quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
Filhos amigos
Inês Teotónio Pereira, Jornal i, 5 de Janeiro de 2016
Os meus filhos mais velhos já não querem ir comigo ao cinema – estou no chão, verdadeira e emocionalmente de rastos
Os meus filhos mais velhos já não querem ir comigo ao cinema – estou no chão, verdadeira e emocionalmente de rastos. Durante anos era eu que não queria ir ao cinema com eles, agora são eles que não querem ir comigo. Assim, sem mais nem menos, deixaram de querer. Foi de um dia para o outro: «quem é que quer ir ver a Guerra da Estrelas?». Só os mais novos saltaram de alegria, os outros, os que percebem alguma coisa do filme, disfarçaram como se os tivesse a convidar para irmos ouvir uma conferência sobre Física Molecular e de forma condescendente, num notável esforço de boa educação, disseram que até poderiam fazer-me a companhia se eu não tivesse com quem ir. Não quis acreditar: companhia faz-se aos velhinhos. O meu orgulho, a minha auto-estima e minha segurança foi abalada atingindo níveis verdadeiramente precários. Foi então que me senti como aquelas velhinhas que os filhos levam a passear ao café e falam de forma impaciente quando elas não se decidem em que mesa se querem sentar ou qual o bolo que querem comer. Estou quase lá, pensei eu.
É inegavelmente uma situação de injustiça. Agora, que estes meus filhos chegaram a uma idade em que já se consegue ter uma conversa com pés e cabeça, em que já conseguimos rir das mesmas coisas e em que até gostamos dos mesmos filmes, eles descartam-me. Agora, que eu até estava disposta a estreitar uma relação de amizade com eles e não apenas a estreitar uma relação maternal em que predomina a hierarquia e a autoridade, eles têm o desplante, a lata, de me trocarem por um bando de miúdos da idade deles com muito menos interesse que eu.
Foram anos a aturar versões dobradas dos filmes animados, horas passadas nas filas do McDonald, dias inteiros em que o meu objectivo era apenas que eles se divertissem na serra, na praia, nos parques. Foram fins de semana alucinantes que serviram para tudo menos para descansar. E quando uma pessoa pensa que pronto, acabou, agora já posso sair com eles sem ser por puro altruísmo, agora já posso divertir-me com eles, pumba, fecham-nos a porta na cara. «Desculpa lá, mas vai lá à tua vidinha, arranja uns amigos da tua idade que eu vou-me divertir com os meus». E pronto.
Basicamente eles não querem misturas: mãe é mãe, amigos são amigos. Cada macaco no seu galho. De mim eles esperam dinheiro, comida, roupa, educação, ordens, castigos, compreensão, perdão e que lhes lave as cuecas e as meias. Coisa pouca, portanto. Dos amigos esperam divertimento o que inclui a ida ao cinema. Misturar as duas coisas – mãe e divertimento – desequilibra-lhes o lítio.
Entrei assim, desta forma abrupta, na adolescência maternal, na idade do armário das mães: a do orgulho. Agora sou eu e apenas eu e não preciso destes adolescentes para nada. Estou a reconquistar a minha independência e como é óbvio o meu humor varia ao longo do dia em oscilações repentinas tal como o dos adolescentes. Já não sou condescendente nem deixo que estes pirralhos me atrapalhem os fins-de-semana. Não tenho borbulhas, é certo, mas sinto alguma revolta típica de uma generation gap. Quero liberdade mas sinto ainda alguma dependência. Estou em processo de crescimento, vá. Sobram-me os meus filhos mais novos e com estes ainda tenho de ir ao cinema (ver filmes que tenham V.P. depois do título). Sofro, portanto, e para agravar o meu estado, de bipolaridade materna.
Mas o pior disto tudo é que ainda não vi a Guerra das Estrelas e os ingratos dos meus filhos mais velhos já viram. Às minhas custas, claro. Tenho mesmo de crescer.
sábado, 2 de janeiro de 2016
Cenas de Natal
Inês Teotónio Pereira,
ionline, 2 de Janeiro de 2016
Já não deve faltar muito até chegarmos todos à
conclusão de que afinal quem nasceu no dia 25 de Dezembro foi o Pai Natal. O
resto são lendas…
Fui com os meus filhos a uma das dezenas de aldeias
de Natal que hoje em dia fazem concorrência às rotundas que as câmaras tanto
gostam de inaugurar ou às feiras medievais importadas de Espanha que durante o
Verão fazem de nós todos parvos.
