dúvida pela primeira vez, assistimos a um questionamento radical do casamento e da família. O alvo visado é o casamento e a família, com a sua dupla finalidade: o fim unitivo e o fim procriativo da união do homem e da mulher. A sua destruição desemboca na desagregação de toda a sociedade humana. É toda a família humana que é agora atacada, abalada, desnaturada pela acção de correntes ideológicas hostis.
Fabricar crianças?
A mais evidente dessas correntes complexas é a corrente hedonista que, na união conjugal, separa o fim unitivo do fim procriativo.
Por um lado, essa corrente exalta unilateralmente certos modos de acção e de comportamentos unitivos no casal, excluindo os comportamentos procriativos. A dimensão unitiva insiste no prazer e no individualismo hedonista e utilitarista. Vejam o que acontece com a contracepção. Não há mais abertura ao outro, não há mais reconhecimento da identidade do outro, da diferença que me distingue do outro. Cada um quer fazer aquilo que tem vontade de fazer. É o recuo identitário do mesmo sobre ele-mesmo: a contracepção tranca a relação com o outro.
Por outro lado, a dissociação, a separação entre os dois fins do casamento, escancara a porta à exaltação unilateral da finalidade procreativa, excluindo os efeitos unitivos. Considera-se então que suscitar a vida é uma questão de técnicas e que o enlace amoroso entre homem e mulher não tem nada a ver com isso.
Esses comportamentos unitivos e essas técnicas procrativas podem eventualmente ser controlados pelos poderes públicos. No limite, corremos o risco de nos encontrarmos numa sociedade onde não haverá lugar para um amor responsável. Se for o caso, os pais serão despojados de toda a autoridade, de todo o direito e de todo o dever diante das suas crianças. Porque não poderiam estas serem confiadas à educação, a qual aliás os poderes públicos se arrogam do monopólio?
A dissolução voluntarista dos dois fins da união conjugal é o ponto focal tocado em 1968 pela encíclica Humanae vitae (ver o número 12), pela exortação sinodal Familiaris consortio (1981) e por numerosos documentos magisteriais entre os quais a instrução Donum vitae (1987) e o estudo Família e procriação humana (2006). Se chegarmos a separar os dois fins da união conjugal, e do casamento que sela essa união, tudo pode resultar dessa dissociação provocada e radical.
Uma vez que exaltamos unicamente o fim unitivo, rapidamente chegamos a toda a espécie de práticas sexuais: homossexualismo, lesbianismo, fornicação, etc. Não há mais lugar para a fidelidade, pois o que importa unicamente é o prazer, o interesse de cada indivíduo. Esse homem não é mais uma pessoa, um ser capaz de se abrir livremente a uma outra pessoa; é um indivíduo que busca o seu próprio gozo.
Se ao contrário se exalta unicamente o fim procriativo, chega-se a outras consequências, entre as quais, por exemplo, a procriação medicamente assistida, a gestação por terceiros, a tecnização da transmissão da vida a ponto de chegarmos à modificação genética do ser humano. O homem não se constrói mais num lar de amor. Não há mais maternidade, nem paternidade; por conseguinte, não há mais filiação nem consanguinidade. Com a chegada do anunciado útero artificial, dentro de pouco tempo não será mais necessário que a mulher abrigue uma criança no seu seio.
Todos esses processos são evidentemente o resultado de experimentações longas e complexas. Os abortos tornam-se «necessários» para resolver os «insucessos». Um exemplo de insucesso? A intolerável chegada de um ser que não se quer, precisamente em nome da exaltação unilateral do fim unitivo. Assim, os embriões produzidos in vitro e depois implantados serão seguidos de perto durante a sua gestação. Se anomalias forem reveladas, serão abortados. Lembremos aqui que os casos em que se assinalam anomalias são mais frequentes nas fecundações in vitro do que nos casos de fecundações naturais. Por outro lado, um número excedente de embriões é especialmente «inevitável» para a experimentação com células-tronco embrionárias.
Sob a pressão das ideologias hedonistas, as crianças são geradas proporcionalmente aos prazeres dos parceiros, às necessidades da sociedade, tais como estas são definidas pelos «sábios», por economistas, por demógrafos, por políticos ou por tecnocratas com forte impregnação ideológica. A selecção está inscrita nessa tecnização; está na lógica da ideologia liberal seleccionar: o produto deve ser impecável, senão será deitado fora. Conhecemos a selecção racial; aqui o que conta, é a selecção política, económica, a qualidade do produto fabricado. O homem e a mulher alienam-se: transferem para máquinas e para encubadeiras a fabricação de crianças. Eventualmente a criança, o produto fabricado, poderá ser comprado, vendido ou escolhido em catálogo.
Assim como deve haver o aborto «seguro», deverá também haver a procriação «segura». É preciso «desobrigar» a mulher da sua capacidade de procriar porque a procriação natural é muito arriscada. Actualmente, muitas mulheres não têm filhos porque a procriação é tida como não-segura.
Assim, abre-se o caminho ao prolongamento de uma vida de prazer e livre das constrições conjugais e parentais. A transmissão da vida não se fará mais segundo uma perspectiva humana; ela obedecerá a planeamentos ideológicos. Enfim, na outra ponta da vida, teremos em breve a eutanásia em massa.
O que está em jogo no trans-humanismo
Esses são alguns dos pontos em jogo e que podemos observar nos debates actuais sobre o trans-humanismo: as novas técnicas – asseguram-nos – oferecem aos homens meios que permitem dispor dos corpos e fabricar super-homens. Desculpem a modéstia! Resumindo, assistimos à impulsão de um novo eugenismo e mais precisamente à construção de novas espécies «humanas» modificadas geneticamente e hibridificadas com máquinas. Uma tal hibridização entre o corpo vivo e a matéria morta é irreversível. Assistimos à destruição irreversível da integridade do corpo humano. Decididamente, a cultura da morte espalha-se por toda parte...
