domingo, 28 de dezembro de 2014


Overton: como aceitar uma coisa intolerável



Cristina Mestre

Muitos de nós conhecem os métodos através dos quais os políticos e os seus assessores de imprensa influenciam a opinião pública. Digamos que isso já é um dado adquirido nas chamadas democracias ocidentais e, por isso, por vezes somos cépticos em aceitar propostas políticas, que tantas vezes são criadas artificialmente nos gabinetes das empresas de assessoria.

Ora essas «tecnologias» parecem brincadeiras de crianças comparadas com uma relativamente recente (desenvolvida nos anos 90) que tem por objectivo tornar aceitável na sociedade algo que, antes, era totalmente inaceitável e intolerável.

Trata-se da Janela de Overton, um modelo de engenharia social criado por Joseph P. Overton (1960–2003), ex-vice-presidente de um think tank norte-americano chamado Mackinac Center for Public Policy (Centro Mackinac para Políticas Públicas).

Overton criou um modelo para demonstrar como um pequeno grupo de pensadores, (think tank) pode mudar de forma intencional e gradual a opinião pública. A Janela de Overton é o conjunto de ideias «aceitáveis» num dado momento na sociedade.

A gradação das opiniões da sociedade em relação a determinado tema vão desde:

Intolerável (impensável);
Radical;
Aceitável;
Sensato;
Consensual;
Consagrado em políticas públicas.

Esta gradação corresponde a uma outra: proibido, proibido com ressalvas, neutro, permitido com ressalvas, permitido livremente.

Os think tanks constituem conjuntos de pessoas que produzem e divulgam opiniões fora da Janela de Overton com a intenção de tornar a sociedade mais receptiva a tais ideias e políticas públicas.

Quando esse grupo de fazedores de opinião quer promover uma ideia que está fora do que a opinião pública considera razoável, ou seja, que a sociedade não aceita, ele pode adoptar uma série de procedimentos graduais que farão as pessoas mudar completamente de ideias em pouco tempo.


Assim, através da sua acção nos media, vai-se introduzindo no discurso público ideias a princípio consideradas inaceitáveis, radicais, impossíveis de implementar, mas que, com a sua exposição ao público, passam de inaceitáveis a toleráveis e, posteriormente – na última fase – são consagradas na legislação.

Aplicando o modelo à vida política, constata-se que numa sociedade existe um conjunto de temas políticos que não causam polémica, ou seja, de entre todas as políticas públicas possíveis, há um conjunto delas que é aceite pela maioria da população sem que haja grandes debates. Esta é a Janela de Overton.

Como já dissemos, a posição da janela não é imutável, sendo que ela pode ser manipulada para introduzir novos temas ou mesmo excluir temas que já foram aceitáveis. Os políticos que desejem ter mais hipóteses de ser eleitos apenas devem assumir posições políticas que se encaixem dentro da Janela de Overton.

Para entender como a opinião pública pode ser mudada gradualmente costuma-se usar o exemplo do casamento gay (e também da eutanásia infantil). Durante anos, a Janela de Overton esteve na área do proibido, a sociedade não podia aceitar a ideia do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Com a constante exposição dos argumentos pró-gay nos media, a janela foi-se deslocando para proibido com ressalvas, depois para neutro, até chegar onde está hoje: permitido com ressalvas. Em breve será permitido livremente. Para que haja o deslocamento da Janela de Overton para posições que sejam de interesse de determinados grupos é aplicado um esforço altamente profissional, que faz parte do que se convencionou chamar de engenharia social. Este esforço é assegurado por um enorme número de especialistas em opinião pública: técnicos, cientistas, assessores de imprensa, relações públicas, institutos de pesquisa, celebridades, professores, jornalistas, etc..

Muito curioso é o facto de tais temas (casamento gay, eutanásia) já não nos causarem estranheza. Como se viu, eles já passaram por todo o processo de conversão de «inaceitável» em «consagrado na legislação».

Mas um conhecido cineasta russo, Nikita Mikhalkov, no seu vídeo-blog Besogon. TV, propõe-nos, para compreender melhor este processo, um tema que ainda é intolerável na sociedade: o canibalismo.

Creio que o facto de ter escolhido uma prática que hoje é totalmente proibida e inaceitável facilita a nossa compreensão de como as coisas se processam ou poderão processar. Há ainda outros temas que hoje a sociedade não tolera mas que pode vir a tolerar, como a eutanásia infantil ou o incesto.

