terça-feira, 12 de setembro de 2017

Petição dirigida à: População portuguesa e entidades governativas


Petição contra a ofensiva e ditadura homossexualista na sociedade civil

através da chamada «Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género»


Ex.mo Senhor Presidente da República,

Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia da República,

Ex.mo Senhor Primeiro-Ministro,

Ex.mo Senhor Presidente do Tribunal Constitucional,

1 — Diversos sectores do Estado português e certas instituições privadas beneficiando de apoios e protecções do Estado têm vindo a ser infiltrados pelo lóbi que se opõe à família natural e promove a ideologia homossexualista «do género», a qual, como é sabido, pretende que o sexo de cada pessoa é uma opção de cada um e não aquele com que nasce, condição que o lóbi qualifica simplesmente de género.

2 — Esses sectores do Estado e essas instituições tornaram-se assim instrumentos desse lóbi, que os utiliza para influenciar as pessoas através dos mais variados canais e exercer uma ditadura do seu pensamento sobre a esmagadora maioria dos Portugueses.

3 — A chamada «Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género» é o principal instrumento do lóbi homossexualista no Estado. Através dos seus próprios conceitos homossexualistas, pareceres homossexualistas e pressões homossexualistas, exerce uma ditadura homossexualista sobre a sociedade civil, as empresas, os meios de comunicação, os professores, as crianças, as famílias, as pessoas, os candidatos a cargos políticos e até sobre o próprio legislador. Toda esta ditadura homossexualista procura destruir a família natural e afecta a harmonia familiar, a educação, a saúde mental das crianças, jovens e adultos, a economia e até põe em causa a defesa nacional.

4 — Recentemente, esta chamada «Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género» exerceu pressão sobre uma empresa editorial para retirar do mercado dois livros, um destinado a meninos e outro destinado a meninas. Para além do já referido aspecto de destruição da identidade sexual das crianças e consequentemente do tecido social e nacional, trata-se de um grave atentado à liberdade das pessoas e à liberdade de educação, um acto apenas qualificável como homonazi.

5 — O Ministro Adjunto Eduardo Cabrita prontificou-se a dar imediata cobertura política a esta chamada «Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género», confirmando assim a sua adesão à política do homonazismo e a comunhão de interesses que une todos os do lóbi.

6 — Esta ditadura homossexualista viola a liberdade das pessoas, direitos expressos na Constituição da República Portuguesa, que os membros do lóbi tanto proclamam prezar mas que afinal pretendem violar. Especificamente, os ditadores homonazis violam o número 5 do Artigo 36.º, os números 1 e 2 do Artigo 37.º, os números 1 e 2 do Artigo 41.º  e o número 2 do Artigo 43.º  da Constituição da República Portuguesa.

7 — Acresce que esta manobra ditatorial para uniformizar a educação das crianças segundo os conceitos homossexualistas viola também o direito natural, inalienável e inegociável das famílias a escolherem a educação a dar aos seus próprios filhos, direito aliás expressamente proibido ao Estado no já referido número 2 do Artigo 43.º da Constituição da República Portuguesa.

8 — Acresce ainda que o direito dos pais a escolherem a educação para os seus filhos é um direito acima de quaisquer  normas estabelecidas por mentes doentes de quaisquer burocratas de uma qualquer comissão ou administração.

9 — Perante tais violações dos direitos das pessoas e das famílias e atentados à saúde física e mental das crianças, jovens e adultos, à Constituição e à defesa nacional, a União das Famílias Portuguesas vem reclamar:

a) a demissão imediata do Ministro Adjunto Eduardo Cabrita;

b) a extinção imediata da chamada «Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género»;

c) a suspensão de todos os projectos do Estado baseados na ideologia homossexualista do «género»;

d) a proibição de qualquer órgão do Estado exercer a ditadura homossexualista do «género»;

e) o fim dos apoios e protecções do Estado a quaisquer instituições privadas promotoras da ideologia homossexualista do «género».


Lisboa, 25 de Agosto de 2017
                                                  
A União das Famílias Portuguesas
Atenciosamente,

Acabei de assinar a Petição contra a ofensiva e ditadura homossexualista na sociedade civil através da chamada «Comissão para a Cidadania e a Igualdade em CitizenGO , endereçada à População portuguesa e entidades governativas.

Penso que se trata de um tema importante e ficaria grato se você também assinasse a petição.

Aqui está o link:



Muito obrigado!





sábado, 9 de setembro de 2017

Níveis de esperma: Colher o que semeámos



Anne Hendershott, Actualidade Religiosa, 16 de Agosto de 2017

Estudos recentes revelam que os níveis de esperma de homens no Ocidente desceram 60% desde 1971, evocando a grande distopia de P.D. James «Os Filhos dos Homens», com a sua visão de uma sociedade que já não se consegue reproduzir. Baseado no Reino Unido, em 2021, esta ficção assustadora descreve um mundo de infertilidade em massa entre os homens, um mundo em que não nascem crianças há 25 anos. No livro, o último bebé que nasceu é agora um adulto e a população está a envelhecer. Tal como na realidade actual, os cientistas no livro de James ainda não conseguiram descobrir uma cura, ou sequer uma causa, para a infertilidade.

No artigo em que publicam as suas descobertas, na revista Human Reproduction Update, os investigadores – de Israel, Estados Unidos, Dinamarca, Brasil e Espanha – concluem que o total de contagem de esperma caiu 59.3% entre 1971 e 2011 na Europa, América do Norte, Austrália e Nova Zelândia.

Alguns cientistas afirmam que a «vida moderna» causou sérios danos à saúde dos homens. Pesticidas, poluição, dieta, stress, tabaco e obesidade… todos têm sido associados ao problema, com algum grau de plausibilidade. Mas há menos homens a fumar do que nunca e os controlos de poluição e de pesticidas que os governos têm implementado ao longo dos últimos 40 anos diminuíram vários destes riscos.

Durante a Revolução Industrial, no século XIX, os homens incorriam em riscos de saúde muito maiores ao trabalhar em fábricas numa altura em que não havia sequer regulamentos sobre a qualidade do ar. Havia menos problemas de fertilidade nessa altura, as famílias eram numerosas e ninguém se preocupava com a contagem de esperma.

A obesidade pode ser um factor, mas os investigadores ainda não conseguiram estabelecer uma ligação. Um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Loma Linda fez um estudo ao longo de quatro anos com uma população de Adventistas do Sétimo Dia, que são rigorosamente vegetarianos. Os resultados revelaram que os vegetarianos têm uma média de contagem e de mobilidade de esperma significativamente mais baixas que carnívoros, mas o veganismo é um estilo de vida minoritário ainda, especialmente entre homens, e por isso não pode ser a principal causa do fenómeno.

