sexta-feira, 9 de setembro de 2016


A felicidade das famílias numerosas


Família de José Maria Postigo e Rosa Pich, de Barcelona (Espanha)

Plinio Maria Solimeo

É certo que as famílias numerosas são mais unidas. Os filhos aproximam-se mais dos pais e ajudam-os a enfrentar as vicissitudes da vida. Por isso é muito difícil ouvir falar de separação entre eles, o que é muito mais frequente nas famílias menos numerosas, e mesmo sem filhos.

Hoje em dia, quando se diz que uma família é numerosa, é porque tem de três a quatro filhos. E mesmo isso é cada vez mais raro. Pois em geral os casais não querem ter mais que um filho, ou mesmo nenhum, pois «dão trabalho», e «queremos gozar a vida». Infelizmente, boa parte dos casais está substituindo os filhos por animais de estimação, que tratam com mimos que não dariam a filhos.

Deste modo, a finalidade primordial do casamento, que é a procriação da espécie humana, segundo mandado de Nosso Senhor Jesus Cristo, não é mais observada, ou o é muito pouco. Além de constituir grave pecado, isso traz como consequência secundária o envelhecimento e declínio da população.

Felizes os tempos em que se via por toda a parte a buliçosa e feliz algazarra de incontáveis crianças, cheias de graça, vitalidade e alegria.

Por isso trazemos hoje à consideração dos nossos leitores o exemplo de duas famílias excepcionais, uma espanhola e outra americana, que receberam como verdadeira bênção do Céu os numerosos filhos que Deus lhes mandou. A primeira teve 18, e a segunda, 13.

«Família Numerosa Europeia de 2015»

A família de José Maria Postigo e Rosa Pich, de Barcelona [foto acima, ao lado e abaixo], foi eleita pela European Large Families Confederation como a Família Numerosa Europeia de 2015, «não tanto pelo número dos seus membros, quanto pelo seu modo de encarar os reveses» da vida. A imprensa espanhola trouxe na ocasião extensas reportagens, nas quais nos baseamos, sobre essa família modelo[i].

Os dois esposos excepcionais que a constituíram vêm também de famílias numerosas. José Maria teve 16 irmãos e Rosa, 14. Por isso sempre sonharam em ter muitos filhos.

Mas isso parecia quase impossível, pois a primeira filha, Carmina, nasceu com severa cardiopatia[ii], tendo os médicos lhe dado poucos anos de vida. Entretanto, ela viveu até aos 22 anos, falecendo depois da licenciatura e acabar um mestrado. Os dois filhos seguintes nasceram com o mesmo problema e não sobreviveram. Por isso os médicos recomendaram ao casal que não tivesse mais filhos.

José Maria e Rosa não seguiram esse conselho. Diz ela: «Ninguém sabe o número de vidas que nos espera na Terra ou no Céu. […]  Se os filhos nascem e os tenho de enterrar, terão tido a oportunidade de salvar-se [pelo baptismo], e sempre serão os meus filhos. Pois a vida não acaba aqui na Terra». E conclui, com muita propriedade: «Estamos a voltar ao nazismo quando decidimos matar os nossos próprios filhos. Há algo no mundo que não está a funcionar bem quando consideramos que o aborto é um direito».

Esta mulher exemplar encontra na religião Católica as forças para enfrentar as vicissitudes da vida: «Somos graças a Deus uma família com fé, porque com tudo o que temos passado, não teríamos podido superar de outra maneira. Depois de enterrar dois filhos em quatro meses, a seguir morreu a mais velha, já com 22 anos, e nos teríamos desfeito de todo se não fosse pela fé que temos».


Com o falecimento de três filhos, restam-lhes ainda 15, o que os torna a família com mais filhos em idade escolar de toda a Espanha. Desses 15 filhos, 8 nasceram com a mesma doença de coração. Alguns curaram-se, outros estão em tratamento. Por esse motivo o casal promoveu uma fundação destinada à investigação da cardiopatia, cujo nome é «Menudos Corazones» (Pequenos Corações).
Muito activo, o casal não se limita a cuidar da sua imensa prole, mas já participou em numerosas reportagens e documentários sobre famílias numerosas. José Maria e Rosa também dão palestras de orientação familiar para ajudar outros pais.

Apesar do trabalho insano com uma família de 17 pessoas, Rosa ainda encontrou tempo para escrever um livro sobre a sua experiência e os segredos da felicidade da sua família «Como ser feliz com 1, 2, 3… filhos» [capa ao lado], que já foi traduzido em seis idiomas europeus. Orgulhosa dos seus inúmeros filhos, ela afirma: «Temos um tesouro que queremos compartilhar com a sociedade».

Como educar tantos filhos? Diz Rosa: «Os sacerdotes devem proporcionar uma direcção espiritual, mas creio que como pais de famílias numerosas temos uma graça especial para educar os nossos filhos e somos responsáveis pela sua educação. Creio que o facto de ter uma família tão numerosa tornou o meu coração maior, porque não só quero a todos os meus filhos, como também aos seus amigos».