Segundo ele, o deslocamento da Janela de Overton no que toca ao canibalismo poderá passar pelas seguintes etapas:

Etapa 0 – É o estado actual, o tema é inaceitável, não se discute na imprensa ou em geral entre as pessoas.

Etapa 1 – O tema passa de «completamente inaceitável» para apenas «radical». Alegando que deve haver liberdade de expressão e que não deve haver tabus, o tema começa timidamente a ser discutido em pequenas conferências, onde se obtém uma declaração de um cientista respeitável, promove-se o debate «científico». É criada, digamos, uma Associação de Canibais Radicais, que passa a ser citada nos media. Aqui o tema deixa de ser tabu, é introduzido no chamado espaço informativo.

Etapa 2 – O tema do canibalismo passa de «radical» para a área do «possível». Os cientistas continuam a ser citados, é criado um nome elegante: já não há canibalismo mas sim, por exemplo, «antropofagia». Posteriormente este termo passa também a ser considerado ofensivo e a prática começa a ser designada, suponhamos, por «antropofilia». O objectivo é desligar a forma da designação do seu conteúdo. Paralelamente é criado um precedente histórico de apoio. Pode ser um facto mitológico, um facto actual ou apenas inventado mas, o mais importante, é que contribua para legitimar a prática. O principal objectivo desta etapa é retirar parcialmente a «antropofagia» da ilegalidade, nem que seja num único momento histórico.

Etapa 3 – Passa-se da fase do «possível» para a fase do «racional» ou «neutro». São apresentados argumentos como «necessidade biológica». Afirma-se que o desejo de comer carne humana pode ser genético, «próprio da natureza humana». Em caso de fome grave, de «circunstâncias insuperáveis», uma pessoa livre deve ter o direito de fazer escolhas. Não se deve esconder a informação para que todos possam assumir que são «antropófilos» ou «antropofóbicos».

Etapa 4 – Na opinião pública é criada uma polémica artificial sobre o tema. A sua popularização apoia-se não só em personagens históricas ou mitológicas mas também em figuras mediáticas actuais. A antropofilia começa a entrar massivamente nas notícias, nos talk-shows, no cinema, na música pop, nos videoclips. Um dos métodos da popularização é o chamado «olhe à sua volta». Por acaso você não sabe que um conhecido compositor é antropófilo?

Etapa 5 – Nesta etapa o tema é lançado no top da actualidade: começa a reproduzir-se automaticamente na imprensa, no show business e… na política. Nesta etapa, para justificar os adeptos da legalização, é utilizada a «humanização» dos adeptos, («são pessoas criativas», «os antropófilos são vítimas da educação que tiveram», «quem somos nós para os julgar?»

Etapa 6 – Nesta fase, a prática passa de «tema popular» para o plano da «política actual». Começa a ser preparada a base legislativa, aparecem grupos de lobby, publicam-se pesquisas sociológicas que apoiam os adeptos da legalização. Introduz-se um novo dogma – não se deve proibir a «antropofagia». Aprovada a lei, o tema chega às escolas e jardins de infância e, consequentemente, a nova geração já não conhece como poderá pensar de forma diferente.

Como disse acima, este exemplo sugerido pelo cineasta Nikita Mikhalkov não deixa de ser hipotético.

No entanto, não teria sido assim que todas as «novas práticas», impensáveis há poucas décadas, entraram na nossa sociedade e se tornaram aceitáveis aos olhos de toda a gente?





sexta-feira, 26 de dezembro de 2014


Ser homem ou mulher está inscrito no DNA


Luis Jensen com a sua esposa Pilar Escudero

Luis Jensen, médico membro do Instituto das Famílias de Schoenstatt e do Centro de Bioética da Pontifícia Universidade Católica do Chile, revelou que a homossexualidade «jamais vai permitir o desenvolvimento pleno da satisfação da complementariedade».

No dia 10 de Dezembro deste ano, apresentou-se no Chile um projecto de lei do «Matrimónio Igualitário», que quer modificar a Lei do Matrimónio actual para permitir as uniões homossexuais.

O projecto de lei foi pensado e redigido pelo Movimento de Integração e Libertação Homossexual (Movilh), o mesmo que criou o conto «Nicolau tem dois pais».

Em declarações feitas ao Grupo ACI, Jensen referiu que «se eu acredito que na natureza tudo tem o mesmo valor, então a pessoa desaparece, porque a pessoa é o mais extraordinário, é distinta, é outra entidade diferente do resto das coisas naturais».