Hoje em dia, mesmo em certos estabelecimentos hospitalares que se dizem católicos, praticam-se intervenções tais como o aborto, as procriações medicamente assistidas, as pesquisas com embriões, sem esquecer a eutanásia, etc. Quantas vozes, no laicado, no clero e no episcopado, se erguem num convite a se reconsiderar essas práticas? Diante desse mutismo, é preciso fazer valer o carácter indissociável entre os fins da união conjugal e o casamento. Com efeito, é a separação entre os dois fins que escancara a porta aos múltiplos desvios que hoje conhecemos. Os efeitos perversos da separação entre os dois fins do casamento vão muitíssimo além da esfera íntima onde essa separação tem início. Aqueles que atacam a Humanae vitae, a Familiaris consortio, a Donum vitae e os outros documentos magisteriais devem ter pesquisado que, no ensinamento da Igreja não basta destacar porque é que a Igreja recusa a contracepção e o aborto, nem porque é que a Igreja recusa a ideologia do género; essa ideologia não é senão uma das metamorfoses da dissociação do que tratamos. É preciso então colocar em evidência que uma vez admitida a separação entre os dois fins da união conjugal, abrem-se sem nenhuma rede de segurança todas as possibilidades oferecidas pelas técnicas e asseguradas pelo direito.
Quanto àqueles que, na Igreja, batalham para que essa cisão seja admitida, devem saber que correm o risco de provocar um cisma do qual deverão prestar contas a Deus e aos homens.
O terror, ontem e hoje
A discussão aqui travada não diz respeito unicamente aos cristãos de hoje e aos seus adversários. As correntes individualistas que se encontram na origem dos desvios que acabámos de evocar, desenvolveram-se inicialmente na Inglaterra, sempre líder intelectual nessas matérias, depois nos Estados Unidos, estrategistas do eugenismo mundial e país onde os médicos fazem morrer, sem que isso suscite discussão. Em igual medida, essas correntes difundiram-se a partir da Alemanha. Recordemos ao menos que foi nesse país que se difundiram e foram postas em prática as ideologias celebrando o racismo e o eugenismo, bem como a eutanásia.
Ora, essas mesmas correntes desenvolveram-se sobretudo em França a partir do Século das Luzes. É a partir de França que se forma, se desenvolve e se exporta uma poderosa corrente exaltando o indivíduo, o «sujeito», a sua razão, a sua liberdade, o seu direito ao prazer, as suas paixões. A França tornou-se a portadora mundial da tocha da laicidade republicana. Segundo diferentes impostações, a religião revelada é rejeitada. O homem progride, garantem-nos, apoiando-se somente na sua razão e na sua experiência; deve-se dar lugar à religião civil ou ao ateísmo. As paixões devem estar ordenadas à maximização do leque de voluptuosidades. O direito ao prazer erótico, levado certas vezes ao paroxismo do direito à destruição, é reivindicado e confortado pela rejeição de Deus. Do seu calabouço, ao divino marquês não faltou audiência e conseguiu garantir a sua posteridade.
Ora, após ter-se matado Deus ou agindo como se Deus não existisse, torna-se difícil encontrar um fundamento ao direito. É essa uma das maiores dificuldades do iluminismo, versão francesa. Desde o século XVIII, uma fracção significativa e actuante da intelectualidade francesa esforçou-se, em nome da liberdade, de dar ao terror um lugar na vida pública. Com uma obstinação acachapante, os manuais de história politicamente correctos transmitem de geração em geração a vulgata revolucionária.
Não obstante, impõe-se uma revisão dessa vulgata, ainda que essa revisão seja perturbadora. Os media e a opinião pública recentemente ergueram-se, e com razão, face às decapitações e outros actos de barbárie ocorridos na área de influência do islão integrista. Porém, é desonesto ocultar, como se faz nas arengas politiqueiras e nos manuais escolares, que foram os senhores da guilhotina a guilhotinar em série e a exportar a sua técnica aprimorada. Esse desvio cruel observa-se ainda hoje. Orgulhosos da sua ascendência voltairiana, as forças da laicidade agitam como lúgubre troféu a marca de 200 000 abortos por ano em França. O terrorismo revolucionário instalou-se de modo duradouro, em nome da liberdade. Querendo ir muito além do necessário, a França não deixa passar a ocasião de se autoproclamar «Pátria dos Direitos do Homem», um erro histórico grosseiro mas útil à causa de um messianismo arrogante.
A questão do mal, hoje
Na actual situação, a questão do mal coloca-se como jamais se colocara antes. É verdade que há tentativas notáveis de se analisar o mal tal como se apresentou nas grandes ideologias totalitárias do século XX. Frequentemente se invocou uma perturbação da razão. Mas hoje, em nome de uma perversão da verdade, desde já desnorteada, somos confrontados com uma tentativa sem precedentes na história da humanidade: a de destruir a própria humanidade, de destruir a capacidade que o homem tem naturalmente: a capacidade de amar. Recusa de tomar consciência do plano de Deus para o homem! Essa destruição leva por fim à destruição do corpo do homem pela destruição irreversível da sua integridade genética. É o maior drama da história da humanidade.
Não há muito tempo, Hilary Clinton pediu à ONU que o direito ao aborto fosse proclamado à escala universal. Vejam a perversão que espreita o direito: como podemos reduzir um ser humano a um objecto do qual se pode dispor até à destruição? Um ser humano é para ser acolhido, respeitado: não é objecto de um direito; os juristas dizem que ele não está disponível. Eu tenho direito de comprar pão, um automóvel ou uma casa. Mas não tenho direito, eu que sou um ser humano, de matar alguém de eliminar outro ser humano. Ora, a partir da dissociação entre os fins, não importa o que passa a ser não somente legalizável, mas até mesmo legal; o próprio direito se vê desnaturado. No torvelinho dos acontecimentos, a medicina é também pervertida, uma vez que em lugar de procurar curar, melhorar a saúde, suavizar os sofrimentos, consente em se colocar a serviço da morte, tanto antes quanto depois do nascimento. Na Bélgica, por ocasião do debate sobre a eutanásia de crianças (em 2014), legislou-se: a lei passou sem problemas; não houve senão alguns protestos, enquanto que, o que está em jogo em todos esses debates é o próprio futuro da humanidade.