Para ela, «não importa o que dizem os que não querem [ter muitos filhos] para não sofrer. As alegrias sempre superam os sofrimentos, e vale a pena lutar por cada segundo de vida. Uns lutam para ter um automóvel, por uma viagem, e eu luto por ter uma família. Se passamos de dois a três, tanto melhor. O que os meus filhos querem é ter muitos irmãos».

É preciso notar que o casal não é rico e vive apenas do seu salário. Por isso cria os filhos com muita austeridade. Rosa, além do trabalho com uma família de 17 pessoas, trabalha meio período numa empresa que organiza eventos. José Maria é consultor de indústrias relacionadas com o comércio de carnes, que produzem, processam e distribuem carne aos centros comerciais. Por isso passa quase o dia inteiro a trabalhar.

Os filhos dormem em dois quartos, em cada um dos quais foram adaptados dois conjuntos com quatro camas superpostas, um para os meninos, outro para as meninas. Não dá para mais. Em cada quarto, um dos irmãos fica como responsável, velando pela boa ordem e os bons modos. Os filhos são educados para agir como uma equipa. Cada um encarrega-se de um irmão menor.

As roupas e os livros escolares passam de filho a filho. A comida é muito frugal, não havendo no frigorífico coisas consideradas supérfluas como chocolates e refrigerantes. Também não há presentes de aniversário. Apesar disso, diz a mãe: «Os meus filhos valorizam muito cada coisa, como se fosse algo único».

Todos devem observar algumas normas. Na cozinha há um quadro com a função de cada um, como pôr, servir e tirar a mesa, pôr o lixo, apagar as luzes etc. E também uma lista de sugestões para se melhorar no dia-a-dia como, aos muito chorões, de «chorar uma só vez por dia», «não ficar amuado», «sorrir mais», «tratar bem o pai» etc.

Algumas coisas estão formalmente proibidas, como fumar ou adquirir uma moto ou telemóvel antes dos 18 anos. Todos se contentam com o que têm e não se sentem inferiorizados pelo que não têm. «Nós pomos alguns limites, diz a mãe, pois não esperamos para dizer-lhes ‘não’ só quando forem adolescentes; mas desde o primeiro momento, ano a ano. E sabem? Os meninos agradecem e os amigos querem ser seus amigos, porque vêem que são generosos e serviçais».

Com tudo isto, todos formam uma família muito feliz. E é uma alegria quando se encontram na hora do jantar. Os 15 irmãos estudam, praticam desporto e almoçam no colégio ou fora. Mas, haja o que houver, a hora do jantar é sagrada. «É quando nos juntamos e comentamos como foi o dia, o que sucedeu a cada um, ajudamos-nos, escutamos-nos e rimos», explica a mãe. Para ela,«cada um é um indivíduo, tem o seu carácter diferenciado e as suas preocupações próprias. Entretanto, ainda que custe crer, conheço muito bem todos os meus filhos».

Muito poucas famílias com menos filhos podem ter semelhante felicidade da situação e a satisfação que tal convívio produz!


*       *       *

Os Fatzingers: família numerosa, um dom de Deus

Rob, 51 anos, e Sam Fatzinger, 48, residentes em Bowie, Maryland, Estados Unidos, têm nada menos que 13 filhos [foto acima e abaixo]. A esposa cuida só da casa, de maneira que eles têm de viver apenas do salário do marido para sustentar uma família de 15 pessoas. Apesar de tudo, foram recebendo os filhos como uma dádiva do Céu.

O seu caso é tão excepcional, que «The Washington Post» dedicou-lhes extensa reportagem com o título: «Como uma família está a enviar 13 filhos à escola, vivendo sem dívidas — e ainda planeja aposentar-se cedo»[iii].

Entretanto, a vida desta família modelo não é assim tão fácil. Os seus chefes não nasceram ricos, e vivem somente do salário e de estrita economia. Desde que se casaram, há 27 anos, começaram a fazer um pecúlio para comprar uma casa. O seu único luxo é comemorar anualmente o aniversário de casamento  num restaurante económico.

Católicos ao estilo antigo, quiseram ter todos os filhos que Deus lhes mandasse, confiando em que, como diz um velho ditado popular, «cada filhinho já nascia trazendo debaixo do braço o seu pãozinho». Ou ainda, «Deus manda o frio conforme o cobertor». Por isso, por mais que a família crescesse, nunca passaram necessidades.

Católicos praticantes, o seu primeiro negócio foi uma livraria Católica. Como não tiveram muito sucesso, fecharam-na em 2000, quando já tinham sete filhos. Rob conseguiu então trabalho testando softwares e, muito aplicado e consciencioso, teve várias promoções, até receber um salário bem razoável. Entretanto, para sustentar a numerosa família, eles economizam no que podem. A esposa procura comprar sempre o que está em promoção, e adapta o seu cardápio de acordo com o que encontra. Nas horas vagas, Rob procura ganhar alguma coisa extra, cortando relva ou fazendo pequenos reparos para os vizinhos. Qualquer tostão é importante para eles.