As causas para este declínio de fertilidade continuam por apurar. Mas para se compreender as consequências de uma sociedade estéril, a história de P.D. James descreve um mundo sombrio em que emerge um Governo totalitário para manter a ordem – e fornecer «conforto» aos residentes. É um mundo em que os animais de estimação se substituem às crianças e a religião parece ter perdido o seu sentido. Porém, na tentativa fraca de manter os rituais cristãos as igrejas anglicanas levam a cabo cerimónias de baptismo elaboradas para os gatinhos de estimação da população, repletas de vestidos brancos e boinas.

Na sociedade estéril de P.D. James, o sexo entre os jovens tornou-se «o menos importante dos prazeres sensoriais do homem». E embora os homens e as mulheres ainda se casem, é frequentemente com pessoas do mesmo sexo. O desejo sexual diminuiu a par da fertilidade masculina, não obstante os esforços do Governo para estimular o desejo através de lojas de pornografia patrocinadas pelo Estado.

De certa forma o romance de James descreve uma sociedade que conseguiu precisamente aquilo que queria: prazer sexual sem risco de gravidez. Mas a ironia é que não havendo possibilidade de procriação, o sexo perde o seu sentido. É um facto que enfrentamos cada vez mais hoje enquanto debatemos se o Estado deve obrigar todos os contribuintes, incluindo aqueles que têm objecções religiosas, a pagar pelos «direitos reprodutivos» de todas as mulheres, numa altura em que há cada vez mais preocupações com a infertilidade masculina.

Há muito que os antropólogos e os sociólogos sabem que a questão da fertilidade humana numa dada população tem de ser vista de uma perspectiva cultural. A cultura é a forma de vida, ou a concepção de vida que caracteriza cada sociedade humana. Inclui os valores partilhados, normas e comportamentos de uma dada sociedade.

Para compreender as taxas de fertilidade e a diminuição da população, devem-se identificar e modificar as influências culturais. A cultura é importante para se compreender as taxas de fertilidade e para modificar a actividade sexual, criando uma relação entre o sexo e a reprodução e o sistema de valores de uma cultura. Quando, numa determinada sociedade, a chegada de uma criança é desvalorizada, o acto sexual que produz a criança também se desvaloriza. Note-se que os níveis de fertilidade masculina estão em queda no Ocidente e não em África, onde as crianças continuam a ser altamente valorizadas e acolhidas em amor.

Esta perspectiva sociológica ou cultural estava claramente expressada na Humanae Vitae: Sobre a Regulação da Natalidade, emitida pelo Papa Paulo VI no dia 25 de Julho de 1968, onde se lê:

«O problema da natalidade, como de resto qualquer outro problema que diga respeito à vida humana, deve ser considerado numa perspectiva que transcenda as vistas parciais – sejam elas de ordem biológica, psicológica, demográfica ou sociológica – à luz da visão integral do homem e da sua vocação, não só natural e terrena, mas também sobrenatural e eterna.»

Talvez seja chegada a hora de considerar a sociologia em torno da cultura de «direitos reprodutivos» que criámos – a cultura de contracepção que o Ocidente abraçou. Temos de nos questionar sobre o eventual custo psíquico de uma cultura em que a contracepção e o aborto são de tal forma importantes que o Obama Care procurou obrigar todos os empregadores – incluindo instituições religiosas – a fornecer aos seus funcionários seguros de saúde que incluíam cobertura para medicamentos contraceptivos e abortivos para todos.

É importante realçar que estes declínios de fertilidade começaram a registar-se em 1971 com o surgimento da pílula contraceptiva e liberalização do aborto a pedido através de Roe v. Wade. Será que, tal como na distopia de James, há um preço psíquico a pagar quando começamos a partir do princípio que podemos controlar todos os aspectos das nossas vidas? Será possível que tenhamos sobrecontrolado a nossa própria fertilidade?





A poluição da nossa vida comum com a pílula



Matthew Hanley, Actualidade Religiosa, 2 de Agosto de 2017

Há um aluno da Universidade de Arizona que acha que é um hipopótamo. Ora aí está uma frase que nunca imaginei escrever. Define-se como um «tranimal».

Normalmente qualquer leigo o poderia diagnosticar – mesmo sem lhe pôr os olhos em cima e sem qualquer medo de negligência – como non compôs mentis. Mas já fomos todos avisados, à medida que estes desvarios aumentam em número, que qualquer forma de «auto-identificação» deve ser validada.

Basta perguntar ao professor canadiano que tem sido perseguido incansavelmente por se recusar a alinhar com a ditadura dos pronomes. Os seus superiores insistem que ele use invenções gnósticas como Ze, Hir, Xe, Verself, etc., em vez dos pronomes ingleses comuns (he, she, hers, etc.), sempre que alguém considera que os reflexos gramaticais da realidade biológica sejam demasiado restritivos.

Tendo em conta que os advogados têm achado por bem forçar as massas a aceitar estas ilusões (e bem antes disto já eramos lamentavelmente litigiosos), temo pelo futuro da Universidade de Arizona. Há claramente um processo no horizonte – se não contra a universidade, então contra quem alimenta o hipopótamo. Eu já tive a sorte de ver hipopótamos em liberdade e sei que todas as reservas naturais insistem que é proibido e punível por lei alimentar animais selvagens. Como é que vai ser quando a exaltação da autonomia no ramo da sexualidade – que chegou ao ponto de redefinir a realidade biológica – entrar em conflito com o respeito pelo ambiente? Nem deve ser uma questão. A vida selvagem fica em segundo lugar, a autonomia em primeiro.

Por falar em vida selvagem, vejamos outro exemplo deste conflito. Até envolve outro «tranimal» – na medida em que se pode referir ao fenómeno dos peixes «inter-sexo» com este termo. Estamos a falar de peixes machos que estão a desenvolver ovos nos testículos. Como é que isto acontece? Demasiado estrogénio na água; as ETAR simplesmente não conseguem lidar com a quantidade de hormonas estrogénicas que os seres humanos consomem, eliminam e enviam de volta para a natureza.

Há décadas de provas – que constam até de publicações «mainstream» como a «Nature» – de que o princípio activo da pílula (EE2), juntamente com outros estrogénios, «causa danos em larga escala no ambiente aquático, perturbando os sistemas endócrinos da vida selvagem».