Proteger a moral natural
Todas essas questões novas não podem ser resolvidas por uma casuística como esta aqui: «Em tal caso pode-se abortar, em tal caso não se pode; em tal caso pode-se praticar eutanásia, em tal outro não». Limitamo-nos a decidir casos pontuais de consciência sem nos referirmos aos princípios fundamentais da moral. Essa casuística é de certo modo precursora da moral da situação. O que é preciso é ir verdadeiramente à origem do problema e reencontrar, na destruição dos fins do casamento, as raízes da acção de Satã, hoje, na história da humanidade e no coração dos homens.
Convém ainda acrescentar uma reflexão a propósito da casuística que acabámos de mencionar. A Igreja encontra-se numa situação espantosa. Altos prelados, vindos sobretudo das nações opulentas, empenham-se em introduzir modificações na moral cristã referente aos divorciados-recasados e a outras situações problemáticas das quais algumas delas foram citadas aqui. Esses Guardiões da Fé não deveriam contudo perder de vista que o problema fundamental colocado pela destruição dos dois fins do casamento é um problema de moral natural. É no plano natural que o homem e a mulher são chamados a unirem-se para testemunharem o afecto e para procriarem. É essa a realidade natural que o Senhor elevou à dignidade de um sacramento. Diante das potências que abalam actualmente a família, a Igreja deveria descobrir a sua vocação de ser a única instância à altura de salvar a sexualidade humana e a instituição natural do casamento e da família. Não se trata apenas de salvar a moral cristã; é preciso salvar e proteger a moral natural. Não é possível que, por meio de procedimentos casuísticos capciosos, católicos de todos os estratos e de todas as idades contribuam para a destruição da moral natural. Os grandes desvios surgiram quando certos intelectuais católicos começaram a dizer e a escrever: «Sinal verde para o aborto, para as uniões homossexuais, para a eutanásia, etc.». Ora, a partir do momento em que os católicos surfam essa onda fatal, contribuem para a destruição da instituição natural do casamento. É toda a comunidade humana que se vê cindida com essa nova «traição dos clérigos».
Vale a pena levantar aqui uma questão chave: o Magistério da Igreja é competente para modificar a moral natural? Uma redução da moral natural a uma moral puramente casuística leva certos teólogos e certos pastores a caucionarem a redução do direito fundado na natureza do homem. Por ocasião de um processo recente e muito divulgado pelos media, comentou-se repetidamente que o direito nada tinha a ver com a moral. A partir daí, não há direito senão o direito puramente positivo, originário da vontade isolada do legislador. Nesse último caso, não há mais direito que fosse inato ao homem pelo simples facto de ser homem. Não haveria senão os direitos definidos pelas instâncias politicas nacionais, internacionais e mundiais. É de se ter calafrios pensar que a generalização de um direito assim prenunciasse a instauração de uma sociedade «global», isto é mundial, teleguiada pela vontade dos mais fortes.
Resumindo, em vez de proteger a célula familiar da sua detonação, da sua fissura, o próprio direito coloca-se ao serviço da destruição da pessoa e da família. O papel do direito não é, ao contrário, proteger o núcleo conjugal, familiar e os frutos que dele decorrem, a saber, os filhos?
A recepção dos ensinamentos pontificais
O beato Paulo VI conheceu incompreensão e rejeição quando da publicação da encíclica Humanae vitae, encíclica que o fez sofrer, antes como depois do seu aparecimento. Dissera: «Vocês ainda me agradecerão por ter publicado esse documento».
São João Paulo II retomou esse ímpeto profético com seu engajamento em favor dos mais pobres e dos mais vulneráveis. Daí os seus repetidos apelos para que se pusesse um fim à banalização do aborto e à sua legalização. Nas intervenções posteriores de João Paulo II, foram examinadas outras questões cruciais. O Papa aborda ali, entre outras, as politicas do controle de nascimentos, especialmente nos países do terceiro mundo. Menciona também o aumento da esperança de vida do nascituro, principal causa do envelhecimento da população, envelhecimento que por sua vez, é invocado com vistas à legalização da eutanásia. Estamos portanto diante de um conjunto de problemas emaranhados aos quais as pessoas estão mais e mais atentas, ainda que estejam frequentemente pouco ou mal informadas, como mostram as discussões nos países ocidentais sobre as adequações a serem feitas na idade da reforma.
São João Paulo II exprimiu no rosto, no seu comportamento, a sua acção, os seus discursos, pelas suas encíclicas, por toda a sua maneira de ser que foi um mediador entre Deus e os homens. Em todos os lugares que foi no mundo, foi percebido como um enviado de Deus, mesmo entre os não-cristãos. Era um ícone vivo de Deus entre os homens. Deu aos homens a confiança necessária para que as pessoas se engajassem no serviço à vida e à família. São João Paulo II é o Papa que terá salvado a família, que terá salvado incontáveis vidas humanas com a potência da sua palavra. Desse ponto de vista, São João Paulo II aparece no primeiro plano das figuras carismáticas da Igreja contemporânea. Tinha efectivamente um contacto extraordinário com os homens, com as mulheres, e com as crianças de todos os meios. Mas aquilo que mais nos retém a atenção, é a sua determinação em salvar a vida e a família. Ele mobilizou as pessoas e os casais suscitando-lhes a audácia de se lançarem à aventura de serem pais, de acolherem a vida, de serem profissionais da ternura.
Será preciso que a Igreja retorne à Humanae Vitae de Paulo VI, bem como aos ensinamentos de João Paulo II e de Bento XVI sobre essas questões. O Papa Francisco permanece na trilha dos seus predecessores cada vez que sublinha a coincidência entre o Evangelho do amor e o Evangelho da alegria. Será preciso fortalecer o peso magisterial de todo esse ensinamento, colocar em relevo a sua coerência e proteger esse tesouro contra os predadores.