«O ser homem e mulher, que são as duas formas de ser pessoa, tem uma razão de ser, um porquê, um para quê, está inscrito no DNA. Se ignorar isso, está ignorando uma coisa que não é electiva, mas constitutiva», afirmou.

Luis Jensen explicou que «a pessoa que realmente necessita move-se para procurar o outro e enriquece-se com o outro. E nessa relação, descobre que o outro também tem necessidades. E para fazê-lo feliz, que é a essência do amor, dá o máximo de si próprio como dom, como presente ao outro. Essa é a dinâmica do amor, a dinâmica do dom, da gratuidade».

Entretanto, advertiu o perito, as relações que se estabelecem hoje «não têm como base a complementariedade».

Jensen sustenta que «estas relações (homossexuais) ficam na reciprocidade: em que eu te dou e tu me dás, que é na verdade um intercâmbio comercial, funcional, estrutural, mas não da natureza da pessoa. Onde está a gratuidade? Já não é a dinâmica do amor mas a dinâmica da organização, do intercâmbio, da comercialização».

Para o médico, a polaridade homem-mulher tem a sua causa na «unidade do homem e da mulher porque são capazes de complementar-se em todos os campos».

«Isso jamais vai acontecer na homossexualidade, por muita imitação que façam, por muita intenção, boa vontade ou amor pessoal que tenham, não acontece. Por isso mesmo, acredito que hoje querem tirar o conceito da complementariedade do vocabulário e ficar com o da reciprocidade».

Para Jensen, actualmente procura-se «reduzir o tema do essencial do ser humano a róis: Há um rol feminino e um rol masculino, um rol paternal e um rol maternal, e já não se responde ao que é a natureza masculina e feminina».

«Tomou-se o mundo social como referência e não o mundo pessoal», criticou, denunciando que agora «os modelos constroem-se na base como se organizou socialmente o homem e não na base do que é o homem».





terça-feira, 23 de dezembro de 2014


Presentes de Natal


Inês Teotónio Pereira

As crianças até muito tarde não sabem o que querem. O que elas acham que querem tem a ver com a qualidade dos anúncios que lêem e não com o brinquedo anunciado

Um dia levei um dos meus filhos a uma loja de brinquedos para lhe comprar o presente de anos e confessando-me absolutamente incompetente para o fazer pedi-lhe que escolhesse um brinquedo. A criança ficou desorientada e incapaz de o fazer. Ficámos horas a passear pelos corredores da loja e no meio daqueles milhares de brinquedos ele deixou de ter critério e desorientou-se. Acabámos por escolher uma banalidade qualquer que se revelou absolutamente inútil. Passaram alguns anos mas ele ainda se lembra do episódio traumático e ainda lá temos em casa um boneco da Guerra das Estrelas com o qual ele nunca brincou e que só não deitamos fora para nos lembrarmos da asneira e para não a repetirmos. Recentemente fiz outra asneira parecida. Em vez de comprar um presente de anos para outro meu filho resolvi dar-lhe um vale para um jogo de consola que ainda não tinha saído. O rapaz ia chorando. Em vez do jogo ou de outra coisa qualquer tinha recebido uma espécie de futuro do petróleo dos pequeninos. Foram assim goradas todas as suas expectativas e o dia de anos ficou irremediavelmente estragado.

Aprendi com isto duas coisas: a primeira, e óbvia, é que não tenho jeitinho nenhum para dar presentes e a segunda é que as crianças só gostam de presentes porque os presentes são surpresas. A surpresa é tudo. Até pode ser um par de meias, mas, desde que esteja embrulhado e envolto em secretismo, as meias até podem cheirar a chulé que eles gostam na mesma (claro que estou a exagerar). Um dos meus filhos (umas destas duas vítimas) quando lhe perguntaram o que é ele queria no Natal respondeu-me simplesmente que queria «uma surpresa», em jeito de provocação e só para me fazer sentir mal.

E isto leva-me inevitavelmente aos presentes de Natal e às listas de presentes de Natal que eles tanto gostam de fazer. Eu sou contra as listas de Natal. Perante uma lista de Natal só temos duas opções: ou estragar a surpresa e dar o que vem na lista ou dar uma surpresa e ignorar o que eles escolheram. Qualquer delas é má, sendo a lista a pior de todas. A lista estraga o Natal. Supostamente damos presentes no Natal para mostrarmos aos beneficiários do nosso débito que nos lembramos deles, que perdemos tempo a pensar naquilo que os faz felizes, e principalmente que sabemos perfeitamente aquilo que os faz felizes. Quando optamos por recorrer a uma lista estamos simplesmente a gastar dinheiro com eles. Ponto. O espírito natalício fica assim reduzido ao tamanho do estrago no saldo bancário e não ao trabalhão que é encontrar coisas que surpreendam, que façam jeito e que se ajustem na perfeição aos gostos da tia ou da criança.