Com as suas economias puderam dar entrada para a compra de uma casa grande, velha, de cinco quartos. Compraram-na barato, pois estava em tão mal estado, que parecia uma casa mal assombrada. O que levou o sacerdote que foi chamado para benzê-la a perguntar jocosamente: «Devemos fazer nela um exorcismo?»

Como a Providência Divina vela pelas grandes famílias, com a ajuda de parentes e amigos, aos poucos reformaram-na e tornaram a casa habitável. Com o tempo foi até possível acrescentar mais dois dormitórios e aumentar a cozinha. E os donativos foram chegando: um fogão a lenha, um sofá velho, um automóvel usado… Assim, foi possível ter coisas indispensáveis para tanta gente, como dois frigoríficos, dois fogões, duas máquinas de lavar pratos, uma caravana e uma máquina de lavar roupa. E os únicos que estão livres de cuidar da lavagem da enorme quantidade de roupa suja são os dois caçulas, de seis e quatro anos de idade. Evidentemente, como católicos exemplares, fica proibido fazer esse trabalho ao domingo, para observar o preceito.

A mãe ensina aos filhos as primeiras letras em casa, seguindo o bom costume americano do home-schooling. Depois frequentam os ginásios e universidades. «Os meus filhos arranjam empregos logo que têm idade, e aprendem a discernir entre necessidades e desejos. Eles pagam os seus telemóveis, os seus colégios, e até a gasolina que gastam». Eles aprendem a economizar para atender às suas necessidades, pois não têm mesadas.

Entretanto, o admirável êxito desta família não seria possível se não fosse a sua profunda fé: «Sem dúvida, a missa diária é o mais importante [para a família], e também o rosário à tarde, quando é possível, bem como viver o ano litúrgico», diz a mãe. «É difícil responder a isto [hábitos religiosos] em nível familiar, porque quase todos os nossos filhos já são maiores de idade e portanto responsáveis pela sua própria formação na fé. Eles vão aos retiros no instituto [católico] sempre que lhes é possível. […] Aqueles que vão, participam nas aulas sobre a Bíblia e nos grupos de jovens. E os menores são coroinhas». […] «Eu gosto de fazer uma Hora Santa durante a semana, mas foi difícil encontrar tempo por causa da numerosa família, e da minha personalidade. Sou muito madrugadora. Finalmente julguei que a melhor hora para mim [para fazer a Hora Santa] era ao sábado, às cinco horas da manhã».

Rob e Sam estão orgulhosos da sua família. E dão às outras alguns conselhos que as ajudaram a ser felizes: «Sê amável, e aja do modo que convenha à situação da tua família na vida. Ajuda as outras famílias, dá-lhes uma mão com os filhos ou a comida, apoiando-os na oração. […] Ama o pecador e aborrece o pecado. Encontra formas para que as pessoas se voltem para Deus, e sê um exemplo num mundo conturbado para ajudar os demais»[iv].

É certo que as famílias numerosas são mais unidas. Os filhos aproximam-se mais dos pais e ajudam-os a enfrentar as vicissitudes da vida. Por isso é muito difícil ouvir falar de separação entre eles, o que é muito mais frequente nas famílias menos numerosas, e mesmo sem filhos.

Que o belo exemplo de religiosidade e confiança na Providência dessas duas notáveis famílias sirva de inspiração a muitos casais.


[i] http://www.religionenlibertad.com/los-postigopich-18-hijos-en-la-cama-de-papa-y-mama-40617.htm

https://www.facebook.com/comoserfelizconunodostreshijos/

http://www.europapress.es/sociedad/noticia-familia-espanola-18-hijos-premio-familia-numerosa-europea-ano-20151209175448.html

http://www.elmundo.es/sociedad/2015/12/26/56731bbaca47410d658b4590.html

http://www.abc.es/familia/padres-hijos/abci-familia-espanola-18-hijos-premio-familia-numerosa-europea-201512100153_noticia.html

http://www.lavanguardia.com/gente/20160227/4035882214/familia-numerosa-postigo-pich.html

[ii] «alteração na estrutura do coração presente antes mesmo do nascimento. Essas alterações ocorrem enquanto o feto se está desenvolvendo no útero e pode afectar cerca de 1 em cada 100 crianças, segundo dados da American Heart Association. É a alteração congénita mais comum e uma das principais causas de óbito relacionados a malformações congénitas»

http://www.minhavida.com.br/saude/temas/cardiopatia-congenita

[iii] https://www.washingtonpost.com/lifestyle/magazine/13-kids-13-college-educations-not-rich-retiring-early/2016/08/08/3abe7cec-38b4-11e6-a254-2b336e293a3c_story.html

[iv] http://www.religionenlibertad.com/los-postigopich-18-hijos-en-la-cama-de-papa-y-mama-40617.htm

http://ipco.org.br/ipco/tag/familias-numerosas/#.V9KfXo-cGK8





sexta-feira, 19 de agosto de 2016


O normal e o patológico

numa sociedade conturbada


Pedro Afonso, médico psiquiatra, Observador, 14 de Agosto de 2016

É completamente demagógico e irresponsável querer educar as crianças e os jovens sem lhes criar limites, e sem lhes dizer claramente que existem comportamentos normais e outros patológicos.