A conversão do coração
Não é pretendendo modificar o homem ou «melhorá-lo» por meio de técnicas arriscadas que se irão elevar os indicadores de justiça, de bem estar e de felicidade. As técnicas actualmente disponíveis lançam-se sem nenhum rumo; cedem o leme ao sonho. A utopia está em vias de assumir o comando do mundo mas não resultará em nada. Ela necessita da ideologia para convencer o homem da «legitimidade» da transgressão. As utopias cientificistas ou politicas de hoje não fazem senão espelhar a enésima sociedade ideal. Pretendem que para alcançar esse fim seja preciso modificar o homem ou reconstruí-lo. Sem essa modificação do homem, a construção da sociedade ideal estará bloqueada. Segundo essa lógica, os cristãos serão desprezíveis se recusarem aderir a esse projecto; devem ser perseguidos.
Ora, o homem de hoje deve libertar-se dessas armadilhas ideológicas que o confinam em novas escravidões. O que é preciso é restaurar o respeito devido ao homem. É preciso chamar o homem à conversão do coração para que possa abrir-se aos valores verdadeiros e engajar-se no seu serviço. Essa restauração do homem implica uma etapa preliminar: é preciso desmascarar as armadilhas prometeicas e tornar manifesto o peso do pecado que elas injectam nas nossas sociedades. Será preciso também adoptar uma visão prospectiva da sociedade e da biosfera, pois as duas, homem e biosfera, só serão salvas juntas.
Essa reapropriação do homem por ele mesmo permite que se tomem hoje medidas em função da sociedade que se quer construir. É o que nos ensinou a prospectiva. Cristã ou não, a moral não se pode mais satisfazer com a previsão que vê no futuro uma simples extrapolação do presente. De facto, no caso da previsão, o futuro previsto está determinado; ele escapa à responsabilidade moral. A prospectiva por sua vez, considera que esse futuro a construir-se não é o objecto de um sonho; é ele que determina o presente e faz da decisão um acto moralmente responsável.
Levar a esperança ao mundo
Dessas novas escravidões o homem não sairá se não voltar a ser senhor de si, reafirmando a sua capacidade de discernir e decidir. Prever o futuro como mera extrapolação do presente, como o seu prolongamento, não é de modo nenhum suficiente para dar sentido à acção. Uma concepção previsionista do futuro não abre espaço algum à decisão livre e responsável, pois o futuro já está ali determinado. A moral da responsabilidade convida-nos a agir no mundo de hoje tendo em vista um mundo melhor que desejamos preparar para os jovens de hoje. Toda a moral referente à sexualidade humana e à família deve dirigir a sua reflexão a longo prazo. O futuro que preparamos para as gerações que virão depende da qualidade das decisões que tomamos – ou não tomamos – hoje. Os pobres e as crianças são nossos senhores. Devemos preocuparmo-nos com eles. Somos por eles responsáveis. Devem poder segurar a mão que lhes estendemos para levá-los da morte à vida. A prospectiva deixa um amplo espaço de livre decisão e assim de abertura aos valores hierarquizados. Ela mobiliza a vontade; convida ao engajamento; comove o coração diante de todas as misérias sobre as quais o homem, se quiser, pode agir.
Certamente todos os temas abordados pelo Sínodo da Família merecem ser discutidos. Mas a Igreja corre o risco de se perder se exaltar as previsões delirantes em vez de oferecer à sociedade humana a mensagem de esperança que o Senhor lhe confiou e que ela tem, por mandato, de levar às Nações.
Tradução: Rui A.C. Costa
domingo, 24 de maio de 2015
Governo volta a admitir despesas
de saúde com IVA a 23% no IRS 2015
Na sequência da reforma do IRS e das confusões produzidas pela declaração de facturas como a polémica ontem descrita em «Registar despesas de saúde com IVA diferente na mesma factura pode impedir acesso a benefício fiscal?», o governo vai repor a dedução para efeitos de benefício fiscal das despesas de saúde tributadas à taxa de IVA de 23% desde que suportadas por receita médica.
É isso que se lê no Jornal de Negócios devendo ter efeitos na entrega da declaração de IRS em 2016. Se a reposição se fizer nos moldes em vigor até 2015 a dedução máxima associada ao IVA a 23% será de €65.
sábado, 23 de maio de 2015
Contra a lamúria dos exames
Raquel Abecasis, Renascença, 18 de Maio de 2015
Ao contrário do que tem sido repisado nestes últimos dias, os exames não são nem traumatizantes nem inúteis para os alunos.
Esta é a semana grande para os alunos do 4.º e do 6.º ano, que fazem, no caso do 4.º ano, o primeiro exame das suas vidas.
Ao contrário do que tem sido repisado nestes últimos dias, os exames não são nem traumatizantes nem inúteis para os alunos. A verdade é que esta é uma ocasião para os alunos consolidarem os seus conhecimentos no fim de um ciclo de ensino, antes de passarem para uma fase diferente e mais exigente.
Não é verdade que os exames não acrescentem nada à avaliação contínua. Acrescentam experiência numa área a que não podemos escapar ao longo da vida que é a avaliação instantânea. Como sabemos, esta é fundamental em muitas ocasiões da vida: entrevistas de emprego, momentos de confronto, apresentações públicas, etc.
Argumentar que as crianças são muito novas e que o processo dos exames não traz mais-valias é desconhecer por completo o processo de desenvolvimento de uma criança de nove, dez anos, que já tem capacidade para perceber a importância do momento, estudar para ele e até fazer um esforço suplementar para corrigir erros.
Depois há o argumento de um mau momento na hora do exame. Também essa é uma falsa questão, já que a nota dos exames nesta fase, como todos sabemos, é ponderada com a avaliação contínua e pesa apenas 30% na nota final.
Tudo somado, resta dizer que quem contribui e muito para a má prestação dos alunos são os que atacam este método de avaliação e exercem uma pressão negativa nas crianças, sobrevalorizando os naturais «nervos» pré-exame com discursos sobre ansiedade e traumas psicológicos. Ora, aquela pressão é que contribui para ansiedade e traumas despropositados.
terça-feira, 19 de maio de 2015
domingo, 17 de maio de 2015
Cientistas alertam para os riscos de cozinhar
com tachos anti-aderentes
Cerca de 200 cientistas assinaram recentemente um manifesto onde expressam a sua preocupação sobre o uso cada vez maior de utensílios de cozinha anti-aderentes. De acordo com os investigadores, os tachos e panelas anti-aderentes são fabricados com químicos conhecidos por poli-perfluoroalquilo.
