segunda-feira, 15 de maio de 2017
sexta-feira, 12 de maio de 2017
É bom conhecermos a verdadeira Marine Le Pen (1): abortista
A eurodéputée Sophie
Montel do FN, que preside ao groupe frontistea no Conselho Regional de
Bourgogne-Franche-Comté, pronunciou um discurso centrado no «direito das mulheres», apoiando o aborto:
«Nous ne faisons pas du vieux conservatisme en reprenant à notre compte des combats d'arrière-garde. Nous sublimons la femme, nous défendons la libre disposition de son corps qui passe naturellement par la sanctuarisation de la contraception et la non-remise en cause de l'avortement. Oui, mes amis, le Front national défend le droit de la femme à disposer de son corps.»
«Tens razão, Sophie» — exclama Marine
Sophie Montel foi aplaudida por parte da sala e assobiada por outra. Esta passagem soa a ataque a Marion Maréchal-Le Pen, sobrinha de Marine Le Pen, e que tem sobre este assunto uma posição totalmente contrária. Marion refere-se à «banalização do aborto».
No seu discurso, Marine Le Pen disse a Sophie Montel: «Tens razão, Sophie».
«Nous ne faisons pas du vieux conservatisme en reprenant à notre compte des combats d'arrière-garde. Nous sublimons la femme, nous défendons la libre disposition de son corps qui passe naturellement par la sanctuarisation de la contraception et la non-remise en cause de l'avortement. Oui, mes amis, le Front national défend le droit de la femme à disposer de son corps.»
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| Marine Le Pen e a eurodéputée Sophie Montel do FN, que preside ao groupe frontistea no Conselho Regional de Bourgogne-Franche-Comté |
«Tens razão, Sophie» — exclama Marine
Sophie Montel foi aplaudida por parte da sala e assobiada por outra. Esta passagem soa a ataque a Marion Maréchal-Le Pen, sobrinha de Marine Le Pen, e que tem sobre este assunto uma posição totalmente contrária. Marion refere-se à «banalização do aborto».
No seu discurso, Marine Le Pen disse a Sophie Montel: «Tens razão, Sophie».
terça-feira, 2 de maio de 2017
terça-feira, 25 de abril de 2017
Prazeres que conduzem à psicose, distracções que preparam para o trabalho
Plinio Corrêa de Oliveira, IPCO, 23 de Abril de 2017
Todos os sociólogos deploram a exagerada concentração demográfica nos grandes centros modernos. E apontam como uma das razões deste facto a atracção que as diversões das cidades muito desenvolvidas exercem sobre a alma simples do homem do campo.
Iluminação pública esplêndida, zona comercial muito movimentada de dia, decorada de vitrines resplandecentes à noite, cinemas com anúncios aliciantes, bares, boîtes, confeitarias, restaurantes, botequins de rádio violentamente sintonizado e coruscantes luzes, enfim atracções para todos os gostos, todas as bolsas, todos os vícios. É hoje o quadro já trivial, das megalópoles modernas, de que o Rio de Janeiro e São Paulo nos oferecem o exemplo típico.
As atracções deste género são feitas para excitar, empolgar, pôr em desvario as pessoas. Elas criam uma sede de prazeres sempre mais violentos, emoções sempre mais fortes, vibrações sempre mais intensas. E é assim que «descansa» um pobre homem que trabalhou intensamente o dia todo.
A distensão dos prazeres castos e calmos do lar, ou de uma vida razoável, temperante, tranquila, parecem aos viciados em excitações, das megalópoles, de um tédio insuportável.
E, assim, só a intemperança, a excitação e o vício divertem. É de admirar que neste ambiente sejam tantos os pecados e tão terríveis as psicoses?
A nossa fotografia apresenta um dos mil, ou antes dos milhões de aspectos que esta excitação apresenta. Lado a lado, um jovem robusto urra num rictus que tem um quê de entusiasmo, um quê de gemido, um quê de imprecação, uma jovem sorri deliciada, enlevada, como que sentindo escorrer um deleite interior em todos os seus nervos, e outro jovem, sumamente atento, utiliza uma revista como corneta. São três jovens que «descansam» divertindo-se. Com o quê? Um match? Um torneio? Não… ouvem um jazz!
Aí está uma manifestação extrema de um facto psicológico que em proporções mais discretas é comum. Se assim se vibra com o jazz, que dizer das vibrações provocadas pelo cinema, pela rádio e pelo desporto? Não é assim precisamente, que as almas acabam por perder o gosto do lar e do trabalho, ou por cair na psicose?
* * *
Num botequim popular de uma aldeia alemã, terminada a faina diária, cinco camponeses divertem-se, a ouvir uma leitura, comentada, que um deles lhes faz, à luz de um candeeiro. Homens de meia idade, fortes, calmos, que encontram um prazer inteligente e cheio de espírito, nesta coisa tão agradável e tão simples que é uma leitura feita com «verve» numa roda de companheiros que sabem analisar, comentar e sorrir. Prazer sem gastos, tranquilo e tonificante, que distrai sem viciar, e prepara o homem para novos esforços, por uma sábia distensão.
Note-se que não se trata de intelectuais, mas de simples camponeses, os quais ainda apreciam este prazer supremo dos antigos, hoje quase extinto, isto é, uma boa conversa.