Nas últimas semanas fomos confrontados com dois temas noticiosos referentes a enormes tragédias: os atentados homicidas na Europa e os fogos que destroem o país. De acordo com a informação disponível, em alguns casos, na sua origem há fortes indícios de terem sido cometidos por indivíduos mentalmente perturbados, criando um sentimento de insegurança na população. Apesar destes temas serem complexos e multifactoriais, eles também são do campo da psiquiatria, podendo ter várias origens e algumas delas pouco evidentes.

Julgo que se tem caminhado para um esbatimento perigoso dos limites entre o normal e o patológico, reforçado pela negação da existência de uma lei natural, coincidente com um conjunto de normas morais comuns, que qualquer ser humano pode conhecer à luz da razão: não matar, roubar, mentir, agredir, etc. Se forem esbatidos os limites entre o normal e o patológico coloca-se em risco a liberdade, destruindo-se uma legitima barreira de protecção contra o arbítrio dos insanos e dos perversos.

Apesar de ser um tema controverso, e com alguns dados contraditórios, existem diversos estudos científicos que estabelecem uma relação entre o aumento do risco de comportamentos disruptivos e agressivos e os videojogos violentos. A exposição continuada a este tipo de jogos pode reduzir a empatia e o comportamento social ajustado. Por outro lado, o uso excessivo da internet foi relacionado com baixa auto-estima, sentimentos de isolamento e problemas de comportamento.

Os jovens de hoje passam cada vez mais tempo a jogar videojogos. Um dos jogos mais populares é o Grand Theft Auto (GTA). Embora destinado a adultos, é jogado maioritariamente por crianças e adolescentes. Basta ler a descrição do jogo, retirada da Wikipédia, para se perceber o que está em causa:

«O jogo é considerado exclusivamente dedicado a adultos, devido a temas como violência, assassinato, drogas, incitações e exposições sexuais, tortura, mutilação e etc. E também pela grande liberdade que o jogo dá em relação ao que o personagem pode fazer: este é capaz de agredir e matar pessoas, roubar veículos, propagar o caos, entre muitas outras coisas».

Se é verdade que muitos jovens poderão jogar alguns jogos violentos sem haver um grande impacto na sua saúde psíquica, também é verdade que estes factores podem ter um efeito cumulativo com uma fragilidade psíquica pré-mórbida, funcionando como um rastilho para comportamentos anti-sociais extremamente violentos. É preciso haver controlo parental, não apenas no tempo que as crianças passam a jogar, como ainda no conteúdo temático dos jogos.

Temos de admitir abertamente que nem tudo aquilo que nos é proposto é bom para nós, e que o autocontrolo é uma característica ligada à maturidade. É completamente demagógico e irresponsável querer educar as crianças e os jovens sem lhes criar limites, e sem lhes dizer claramente que existem comportamentos normais e outros patológicos. Por exemplo, pode ser normal beber álcool moderadamente, mas é patológico beber em excesso.

O ambiente familiar está na origem de muitas doenças psiquiátricas. A educação facultada pelos pais aos filhos é uma missão partilhada em família. A transmissão de valores éticos, morais, e um conjunto de competências para se viver ajustado em sociedade, é garantida pela educação. Mas a vida familiar tem mudado muito nos últimos tempos. O sequestro de pais e filhos pelos ecrãs (computador, telemóveis, televisão, etc.) é quase total, desaparecendo o espaço para a comunicação e o tempo destinado à partilha. O esgotamento de um dia de trabalho, que na sociedade actual se tem revelado cada vez mais prolongado, priva os educadores da energia e da disponibilidade indispensável para educar. A procura de fármacos para controlar os comportamentos das crianças, numa tentativa de substituir o afecto e a educação proporcionada pelos pais, é cada vez maior.

A saúde mental também se previne, e os comportamentos anti-sociais são muitas vezes reflexo de um desequilíbrio psíquico. Tal como na nossa vida pessoal, na sociedade os erros pagam-se sempre. A desconstrução entre o normal e o patológico, a prática, ainda que num mundo virtual, de comportamentos anti-sociais, juntamente com o esvaziamento do papel da família e de uma educação estruturada com regras e limites, terá como consequência o aumento do número de casos de perturbações psiquiátricas. Para defesa da sociedade, é importante garantir que hajam limites definidos entre o normal e o patológico, evitando-se a ideia de que a doença mental é apenas um problema de vida.





segunda-feira, 1 de agosto de 2016


Jovens com opinião


Inês Teotónio Pereira, Diário de Notícias, 30 de Julho de 2016

Alguns dos meus filhos estão a ficar gente: têm opiniões. Estão a entrar naquela idade em que já não perguntam, debitam o que lhes vai na alma. Não sabem muita coisa sobre quase nada por falta de tempo, mas falam de tudo. Têm opinião sobre terrorismo, religião, esquerda e direita, sobre profissões, música, o que está bem e mal em casa, no país ou no Médio Oriente. E têm a certeza absoluta. São opinativos fundamentalistas. Funcionam com base no «porque sim» ou porque viram no YouTube. E não há teoria, realidade ou factos que os afastem da sua verdade.