Estes químicos sintéticos podem ser encontrados por todo o ambiente, bem como em tecidos humanos e animais. Segundo defendem os cientistas, estas substâncias podem ser transferidas dos utensílios de cozinha para a comida, bem como para o ar, água e solo.
A lista de eventuais problemas de saúde que estes compostos sintéticos podem causar é bastante extensa. Entre as patologias incluem-se a obesidade, problemas de fígado, cancro dos rins e dos testículos, diminuição da resposta imunitária às vacinas bem como nascimentos de bebés com peso abaixo do normal, escreve oTreeHugger.
A opinião do grupo de cientistas, redigida naquilo a que foi chamado Declaração de Madrid, foi publicada na revista científica Environmental Health Perspectives. No documento, os investigadores pedem aos governos mundiais para restringir o uso destes químicos bem como para pedir aos seus cidadãos para evitarem o seu uso.
sexta-feira, 15 de maio de 2015
Crime contra a Língua Pátria
Em próximas eleições, votar apenas em partidos que defendam a revogação da lei do aborto ortográfico engendrado por Santana Lopes quando Secretário de Estado de Cavaco, e depois confirmado pelos sucessivos politiqueiros.
sábado, 2 de maio de 2015
Encontrando o ponto fraco
das células cancerosas
Entrevista com o Prof. Patrick Pauwels,
do Centro Médico da Universidade de Antuérpia
Prof. Patrick Pauwels, Head of the Department of Molecular Pathology at the Antwerp University Medical Center, Belgium, talks about the role of molecular pathology in cancer treatment and future perspectives in cancer therapy.
Prof. Pauwels, you are a molecular pathologist specialized in cancer research. Would «cancer profiler» be a good job description?
In a way, yes. Just as a criminal profiler analyzes a criminal’s personality traits to find the person, we try to characterize tumor cells and identify molecular pathways that may serve as therapeutic targets. We try to figure out what makes a cancer vulnerable to medication.
Has molecular pathology brought advances to cancer therapy?
In the past, surgery, chemotherapy and radiotherapy were our only weapons against cancer. Once cancer metastasizes, the effectiveness of these approaches is very limited. Now we have targeted therapies that specifically address the tumor cells’ weak spots and inhibit tumor growth with only few side-effects. By identifying treatment targets, molecular pathology provides rationale for new types of cancer drugs.
But targeted therapies are still only available for a few cancers…
True, only a small percentage of cancers can be treated with targeted drugs nowadays, but the number is increasing. Previously, targeted approaches were only available for leukemias and lymphomas, but now they are available for some breast, lung, colorectal, and skin cancers. These drugs can often halt disease progression, which is huge success in itself, but often the effectiveness is limited to a few months. Molecular research is trying to analyze the mechanisms of resistance.
What will cancer treatment look like in 2050?
Nobody can know for sure, but I think we will simply have more treatment options. I see great potential in the area of immunomodulation. This approach unravels how cancer cells hide from the body’s own immune response and enables lymphocytes, our natural killer cells, to recognize and destroy tumor cells. This is a very promising because it moves beyond slowing the disease progression in the direction actually curing cancer.
sexta-feira, 1 de maio de 2015
Assine a petição – Dia dos irmãos
Petição «31 Maio – Dia dos Irmãos – Instituição»
À Presidente do Parlamento Português
Ao Presidente do Parlamento Europeu e ao
Presidente da Comissão Europeia
À Coordenação do Programa de Família das
Nações Unidas
«Se queres ver uma criança feliz, dá-lhe um irmão.
Se queres ver uma criança muito feliz, dá-lhe muitos irmãos.»
A vida vai-se construindo em torno de afectos, acontecimentos, aprendizagens, compromissos, ideias, e tantas outras coisas.
O calendário assinala datas, efemérides, memórias. Por isso se destacam dias especiais, para celebrar o que é mais importante.
Os irmãos são os nossos mais próximos. Crescemos com eles, na família, numa teia de cumplicidades e vivências comuns. O que vivemos entre irmãos é único, irrepetível, molda a nossa vida para sempre.
Por isso se torna tão importante assinalar um dia dedicado aos irmãos, à relação entre irmãos.
É o que propomos. A criação do Dia dos Irmãos. Quer em família, quer socialmente, essa é a maneira de mantermos sempre presente, fortalecermos e festejarmos o que, de tão importante, acontece entre irmãos:
• O crescer juntos.
• As aventuras.
• As descobertas.
• A solidariedade.
• A proximidade.
• A cumplicidade.
• A identidade que é diferença.
• A diversidade.
• A entreajuda, a cooperação e a divisão de tarefas.
• A alegria e a tristeza.
• As emoções, boas e más.
• A tolerância.
• A reconciliação.
• A partilha.
• As histórias, raízes e memória.
Quem tem a felicidade de ter irmãos, conhece bem o significado desta pertença.
O recentemente falecido fundador e presidente da APFN – Associação Portuguesa das Famílias Numerosas e também fundador e presidente da ELFAC – Confederação Europeia de Famílias Numerosas é autor de uma frase que marca o espírito desta iniciativa e celebração: «Se queres ver uma criança feliz, dá-lhe um irmão. Se queres ver uma criança muito feliz, dá-lhe muitos irmãos.»
O mundo em que vivemos parece esquecer ou desvalorizar esta verdade. A instituição do Dia dos Irmãos pretende assinalar o que de mais feliz podemos ser: irmãos.
Propomos o dia 31 de Maio para Dia dos Irmãos.
Porquê?
Um Dia dos Irmãos é uma festa familiar por excelência – é uma calorosa celebração familiar na sua horizontalidade e, no sentido exacto da palavra, fraternidade. Ora, o mês de Maio é um mês onde se assinalam algumas celebrações familiares, como o Dia da Mãe (em Portugal, no 1.º Domingo de Maio) e o Dia Internacional da Família, declarado e instituído a 15 de Maio por uma deliberação da Assembleia Geral das Nações Unidas em 1992.
Encerrar o mês, no dia 31 de Maio, com a festa do Dia dos Irmãos é fechar o mês com chave de ouro, exaltando uma das mais fortes relações de geração e sustentação familiares.