No início de Julho o professor Charles Tyler da Universidade de Exeter, juntou os seus dados dramáticos ao monte crescente de provas numa palestra a um simpósio internacional patrocinado pela Sociedade Pesqueira das Ilhas Britânicas.

A apresentação chamava-se «A feminização da natureza – uma história não-natural» e era bastante técnica, mas uma das conclusões principais foi de que testes feitos em cinquenta locais diferentes revelaram que um em cada cinco peixes machos de água doce no Reino Unido tinha características femininas. Isto, juntamente com outros impactos adversos, diminui a capacidade desses peixes de se reproduzirem. Por outras palavras, o ecossistema está a levar por tabela.

Há muitos outros contaminantes implicados, como os derivados de cosméticos, plásticos e detergentes mas, tal como a pílula, estes também têm propriedades estrogénicas que contribuem para estes desequilíbrios ao nível fisiológico. Outros químicos, tais como os que se encontram nos antidepressivos, provocam alterações anormais no ramo do comportamento.

É um dado bem conhecido que a pílula é carcinogénea; mas isso pode não estar limitado ao consumo directo. Podemos estar perante um problema mais alargado, por causa dos níveis de estrogénio na água. Existe uma correlação forte – mas não, sublinho, uma causalidade comprovada – entre a utilização da pílula na sociedade e o cancro da próstata nos homens. Essa associação significativa foi detectada em todos os 88 países em que foi investigada.

Seja como for, a preocupação gerada pela realidade dos peixes inter-sexo – um exemplo inegável da conspurcação humana do ambiente – é insignificante em comparação com o furor sobre as alterações climáticas, alegadamente causadas pelo homem. Nem se dá por ela. Perante dados científicos da ciência tão inegáveis, mas tão inconvenientes como estes, é muito mais eficiente ignorar do que negar.

A mera quantidade de repercussões da pílula, a todos os níveis, que é preciso ignorar só se compreende através de um exercício voluntário do intelecto. Melinda Gates disse recentemente que a pílula é uma das maiores medidas de sempre para combater a pobreza. Talvez esteja simplesmente a ignorar o trabalho do falecido economista Julian Simon, que demoliu essa visão recorrente que, no fundo, revela uma visão de soma zero de recursos limitados, destinados a diminuir à medida que as pessoas proliferam. Uma visão temorosa, contradita por resmas de provas. Simon, por outro lado, sabia que o melhor recurso no planeta são as pessoas e defendia que é tendo mais pessoas, e não menos, que se chegará à inovação e à produtividade responsáveis pelo desenvolvimento.

O principal motor do progresso mundial é uma boa quantidade de conhecimento humano. E o melhor dos recursos é composto por pessoas esperançosas, qualificadas e animadas, usando a vontade e a imaginação para se sustentarem a elas e às suas famílias, contribuindo dessa forma para o benefício de todos.

A investigação de Simon mostrou-se tão persuasiva que a sua tese passou de contracorrente a largamente aceite hoje. Até os peixes ficariam contentes se a Sr.ª Gates passasse a ver as coisas deste modo. Esperar-se-ia que as pessoas que amam a humanidade – como a Sr.ª Gates, na qualidade de filantropa – ficariam fora de si com a perspectiva do triunfo do engenho humano sobre as aparentes contrariedades da natureza.

A Sr.ª Gates parece esperançada de que a Igreja católica esteja em vias de mudar os seus ensinamentos sobre a contracepção. Talvez saiba algo que eu não sei. É verdade que algumas pessoas têm especulado sobre alterações para coincidir com os 50 anos da «Humanae Vitae» no próximo ano.

Há muitas razões importantes e de peso sobre porque é que isso não é boa ideia, mas eu acrescentaria mais uma: A aceitação de um conhecido poluente por parte da Igreja não estaria em contradição com a admoestação de 2015 contida na «Laudato Si», de «cuidar da nossa casa comum»?





quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Os pais da ideologia «do género»: filósofos ou loucos?


Quatro dos principais promotores da ideologia de género:
Wilhelm Reich, Margaret Sanger, Michel Focault e Margaret Mead.

Jurandir Dias, IPCO, 29 de Agosto de 2017

Existe um adágio que diz: «A filosofia é uma ciência com a qual ou sem a qual o mundo permanece tal e qual». Penso o contrário, pois é ela que move o mundo das ideias e das revoluções. Ou seja, a filosofia pode ser usada tanto para o bem como para o mal. Grandes filósofos clássicos como Aristóteles e Platão inspiraram grandes doutores da Igreja como Santo Tomás de Aquino e Santo Agostinho. Contudo, foram filósofos como Rousseau, Montesquieu, Voltaire, Locke, Diderot e D’Alembert, por exemplo, que inspiraram a Revolução Francesa.

Tratando-se de certos filósofos modernos, seria melhor que tal ditado fosse verdadeiro. Pessoas desprovidas de qualquer senso moral, tanto pelo exemplo das suas vidas como pelas suas ideias, instilam o seu veneno na sociedade. Pior ainda, tais «pensadores» são objectos de estudos nas escolas e universidades actuais. Falo principalmente de quatro dos principais promotores da ideologia de género: Wilhelm Reich, Margaret Sanger, Michel Focault e Margaret Mead.

A ideologia de género, teoria sem base na ciência e na natureza humana, teve como principais idealizadores pessoas que muitas das quais foram parar ao manicómio, suicidaram-se ou tentaram suicídio. Assim, comenta Javier Torres no site actuall.com:

«É como se alguém tivesse aberto as portas do manicómio e as teorias dos seus loucos mais célebres se convertessem em doutrinas mundiais.

«Não há nada objectivo – nem sequer a diferenciação biológica XX e XY, oh cromossomas fascistas! – que determina se somos homem ou mulher. Cada um, e só cada um, decide o que é.

«Tudo se pode negar porque não há nada fora de nós que seja objectivo, dizia Friedrich Nietzsche, o filósofo que inspirou grande parte dos ideólogos de género.»

Nietzsche, que disse que Deus morreu, terminou os seus dias num manicómio. Ele está morto. Deus, porém, é eterno. «¡Dios no muere!», escreveu com o próprio sangue no chão, após cair apunhalado, o presidente-mártir do Equador, Gabriel Garcia Moreno.