Pais e mães mais experientes já me tinham avisado de que esta fase iria chegar e que, segundo eles, «era muita giro». Pois não é. Passar por isto é o mesmo que ouvir os profissionais do comentário na televisão e não poder mudar de canal. É irritante. É o mesmo que jantar com a SIC Notícias em bloco. Com todos ao mesmo tempo e todos os dias. E o pior é que não os podemos insultar como fazemos com os profissionais a sério antes de carregarmos no botão que os faz desaparecer. Não, com os meus filhos tenho mesmo de ficar a ouvir e, diz o bom senso, deixá-los exprimir a sua opinião. Bolas, nunca pensei que deixar alguém exprimir a sua opinião fosse tão doloroso. Mas eu deixo, juro. Só que sinto que estou claramente em desvantagem. Enquanto eu, para fazer valer o meu ponto de vista, tenho de dar lições de história, citar autores, falar de números e de filosofia, já eles respondem com o YouTube, repetem o que um amigo lhes disse ou citam uma coisa que ouviram «já não me lembro onde». Impossível rebater. São evidências que lhes fazem sentido enquanto as minhas só lhes dão trabalho. Sou eu contra todas as redes sociais do mundo, os canais de notícias e as maiores palermices que se dizem por aí. Giro? Pois, experimentem explicar a um adolescente, que tem como sonho ir tirar fotografias para a Austrália e como ídolos John Lennon e o Papa Francisco, qual é a ligação entre o terrorismo e o Islão e depois digam-me se é giro. Não é. É doloroso e difícil respeitar a opinião e conversar seriamente com alguém que fala do Iraque sem nunca ter visto e ouvido Artur Albarran em directo de Bagdad. É por isso que gosto muito mais de jantar com os meus outros filhos que só me fazem perguntas. São de longe os mais sensatos.





sábado, 30 de julho de 2016


Uma lei que não pode ser melhorada


Pedro Vaz Patto

No momento em que escrevo, o Parlamento acaba de aprovar uma nova versão do projecto que legaliza a maternidade de substituição. Para os proponentes, trata-se da resposta ao apelo do Presidente da República no sentido de «melhorar» a primeira versão dessa lei, suprindo algumas lacunas já anteriormente apontadas em dois pareceres do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (C.N.E.C.V.). Impõe-se afirmar, com vigor e clareza, que uma qualquer lei que legalize a maternidade de substituição não pode ser «melhorada», porque esta é uma prática intrinsecamente contrária à dignidade humana (e, assim, contrária ao disposto no artigo 67.º, n. 2, e), da Constituição portuguesa) e nenhum enquadramento jurídico poderá obviar a isso. Os problemas que pode suscitar nunca serão resolvidos de forma satisfatória e só a sua proibição em qualquer caso os afasta. Essa proibição vigora em muitos países e também é preconizada na recente Resolução do Parlamento Europeu 2015/2229 (N), de 17 de Dezembro de 2015, aprovada por larga maioria (e referida na mensagem do Presidente da República). O vigor e clareza dessa afirmação não provém apenas da área doutrinal em que me situo. Provém também de movimentos feministas de vários países (que confluem na plataforma internacional Stopsurrogacynow), os quais vêm denunciando essa prática como de exploração das mulheres mais vulneráveis, chegando a compará-la à escravatura. Essa legalização é apresentada com a marca de uma política «progressista», quando, noutros países, muitas são as vozes tidas por «progressistas» e «de esquerda» que a rejeitam («um retrocesso social» e «o novo domínio da alienação» – de acordo com um manifesto da Fundação Terra Nova, próxima do Partido Socialista francês).

É verdade que a lei aprovada veda a exploração comercial da prática, onde residiriam os maiores riscos de exploração das mulheres pobres. O legislador não pode, porém, ignorar a realidade sociológica e o risco de tal proibição ser torneada através de pagamentos ocultos ou em espécie. Só situações de grande carência económica levam mulheres a sujeitar-se a tão traumatizante experiência (não é por acaso que a prática se vem difundindo na Índia ou na Tailândia). De acordo com o manifesto feminista italiano Se non ora quando-Libere, «a ‘maternidade de substituição’ nunca é um acto de liberdade ou de amor, é sempre um acto de desespero». Neste contexto, a gratuidade do contrato pode representar uma forma de exploração ainda mais acentuada.