Por outro lado, no dia seguinte, a 1 de Junho, festeja-se em muitos países, como em Portugal, o Dia Mundial da Criança. Ora, a celebração, na véspera, do Dia dos Irmãos proporciona, por coincidência, uma sequência bem feliz e inspiradora à luz da frase emblema do dia:
«Se queres ver uma criança feliz, dá-lhe um irmão.
Se queres ver uma criança muito feliz, dá-lhe muitos irmãos.»
É
como se, colectivamente, na véspera do dia das crianças, lhes assinalássemos a
felicidade de terem ou virem a ter irmãos.
Além
do valor social da celebração da fraternidade e da solidariedade familiar, a
instituição desta data tem ainda um valor cívico acrescido num tempo tanto em
Portugal, como na Europa a sociedade e os cidadãos despertam cada vez mais para
a crise e o problema da natalidade.
Assim,
os subscritores da presente petição apelam para que delibere o seguinte:
É
INSTITUÍDA A CELEBRAÇÃO DO DIA DOS IRMÃOS, QUE SE COMEMORA ANUALMENTE EM 31 DE
MAIO.
Lisboa,
27 de Maio de 2014
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Em 2020 não será possível fumar
em nenhum estabelecimento público
Segundo proposta de lei do conselho de ministros, em 2020 não será possível fumar em nenhum estabelecimento público fechado. Eis o excerto do comunicado do conselho de ministros sobre esta medida:
O Conselho de Ministros aprovou uma proposta de lei para a protecção dos cidadãos à exposição involuntária ao fumo do tabaco e para a redução da procura relacionada com a dependência, bem como para a cessação do seu consumo, reforçando a informação disponível para os consumidores.
É
determinada a proibição de fumar nas áreas com serviço em todos os
estabelecimentos de restauração e de bebidas, incluindo nos recintos de
diversão, nos casinos, bingos, salas de jogo e outro tipo de recintos
destinados a espectáculos de natureza não artística, sendo esta proibição
também aplicada à utilização de cigarros electrónicos com nicotina.
A fim
de salvaguardar investimentos já realizados, institui-se um período
transitório, até final de 2020, para a entrada em vigor da proibição total de
fumar nos estabelecimentos de restauração ou bebidas que já tenham espaços
destinados a fumadores, nos moldes da legislação anterior.
A
proposta de lei agora aprovada institui a obrigatoriedade de existência de
respostas no Serviço Nacional de Saúde de apoio às pessoas fumadoras que
necessitem de apoio para deixar de fumar.
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Menores de idade passam a estar isentos
de taxas moderadoras
O Decreto-Lei n.º 61/2015 vem estabelecer que todos os menores de idade passam a estar isentos de taxas moderadoras. Segundo o legislador, desta forma, reconhece (e resolve) uma falha de coerência entre a obrigação de consultas médicas dos menores no Sistema Nacional de Saúde aos 12 ou 13 e dos 15 até aos 18 que em 2013 foram definidas no Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil e a obrigatoriedade de pagamento de taxas moderadoras para alguns dos jovens implicados.
Lê-se no preâmbulo que «É neste contexto que se considera justificado alargar a isenção do pagamento das taxas moderadoras a todos os menores de idade, como forma de promover a saúde junto daqueles que têm mais a ganhar em adoptar hábitos saudáveis, e de garantir a eliminação de quaisquer constrangimentos financeiros no seu acesso aos serviços de saúde assegurados pelo SNS, tanto mais que a decisão de recorrer ou não aos cuidados de saúde não depende unicamente dos menores.»
quarta-feira, 22 de abril de 2015
1 semana depois, a Câmara Municipal do Barreiro
continua surda, cega e mouca?
Em defesa de uma
jovem deficiente,
aqui fica a minha
intervenção feita
em
15-04-2015 (ver a partir da 1h 31m)
Próxima sexta-feira
Sexta-feira é o dia mundial do cancro
Agradeço que reencaminhes 93% não o fará!!!
O único pedido é que mantenhas isto a circular,
ainda que só seja para uma pessoa mais.
Pela memória de alguém que conheças que foi
vencido pelo cancro ou que ainda vive com ele.
Uma vela não perde nada quando acende outra
vela.
Por favor mantém esta vela acesa!!!!!!!!!
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Problemas físicos da pílula contraceptiva
Uma pró-escolha que defende os métodos naturais
Howard Kainz
(Extractos)
Na introdução ao seu livro «Sweetening the Pill» [Dourar a Pílula], Holly Grigg-Spall deixa claro que é pró-aborto, em termos políticos, e não tem qualquer objecção aos vários métodos de contraceptivos de barreira – como preservativos, diafragmas, espermicidas etc. Todavia, encabeça um movimento contra a pílula contraceptiva e seus derivados (Injecções Depo-Provera, Implantes Nexplanon, anéis vaginais NuvaRing, o DIU hormonal Mirena, etc.) e fá-lo não só com o seu livro, mas com o seu site, entrevistas e um documentário que deve estrear em 2016.
Qual será a sua razão para contrariar assim, de forma tão evidente, a doutrina da Planned Parenthood, da Fundação Bill e Melinda Gates, agências americanas e da ONU e outros que promovem as mais modernas tecnologias de contracepção em todo o mundo?
Ela menciona os riscos para a integridade física, raramente abordados pelos principais meios de comunicação – o facto de a pílula contraceptiva aumentar significativamente o risco de doença cardíaca e de cancro cervical, do peito e do fígado; o facto de os contraceptivos orais serem classificados pela Organização Mundial da Saúde como cancerígenos de classe 1, a par do tabaco e do amianto; que a injecção Depo-Provera vem com um aviso de que é prejudicial para a saúde óssea de adolescentes, e por aí fora.
Mas a sua principal preocupação tem a ver com os efeitos mentais e emocionais da pílula. Cita um estudo de 1998 da universidade da Carolina do Norte, um estudo de 2001 do Kinsey Institute, outro da universidade Monash, de 2005 e um de 2008 da universidade Lakehead que mostram, todas, um impacto negativo dos contraceptivos hormonais sobre o bem-estar emocional.