Mas este ambiente espirituoso e recto tem de resultar de condições gerais da vida. Se estes homens tivessem passado o dia inteiro a trabalhar num ambiente trepidante, se tivessem viajado horas num comboio de subúrbio, se ao lado da sua calma e decente «brauerei» houvesse um cinema «deslumbrante», e o rádio do botequim vizinho estivesse a encher o quarteirão com as notícias perturbadoras da política, ou das crises económicas, descrevendo o último crime, ou difundindo um jazz «electrizante», poderiam eles conversar e descansar assim?
Não há algo de muito profundo a mudar, nestas condições gerais da existência hodierna?
domingo, 16 de abril de 2017
Adopção de crianças por homossexuais:
razões para o não
Pe. João Paulo Pimentel
O primeiro problema decorrente da adopção de crianças por pares homossexuais deriva do facto de se ter chamado «casamento» a tais uniões. Como bem esclarecia um documento da Congregação para a Doutrina da Fé de 3 de Junho de 2003, «não existe nenhum fundamento para equiparar ou estabelecer analogias, mesmo remotas, entre as uniões homossexuais e o plano de Deus sobre o matrimónio e a família» (n.º 4). Aliás, a insistência, por parte de uma minoria (ainda que ruidosa e financeiramente poderosa), para viabilizar a adopção nestes moldes deve-se, em boa parte, à vontade de conquistar uma maior legitimidade social para as próprias uniões homossexuais. As crianças são um meio em vista de um objectivo ideológico.
Quando a sociedade afirma que uma união homossexual pode ser um casamento está a evidenciar que, pelo caminho, perdeu valores fundamentais:
- Perdeu a consciência da riqueza da diferenciação sexual;
- Perdeu o significado profundo do corpo, que pode expressar um amor de doação precisamente porque há um outro que é diferente e complementar;
- Perdeu o nexo entre a união conjugal e a procriação como se esta fosse um acidente da anterior que talvez uma vez na vida possa suceder;
- Perdeu o significado da entrega do próprio «eu» no acto conjugal que é visto apenas como um disfrutar mutuamente um com o outro;
- Perdeu a consciência da existência de uma união entre um homem e uma mulher que é para toda a vida e tem a chancela divina;
- De facto, perdeu a consciência de que há um plano de Deus para o amor humano entre um homem e uma mulher e de que esse plano é essencial para as felicidades terrena e eterna.
I.
Razões essenciais
1. O bem da criança é secundarizado
O segundo princípio da Declaração Universal dos Direitos da Criança estabelece que, quando se formulam leis relacionadas com a criança, a consideração fundamental a que se deve atender é ao interesse superior da mesma: «Tomar-se-á exclusivamente em conta o bem da própria criança». Permitir a adopção para «consolar» pares homossexuais é inverter a lógica da adopção. Em tais casos, as crianças são vistas como um meio para satisfazer esses pares, os quais chegam ao ponto de reclamar o «direito» a ter crianças.
Há muitos casais heterossexuais dispostos a adoptar crianças sem o conseguirem; não faltam homens e mulheres para adoptar. A finalidade da adopção é proteger a criança desamparada, não a satisfação de adultos que não podem gerar. Além disso, a adopção deve imitar a natureza (adoptio imitat naturam), e a criança é naturalmente gerada por um homem e por uma mulher.
A adopção por homossexuais acaba por consagrar o princípio de que as crianças são, no fundo, propriedade dos «pais» ou «mães» (de quem o Estado considere «pais» ou «mães»). Deste modo, não é garantido às crianças, na prática, o protagonismo das suas vidas. Todos deveríamos responder honestamente a perguntas como as que se seguem: que família será melhor para esta criança? No caso de eu morrer, a que tipo de pessoas gostaria que os meus filhos fossem confiados?
2. Ausência de modelos próximos de ambos os sexos
A criança fica domesticamente privada, de modo deliberado, do enriquecedor contributo da diversidade masculina e feminina. Ela necessita de um pai e de uma mãe, nomeadamente para se identificar com a pessoa do seu sexo e para aprender acerca do respeito, do afecto e da complementaridade que a pessoa do outro sexo pode proporcionar. Várias pessoas educadas com dois pais ou com duas mães queixaram-se de que não aprenderam, na prática, como se lida com pessoas do outro sexo. A criança que vive num lar habitado por homossexuais não tem a experiência real, em casa, das diferenças entre o homem e a mulher. Pelo contrário: aprende erroneamente que são irrelevantes tanto as diferenças sexuais quanto a atracção por pessoas do outro sexo.
3. Dificuldade acrescida para conhecer Deus
Para os que são crentes, vale a pena pensar nas razões teológicas que desaconselham este tipo de adopções. Para conhecer Deus – que tem «coração» de pai e de mãe –, é fundamental conhecer a fundo a riqueza da diversidade sexual. Sem essa experiência, dificulta-se muito um conhecimento mais verdadeiro de Deus. Que sentido fará para uma criança adoptada por dois homens as palavras de Isaías: «Acaso pode uma mulher esquecer-se do seu bebé, não ter carinho pelo fruto das suas entranhas? Ainda que ela se esquecesse dele, Eu nunca te esqueceria» (Is 49, 15)?
Claro que esta lacuna também sucede, em parte, nas crianças que perderam o pai ou a mãe. No entanto, nestes casos, elas aprendem desde muito cedo que falta «algo» nas suas vidas: a experiência da paternidade ou da maternidade. Não lhes é dito que a paternidade ou a maternidade são supérfluas.