As crianças até muito tarde não sabem o que querem. O que elas acham que querem tem a ver com a qualidade dos anúncios que vêem e não com o brinquedo anunciado. O critério é apenas esse. Mas a resposta aos anseios natalícios e materiais dos nossos filhos está nas características de cada um e não na felicidade que transborda dos anúncios. E isso dá muito trabalho. Sermos nós a escolher os brinquedos dá trabalho porque põe à prova o conhecimento que de facto temos dos nossos filhos e porque nos obriga a pensar naquilo com que queremos que eles brinquem. Os gostos dos nossos filhos somos nós que muitas vezes condicionamos e é por isso que somos pais. A democracia neste capítulo conta pouco.

Deve ser por tudo isto que a cinco dias do Natal ainda não consegui comprar um único presente. Na verdade, ainda bem que não deitei fora nenhuma das listas de Natal que eles fizeram.





sexta-feira, 19 de dezembro de 2014


A maior empresa do mundo


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um «não». É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta… Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo.

                                                                                              

                                                                         Fernando Pessoa


SEXTILHAS INSPIRADAS NA PROSA DE PESSOA...  

NESTE NATAL 2014

        Viver, segundo Pessoa,
        era, sob qualquer prisma,
        «maior empresa do mundo»,
        podendo ser coisa boa
        ou, não detendo carisma,
        causar um trauma profundo...

        Há que – apesar de tudo –
        aprender e aceitar
        provas amargas, qual  lima...
        Face a calúnias, ser mudo.
        Más-línguas? É só esperar...
        Verdade? Vem sempre acima!

        Mesmo em momentos de escolhos,
        mantenho o brilho nos olhos,
        materiais coleccionando...
        Para, gratuitamente, erguer
        um castelo a condizer
        com o que me vão atirando...

        E é por isso que agradeço
        cada pedra no caminho...
        (excelentes contribuições)!
        Meu castelo, aqui confesso,
        tem estrutura de carinho,
        desvelo, amor e ilusões...

        Cada arremesso, um presente,
        e à lareira, nesta quadra,
        tudo dispus. Passo a passo...
        E fique o leitor ciente:
        não fui à «Feira da Ladra»
        comprar versos... Eu os faço!

        «Bem-haja!» – reitero, a rodos,
        pelos contributos raros
        para a minha construção...
        Feliz Natal para todos
        que sois à minha alma caros,
        os que supris decepção!


Teresa Machado (com votos, também, de um 2015
repleto de Amor Divino).

Dezembro / Natal / 2014






quarta-feira, 10 de dezembro de 2014


De facto, Toca a Todos!



Já fez a sua chamadinha para ajudar as criancinhas pobres?

De facto TOCA A TODOS e até sobra um bocadinho para a Cáritas!

Veja:

Você paga pela chamadinha €0,738 – o coelhinho fica com €0,138.

Sobram €0.60 para as criancinhas?

Não, porque as operadoras telefónicas ficam com 50%!

Então sobram €0,30 para as criancinhas?

Ainda não, porque o operador de audiotexto fica com 50 a 70%!

Dos €0,738 que você pensava estar a doar para as criancinhas elas receberão quanto muito 15 cêntimos, provavelmente 9 cêntimos!

Toca mesmo a todos!

Até às criancinhas carenciadas!





segunda-feira, 8 de dezembro de 2014


A Imaculada Conceição

e a História de Portugal


P. Francisco Couto
P. Senra Coelho

As Nações sobrevivem à erosão do tempo e permanecem vivas na história dos povos se prosseguirem na fecundidade que lhes vem da sua espiritualidade e da sua cultura. A diluição espiritual e cultural de um povo significará inevitavelmente a perca da sua identidade e a sua fusão num hoje sem futuro.

A História de Portugal regista dois momentos altos na recuperação da sua independência: a Revolução 1383-1385 e a Restauração de 1640.