As pílulas contraceptivas são usadas como tratamento alternativo para problemas físicos como hemorragias fortes, períodos irregulares, dores menstruais, endometriose e síndrome do ovário policístico. Mas, pergunta, porque é que mulheres perfeitamente saudáveis hão-de começar a tomar medicamentos, muitas vezes desde a adolescência até à menopausa, que tem inúmeros efeitos secundários – para a tiróide, adrenalina, glicose no sangue, níveis de testosterona, etc?
Basicamente, a pílula funciona recorrendo a hormonas artificiais para colocar mulheres férteis num estado em que acabarão por nunca ovular (apesar das hemorragias de privação que acompanham muitos medicamentos) e que por isso serão sujeitas às alterações fisiológicas comuns às mulheres em menopausa – infertilidade, risco acrescido de AVC e cancro da mama, resistência à insulina, imunossupressão e decréscimo da libido, etc.
Por outras palavras, estamos a assistir a um fenómeno estranho em que vemos as mulheres a serem cuidadosas com o que comem, com o exercício, vida saudável e a optarem frequentemente por um estilo de vida «natural» – mas que de resto escolhem tomar comprimidos que utilizam hormonas para impedir toda a forma de menstruação, contribuindo para a contaminação das águas e desregulando a sua própria fisiologia.
A motivação invocada para suportar tudo isto é, claro, o medo da gravidez. Holly Grigg-Spall, que usou contraceptivos hormonais desde a adolescência quase até aos 30, descreve da seguinte forma a sua experiência: enxaquecas, hemorragias e náuseas constantes e mudanças frequentes de receitas, mas nunca quis parar porque: «Estava aterrorizada pela ideia de engravidar».
As pressões nos nossos dias são enormes – pais aterrorizados com a ideia de que as suas filhas adolescentes possam vir a ser «punidas» com uma gravidez; médicos (incluindo pediatras) querendo assegurar a «saúde» das suas pacientes; uma economia moderna que precisa que as mulheres estejam disponíveis para trabalhar sem o fardo de «assuntos femininos», isto para não falar de homens que querem que as suas mulheres ou namoradas estejam constantemente disponíveis para ter relações sexuais.
Mesmo as mulheres que estão a sentir os efeitos secundários negativos da pílula hesitam em parar por causa dos aspectos «bons». As adolescentes que usam contraceptivos descobrem não só que as menstruações mais pesadas acabam, mas que a acne começa a desaparecer e o cabelo fica menos oleoso. Continuando pelos anos 20 e 30, como diz Holly Grigg-Spall: «Deixamos de ter períodos chatos, podemos ter a pele mais limpa, somos mais magras, temos peitos maiores e, supostamente, livramo-nos da TPM maçadora».
Deixar de tomar a pílula também pode resultar em sintomas de ressaca, comparáveis ao abandono de outras drogas – insónias, irritabilidade, etc. E as mulheres que querem engravidar podem descobrir que leva vários meses até começarem a ovular normalmente depois de vários anos a tomar a pílula. Mas para as mulheres que decidem que querem deixar de viver como homens, sem períodos, em menopausa perpétua (e com vários dos sintomas da menopausa), o abandono pode abrir novas vias de oportunidade.
7 hábitos das pessoas
que têm consideração pelo próximo
Martin Ewert
«Tratar os outros com consideração fará com que você e os seus filhos avancem mais na vida do que qualquer diploma universitário ou profissional.» – Marian Wright Edelman
A célebre activista americana, Edelman não só dedicou a sua vida à luta pelos direitos das crianças necessitadas como defendia a consideração em relação aos outros. Tratar as outras pessoas com consideração, uma das raízes da bondade pura, é algo que pode assumir muitas formas. Quer elogie alguém pensando unicamente no bem-estar da outra pessoa, quer compartilhe o que possui sem esperar nada em troca, é um senso de civilidade que o leva a agir com consideração.
Abdulla M. Abdulhalim, candidato a Ph.D. em pesquisas dos serviços de saúde farmacêuticos na universidade de Maryland, teve uma bolsa da reitoria da universidade em 2012. Ao lado de seis outros estudantes seleccionados para a bolsa, ele examinou a questão da civilidade, de agir com consideração, porque as duas coisas são importantes e como a universidade pode ajudar a incentivá-las na sociedade como um todo.
«Gostamos de definições simples», Abdulhalim disse ao Huffington Post. «A civilidade é na realidade um termo mais amplo, comparado à consideração. A civilidade significa simplesmente ser gentil e não é apenas uma atitude de benevolência, gentileza e relacionar-se com outros indivíduos. Ela também implica um interesse activo no bem-estar das comunidades e até com a saúde do planeta. Para actuar com civilidade, é necessário fazer um esforço real. E agir com consideração faz parte desse esforço.»
Agir com consideração de modo passivo pode nascer da nossa natureza subconsciente, mais que dos nossos actos intencionais. Mas isso não quer dizer que não possamos fazer um pequeno esforço para termos mais consideração com as pessoas e o mundo que nos cercam.
Veja aqui sete hábitos que diferenciam as pessoas
que agem com consideração e civilidade.
1 – Praticam a empatia
«Seja gentil, porque cada homem trava uma batalha árdua.»
Reverendo John Watson (também conhecido como Ian MacLaren)
Uma coisa é ter um senso de empatia e outra
coisa é colocá-lo em acção. As pessoas que tratam os outros com consideração
não apenas são capazes de colocar-se na posição do outro, como escolhem activamente
olhar para o mundo exterior. O seu senso de compaixão pelos outros leva-as a ligar-se
com os outros, e essa troca altruísta dá-lhes alegria e satisfação pessoal.
«Acho que quando alguém não age dessa maneira, o
seu comportamento parece realmente egoísta», disse Abdulhalim. «Ninguém pode
entender o ponto de vista do outro se não segurar na mão da outra pessoa e
pensar como é que ela percebe o mundo.»
2 – Sorriem
com frequência
Acredite se quiser, quando escolhe sorrir, isso
tem um impacto importante sobre como os outros sentem a sua presença, além de
ter um impacto sobre o seu próprio estado de humor. De acordo com Abdulhalim, o
corpo usa 42 músculos pequenos para sorrir. Franzir o semblante é mais fácil.