Mesmo que assim não seja em situações excepcionais (e nenhuma lei se destina a situações excepcionais, mas às que são regra), deve sublinhar-se, de qualquer modo, que a instrumentalização da pessoa (da criança e da mãe gestante), reduzida a objecto de um contrato e de um desejo de outrem, não deixa de verificar-se pelo facto de esse contrato ser gratuito. Também pode ser instrumentalizada a pessoa altruísta e desinteressada. O aproveitamento dessa generosidade para uma prática desumana será de igual modo censurável.

O recurso a amigas ou familiares (a maternidade de substituição de proximidade) pode originar ainda mais problemas, com a coexistência de duas figuras maternas «em concorrência». Quando há laços de parentesco, suscitam-se gravíssimas consequências que já foram designadas como «curto-circuito geracional»: a criança com uma mãe gestante que é, simultaneamente, também sua avó, ou também sua tia.

Também não colhe invocar o consentimento livre e consciente da mulher gestante. Porque em situações de grave carência e desespero, tal consentimento nunca será autêntico. E porque a dignidade humana tem uma dimensão objectiva e indisponível que impede a justificação das ofensas a essa dignidade pelo consentimento da vítima.

Por tudo isto, nem a referida Resolução do Parlamento Europeu, nem a referida plataforma feminista internacional, distinguem entre uma maternidade de substituição maligna e comercial e uma maternidade de substituição supostamente benigna e altruísta.

Com a legalização da maternidade de substituição, quer o filho, quer a mãe, são, pois, reduzidos a objecto de um contrato (seja ele oneroso ou não).

A mãe gestante não pode deixar de viver a gravidez como sua. O útero é inseparável do corpo e da pessoa, não é um alojamento temporário, ou um instrumento técnico. A mulher não é uma máquina incubadora. A gravidez não é uma actividade como qualquer outra; transforma a vida da mulher fisica, psicologica e moralmente. Envolve toda a pessoa da mulher, pessoa que não tem um corpo, é um corpo. A instrumentalização do corpo traduz-se na instrumentalização da pessoa.

Na maternidade de substituição, o abandono da criança é, não um evento inevitável que deva ser remediado através da adopção, mas uma consequência deliberadamente programada, institucionalizada pela lei, a qual veda a obrigação mais espontânea e natural que existe: a de assumir a vida que se gerou. Impor contratualmente uma obrigação de abandono do filho que se gerou é, como afirma a filósofa feminista francesa Sylviane Agacinsky (promotora da plataforma Collectif pour le respect de la personne), «violentar sentimentos humanos profundos e legítimos» e «ferir emoções humanas elementares».

Para limitar essa tão desumana imposição, há quem proponha (e há legislações que a consagram) a possibilidade de arrependimento da mulher gestante durante todo o período da gravidez, ou até algumas horas após o nascimento. Desse modo, pode dizer-se que serão frustradas as expectativas do casal beneficiário. A lei que acaba de ser aprovada não aponta nesse sentido. Faz prevalecer, pelo contrário, os interesses do casal beneficiário, o seu suposto direito ao filho «encomendado» e a rigidez fria da vinculação contratual (pacta sunt servanda), sobre o sofrimento da mãe gestante, votado à indiferença.

Compreende-se, assim, como a contratualização da gestação se traduz na instrumentalização da pessoa. Essa lógica de instrumentalização da pessoa acarreta, com frequência, a imposição de regras de conduta durante a gravidez nos domínios mais pessoais e íntimos. Sobre esta questão, pronuncia-se também Silvanne Agacisnky (in Le corps em miettes; Flamarion, 2013, pgs. 92 e 93):

«Pedir a uma mulher para estar grávida em substituição de outra significa concretamente que ela deve viver nove meses, vinte e quatro horas sobre vinte e quatro, abstraindo-se da sua própria existência corporal e moral. Deve transformar o seu corpo em instrumento biológico do desejo de outrem, em suma, deve viver ao serviço de outrem, retirando à sua existência qualquer significado para ela própria

Pretendendo colmatar uma das lacunas apontadas pelo C.N.E.C.V. e pelo Presidente da República, a lei agora aprovada proíbe a imposição desse tipo de regras. Mas tal proibição pode não ser suficiente para evitar a sua imposição na prática, pois só elas são coerentes com a motivação que preside ao contrato: a contratualização da gestação, sendo que esta envolve toda a pessoa e toda a vida da mulher.

O filho é tratado como objecto do contrato. Essa circunstância, por si só, ofende a sua dignidade. Não pode dizer-se que objecto do contrato é, antes, apenas uma prestação por parte da mulher gestante. O que pretendem, e o que move, os requerentes ou beneficiários não é apenas a gestação, mas a entrega da criança fruto dessa gestação.

Todos os contratos de maternidade de substituição envolvem um grave dano para a criança, que sofre o trauma do abandono, a quebra abrupta da intensa relação física, psíquica e afectiva (sobre que cada vez há mais informação científica) tecida com a mãe durante todo o período da gestação. A criança fica privada do saudável reconhecimento do corpo onde habitou na primeira etapa da sua existência. Nesta medida, a maternidade de substituição representa sempre a sobreposição do desejo dos requerentes ao bem da criança.