Na Revolução de 1383-1385 salienta-se o cerco de Lisboa, que durou cerca de cinco meses e terminou em princípios de Setembro de 1384, acentuando-se durante o assédio, o significado da vitória alcançada por D. Nuno Álvares Pereira em Atoleiros a 6 de Abril de 1384 e a eleição do Mestre de Aviz para Rei de Portugal, curiosamente a 6 de Abril de 1385. Em 15 de Agosto travou-se a Batalha de Aljubarrota, sob a chefia de D. Nuno Álvares Pereira, símbolo da vitória e da consolidação do processo revolucionário de 1383-1385.

No movimento da restauração destaca-se a coroação de D. João IV como Rei de Portugal, a 15 de Dezembro de 1640, no Terreiro do Paço em Lisboa.


A Solenidade da Imaculada Conceição liga estes dois acontecimentos decisivos na História da independência de Portugal e no contexto das Nações Europeias. Segundo secular tradição foi o condestável D. Nuno Álvares Pereira quem fundou a Igreja de Nossa Senhora do Castelo em Vila Viçosa e quem ofereceu a imagem da Virgem Padroeira, adquirida na Inglaterra. Este gesto do Condestável reconhece que a mística que levou Portugal à vitória veio da devoção de um povo a Nossa Senhora da Conceição.

Aliás, já desde o berço, já aquando da conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, havia sido celebrado um pontifical de acção de graças, em Lisboa, em honra da Imaculada Conceição.

A espiritualidade que brotava da devoção a Nossa Senhora da Conceição foi novamente sublinhada no gesto que D. João IV assumiu ao coroar a Imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Rainha de Portugal nas cortes de 1646.


Esta espiritualidade imaculista foi igualmente assumida por todos os intelectuais, que na prestigiada Universidade de Coimbra defenderam o dogma da Imaculada Conceição sob a forma de um juramento solene.

De tal modo a Imaculada Conceição caracteriza a espiritualidade dos portugueses, que durante séculos o dia 8 de Dezembro foi celebrado como «Dia da Mãe» e João Paulo II incluiu no seu inesquecível roteiro da Visita Pastoral de 1982 dois Santuários que unem o Norte e o Sul de Portugal: Vila Viçosa no Alentejo e o Sameiro no Minho.

O dia 8 de Dezembro transcende o «Dia Santo» dos Católicos e engloba indubitavelmente a comemoração da Independência de Portugal, que o dia 1 de Dezembro retoma. O feriado do dia 8 de Dezembro é religioso, mas é também celebrativo da cultura, da tradição e da espiritualidade da alma e da identidade do povo português.

Não menos importante, e em âmbito religioso e litúrgico, o tema da Imaculada Conceição da Virgem Maria é já abundantemente abordado pelos Padres da Igreja. Será o Oriente cristão o primeiro a celebrá-la. Festividade que chega à Europa Ocidental e ao continente europeu pelas mãos das cruzadas Inglesas nos séc. XI e XII. Vivamente celebrada pelos franciscanos a partir de 1263, será o também franciscano Sixto IV, Papa, que a inscreverá no calendário litúrgico romano em 1477.

De facto, o debate e a celebração desta festividade em toda a Europa é acompanhada pela História do próprio Portugal. Coimbra, como já vimos, tem um importante papel em todo este processo.

Em 8 de Dezembro de 1854, viverá a Igreja o auge de toda esta riqueza teológica e celebrativa. Através da bula «Ineffabilis Deus», Pio IX, após consultar os bispos do mundo, definirá solenemente o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria.

Não estamos diante de uma simples festa cristã ou de capricho religioso. O dogma resulta de tudo quanto a Igreja viveu até aqui e vive hoje em toda a sua plenitude. Faz parte da identidade da Igreja. Isso mesmo o prova o texto proclamado por Pio IX que apoia a sua argumentação nos Padres e Doutores da Igreja e na sua forma de interpretar a Sagrada Escritura. Ele, de facto, reconhece que este dogma faz parte, depois de muitos séculos, do ensinamento ordinário da Igreja.

Portugal, segundo Nuno Álvares Pereira, ou melhor, São Nuno de Santa Maria, e D. João IV isso mesmo o demonstram, não só como resultado da sua própria fé mas como expressão de um povo deveras agradecido pela sua Independência e Liberdade.

A Conceição Imaculada da Virgem é um dogma de fé segundo o qual Maria é considerada a primeira redimida pela Páscoa de Cristo.


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O P. Francisco Couto é Reitor do Santuário de Vila Viçosa e professor do Instituto Superior de Teologia de Évora.