4. Mensagem de que o outro sexo é irrelevante
Quando admite a possibilidade da adopção por duas pessoas do mesmo sexo, o Estado está a afirmar implicitamente que o outro sexo não é relevante na formação das crianças. Como se sentirá uma mulher a quem é dito, pelas «leis» e por costumes práticos, que a sua condição de mãe é pouco relevante na formação das crianças? E como se sentirá um pai a quem é dito que a sua condição de pai é dispensável?
Este argumento é desenvolvido no seguinte testemunho (consultado online a 27 de Dezembro de 2015):
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Doug Mainwaring |
Do ponto de vista moral, o facto de as crianças serem habituadas desde cedo a conviverem com uma situação gravemente pecaminosa (um dos pecados que, nos catecismos antigos, de modo pedagógico, se incluía entre aqueles que «clamam aos Céus») levá-las-á a tomar por bom o que é mau. A indução desse erro moral é um escândalo no sentido próprio do termo. E Jesus é bem claro a este respeito: «Quem escandalizar um destes pequeninos que creem em Mim, melhor lhe fora que lhe pendurassem ao pescoço a mó de um moinho e que o lançassem ao fundo do mar. Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai daquele homem por quem vem o escândalo!» (Mt 18, 6-7).
6. Constatação precoce da condição de ser adoptado
É preferível não precipitar a informação que se dá a uma criança adoptada sobre a sua situação, para se evitar que ela se sinta diferente das outras. Nos casos das crianças que forem adoptadas por dois homens ou por duas mulheres, será impossível mantê-las na ignorância até à idade e até ao momento mais conveniente.
II. Razões empíricas
1. Riscos de instabilidade
Outro motivo que – sem ser o mais importante e decisivo – desaconselha este tipo de adopção é a falta de estabilidade nas uniões homossexuais. Não é que não possam dar-se excepções, mas estas são tão raras que o legislador – mesmo se não encontrasse outras razões para negar a adopção – deveria exigir uma estabilidade de vários anos antes de entregar uma criança à adopção por homossexuais. Quando um casal diz que se vai separar, os que o rodeiam sentem habitualmente pena e aconselham a uma reflexão séria antes de a separação ser consumada. No caso de pares homossexuais, haverá alguém próximo que lamente essa separação anunciada? Aliás, os próprios, quando se comprometem numa união mais pública e estável, quererão mesmo viver juntos para toda a vida?
Mas a falta de estabilidade nestes casos não decorre apenas da pouca durabilidade (a duração média do «vínculo» não costuma ser superior a três anos): é sabido que os conflitos e os comportamentos violentos entre pares homossexuais são duas a três vezes mais frequentes do que os ocorridos em casais heterossexuais; além disso, as mudanças de «companheiro» são muito frequentes, e a promiscuidade sexual é maior do que a que ocorre em casais heterossexuais. Tudo isto contribui para a instabilidade afectiva das crianças adoptadas.
2. Risco de sérios transtornos
Alguns psiquiatras afirmam que os principais riscos que correm as crianças adoptadas por homossexuais são, do ponto de vista médico, os seguintes:
- Transtornos na identidade sexual;
- Maior incidência de comportamentos homossexuais ao chegarem à adolescência (em concreto, estes sete vezes mais frequentes do que em crianças que vivem com os pais biológicos e em famílias com o pai e a mãe em casa);
- Tendências significativamente maiores para a promiscuidade sexual, transtornos da conduta, a depressão, comportamentos agressivos, a ansiedade, a hiperactividade e as insónias.
3. Outros riscos e dúvidas
Vale a pena levantar mais algumas questões, numa tentativa de convidar o leitor a reflectir:
- Quando um rapaz adoptado por dois homens sentir atracção por raparigas, estará à-vontade para o manifestar aos que dizem ser seus pais?
- Quando as crianças nessas condições se derem conta de que a maioria das pessoas tem uma atracção pelo outro sexo, como olharão para os que dizem ser seus pais?
- Não será previsível que crianças nessas situações acabem por ser malvistas pelos seus colegas?
- Que farão os pais que se vêem confrontados com um convite do colega do filho que foi adoptado por dois homens ou por duas mulheres (referimo-nos aos que desejam que os seus filhos saibam o que está bem e o que está mal)? Deixarão o filho ir a casa do colega adoptado?
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Professor Robert Oscar Lopez |
sábado, 15 de abril de 2017
O feitiço que se volta contra o feiticeiro
Jurandir Dias, Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, 13
de Abril de 2017
A empresa americana Target tornou-se alvo, literalmente, de uma
saraivada de críticas nos medias sociais após divulgar num blog,
em Abril de 2016, um anúncio favorável à ideologia de género.
Líderes da American Family Association (AFA) promoveram um boicote à
empresa através de um abaixo assinado com mais de 1,4 milhões de assinaturas.
Também foi criado a hashtag #BoycottTarget onde milhares de pessoas se
manifestaram.
O anúncio da empresa dizia: «Nós convidamos os funcionários transgéneros e clientes a
usar casas de banho ou vestiários que correspondam à sua identidade de género».
«A
política de Target é exactamente como os predadores sexuais têm acesso às suas
vítimas», disse o presidente da AFA, Tim Wildmon, numa carta
aberta. «Isso significa que
um homem pode simplesmente dizer hoje que se sente como uma mulher e entrar nas
casas de banho das mulheres… mesmo que meninas ou mulheres já estejam lá.»[i]
Wildmon insistiu para que as pessoas assinassem a
promessa de boicote, observando que a política da empresa «representa um perigo para as esposas e
filhas». Também pediu que as pessoas eventualmente lesadas se
queixem contra a política da Target, tanto junto da Polícia assim como nas
páginas do Facebook.