Mas a lógica da instrumentalização (ou «coisificação») do filho pode ir mais longe.

Outra das lacunas que a lei agora aprovada pretende colmatar diz respeito às situações em que vem a verificar-se malformação ou doenças do feto. São conhecidos casos de recusa, pelos requerentes, da criança recém-nascida portadora de deficiência, ou de exigência de prática de aborto do feto portador de deficiência. Não se trata de hipóteses académicas, mas de situações já ocorridas em vários países. A lei aprovada estipula apenas que o contrato deve contemplar a regulação desta eventual ocorrência, não excluindo, pois, que as partes possam acordar no sentido da obrigação da prática do aborto, sob pena de declinação de qualquer responsabilidade do casal beneficiário para com a criança nascida. Eis-nos perante a expressão máxima (em toda a sua crueza e crueldade) da lógica da «coisificação» do filho «encomendado» e da «cultura do descartável»: o «produto» rejeitado por «defeito de fabrico», pela falta da «qualidade» pretendida e contratada. O filho que não vale por si, mas porque (e na medida em que) corresponde a um desejo bem determinado. E eis-nos também perante a expressão máxima de insensibilidade perante o drama da mulher gestante, a quem se impõe a violação da mais espontânea e natural das obrigações (cuidar da vida que traz dentro de si), não apenas através do abandono do seu filho, mas (mais grave ainda) através da supressão da vida deste (o aborto já não como opção, mas como obrigação).

Em suma, uma qualquer lei que legalize a maternidade de substituição nunca pode ser «melhorada», porque, como afirmou a Associação dos Juristas Católicos em recente comunicado, «não é possível remediar o que não tem remédio», e «a proibição da maternidade de substituição é um imperativo da protecção da dignidade humana».





segunda-feira, 25 de julho de 2016


Cantão suíço de Ticino

Burqa proibida e sujeita a pesada multa



O parlamento do Cantão de Ticino, na Suíça, aprovou uma lei que pune as mulheres que usem burqa ou niqab com multas que variam entre os 92 e os nove mil euros.

A decisão foi tomada depois de um referendo ter provado que a proibição de cobrir a cara em espaços públicos é defendida por dois em cada três eleitores.

A lei, que entra em vigor nas próximas semanas, aplica-se também a turistas, pelo que a informação vai ser difundida em estações rodoviárias e ferroviárias e em aeroportos.

Desta forma – inspirada na lei francesa – pretende-se promover a integração social naquela região da Suíça, onde 2% dos 350 mil emigrantes é muçulmano.






quarta-feira, 13 de julho de 2016


Carácter português supera

a fragilidade francesa



Portugal e os Portugueses vistos por um estrangeiro, por ocasião da vitória
de Portugal sobre a França na final do Euro 2016.

(Original em inglês)


. . . . .

(Tradução automática)

Carácter português supera
a fragilidade francesa

Uma equipe tinha a vontade de vencer.
O outro teve apenas je ne sais quoi.

Tunku Varadarajan

CET 7/11/16, 01:04

Actualizada 7/11/16, 14:01 CET

O simplista e superficial será tentado a descartar as finais do Euro 2016 como um final monótono a um torneio monótona e pobre . Eles vão estar faltando uma enorme ponto sobre finais de campeonatos - e cerca de futebol em si.

Portugal derrotou a França por 1-0, e a modéstia do placar obscurece uma infinidade de coisas: drama, fortaleza, pungência, perversidade, resistência e determinação. O que não obscurecer o fato de que esta foi a maior conquista de Portugal como nação desde o dia em que foi admitido na Comunidade Económica Europeia em 1986.

Com todos os pré-match falar deste jogo sendo uma colisão de frente entre as estrelas as duas equipes "- Antoine Griezmann e Cristiano Ronaldo - que era fácil esquecer que o futebol é um jogo de equipa. Um lembrete de que a verdade veio cruelmente aos 25 minutos, quando Ronaldo estava maca para fora do campo.Portugal, você teria pensado, era agora uma equipa órfão. O que seria dos homens deixados no campo, sem o seu jogador da estrela, sua cintilante talismã?

Ronaldo tinha sido ferido no 8º minuto depois de um robusto, mas não extravagante, resolver por Dimitri Payet. Seu joelho dobraram e ele caiu no relvado, provocando uma luta grotesca de vaias dos torcedores franceses. Ele saiu a coxear do campo para o tratamento, então mancou de volta novamente, apenas para diminuir para o relvado mais uma vez. Os fãs franceses repetiu sua erupção de vaias - cacophonic e implacável, uma forma hedionda para tratar um homem ferido; mas o cavalheirismo não é a força de multidões franceses, que poderia aprender uma coisa ou duas a partir de alguns dos fãs que estiveram em seu meio de mais nações desportivas.

Era um paradoxo, mas Portugal cresceu em força com a saída de Ronaldo; e a França, que parecia invencível até aquele momento, parecia ter o ar sugado para fora dela. Era como se a partida de seu maior inimigo tinha deixado sem pistas sobre quem o adversário era agora.