*       *         *

O médico Wilhelm Reich, marxista e grande idealizador da revolução sexual, praticava o vício solitário de maneira compulsiva desde os seis ou sete anos de idade, e inclusive a zoofilia, tendo desenvolvido um forte ódio contra a figura do pai. Na sua clínica de psiquiatria abusava das mulheres praticando as suas «terapias sexuais». Em 1957 morreu na prisão por pedofilia. Tinha sido diagnosticado com paranóia e esquizofrenia progressiva.

O filósofo francês Michel Foucault pertencia ao Partido Comunista e é considerado um dos maiores idealizadores da ideologia de género. Praticava o sadomasoquismo homossexual e consumia drogas. Tentou o suicídio em várias ocasiões, porém morreu de SIDA em 1984.

Margaret Sanger, fundadora da Planned Parenthood  a maior organização abortista dos Estados Unidos ––, abandonou os filhos por causa da sua ninfomania. Morreu em 1966, quando já era uma alcoólatra incontrolável.

A feminista Schulamith Firestone, para quem a maternidade era «a opressão radical que a mulher sofre», também sofria de esquizofrenia e passou vários anos numa clínica psiquiátrica. Em 1912 foi encontrada morta na sua residência.

Outra feminista radical foi Kate Millet. Tinha ideias maoístas e tornou-se lésbica não por impulso sexual, mas por ódio aos homens. Quando estava internada numa clínica psiquiátrica, no final da sua vida, pediu para ser vigiada durante 24 horas por causa de um impulso incontrolável ao suicídio.

Por sua vez, Elizabeth Fischer, amiga de Kate e fundadora da revista feminista americana Aphra, conseguiu suicidar-se. Outras duas feministas, Maria del Drago e Ellen Frankfurt, ambas cubanas, também cometeram suicídio.

Duas importantes feministas, Simone de Beauvoir e Margaret Meadforam excepções nesta lista macabra de suicidas.





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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A guerra dos géneros e as falsificações científicas


Mário Amorim Lopes

O pénis é uma construção social? Há uma perspectiva machista dos icebergs? Um ensaio de Mário Amorim Lopes discute a «ciência» que pretende sustentar a guerra dos géneros e o politicamente correcto.


  1. A calçada portuguesa e o machismo…
  2. …e uma perspectiva machista para o iceberg
  3. As teorias sobre o sexo como «construção social»
  4. O problema é… a Biologia
  5. O papel da escola de Frankfurt
  6. Dos livros da Porto Editora à Google
  7. A ditadura do politicamente correcto
Em 1996, o físico e professor universitário (New York University e University College of London) Alan Sokal submeteu um artigo científico para uma reputada revista de estudos culturais pós-modernos, a Social Text. Obstante a prosaica área científica, até aqui nada de surpreendente. No artigo, Sokal postula que a gravidade quântica (ramo da física teórica que procura explicar a gravidade à luz da mecânica quântica) é uma construção social e linguística, teoria que pelos vistos não surpreendeu os editores da revista, que a publicaram.

Em Maio do corrente ano, dois outros académicos, Peter Boghossian e James Lindsay, decidiram renovar a partida académica e submeteram um trabalho para a Cogent Social Sciences, revista indexada nos principais meios de divulgação científica. Defendem os autores que o órgão genital masculino, o pénis, é, em boa verdade, uma construção social. Fazem-no «através de um criticismo discursivo pós-estruturalista detalhado e do exemplo das alterações climáticas».

O artigo, referem ainda no resumo, «questiona a prevalente e prejudicial mistificação social de que os pénis são melhor entendidos como órgãos sexuais masculinos, e atribuir-lhe-á um papel mais adequado enquanto tipo de desempenho masculino». Dadaísta? Era esse um dos objectivos — testar a filtragem do nonsense na arbitragem por pares nas revistas do género. O artigo foi aceite e publicado, tendo sido removido apenas após os próprios autores fazerem a denúncia do caso.

A calçada portuguesa e o machismo…

Também eu próprio não resisti à tentação de fazer uma partida académica, que mais do que uma partida visava denunciar a epistemologia muito questionável desta área de estudos. Imaginei uma absurda teoria social que não podia ser falsificada, preparei um abstract e submeti para uma reputada conferência feminista sobre estudos de género.

A minha teoria era a de que a tradicional calçada portuguesa está impregnada de preceitos machistas e misóginos. Para dar consistência à teoria apresentei duas evidências: (i) as mulheres têm mais dificuldade em andar neste tipo de pavimento, especialmente as que usam saltos-altos; (ii) a calcetagem é uma profissão maioritariamente de homens, logo dominada pelo sexo masculino — a escolha da palavra dominada não foi inocente.

O engraçado desta teoria é que é um catch-22: não pode ser provada (em bom rigor epistemológico, nenhuma teoria pode ser provada), pois não tenho um registo histórico onde o inventor da calçada deixou por escrito que era esse o seu propósito; mas também não é possível falsificá-la, porque também não há evidência em sentido contrário — naturalmente que o inventor da calçada não deixou um papel escrito a dizer que a calçada não é misógina e discriminatória.

Uma dupla de académicos testou a filtragem do nonsense na arbitragem por pares nas revistas do género. O artigo foi aceite e publicado, tendo sido removido apenas após os próprios autores fazerem a denúncia do caso.

Ademais, eu poderia argumentar, à imagem do que é feito por tantos outros académicos desta área, que isso era a vontade latente, ainda que não expressa ou assumida, que resulta de o calceteiro que se lembrou de usar pedra cal branca e preta ter vivido numa sociedade patriarcal. Uma epistemologia séria e rigorosa descartaria imediatamente a minha teoria precisamente por não resultar das premissas e não ser falsificável. 

abstract foi aceite para apresentação na conferência, que teve lugar em Junho deste ano em Montreal, Canadá

.…e uma perspectiva machista para o iceberg

Se estes artigos procuram denunciar situações caricatas a que estes estudos dão origem, outros há que são efectivamente sérios, ou pretendem ser, embora frequentemente não pareçam. Por exemplo, Valerie De Craene, num artigo publicado também este ano no Journal of Gender, Place & Culture, argumenta que os geógrafos ignoram os seus corpos, a sua sexualidade e o seu erotismo, escondendo até, imagine-se, os seus desejos sexuais do resto da comunidade científica, e como tudo isto influencia a carreira de investigação. A investigadora partilha até, num exercício de reflexividade, a sua experiência como mulher-investigadora desejada, e como isso influenciou a sua carreira científica. Finalmente, o artigo tem uma secção dedicada a clubes de swing.