O P. Senra Coelho é professor do Instituto Superior de Teologia de Évora.





sexta-feira, 5 de dezembro de 2014


Comemorando o 8 de Dezembro

Ser mãe. O novo preconceito.



MariAna Ferro (Júdice Moreira)

Estar em casa com os filhos tornou-se um preconceito comum com o aumento do desemprego, das dificuldades e das restrições económicas.

Estar em casa antigamente, quando havia ajudas e irmãos mais velhos e quintas e casas grandes de férias e fim de semana era normal.

A mãe, tomava conta dos filhos, o pai trabalhava.

Hoje, algumas as mães não trabalham não porque não querem mas porque os pais trabalham demais.

É muito simples e tudo se resume ao tempo e a equações.

Se o pai trabalhar até às dez da noite já não vê os filhos, se a mãe trabalhar até às sete da tarde, vê-os duas horas. Este é um cenário.

O outro cenário são dois pais a chegar muito tarde e nenhum os vê e há alguém ou vários alguém que vão buscar, dão banho e jantar e às vezes deitam.

O terceiro cenário é o do pai e da mãe que chegam cedo.

Nenhum dos cenários é certo ou errado, é a vida.

Mas depois há aquele cenário em que a mãe está em casa com os filhos mesmo que um dos filhos ou todos os filhos estejam na escola. Então ela trata da casa e vai busca-los e fica com eles. E isto é o resumo do dia apesar da sua complexidade.

E este é o único cenário vitima de preconceito.

Estar em casa é mal visto.

Este é o meu cenário.

Todos os dias ouço todo o tipo de coisas. Entre essas coisas está a preocupação com o meu intelecto.

Posso estar a estupidificar, posso estar a ficar menos interessante e interessada, as minhas conversas podem estar todas centradas em filhos e fraldas e papas e o meu cérebro pode estar a ser pouco estimulado.

No fundo, ser mãe pode estar a fazer de mim burra.

Aceito que economicamente dois ordenados sejam melhores que um. Aceito que quando bem medido, organizado e planificado compense mais os dois pais trabalharem mesmo que para isso se tenha que recorrer a terceiros e pagar aos terceiros.

Eu amo e eu cuido. Ensino a falar e contar. Dou amor. Alimento. Visto e deito. Dou a mão para não caírem e trato das doenças. Dou mimo e segurança. Dou colo. Educo. Zango-me. Castigo. Ando pelo chão e mascaro-me e tento cumprir expectativas.

Não mereço palmas e muito menos ordenado.

Mas não chamem a isto de ser mãe uma coisa estúpida.





quarta-feira, 3 de dezembro de 2014


Jantar de Natal solidário da ADASCA

Dia 6 de Dezembro de 2014



O êxito deste 1.º jantar solidário da ADASCA depende da vossa participação.

Link: http://aveiro123-portaaberta.blogspot.pt/2014/10/jantar-de-natal-solidario-da-adasca-dia.html

Link: https://www.facebook.com/events/930963013597799/?ref_dashboard_filter=upcoming

«E EU lá estarei então cantando para AJUDAR... Hoje eles, amanhã nós» comentário do cantor Kit Carlos no facebook. Existem poucas pessoas que entendam a dimensão desta frase.

Provavelmente, nem se lembram que nós dadores, somos solidários todos os dias, sempre que for necessário, autênticos bombeiros numa versão mais simpática. Somos constantemente, «assediados» por SNS e e-mails para doar sangue, para nos inscrevermos como potenciais dadores de medula óssea, porque alguém que nem sequer conhecemos corre sério risco de vida. Mas, raros são os que se lembram, para esta associação poder desenvolver a sua missão com alguma eficácia em prol dos que mais necessitam, neste caso os doentes dependentes de componentes sanguíneos, é necessário dinheiro para os cartazes, para os meios de comunicação, para as deslocações, para o telefone, enfim para tudo o que consideramos ser imprescindível.

O mesmo é dizer: pagamos para ser solidários. Sim, porque muitos dirigentes pagam dos seus bolsos para desenvolver as actividades que o Ministério da Saúde ou outra entidade da área deviam fazer. Isso aconteceu e acontece comigo.

Apesar da ADASCA representar cerca de 3 546 dadores associados de pleno direito de acordo com os estatutos, nenhum paga jóias ou quotas. Pedir apoio à Câmara Municipal ou às Juntas de Freguesia... já conhecemos a resposta antecipada: Não há, não temos ou não podemos, outras nem vezes nem sequer nos ouvem.

A verdade é  que o sangue não pode faltar nos hospitais, as nossas actividades não podem ser suspensas.