A campanha contra a Target, que favorece a ideologia
de género, resultou na queda do valor das suas acções ao nível mais
baixo desde 2014. O preço das acções da empresa e os seus ganhos nunca se
recuperaram desde o anúncio em 2016. De facto, as perspectivas da empresa foram
tão sombrias que, no início deste mês, a empresa fechou abruptamente alguns
importantes projectos com os quais esperava recuperar o mercado retalhista. As
vendas caíram quase 6% nos três trimestres após a publicação do post, comparado com o mesmo período do ano
anterior. No total, os lucros cairam 43%, segundo o site Chicago
Tribune.
O boicote custou à empresa milhões em vendas perdidas e
despesas adicionais. Depois do anúncio, a empresa foi obrigada a gastar
US$20 milhões na instalação de casas de banho individuais em todas as lojas.
«Isto
é o que acontece quando você ignora uma parcela significativa dos seus
clientes», observa o articulista Jim Hoft.
Apesar dos prejuízos, o CEO da Target,
Brian Cornell, numa entrevista à CNBC, insiste: «Nós tomámos uma posição, e vamos continuar a abraçar a
nossa crença de diversidade e inclusão».
Este caso da Target, com as suas
consequências, faz-nos lembrar novamente o famoso ditado francês: «Chassez le naturel, il revient au
galop.» (Cassai o natural, ele voltará a galope). Numa linguagem
popular, dizemos que é o feitiço que se volta contra o feiticeiro.
sexta-feira, 14 de abril de 2017
Torremolinos: bar aberto
Pedro Afonso, Observador, 12 de
Abril de 2017
Muitos pais têm perdido a autoridade
sobre os seus filhos, e com frequência capitulam quando é necessário impor
limites ou aplicar castigos. Ouço-os dizer, num tom resignado, que «agora é
tudo assim».
O País ficou chocado com a notícia
da expulsão de mais de um milhar de jovens devido a actos de vandalismo num
hotel de Torremolinos, onde estavam hospedados. Mas o que é que pode explicar
esta autêntica olimpíada de vandalismo e de destruição? Existem várias razões,
mas talvez a mais importante seja a ausência de uma capacidade que os clássicos
chamavam de temperança (do latim temperantia), mais recentemente
designada por autocontrolo e que faz parte da «Inteligência emocional».
Quando não se possui autocontrolo
são transferidos para o comportamento um conjunto de impulsos mais primitivos,
entre os quais se encontram a busca do prazer imediato e a violência. Nestas
idades o córtex pré-frontal ainda não atingiu a maturidade necessária para
controlar de forma adequada os impulsos e as emoções provenientes da activação
de outra estrutura nervosa chamada amígdala e que integra o sistema límbico.
Mas este aspecto não serve por si só para tornar inimputáveis os jovens, nem
tão-pouco para justificar o seu comportamento, serve apenas para reforçar a
necessidade de se defender uma educação com uma componente normativa, de modo a
serem transmitidas regras e um sentido de responsabilidade.
Neste contexto, é totalmente
incompreensível que se organize uma viagem de finalistas com o «bar aberto»,
possibilitando o consumo de bebidas alcoólicas a menores de forma totalmente
desregrada. Ora, nestas idades é o mesmo que dizer «podes beber até caíres para
o lado», e muitas vezes caem mesmo para o lado sem darem por isso. Quando se
bebe álcool o objectivo é fazê-lo de forma moderada, facilitando o convívio
social, e não propriamente beber até atingir o coma alcoólico, como
infelizmente acontece cada vez mais nestas idades.
Se o autodomínio é uma virtude, há
muitos jovens que não conseguem desenvolver esta capacidade e levam esta
limitação para a vida adulta, tornando-se pessoas imaturas, escravos dos
próprios desejos, com grandes dificuldades de adaptação e com poucas
probabilidades de sucesso na sua vida familiar, social e profissional.
Nas últimas décadas houve uma
tendência para se implementar modelos educativos experimentais teóricos, como
uma vertente demasiado desresponsabilizadora, totalmente dissociados da
realidade psicobiológica humana. Os resultados estão à vista: casos crescentes
de indisciplina, desautorização da figura do professor e uma desvalorização do
ensino. A sociedade não melhorou, e este modelo acaba por contribuir para que
muitos jovens perpetuem a sua adolescência na idade adulta, através de uma
atitude perante a vida irrealista, governada pelos desejos, repleta de direitos
e desprovida de deveres.
Talvez por isso, as expulsões de
alunos das salas de aula, por razões disciplinares, continuem a ser demasiado
frequentes nalgumas escolas. Há dias escutei um relato de uma professora que
tinha expulso 15 dos 30 alunos da turma por indisciplina. Percebe-se que há um
ambiente difícil. Estes casos fazem da actividade docente um exercício
insuportável de paciência, comprometem a saúde psíquica dos professores, e
originam uma tensão constante que nem o melhor dos ansiolíticos consegue
atenuar. Estas situações de indisciplina revelam comportamentos anti-sociais
que — embora num modelo de menor escala, e sem o efeito potenciador do álcool e
das drogas —, acabam por replicar a situação de expulsão dos finalistas em
Torremolinos.