E se no caso da geografia se pode argumentar que a componente humana é parte integrante da área científica, pelo que não é despiciente o papel do observador no objecto ou fenómeno observado, confesso que tenho mais dificuldade em perceber de que forma é que um iceberg pode ser interpretado numa perspectiva feminista (o que implica que também existe uma perspectiva machista para o iceberg).

Mark Carey e colegas, num artigo publicado na revista Progress in Human Geography (Impact Factor 2016: 5.776), convidam-nos a estudar os icebergs usando uma framework glaciológica feminista, desta forma promovendo uma «ciência equitativa» e uma interacção «humano-gelo» mais «justa». Ou então o artigo de Teresa Lloro-Bidart, publicado na revista Gender, Place & Culture — A Journal of Feminist Geography, onde a autora argumenta que uma determinada estirpe de esquilos originária da zona de Los Angeles é vítima de racismo e discriminação generalizada por parte dos media, pois estes alimentam-se do lixo doméstico e de outros detritos humanos. A autora postula esta conjectura recorrendo, palavras da própria, a «teorias feministas pós-humanistas» e a «estudos feministas de alimentação».

As teorias sobre o sexo como «construção social»

O que tem isto tudo a ver com o recente episódio que envolveu a Porto Editora, dois malfadados livros que «perpetuam o papel e a discriminação de género», a intervenção de uma entidade chamada «Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género» e este longo prelúdio? Infelizmente, muito. Toda a teoria que sustenta a tese da igualdade de género está assente em teorias sociológicas que radicam precisamente do mesmo corpo científico, neste caso a do construcionismo social, e para as quais é completamente alheia, e até dispensável, o contributo da biologia. Tudo é um artefacto social, e não é menos artefacto o sexo das pessoas.

O conceito de «género», que procura substituir o antiquado «sexo» que a biologia havia determinado, é então uma construção social, que subleva a importância da genitália e de outros determinantes fisiológicos e neurológicos, e os condiciona àquilo que é o devir social do indivíduo na sociedade.

Se isto parece um mero apetrecho discursivo para promover a inclusão daqueles que nascem fora da concepção binária de sexo, na verdade esta ideia de que o género é um papel que se escolhe e atribui pode ter nefastas consequências. Na Noruega, nos anos 70, as crianças hermafroditas e transsexuais, as quais fruto de uma disfunção genética não era possível determinar, à nascença, o sexo preponderante, viam o seu género ser escolhido pelos pais. Afinal, se o género é uma construção social, sendo a genitália uma pequena diferença anatómica sem relevo neurobiológico, então era indiferente se seriam homens ou mulheres.

Em alguns casos a cirurgia de mudança de sexo era efectuada antes mesmo de atingirem a puberdade, quando alterações hormonais posteriores acabavam por tornar preponderante um dos sexos. A natureza discorda, e foram demasiados os casos de crianças cujo género escolhido pelos pais afinal não era aquele no qual elas se identificavam mais tarde.

Toda a teoria que sustenta a tese da igualdade de género está assente em teorias sociológicas que radicam precisamente do mesmo corpo científico, neste caso a do construcionismo social, e para os quais é completamente alheia, e até dispensável, o contributo da biologia.

Assim, e à luz das teorias vigentes dos estudos de género, a única coisa que separa homens e mulheres é o papel que alguém, geralmente os pais e a família, no limite a sociedade, lhes atribuiu. Tradicionalmente, a sociedade ocidental era patriarcal e misógina, tendo atribuído um papel secundário à mulher. Esta «heteronormatividade patriarcal», como os estudiosos desta área lhe chamam, condicionou todas as escolhas subsequentes, pelo que as diferenças entre géneros resultam de um devir sociológico que as criou. Desta forma, se o rapaz escolhe uma bola ou uma espada e a rapariga uma princesa é porque sempre foi esse o papel social que foi atribuído a cada um dos géneros, mas poderia ser o exacto oposto. Ou assim pensam alguns cientistas sociais.

O problema é… a Biologia

A história terminaria aqui não fosse a biologia, a psicologia evolutiva e as neurociências, que teimam em encontrar diferenças fisiológicas e neurológicas entre os sexos. Em estudos efectuados com recém-nascidos, que ainda estão num estágio de desenvolvimento cognitivo pré-social e como tal ainda não são influenciados pelo meio, verifica-se que existem preferências inatas e inerentes ao sexo pelo tipo de brinquedo que escolhem (Jadva, Hines, & Golombok, 2010; Alexander, Wilcoxm & Woods, 2009). Isto é, a esmagadora maioria dos rapazes tende a escolher brinquedos tipicamente masculinos (heróis e vilões, carros e bolas) e as raparigas brinquedos tipicamente femininos (princesas, casas de bonecas).

Esta evidência mantém-se para diferentes países e culturas, assim como para diferentes períodos temporais (são analisadas várias coortes). A excepção? As meninas que nascem com uma anomalia endócrina que as faz produzir testosterona a níveis típicos dos rapazes. Nesse caso as meninas escolhem brinquedos tipicamente masculinos (Berenbaum & Hines, 1992).

Mais fascinante ainda, há estudos que mostram que os nossos primos biológicos mais próximos, os primatas, exibem exactamente as mesmas preferências «estereotipicamente sexistas», na terminologia dos defensores da teoria de género, que nós, humanos — ou isso, ou há mesmo determinantes biológicos que condicionam as escolhas (Hassett, Siebert, & Wallen, 2008; Alexander & Hines, 2002).

Não é absoluto que homens e mulheres sejam iguais, queiram ser iguais, tenham as mesmas preferências ou queiram ter as mesmas preferências.

A ideia de que pode existir um livro que traduz melhor as preferências femininas e outro que traduz melhor as preferências masculinas não é, portanto, descabida. Não é absoluto que homens e mulheres sejam iguais, queiram ser iguais, tenham as mesmas preferências ou queiram ter as mesmas preferências. Arrumado este ponto, há quem argumente que, vis-à-vis, o livro para meninas tem 3 exercícios mais complexos do que o dos rapazes, enquanto que o dos rapazes tem 6. Ou seja, os autores estariam a assumir que as raparigas são menos inteligentes.

Esta conclusão não está longe da teoria estapafúrdia das pedras da calçada portuguesa serem machistas. Cada livro tem mais de 80 exercícios, 160 se considerarmos os dois. Falamos, portanto, de uma diferença no grau de dificuldade em 1.875% dos exercícios, o que só por má-fé se pode achar que foi deliberado, e não um acaso estatístico. Novamente, a tese não pode ser falsificada. É a palavra dos autores contra a dos que lançaram o auto-de-fé.