Esperamos com a realização deste 1.º Jantar de Natal Solidário da ADASCA, que vai decorrer dia 6 de Dezembro de 2014 (conforme o cartaz em anexo) no âmbito da Comemoração do Dia Internacional do Voluntariado, possamos angariar algum dinheiro por forma a podermos fazer face às despesas até final do ano em curso. Foi decidido prolongar as inscrições até dia 6 de Dezembro às 12 Horas, pelo que ainda se podem inscrever...


Actualmente, nesse mundo cheio de egoísmo, fomentado e estimulado por interesses pessoais e narcisistas, a solidariedade é uma virtude imprescindível. Solidário é quem compartilha e reparte. Arrede os véus da indiferença. A solidariedade imaginária não produz frutos, fica-se pelas boas intenções.

Nada tem um impacto mais positivo sobre as pessoas do que nos doarmos aos outros. Karl Menninger, psiquiatra, disse: «As pessoas generosas raramente têm problemas mentais. As pessoas que têm um espírito de doação são as pessoas mais positivas que conheço, pelo facto de que dar é o mais alto padrão de vida». Quanto mais as pessoas dão, melhor é a sua atitude. Dar é o mais alto padrão de vida.

Esta iniciativa é aberta à comunidade. Venham conviver, dar visibilidade e força à solidariedade. Venham passar uma noite de emoção e sabor tradicional. É por uma causa justa, por isso apareçam, e porque não convidar um amigo a vir também...

A ficha de inscrição segue em anexo, também está disponível no site da ADASCA  de onde pode ser impressa. Venham, participem, sejam solidários. As empresas também podem associar-se à iniciativa.

Atenciosamente,
Joaquim Carlos
Liga: 234 095 331 ou 964 470 432
Presidente da Direcção da ADASCA
Site: www.adasca.pt
Blogue: http://aveiro123-portaaberta.blogspot.pt/

NB: Há a possibilidade do pagamento ser efectuado em duas partes, ou por transferência bancária, através do NIB da ADASCA = 0036 0189 99100051821. 35.

Emitimos recibos, desde que nos sejam solicitados, e com os dados considerados necessários para o efeito.

As inscrições podem ser entregues no dia 29 de Outubro das 16:00 horas às 20:00 horas, dias 1, 8, 15, 21 e 29 de Novembro das 09:00 horas às 13:00 horas, ainda nos dias 5, 12 e 26 das 16:00 horas às 20:00 horas datas em que se realiza colheitas de sangue no Posto Fixo.

Temos Cartazes do evento disponíveis para os colegas ajudarem a divulgar.





terça-feira, 2 de dezembro de 2014


Qual a diferença entre impostos

directos e indirectos?


Economia & Finanças

Este blogue está longe de ser lido só por entendidos em Economia & Finanças, estou convencido que estes serão por ventura uma imensa minoria mas uma minoria. O objectivo inicial era precisamente apontar para uma audiência diversificada do leigo ao iniciado, tentando humildemente contribuir para um maior entendimento entre ambos. É nesse sentido que por vezes se tenta fazer por aqui alguma pedagogia explicando conceitos simples que são dados como adquiridos por qualquer economista. Qual a diferença entre impostos directos e indirectos?

A explicação é simples. Designam-se por directos todos os impostos que incidem directamente sobre o rendimento apurado para um agente económico num determinado período de tempo, seja ele dos indivíduos, seja das empresas. Em Portugal há apenas um imposto directo que me ocorra, os Impostos sobre o Rendimento, chamado de IRS para as pessoas Singulares e de IRC para as pessoas Colectivas.

Em regra os restantes impostos – os que não incidem sobre os rendimentos mas antes sobre o consumo como sejam o Imposto sobre o valor acrescentado, o Imposto sobre os produtos petrolíferos, o Imposto sobre os veículos, o Imposto sobre o Tabaco, entre outros – são impostos indirectos.

Quando ouvir falar em descer impostos directos e subir indirectos já sabe do que se fala.

Há uma característica dos impostos indirectos que não me agrada particularmente, funcionam como a picada de uma melga: o processo de cobrança de sangue é precedido de um anestesiante local. Eu preferia ter uma noção mais clara de quando e quanto estou a contribuir financeiramente para o Estado mas sei que há seguramente muito mais gente a ter uma ideia razoavelmente aproximada de quanto contribui através dos impostos que incidem sobre o seu rendimento, mas haverá muito poucos a ter a noção de quanto pagam através da globalidade dos impostos indirectos. Uma coisa é olhar para uma factura, outra coisa é chegar ao fim do ano e olhar para uma folhinha onde está, por exemplo, o total anual de retenções na fonte em sede de IRS. Estamos na âmbito da psicologia ou lá perto… Notem que é precisamente por isso que tem sido politicamente menos penoso mexer em alta nestes últimos do que nos primeiros.