Muitos pais têm perdido a autoridade
sobre os seus filhos, e com frequência capitulam quando é necessário impor
limites ou aplicar castigos perante comportamentos desviantes. Ouço-os dizer,
num tom resignado, «agora é tudo assim», «todos os amigos consomem álcool e
drogas», etc. Porém os limites e as repreensões também têm uma função
pedagógica, ajudam a estruturar a personalidade, preparando os adolescentes
para a vida adulta, já que na vida real todos nós somos confrontados com
limites e consequências quando desrespeitamos determinadas regras e obrigações.
Os actos de vandalismo ocorridos em Espanha,
cometidos provavelmente por um número restrito de jovens, acabaram por dar uma
péssima imagem dos colegas, humilharam os pais e desprestigiaram o País.
Afinal, o autocontrolo é uma virtude humana que deve ser ensinada e aprendida.
Como disse Benjamin Franklin «A fúria tem sempre uma razão, mas raramente uma
boa razão».
Como devem vestir-se as mulheres? A resposta de Trump, dos islamistas e das feministas
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| Raudha Athif |
Pauline Mille, Reinformation.TV, 11 de Abril de 2017
En suggérant que nous les femmes portions des robes, Trump fait ricaner les féministes. Mais l’assassinat par des islamistes d’un mannequin des Maldives coupable de s'habiller à l'occidentale les laisse sans réponse. La pensée totalitaire est pleine de contradictions.
Rhauda Atif avait un visage étonnant, presque autant que l’Afghane aux yeux verts dont la photo a fait le tour du monde. Elle, venait des Maldives et elle exerçait à mi-temps le métier de mannequin international, elle avait posé pour la couverture du magazine Vogue en octobre 2016 pour un numéro qui se proposait de « célébrer la beauté dans la diversité ». Vaste programme, comme disait l’autre, au cœur du politiquement correct.
Coupable de s’habiller en jean, elle est tuée par des islamistes
Le reste du temps, elle était étudiante en médecine à l’Islami Bank Medical College de Rasjahi, à environ deux cent kilomètres de Dacca, au Bangladesh, où sa qualité de mannequin ne passait pas inaperçue. On l’y a retrouvée morte à la fin mars, dans l’hôtellerie réservée aux filles du collège, et les autorités avaient d’abord conclu au suicide, mais son père et son frère ont protesté et ont demandé une autopsie. Ils ont fait valoir trois éléments, elle était en pleine forme et joyeuse, ce que ses camarades confirment, elle s’était plainte qu’on ait « versé des somnifères dans son verre » quelque temps auparavant, et elle avait fait l’objet de remarques et de menaces de la part des islamistes pour sa façon de s’habiller « immodeste » et « non islamiste ». Sans doute acceptait-elle le « dress code » du collège enroulant autour de son cou et de ses cheveux le grand foulard islamique, mais elle portait des jeans quand elle n’était pas en cours. La police des Maldives s’est entremise auprès de son homologue de Rasjahi. Le commissaire bangladais Amin Hossain, adjoint au responsable des investigations, estime dans sa réponse qu’il « y a 50 % de chances qu’elle ne se soit pas suicidée », ce qui est une manière diplomatique d’accepter de faire droit à la requête du père.
Trump demande aux femmes de s’habiller en femmes
J’attendrai les résultats de l’enquête pour être affirmative, mais l’affaire Atif fait suite à d’autres cas de meurtres maquillés en suicide où sont impliqué des islamistes, elle remue le sous-continent indien où la presse lui consacre de gros titres. Pourtant, elle semble laisser complètement froides les féministes occidentales, dont l’objet social officiel est pourtant la cause des femmes.
Ces féministes semblent plus préoccupés par le « sexisme » allégué de Donald Trump. Le bombardement de la Syrie lui est compté comme un bon point mais elles ne lâchent rien sur sa façon d’être et de parler avec les femmes. Témoin un billet du magazine Elle, lui aussi très versé dans la beauté et la diversité, qui reproche au président américain de porter trop d’attention à « l’apparence physique des femmes ». Elle cite un anonyme qui a « participé à la campagne de Trump » et affirme : « Même si vous êtes en jean, vous devez être soignée ». Mon Dieu quelle horreur ! Un employeur qui demande à ses employées de ne pas s’habiller comme des souillons !
La réponse idéologique des féministes
La source ajoute : « Les femmes se sentent forcées de porter des robes pour impressionner Trump », parce que celui-ci aurait demandé à celles qui l’entourent de « s’habiller comme des femmes ». Ici gît le lièvre et se dévoile l’intention de Elle. Bien sûr, il s’agit pour les féministes de casser du Trump tous les jours au petit déjeuner, mais il y a plus, et plus précis. A la suite de ces déclarations, des dizaines de féministes américaines ont adressé à Trump des photos habillées en pilote de chasse, en chirurgien, etc. Une manière de montrer que les femmes savent tout faire, ce que chacun sait, et d’en profiter pour affirmer, par une imperceptible confusion qu’il n’existe pas de manière de « s’habiller comme des femmes ».
Or cela est absurde, les modes et les us changent, les Chinoises des classes populaires depuis très longtemps ne portent pas de robe dans leur vie quotidienne, les Occidentales tendent à s’habiller en jean, mais aucune d’entre nous ne se vêt comme un homme, nous tenons à nous habiller toutes « comme des femmes », même si nous n’entendons pas forcément la même chose que Donald Trump par là.