O papel da escola de Frankfurt

Mas a maior crítica é a de que os livros promoviam a «discriminação de género». Dado que os sexos são efectivamente diferentes, podemos assumir que se tratam dos partidários da teoria da igualdade de género (se por esta altura acha que isto do igualitarismo de género lembra teorias económicas e sociais marxistas, não é por acaso — quase todo o trabalho sobre estudos de género tem origem intelectual na escola de Frankfurt, onde se sediavam conhecidos filósofos alemães que procuravam complementar o marxismo clássico com uma teoria crítica, antipositivista, e de onde é originário o politicamente correcto discursivo). A discordância é de salutar, especialmente no meio académico.

A universidade reúne várias escolas, e até nas ciências naturais existem teorias que são mutuamente exclusivas. É desta dialéctica de correntes de pensamento que o conhecimento progride. Nem todo o novo conhecimento é cumulativo, no sentido em que resulta de um pequeno acrescento face ao postulado anteriormente — bem pelo contrário, arriscaria dizer que os grandes saltos resultam sempre de mudanças de paradigma radicais (Copérnico, Newton, Darwin, Einstein, etc.).

A Porto Editora disputa o mercado dos livros escolares, e certamente não quer comprar uma guerra. A dimensão do país, ou a falta dela, por vezes obriga à subserviência ao poder político.

O fenómeno seria inconsequente, ou até um bom pretexto para promover a discussão, não tivesse a Porto Editora, após «recomendação» da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, tutelada pelo Governo, retirado os livros do mercado. Recomendação de jure, obrigação de facto, porque a Porto Editora disputa o mercado dos livros escolares, e certamente não quer comprar uma guerra. A dimensão do país, ou a falta dela, por vezes obriga à subserviência ao poder político.

Dos livros da Porto Editora à Google

Este incidente com a Porto Editora não é caso isolado. Ainda recentemente, James Damore, engenheiro informático da Google com um mestrado em sistemas de biologia de Harvard, escreveu um ensaio de 10 páginas onde fundamenta, de uma forma racional e amparada de evidência científica (mas não da correcta), que existem diferenças significativas entre os sexos, e isso, argumenta, poderá explicar o porquê de as mulheres estarem sub-representadas em empresas tecnológicas.

Não o fez num estilo panfletário, fundamentou a sua posição, deu referências científicas (posteriormente confirmadas por psicólogos evolucionistas, neurocientistas e pedopsiquiatras), discutíveis certamente, mas isso era de somenos — a sua opinião era conflituante com a igualdade de género, pelo que havia que acender as fogueiras. Foi despedido.

Também recentemente, Chico Buarque, cantor brasileiro assumidamente de esquerda, foi acusado de machismo por dedicar dois versos de uma música do seu mais recente álbum a um homem que larga mulher e filhos para ir ter com a amante, e houve mesmo quem o tentasse banir no Brasil. No Reino Unido, a música Blurred Lines, do Robert Thicke e Pharell, está banida em mais de 20 universidades, pois é, dizem os alunos que intercederam, misógina. As mesmas universidades e os mesmos alunos que querem retirar dos currículos filósofos brancos, pois estes compactuaram (?) com o colonialismo. 

A possibilidade de ideias ou livros terem de ter o selo de aprovação de uma entidade é análogo àquela que era a função do Secretariado Nacional para a Informação no tempo do Estado Novo.

Em Portugal, o cantor C4 Pedro foi obrigado a retirar um videoclip do YouTube pois era, garantem as feministas portuguesas, misógino e discriminatório. Não se trata, portanto, de discórdia, de pluralismo ou de discutir ideias conflituantes, de não comprar aquilo de que não se gosta (quem desgosta dos livros tem bom remédio — não compra). Trata-se, sim, da imposição de uma determinada visão, e de cercear tudo aquilo que vá contra a corrente dominante, o que, em última análise, implica censura. É a ditadura do politicamente correcto.

A ditadura do politicamente correcto

A possibilidade de ideias ou livros terem de ter o selo de aprovação de uma entidade é análogo àquela que era a função do Secretariado Nacional para a Informação no tempo do Estado Novo. Todos os regimes despóticos, aliás, sabiam que controlar a informação, seja sob a forma de ideias, crónicas ou livros, era fundamental para regular o pensamento e as acções.

Aqueles que hoje advogam e forçam a ditadura do politicamente correcto também o sabem. Sabem que o discurso é uma forma eficaz de condicionamento e imposição social e ideológica. Mas é também censura, é também uma clara violação dos mais elementares direitos e liberdades de uma democracia liberal.

Nunca George Orwell fez tanto sentido: «Se liberdade significar alguma coisa, significa o direito de dizer aquilo que outros não querem ouvir».

Não é admissível que numa sociedade aberta e livre haja quem se ache no direito de coartar a opinião dos outros, e, mais grave ainda, de impor aquela que é a sua visão, para tal silenciando ou perseguindo politicamente. O caso da censura por parte da CIG, já de si condenável, já levou a sugestões inenarráveis como acabar com a secção de brinquedos para meninos e para meninas, como se uma menina estivesse proibida de comprar uma bola ou um Action Man, e o dia chegará em que exigirão o fim das secções de roupa para homem e para mulher.

Se é grave que aconteça no meio académico, é gravíssimo que chegue ao ponto de determinados livros serem retirados do mercado. Nunca George Orwell fez tanto sentido: «Se liberdade significar alguma coisa, significa o direito de dizer aquilo que outros não querem ouvir».





segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Alemanha: Disseminação de doenças infecciosas à medida que migrantes se instalam


Joachim Gauck, o então presidente da Alemanha, conversa com médicos na enfermaria de um centro de acolhimento de imigrantes em 26 de Agosto de 2015 em Berlim-Wilmersdorf, Alemanha.
(Foto de Jesco Denzel/Bundesregierung da Getty Images)

Soeren Kern, Gatestoneinstitute, 3 de Agosto de 2017


Tradução: Joseph Skilnik

  • Um novo estudo que acaba de ser divulgado pelo Instituto Robert Koch (IRK), principal instituição do governo federal para o monitoramento e prevenção de doenças, confirma que houve um aumento generalizado de doenças desde 2015, quando a Alemanha acolheu um número jamais visto de migrantes.
  • Os médicos afirmam que o número de casos de tuberculose é muito maior do que indicam os números oficiais e acusam o IRK de minimizar a ameaça com o intuito de evitar deitar mais lenha na fogueira nos sentimentos anti-imigração.
  • «Foram enviados de 700 mil a 800 mil pedidos de asilo e 300 mil refugiados desapareceram. Eles foram verificados? Eles são de países de alto risco?» — Carsten Boos, cirurgião ortopedista, entrevistado pela revista Focus.
A um candidato a asilo do Iémen, que teve o visto negado, foi cedido abrigo numa igreja no norte da Alemanha para evitar que fosse deportado, ao que tudo indica, por ter infectado mais de 50 crianças alemãs com uma substância altamente contagiosa de tuberculose.