Naturalmente há uma enorme discussão sobre muitos outros aspectos e implicações de cada tipo de impostos, suas vantagens e desvantagens de acordo com o ciclo e condicionantes de cada país, mas essa é uma discussão que nos levará já a outro nível de definição bem mais detalhada que ultrapassa o mero conceito que julgo estar dado.





segunda-feira, 1 de dezembro de 2014


Aluguer de contadores de água, luz e gás

acaba no dia 26 de Maio de 2015


Os consumidores vão deixar de pagar os alugueres de contadores de água, luz e gás a partir de 26 de Maio próximo. Nesta data entra também em vigor a proibição de cobrança bimestral ou trimestral destes serviços, segundo um diploma que foi ontem publicado na edição do Diário da República.

A factura de todos aqueles serviços públicos vai ser obrigatoriamente enviada mensalmente, evitando o acumular de dois ou três meses de facturação, indica a Lei 12/2008, ontem publicada no boletim oficial e que altera um diploma de 1996 sobre os «serviços públicos essenciais».

A nova legislação passa a considerar o telefone fixo também como um serviço essencial e inclui igualmente nesta figura as comunicações móveis e via Internet, além do gás natural, serviços postais, gestão do lixo doméstico e recolha e tratamento dos esgotos. O diploma põe fim à cobrança pelo aluguer dos contadores feita pelas empresas que fazem o abastecimento de água, gás e electricidade.

Também o prazo para a suspensão do fornecimento destes serviços, por falta de pagamento, passa a ser de dez dias após esse incumprimento , mais dois dias do que estava previsto no actual regime.

Outra mudança importante é o facto de o diploma abranger igualmente os prestadores privados daqueles serviços, classificando-os como serviço público, independentemente da natureza jurídica da entidade que o presta.





sexta-feira, 28 de novembro de 2014


Alerta sobre a tampa da sanita


HIGIENE – Alerta sobre a tampa da sanita

Prof. Mark Wilcox – Medical Microbiology.

Alerta para os pequenos pormenores que, só por si, podem não ser  considerados graves. Porém, as pessoas que têm o seu  sistema  imunológico mais debilitado, podem sofrer com esta «gota d'agua» que faltava para o surgimento de algum tipo de doença, por via da proliferação de micro-organismos.

Certamente que as mulheres lutam diariamente para que a tampa da sanita esteja sempre fechada. No entanto, os homens insistem em deixá-la levantada...

Pois o motivo está provado cientificamente. Por mais irrelevantes que possam parecer, as tampas das vossas sanitas existem por um bom motivo!

Um  estudo feito pelo Professor Mark Wilcox, director clínico de microbiologia, afirmou que puxar o autoclismo com a tampa da sanita levantada permite que uma nuvem de bactérias polua o ar da casa de banho, aumentando o risco de contrair  vírus.

O resultado dos estudos (o Prof. Wilcox) prova que a descarga transporta as bactérias até 25 cm acima do assento da sanita e permanece no ar da casa de banho durante 2 horas.

Ou seja: quando puxa o autoclismo da água, com a tampa aberta, os coliformes fecais espalham-se e permanecem no ar durante 2 horas, ficando depositados nos cabelos, roupas, na maçaneta da porta e em tudo que está à volta. Razão porque se encontram coliformes em muitos alimentos que ingerimos?

Outra coisa: cuidado com a escova de dentes. Caso a deixe em cima da pia da casa de banho, pode estar contaminada com todos esses germes e bactérias.

Quando puxa o autoclismo com a tampa fechada, as bactérias não são encontradas no ambiente. Permanecem na tampa que deverá, assim como a sanita, serem permanentemente lavadas e desinfetadas.

Recomenda-se puxar sempre o autocclismo com a tampa fechada e depois lavar  bem as mãos.

Manter a tampa da sanita fechada na hora de puxar o autoclismo é uma atitude simples, mas que previne muita dor de cabeça e doenças.






Deste cozido à Portuguesa… nunca comeram!

Mas eu digo onde fica:

Restaurante Adega – Santa Maria da Feira