Allah, la liberté, la nature et Trump
Ce qu’Elle et les féministes espèrent imposer, par leur petite confusion volontaire, c’est la disparition des codes vestimentaires qui différentient dans toute société les hommes des femmes : dans leur négation névrotique d’une différence des genres liée au sexe, elles veulent en faire disparaître les manifestations vestimentaires. Sous couleur de s’en prendre à je ne sais quel machisme de Trump, c’est la différence naturelle des genres qu’elles visent. Elles refusent le droit aux femmes de s’habiller comme elles l’entendent, comme le font exactement aussi les islamistes. Pour les féministes comme pour les islamistes, les femmes doivent refléter par leur façon de s’habiller l’idéologie de ceux qui les regardent, c’est-à-dire eux-mêmes. Les uns l’exigent au nom d’Allah, les autres au nom d’une prétendue liberté qui n’est que la négation de la nature. Finalement, c’est peut-être la réponse de Trump la moins déraisonnable.
segunda-feira, 3 de abril de 2017
Visitas para toda a família!
A Primavera chegou, e com ela trouxe nova vida à Quinta Pedagógica Armando Villar!
Venha descobri-la numa visita em família, e explore todos os recantos que a Natureza tem para oferecer.
Oferta de Abril
Nesta
Páscoa, aproveite a nossa promoção! Oferta de 1 bilhete adulto, por cada 2
crianças inscritas na actividade «Caça aos ovos da Páscoa».
Aceda aqui à sua oferta de
Abril!
Próximas Actividades
Dia 1 – Workshop Vem conhecer o habitat
naturaldos charcos
Horário: 15h00 às 16h00;
Valor: 15 €/criança acompanhada por até 2 adultos ;
10€/criança
extra;
Público alvo: famílias com crianças dos 5 aos 9 anos;
Dinamização: AmbioDiv;
Organização: Quinta Pedagógica Armando Villar;
Inscrições até 30 de março: quintadovillar@gmail.com / 932 500 600.
Público alvo: famílias com crianças dos 5 aos 9 anos;
Dinamização: AmbioDiv;
Organização: Quinta Pedagógica Armando Villar;
Inscrições até 30 de março: quintadovillar@gmail.com / 932 500 600.
Valor: 8€/criança; 2€/adulto;
Público alvo: famílias com crianças a partir dos 3 anos;
Mínimo de 6 participantes;
Dinamização e Organização: Quinta Pedagógica Armando Villar;
Inscrições até 30 de março: quintadovillar@gmail.com / 932 500 600.
Dia 8 e 22 – Workshop Vamos fazer pão
Horário: 15h00 às 17h30;
Valor: 8€/criança; 2€/adulto;
Público alvo: famílias com crianças a partir dos 3 anos;
Mínimo de 6 participantes;
Dinamização e Organização: Quinta Pedagógica Armando Villar;
Inscrições até dia 6 e 20: quintadovillar@gmail.com / 932 500 600.
Horário: 15h00 às 17h30;
Valor: 8€/criança; 2€/adulto;
Público alvo: famílias com crianças a partir dos 3 anos;
Mínimo de 6 participantes;
Dinamização e Organização: Quinta Pedagógica Armando Villar;
Inscrições até dia 6 e 20: quintadovillar@gmail.com / 932 500 600.
Valor: 10€/criança; 2€/adulto;
Público alvo: famílias com crianças a partir dos 3 anos;
Mínimo de 6 participantes;
Dinamização e Organização: Quinta Pedagógica Armando Villar;
Inscrições até dia 6: quintadovillar@gmail.com / 932 500 600.
Dia 15 – Workshop Pasta de papel
Horário: 15h00 às 17h30;
Valor: 8€/criança; 2€/adulto;
Público alvo: famílias com crianças a partir dos 3 anos;
Mínimo de 6 participantes;
Dinamização e Organização: Quinta Pedagógica Armando Villar;
Inscrições até dia 13: quintadovillar@gmail.com / 932 500 600.
Horário: 15h00 às 17h30;
Valor: 8€/criança; 2€/adulto;
Público alvo: famílias com crianças a partir dos 3 anos;
Mínimo de 6 participantes;
Dinamização e Organização: Quinta Pedagógica Armando Villar;
Inscrições até dia 13: quintadovillar@gmail.com / 932 500 600.
Horário: 15h00 às 17h30;
Valor: 6€/criança; 4€/adulto;
Público alvo: famílias com crianças a partir dos 3 anos;
Mínimo de 6 participantes;
Dinamização e Organização: Quinta Pedagógica Armando Villar;
Inscrições até dia 20: quintadovillar@gmail.com / 932 500 600.
Valor: 6€/criança; 4€/adulto;
Público alvo: famílias com crianças a partir dos 3 anos;
Mínimo de 6 participantes;
Dinamização e Organização: Quinta Pedagógica Armando Villar;
Inscrições até dia 20: quintadovillar@gmail.com / 932 500 600.
Horário: 15h00 às 17h00;
Valor: 10€/criança; 3€/adulto;
Público alvo: famílias com crianças a partir dos 4 anos;
Mínimo de 12 crianças;
Dinamização: Médicos veterinários Carina e Mathieu (https://www.facebook.com/erar.humano);
Organização: Quinta Pedagógica Armando Villar;
Inscrições até dia 27: quintadovillar@gmail.com / 932 500 600.
Valor: 10€/criança; 3€/adulto;
Público alvo: famílias com crianças a partir dos 4 anos;
Mínimo de 12 crianças;
Dinamização: Médicos veterinários Carina e Mathieu (https://www.facebook.com/erar.humano);
Organização: Quinta Pedagógica Armando Villar;
Inscrições até dia 27: quintadovillar@gmail.com / 932 500 600.