Portugal malha-se em cota de malha; e como o francês disparou suas flechas, eles não conseguiram furar a defesa Português. O heróico Rui Patrício, na baliza, era como um personagem de Os Lusíadas.


O futebol era raramente muito, exceto quando Éder marcou magicamente no minuto 110; e não foi sempre edificante. Em momentos como este, especialmente nos finais de grandes torneios, é melhor não pensar do jogo puramente como o futebol. Pense nisso, em vez disso, como um drama humano mais amplo, um teste de caráter, e de todas as habilidades e artes de sobrevivência e de penetração.

Então eu não acho que de Pepe - Doughty, vilão, desconexo, Pepe histriônica - apenas como um jogador de futebol empacotamento backline de Portugal. Eu o vi como um soldado, um sobrevivente, um repulsor de hordas que avançavam. Eu não acho que de Nani - insatisfatórios, muitas vezes decepcionante Nani - como a frente mais provável para marcar um golo para Portugal; Eu pensava nele como o batedor que forayed profundamente em território inimigo em busca de fendas e caminhos.

O francês entrou em campo, deve-se dizer, com um certo suporte, intitulada, e sentia-se, a meio do jogo, que eles estavam indo para uma punição. Eles desperdiçaram oportunidades em abundância, e Didier Deschamps vai lamentar sua má gestão de Paul Pogba e sua desconfiança de Anthony Martial. Ele também vai lamentar, eu suspeito, a ausência de Karim Benzema, excluído do elenco por razões morais blousy. França perdeu a agitação da Big Benz; França perdeu a sua vanguarda.

O Português, por sua vez, jogou fiel ao tipo nacional e histórico. Deles é uma terra que sempre usou seus escassos recursos com sabedoria, astuciosamente, esticando-os ao máximo grau. Como poderia um pedaço de terra no extremo ocidental da Europa continental construir para si um império de tal magnitude. Há uma dourness de determinação, uma fortaleza defensiva, uma obstinação incansável ao Português que lhes serviu bem no império e os serviu no campo de futebol na noite de domingo.

Este, lembre-se, foi a última potência européia para produzir a independência às suas colónias africanas. Houve uma obstinação para a sua longevidade colonial, assim como houve uma obstinação de seu futebol na noite passada. A bela francesa, com suas habilidades e emoções e seus pavão-jogadores, não poderia quebrar o espírito do Português. A equipe francesa não tem a determinação para uma sucata prolongado. Seu desejo de "ganhar muito" era muito sufocante.

A final será lembrado mais longo em Portugal, onde ele será lembrado por uma eternidade. O resto de nós faria bem para admirar os vencedores para a sua vontade de vencer. Afinal, isso é o que cada equipe veio fazer no Euro 2016.

Será que gosto de cada equipa a jogar futebol a forma como esta equipa Português faz? Certamente não. Mas não gostaríamos cada equipe querer ganhar tão mal como Ronaldo e seu bando de homens fizeram? Eu acho que o que fazemos.Certamente que fazemos.

Reportagem adicional de Satya Varadarajan.

Tunku Varadarajan, contribuindo editor da  POLITICO , está escrevendo a coluna Linesman na Euro 2016.





terça-feira, 5 de julho de 2016


O emocionante depoimento

de uma sobrevivente do aborto



Esta é a história da vida real de uma mulher que sobreviveu a algo impossível! Gianna Jessen, hoje com 29 anos, ainda é uma jovem, mas a sua história de vida começou logo por ser algo terrível e difícil de imaginar!

A sua mãe estava grávida quando decidiu que não queria continuar com a gravidez, e recorreu a um médico conceituado nos Estados Unidos para queimá-la dentro do útero. Apesar da vontade da sua mãe e do médico envolvido fosse livrarem-se dela a qualquer custo, eles falharam. Gianna, contra todas as expectativas nasceu viva, e recuperou quase totalmente do procedimento a que foi sujeita!

Tal acto cruel teve no entanto as suas consequências, e Gianna tem uma paralisia cerebral que foi causada pela falta de oxigénio no cérebro, aquando do procedimento, mas mais uma vez, não foi isso que a fez desistir de correr atrás dos seus sonhos, mesmo antes de nascer ela já era uma lutadora!

Gianna Jessen vem dar a sua cara e a palavra ao público, 29 anos depois de tentarem abortá-la, e a sua vingança não podia ser mais inteligente. Sem ser preciso levantar sequer a voz, sem recorrer a expressões de ódio ou rancor, ela fez valer o seu ponto de vista perante uma multidão, e toda a gente ficou emocionada com o seu depoimento.

Um relato de vida de tal forma poderoso, que foi a resposta perfeita que ela poderia ter dado à sua mãe pela crueldade que fez – relembramos que ela tem de conviver com uma paralisia cerebral graças à sua mãe – mas também a todas as mulheres, maridos, namorados, médicos, que têm a triste ideia de privar um bebé de vir ao mundo.

https://www.youtube.com/watch?v=edqf7Jm8BUs