Faça o esforço de sorrir, pelo impacto positivo que isso tem sobre as pessoas
que o cercam.
Abdulhalim sugere criar um lembrete para si
próprio. «Por exemplo, na entrada do meu prédio há uma faixa grande que diz
'civilidade, poder'. Podem ser frases diferentes para me lembrar de sorrir para
um desconhecido, abrir a porta para alguém que não conheço ou deixar a pessoa
entrar no elevador antes de mim. Também ajuda a treinar sozinho. Se se olhar ao
espelho, fechando a cara ou sorrindo, verá que a diferença é enorme. As pessoas
não sabem a aparência que têm quando fazem cara feia ou abrem um sorriso
simpático.»
3 – Consideram as
necessidades dos outros
Quando se sintonizar com o seu senso de empatia
e levar em conta o que sentem as pessoas que o cercam, opte por agir com base
nisso. Perguntar simplesmente a uma pessoa como está pode fazer maravilhas pelo
seu estado de ânimo e pela sua autoestima.
«Quando entra no elevador e tem dez segundos
para causar uma boa impressão ou simplesmente ficar quieto, olhando o seu
telemóvel, pode perguntar simplesmente 'como está sendo o seu dia?', só para
ser simpático. Isso é ter consideração», disse Abdulhalim. «Vamos falar a
verdade, quer mesmo saber como está sendo o dia da pessoa? Isso vai fazer
alguma diferença para a sua vida? Especialmente se não conhece a pessoa. Só faz
a pergunta porque quer fazer com que a pessoa que está à sua frente se sinta
valorizada. E é essa finalidade de ter consideração nessa situação: não é o
conteúdo da resposta, é a intenção.»
4 – Têm bons modos
«A boa educação significa ter consciência
sensível dos sentimentos dos outros. Se tem essa consciência, tem bons modos,
não importa qual o garfo que usa.» Emily Post, especialista em etiqueta.
Ter bons modos não se limita a dizer «por
favor», «obrigado» e «não tem de quê». A boa educação requer que reconheça os
sentimentos da outra pessoa e aja de acordo com isso. Siga a regra de ouro e
trate os outros como gostaria que o tratassem. Por exemplo, sendo pontual
(respeitando o tempo do outro), não falando mais alto que os outros
(exercitando o autocontrole) e ouvindo activamente o que os outros têm a dizer.
«Não é possível ter consideração se realmente
não ouve», disse Abdulhalim. «É preciso atenção, captar informações e até
repeti-las para si próprio, para então dar um retorno baseado na lógica real.
Ouça, processe e então aja segundo a lógica, transmitindo essa lógica pela
empatia. Então a resposta deve aparecer com lógica, mas com cortesia.»
5 – Privilegiam
os outros… às vezes
«Aquele que não trata de si mesmo com
consideração raramente o faz com outros.» David Seabury
O altruísmo pode ser uma faca de dois gumes para
quem tem consideração. Privilegiar as necessidades dos outros deixa as pessoas
felizes e gera um sentimento de realização para nós, mas frequentemente
perdemos a capacidade de primeiro cuidar de nós mesmos, quando é preciso, e de
dizer «não». Mas encontrar um ponto de equilíbrio é tão importante quanto agir
com consideração – se não, podemos cair na armadilha de apenas tentar agradar
aos outros, o que leva a uma queda na nossa própria produtividade, segundo
Abdulhalim.
«É difícil», ele explicou. «Mas praticar o 'não'
em situações menores ajuda-lo-á a dizer 'não' em situações mais importantes. É
importante praticar. O ideal é saber quando ter consideração com os outros e
quando ter consideração consigo próprio.»
«É difícil», ele explicou. «Mas praticar o 'não'
em situações menores ajudá-lo-á a dizer 'não' em situações mais importantes. É
importante praticar. O ideal é saber quando ter consideração com os outros e
quando ter consideração consigo próprio.»
6 – São pacientes, mesmo
quando não estão com vontade
A paciência está longe de ser uma característica
passiva. Pode ser difícil de a praticar, especialmente quando estamos nervosos,
sobrecarregados e cercados de impaciência por todos os lados. Mas isso é mais ainda
uma razão para nos motivar.
«Muitas pessoas que conheci que são muito gentis
e atenciosas diziam 'porque devo tratar
os outros com atenção quando 95% do tempo termino em último lugar?'» Abdulhalim
comentou. «Concordo com a lógica, mas nunca perde por tratar os outros com
consideração. Depende de como encara o problema. Digamos que é cortês com
alguém e a pessoa não reage na mesma moeda. Porque não usar isso como motivação
para dar um exemplo, mostrando como a civilidade é realmente importante para
todos? É uma questão de ser uma influência positiva. Se exerce influência
positiva, tem a motivação para ser melhor e influenciar os outros de maneira
positiva.»
7 – Pedem desculpas, mas
apenas quando há razão para isso
Algumas pessoas pedem desculpas a toda hora, com
medo de ofender os outros a cada momento. Outras nunca o fazem, transmitindo
uma impressão de serem grosseiras e insensíveis. Como é o caso do esforço das
pessoas gentis para agradar às pessoas, os pedidos de desculpas devem ser
equilibrados.
«'Perdão' ou 'sinto muito' quer dizer que
lamenta um acto que cometeu», diz Abdulhalim. «Ser gentil implica pedir
desculpas quando errou e quando pensa que errou. Mas, se tenta agradar a todos
ou pede desculpas demais, só vai prejudicar-se. As pessoas que tentam agradar a
todos geralmente são menos produtivas, porque, mesmo que não tenham tempo,
procuram encontrar tempo para ajudar os outros. Ao saber que está sempre
disponível voltam a procurá-lo sempre.»
Por Alena Hall- The Huffington Post
- Via: CONTIoutra.com
Martin Ewert | 03/03/2015 at
9:25 | Categories: Bondade, Civilidade
NEW POST ON BIOWIT.WORDPRESS.COM
Subscrever:
Mensagens (Atom)






.png)