Horário: 15h00 às 17h00;
Valor: 8€/criança; 2€/adulto;
Público alvo: famílias com crianças a partir dos 3 anos;
Mínimo de 6 participantes;
Dinamização e Organização: Quinta Pedagógica Armando Villar;
Inscrições até dia 27: quintadovillar@gmail.com / 932 500 600.
Valor: 8€/criança; 2€/adulto;
Público alvo: famílias com crianças a partir dos 3 anos;
Mínimo de 6 participantes;
Dinamização e Organização: Quinta Pedagógica Armando Villar;
Inscrições até dia 27: quintadovillar@gmail.com / 932 500 600.
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segunda-feira, 27 de março de 2017
segunda-feira, 13 de março de 2017
Superior interesse da criança
Inês Teotónio Pereira, ionline, 9 de Maio de 2015
Há uns tempos encontrou-se a frase-chave que resolve todos estes dilemas: o superior interesse da criança
Hoje em dia, as pessoas gostam tanto mas tanto das crianças que pensam mil vezes antes de ter filhos. Eu percebo. A angústia de pensar que não se consegue dar tudo o que eles merecem, de não se conseguir ser uma mãe perfeita, de não se conseguir fazer com que os nossos filhos sejam as pessoas mais felizes do planeta é penosa. Não há tempo, não há dinheiro, não há casa, não há ajudas e não há certezas quanto ao futuro. E as crianças merecem certezas, tempo, conforto e a melhor educação. É um direito que lhes assiste e nós, pais, como únicos responsáveis pelo seu nascimento, temos o dever de lhes proporcionar tudo isso. Ou então, na dúvida, tínhamos tido juízo.
Mas, ainda assim, vamos tendo filhos. Poucos, mas lá nascem alguns. E nascem não por uma questão moral ou de dever, mas porque ser mãe ou pai é, antes de tudo, uma realização pessoal. Não tanto quanto a árvore e o livro, mas ainda faz parte desta trilogia. Mas o pior vem depois. Com os filhos nascidos, o que é que se faz? As crianças são o melhor do mundo, todos adoramos crianças e nenhuma pediu para nascer. Ora, nós somos simples seres humanos, frágeis, imperfeitos e cheios de incertezas. Como conciliar a nossa imperfeição com a perfeição de uma criança?
Há uns tempos encontrou-se a frase-chave que resolve todos estes dilemas: o superior interesse da criança. Ou seja, desde que se tenha em conta o superior interesse da criança, estamos no caminho certo. Como consequência desta teoria, no momento em que se tem filhos, os nossos interesses passam a inferiores e os interesses das nossas crianças a superiores. Nada mais tem interesse, portanto.
Ora, isto traz alguns problemas ao dia-a-dia das famílias, dos pais e da população em geral. É que ninguém tem bem a certeza de qual é o superior interesse da criança e elas não se sabem explicar. Com os direitos da criança, não há dúvidas, e é do superior interesse de todos que eles sejam cumpridos, mas já o interesse traz algumas dúvidas. E daí que seja automática a confusão entre o interesse da criança, o capricho da criança e a dúvida sobre quem o define. Ou seja, sob esta bondosa e necessária teoria do superior interesse da criança é costume deixar que seja ela a definir o seu interesse, e como a criança é apenas uma criança, ela rapidamente transforma o interesse em capricho. É esta a nossa desgraça, deixarmos que sejam as crianças a definir os seus interesses. E isto transforma a nossa vida num caos.
Por exemplo, é de entendimento geral que é do interesse das crianças fazer barulho, fazer birras, só comerem doces, verem televisão quando lhes apetece, partirem o tablet do pai, não dormirem a horas certas, etc. E que este interesse deve condicionar todos os outros. Exagero? Eu explico: o meu filho mais novo, de dois anos, tem o hábito de começar a gritar dois minutos depois de ir para a cama. Interessa-lhe que alguém lhe pegue ao colo e fique com ele ao colo até sua excelência adormecer. Sendo o interesse dele superior ao meu sossego, tenho cedido. Até que um dia deixei-o berrar durante dez minutos, ignorando o interesseiro, e só quando comecei a ter medo que os vizinhos chamassem a polícia é que fui ao quarto dele. Peguei-lhe ao colo, dei-lhe água e a criança caiu no sono que nem uma pedra. Nesse dia, os interesses desse meu filho mudaram. Mais exemplos: as crianças fazem normalmente birras em público porque sabem que todas as pessoas que estão no supermercado zelam pelo seu superior interesse. Por isso, atiram-se para o chão porque lhes interessa empurrar o carrinho, desesperam em frente da prateleira dos doces porque têm interesse em comer chocolates, etc. E nós, pais, como principais responsáveis pelo interesse dos nossos filhos, que é superior, ficamos sem saber o que fazer porque, como se sabe, não é de todo do interesse da criança levar uma palmada.
Pois, a verdade é que o superior interesse da criança tem vindo a tramar a vida aos pais. E daqui me pronuncio contra a definição do superior interesse das pestinhas por elas próprias. Quem sabe qual é o superior interesse das crianças são os pais, seus superiores. As crianças até podem dar sugestões mas, nesta questão, não há democracia. Só assim poderemos um dia viver todos em harmonia e só assim resolveremos o problema da natalidade.