O homem, a quem foi dado abrigo numa igreja em Bünsdorf, entre Janeiro e Maio de 2017, tinha frequente contacto com as crianças, algumas com menos de três anos de idade, que frequentavam uma creche nas dependências do abrigo. Ele deu entrada num hospital em Rendsburg em Junho e posteriormente diagnosticado com tuberculose – uma doença que só recentemente chamou a atenção dos alemães.

As autoridades sanitárias locais dizem que, além das crianças, pais e professores, bem como paroquianos também estão a passar por exames para o diagnóstico da doença, que pode aparecer meses ou mesmo anos após a exposição. Ainda não está claro se o homem passou pelos devidos exames médicos assim que chegou à Alemanha ou se ele é uma das centenas de milhares de migrantes que entraram sorrateiramente.

A ameaça de um surto de tuberculose dirigiu mais uma vez o holofote sobre a intensificação do risco de doenças infecciosas na Alemanha, desde que a chanceler Angela Merkel permitiu a entrada de cerca de dois milhões de migrantes de África, Ásia e Médio Oriente.

Um novo estudo que acaba de ser divulgado pelo Instituto Robert Koch (IRK), principal instituição do governo federal para o monitoramento e prevenção de doenças, confirma que houve um aumento generalizado da doença desde 2015, quando a Alemanha acolheu um número jamais visto de migrantes.

Relatório Epidemiológico Anual de Doenças Infecciosas – publicado em 12 de Julho de 2017 apresenta dados sobre a situação das mais de 50 doenças infecciosas existentes na Alemanha em 2016 – proporciona o primeiro vislumbre sobre as consequências na saúde pública do gigantesco influxo de migrantes ocorrido no final de 2015.

O estudo revela uma alta na incidência da conjuntivite adenoviral, botulismo, varíola, cólera, criptosporidiose, dengue, equinococose, Escherichia coli enterohemorrágica, giardíase, hemofilia, influenza, hantavírus, hepatite, febre hemorrágica, HIV/AIDS, hanseníase, febre recorrente, malária, sarampo, doença meningocócica, meningoencefalite, caxumba, paratifoide, rubéola, disenteria bacteriana, sífilis, toxoplasmose, triquinose, tuberculose, tularemia, tifo e coqueluche.

A Alemanha − pelo menos até agora − desvencilhou-se do pior dos mundos: a maioria das doenças tropicais e exóticas trazidas para o país pelos migrantes foram contidas, não há registo de pandemias. As doenças mais comuns, no entanto, muitas das quais estão directamente ou indirectamente ligadas à migração em massa estão aumentando, de acordo com o estudo.

A incidência da hepatite B, por exemplo, saltou 300% nos últimos três anos, segundo o IRK. O número de casos registados na Alemanha foi de 3 006 em 2016, um salto dos 755 casos ocorridos em 2014. A maioria dos casos, segundo consta, limita-se a migrantes não vacinados do Afeganistão, do Iraque e da Síria. A incidência de sarampo na Alemanha saltou em mais de 450% entre 2014 e 2015, o número de casos de varíola, meningite, caxumba, rubéola e coqueluche também aumentou. Os migrantes também representaram pelo menos 40% dos novos casos de HIV/AIDS identificados na Alemanha desde 2015, de acordo com outro relatório do IRK.

É possível que as estatísticas do IRK revelem apenas a ponta do iceberg. O número de casos registados de tuberculose, por exemplo, foi de 5 915 em 2016, um salto dos 4 488 casos em relação a 2014, um aumento de mais de 30% naquele período. Há médicos, no entanto, que acreditam que o número de casos de tuberculose é muito maior e acusam o IRK de minimizar a ameaça, com o intuito de evitar deitar mais lenha na fogueira nos sentimentos anti-imigração.

Em entrevista concedida à revista Focus, Carsten Boos, cirurgião ortopedista, alertou que as autoridades alemãs desconhecem o paradeiro de centenas de milhares de migrantes que podem estar infectados. Acrescentou que 40% de todos os agentes patogénicos da tuberculose são resistentes a múltiplos fármacos e, portanto, inerentemente perigosos para a população em geral:

«Quando os candidatos a asilo vêm de países com alto risco de infecção pela tuberculose, o IRK, sendo o mais alto órgão alemão de protecção contra infecções, não deveria minimizar o perigo. Um instituto federal usa de correcção política para encobrir a desagradável realidade?

«Os média denunciam que em 2015 a polícia federal registou a entrada de cerca de 1,1 milhões de refugiados. Foram enviados de 700 mil a 800 mil pedidos de asilo e 300 mil refugiados desapareceram. Eles foram verificados? Eles são de países de alto risco?

«A impressão que se tem no IRK é que não há comunicação entre os departamentos».

Os jornais alemães publicaram uma série de artigos sobre a dimensão na crise da saúde pública em relação aos migrantes. Os artigos frequentemente citam profissionais da saúde com experiência em primeira mão no tratamento de migrantes. Muitos admitem que a migração em massa aumentou o risco de surgimento de doenças infecciosas na Alemanha. Algumas manchetes:

«Refugiados Muitas Vezes Trazem Doenças Desconhecidas ao País Anfitrião», «Refugiados Trazem Doenças Raras a Berlim», «Refugiados em Hesse: Volta de Doenças Raras», «Refugiados Muitas Vezes Trazem Doenças Desconhecidas para a Alemanha», «Especialistas: Refugiados Trazem Doenças 'Esquecidas'» «Triplica o Número de Casos de Hepatite B na Baviera», «Casos de Solitária na Alemanha Aumentam Mais de 30%», «Doenças Infecciosas: Refugiados Trazem Tuberculose», «Tuberculose na Alemanha em Ascensão Novamente, Principalmente nas Grandes Cidades: Causadas pela Migração e pela pobreza», «Refugiados Trazem Tuberculose», «Mais Doenças na Alemanha: Tuberculose está de volta», «Profissional da Saúde Teme Volta da Tuberculose Devido à Onda de Refugiados», «Acentuado Aumento de Tuberculose em Baden-
Württemberg: Migrantes Frequentemente Afectados», «Especialista: Política de Refugiados Responsável pelo Surto de Sarampo», «Sarna em Alta na Região do Reno, Norte da Westphalia», «Doenças Quase Esquecidas como a Sarna Voltam à Bielefeld», «Você Entra em Contacto com Refugiados? Fique Atento» e «Refugiados: Ampla Gama de Doenças». 