Embuste do «movimento feminista» prejudica a própria mulher
![]() |
| Mãe e filhas jogando xadrez (obra de Francis Coates Jones, 1857 – 1932) |
Paulo Roberto
Campos, IPCO, 11 de Março de 2017
A respeito deste «Dia
Internacional da Mulher», textos e mais textos foram publicados ad
nauseam em todos os jornais impressos ou online. Tal dia
não passa de uma absurda invenção imposta pelo movimento feminista, copiando
uma propaganda do regime comunista na antiga URSS. Hoje vemos que realmente o
comunismo não morreu — ele «espalhou os seus erros pelo mundo», sendo um deles
o chamado «feminismo». E certos media colaboram prematuramente para espalhar
tais erros.
Assim, os media repetiram baboseiras
infindas e duras críticas a mulheres que se defendem enquanto «rainhas do
lar», esposas e mães, como se estes atributos tão nobres e elevados
não pudessem ser considerados «direitos da mulher». Para os media esquerdistas
e o «movimento feminista», o «direito da mulher» é, por exemplo, o «direito ao
aborto» — o direito da mulher matar o próprio filho que está a gestar!
Entretanto, na essência às
mencionadas baboseiras, encontrei um texto primoroso. Foi publicado há cinco
anos no «Dia Internacional da Mulher» («Folha de S. Paulo», 8-3-12), da autoria
da jovem Talyta Carvalho [foto abaixo]. Imagino que este texto foi
rasgado, pisado e queimado pelas «feministas» radicais, que, no fundo,
desejariam mesmo era «queimar» como «herege» a própria autora, acusando-a de
ser contrária ao «apoderamento feminino», à «igualdade de género», à «lei do
feminicídio», de ser «politicamente incorreta», «preconceituosa» etc..
Acusações levianas, mas que nos estimulam a divulgar largamente o
interessantíssimo artigo, que abaixo transcrevo.
![]() |
| Talyta Carvalho (Filósofa especialista em renascença e mestre em ciências da religião pela PUC-SP) |
Não devemos
nada ao feminismo
Talyta
Carvalho
As feministas chamaram «libertação»
à saída forçada do lar para trabalhar; a sua intolerância tornou constrangedor
decidir ser dona de casa e cuidar dos filhos.
Na história da espécie humana, a
ideia de que a mulher deveria trabalhar prevaleceu com muito maior frequência do que a ideia de que deveria ficar em casa a cuidar dos filhos.
Não raro, o trabalho que cabia à
mulher era árduo e de grande impacto físico. Para a mulher comum na
Pré-história, na Idade Média, e até no século XIX, não trabalhar não era uma
opção.
Uma das conquistas do sistema
económico foi que, no século XX, a produtividade tinha aumentado tanto que um
homem de classe média era capaz de ter um bom salário o suficiente para que a
sua esposa não precisasse de trabalhar.
No período das grandes guerras e no
entreguerras, a inflação, os altos impostos e o retorno da mulher ao mercado de
trabalho (que significou um aumento da mão de obra disponível) diminuíram de
tal maneira o rendimento do homem comum que já não era mais possível que a
maioria das mulheres ficasse em casa.
A este movimento forçado da saída da
mulher do lar para o trabalho as feministas chamaram «libertação».
É óbvio que não se está a defender
aqui que as mulheres não possam trabalhar, não casar, não ter filhos ou que não
possam agir de acordo com as suas escolhas em todos os âmbitos da vida. Não é
essa a questão para as mulheres do século XXI pensarem a respeito.
O ponto da discussão é: em que
medida a consequência do feminismo, para a mulher contemporânea, foi o
estrangulamento da liberdade de escolha?
Explico-me. Por muito tempo, as
feministas reivindicaram a posição de luta pelos direitos da mulher, excepto se
esse direito for o direito de uma mulher não ser feminista.
Assumir uma posição crítica ao
feminismo é hoje o equivalente a ser uma mulher que fala contra as mulheres.
Ilude-se quem pensa que na universidade há um ambiente propício à liberdade de
pensamento.
Como mulher e intelectual, posso
afirmar sem pestanejar: nunca precisei «lutar» contra os meus colegas para ser
ouvida, muito pelo contrário. A batalha é mesmo contra as colegas mulheres,
intolerantes a qualquer outra mulher que pense diferente ou que não faça da
«questão de género» uma bandeira.
Não ser feminista é heresia
imperdoável, e a herege deve ser silenciada. Até mesmo porque há muito em jogo:
financiamentos, vaidades, disputas de poder, privilégios em relação aos colegas
homens — que, se não concordam, são machistas e preconceituosos, claro.
Outro direito que a mulher do século
XXI não tem, graças ao feminismo, é o direito de não trabalhar e escolher ficar
em casa e cuidar dos filhos — recomendo, sobre a questão, os livros «Feminist
Fantasies», de Phyllis Schlaffly, e «Domestic Tranquility», de F. Carolyn
Graglia. Na esfera económica, é inviável para boa parte das famílias que a
esposa não trabalhe.
Na esfera social, é um
constrangimento garantido quando perguntam «qual a sua ocupação?». A resposta
«sou só dona de casa e mãe» já revela o alto custo sociopsicológico de uma
escolha diferente daquela que as feministas fizeram por todas as mulheres que
viriam depois delas.
O erro do feminismo foi reivindicar
falar por todas, quando na verdade falava apenas por algumas. De facto,
casamento e maternidade não são para todas as mulheres. Mas a nova geração deve
debater estes dogmas modernos sem medo de fazer perguntas difíceis.
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