No auge da crise dos migrantes em Outubro de 2015, Michael Melter, médico-chefe do Hospital Universitário de Regensburg, relatou que estavam a chegar migrantes ao hospital com doenças que quase nunca foram vistas na Alemanha. «Algumas delas eu não via há 20 ou 25 anos», destacou, «muitos dos meus colegas mais novos nunca as viram».

Marc Schreiner, director de relações internacionais da Federação Alemã de Hospitais (Deutschen Krankenhausgesellschaft), repercutiu a inquietação de Melter:

«Nos postos de saúde é cada vez mais comum ver pacientes com doenças consideradas erradicadas na Alemanha, como por exemplo a sarna. Essas doenças devem ser diagnosticadas de forma confiável, o que é um desafio».

Christoph Lange, especialista em tuberculose do Centro de Pesquisa Borstel, afirmou que os médicos alemães não estavam familiarizados com inúmeras das doenças importadas pelos migrantes: «seria positivo se as doenças tropicais e outras doenças raras no nosso meio tivessem um papel mais importante na aprendizagem dos médicos».

A Sociedade Alemã de Gastroenterologia, Doenças Digestivas e Metabólicas realizou recentemente um congresso de cinco dias em Hamburgo para ajudar profissionais da saúde a diagnosticarem doenças raramente vistas na Alemanha. 
Entre elas encontram-se:
  • Febre Recorrente: no decorrer dos últimos dois anos, pelo menos 48 pessoas foram diagnosticadas com febre recorrente na Alemanha, doença desconhecida no país antes da crise migratória de 2015 de acordo com o relatório do IRK. A doença, que é transmitida por piolhos alojados no vestuário, é lugar comum nos migrantes da África Oriental que estavam a caminho há meses para aportarem na Alemanha com a mesma roupa no corpo. «Já tínhamos esquecido a febre recorrente», assinalou Hans      Jäger, médico que trabalha em Munique. «A doença leva a óbito até 40% dos enfermos se não for diagnosticada e não for tratada com antibióticos. Os sintomas são parecidos com os da malária: febre, dor de cabeça, erupção cutânea».
  • Febre de Lassa: em Fevereiro de 2016 um paciente que a havia contraído no Togo, África Ocidental, foi tratado e faleceu na Alemanha. Após a sua morte, uma infecção pelo vírus de Lassa foi confirmada noutra pessoa que teve contacto profissional com o corpo do falecido. O paciente ficou de quarentena e sobreviveu. Esta foi a primeira transmissão documentada do vírus de Lassa na Alemanha.
  • Dengue: Quase mil pessoas foram diagnosticadas com dengue, doença tropical transmitida por um mosquito, na Alemanha em 2016. Isto constitui um salto de 25% desde 2014, quando 755 pessoas foram diagnosticadas com a doença.
  • Malária: o número de pessoas diagnosticadas com a malária subiu dramaticamente em 2014 (1 007) e 2015 (1 063), caindo ligeiramente em 2016 (970). A maioria dos infectados contraiu a doença em África, principalmente na República dos Camarões, Gana, Nigéria e no Togo.
  • Equinococose: entre 2014 e 2016, mais de 200 pessoas na Alemanha foram diagnosticadas com a Equinococose, uma verminose. Isso representa uma subida de cerca de 30%. Os enfermos contraíram a doença no Afeganistão, Bulgária, Grécia, Kosovo, Iraque, Macedónia, Marrocos, Síria ou Turquia.
  • Difteria: entre 2014 e 2016 mais de 30 pessoas foram diagnosticadas com difteria na Alemanha. Os infectados contraíram a doença na Etiópia, Eritreia, Líbia, Sri Lanka ou Tailândia.
  • Sarna: entre 2013 e 2016 o número de pessoas diagnosticadas com sarna na região do Reno, Norte da Westphalia subiu quase 3 000%.
Enquanto isso, a Alemanha está diante de um surto de sarampo que as autoridades sanitárias ligaram à imigração da Roménia. Cerca de 700 pessoas foram diagnosticadas com sarampo na Alemanha nos primeiros seis meses de 2017, em comparação com 323 casos em 2016, de acordo com o Instituto Robert Koch. O surto de sarampo espalhou-se em todos os 16 estados da federação alemã excepto em Mecklenburg-Vorpommern, este estado com uma população migrante extremamente reduzida.

O epicentro da crise de sarampo encontra-se na região do Reno, Norte da Westphalia (NRW sigla em inglês), estado mais populoso da Alemanha e também o estado com o maior número de migrantes. Cerca de 500 pessoas foram diagnosticadas com sarampo na NRW nos primeiros seis meses de 2017. A maioria dos casos foi registada em Duisburg e Essen, onde uma mãe de 37 anos de idade, com três filhos faleceu em Maio, em consequência da doença. Surtos de sarampo também foram registados em Berlim, Colónia, Dresden, Hamburgo, Leipzig, Munique e Frankfurt, onde um bebé de nove meses foi diagnosticado com a doença.

No dia 1 de Junho de 2017, o Parlamento Alemão aprovou uma nova lei, polémica, exigindo que jardins de infância informem as autoridades alemãs caso os pais não apresentem provas que consultaram um médico acerca da vacinação dos seus filhos. Os pais que se recusarem a cumprir a lei estarão sujeitos a pagar uma multa de US$2 850. «Não podemos ser indiferentes ao facto das pessoas ainda estarem a morrer de sarampo» destacou o ministro da Saúde da Alemanha Hermann Gröhe. «É por isso que estamos a endurecer a regulamentação no tocante à vacinação».

Há quem diga que a nova lei não é suficientemente rigorosa. Há quem defenda que as vacinas devam ser obrigatórias para todos na Alemanha. Outros dizem que a lei está a ir longe demais e que infringe a privacidade garantida pela constituição alemã. Acrescentam que os pais, não o governo, devem decidir o que é melhor para os seus filhos. Persistem as consequências da política de portas abertas para a imigração da chanceler Merkel.