As aldeias de Natal são o novo fenómeno municipal e
como eu não perco fenómenos, peguei na criançada e fui ver. Eu e mais milhares
de famílias. Foi giro: vimos duendes, renas, fadas, mais uns duendes e uma
fadas, uns palhaços e umas casinhas com neve a fingir no telhado, mais uns
duendes e umas fadas, também vimos umas árvores de Natal, bonecos de neve,
presentes embrulhados e mais renas. A coisa correu bem: não houve birras nem
lutas. No fim ainda consegui negociar com os meus filhos e eles condescenderem
não irmos para a fila tirar uma fotografia com o Pai Natal em troca de um bolo
que comprei para cada um. Tivemos ainda a sorte de comer o bolo ao lado do Pai
Natal que fugiu do seu cadeirão e das criancinha para ir beber uma
imperial e fumar um merecido cigarro. Por sorte calhou irmos todos ao mesmo
café e os meus filhos ficaram embasbacados ao verem a facilidade com que ele
desprendeu a barba para beber a cerveja num só trago. São estas as memórias que
ficam.
No caminho de volta, vimos as mesmas coisas mas só
então reparei que até havia guloseimas a ornamentar os pitorescos canteiros do
jardim. Até que eu, uma beata, fanática, conservadora ou mesmo neoliberal,
resolvi perguntar a um dos organizadores: «Olhe, desculpe, o presépio
está onde?». O rapaz olhou para mim como se eu lhe tivesse
perguntado quem ganhou as eleições e atrapalhado respondeu: «Não há...
São só coisas de Natal». Os meus filhos, que já estão na idade de
terem vergonha dos pais, coraram, o rapaz também e eu constatei que os
portugueses são de costumes tão brandos mas tão brandos que se ficaram pela
brandura da bonecada e deixaram o Natal para os fundamentalistas religiosos.
Como estava com os meus filhos tive de fazer o
papel de mãe e não pude deixar de exclamar indignada: «Incrível: isto é o mesmo
que fazer uma festa de anos e não convidar o aniversariante!». Eles
ficaram a olhar para mim. Continuei a insultar tudo e todos até que um deles
disse: «Mas mãe, isto hoje em dia é mesmo assim: um amigo meu nem
sequer sabe o que se festeja na Páscoa». Chateou-me o
«hoje em dia», onde se podia ler «estás out, cota». Mas calei-me: contra factos
não há argumentos e tendo em conta que a autarquia organizadora da aldeia
representa os munícipes e para os munícipes o Natal é bonecada, está tudo bem.
Ali quem estava desajustada era eu, concluí.
A verdade é que o Natal está fora de moda. Já não é
moda ir à missa do Galo ou falar do nascimento de Jesus. Um presépio no
meio dos duendes fica objectivamente mal. A árvore de Natal substituiu o
presépio e o Pai Natal o Menino Jesus. Já é com alguma dificuldade que
apanhamos filmes épicos na televisão tipo Quo Vadis ou as
Sandálias do Pescador e estamos apenas presos ao significado natalício
televisivo pelos fios frágeis da Música no Coração ou do Sozinho em Casa. Hoje
em dia Natal é neve, gelo e duendes. Já nem sequer é azeite Galo: é sushi. Sushi em família, vá.
Há países onde é proibido festejar o Natal ou ir à
missa e onde se é morto por se ser um cristão; há outros onde é proibido
enfeitar montras, montar iluminações ou decorar as ruas com qualquer coisa
alusiva ao Natal para não «ofender» outras religiões.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Os saudáveis populistas
Helena Matos, Observador, 27
de Dezembro de 2015
Marcelo Rebelo de Sousa: «Pode-se
poupar em muita coisa, mas poupar na saúde dos portugueses não é um bom
princípio para quem quer afirmar a justiça social e construir um Estado
democrático mais justo», declarou aos jornalistas, no início de uma visita ao
Hospital de São José, em Lisboa.
Maria de Belém: «Tesouraria»
não pode estar à frente «da defesa do valor da vida».
Marisa Matias, considera
que a morte de um homem no São José é uma consequência da austeridade imposta
pelo anterior Governo. «Foi uma política que matou gente. Foi denunciado em
devido tempo que esta política de austeridade e este ciclo de empobrecimento
que estava a ser posta em prática pelo Governo de direita levaria mesmo a
muitas vidas que se perderam».
Perante este tipo de considerandos, sobretudo os
provenientes de Marcelo Rebelo de Sousa e de Maria de Belém, apetece perguntar:
pensam estes candidatos à Presidência da República recorrer ao SNS quando
tiverem problemas de saúde? Caso respondam afirmativamente, estimam viver
quantos anos mais? É que para falar deste modo, como se não houvesse amanhã,
tem de se estar dotado da forte convicção (eu diria antes fé) de que se vai
gozar de uma saúde de ferro até àquele derradeiro momento em que a bondade de
uma morte súbita porá fim a vida tão saudável. (De caminho também é
indispensável estar disposto a descer moralmente muito para subir um pouco mais
nas sondagens, mas esse é outro assunto.) Afinal a quem não sabe que morte o
espera e de que doenças vai sofrer resta apenas uma pragmática certeza: todos
podemos acabar num hospital. Que este se organize em função dos doentes ou das
questões contratuais do seu pessoal não é a mesma coisa.
Mas vamos ao que suscitou esta sucessão de
declarações dos candidatos à Presidência da República: a morte a 14 de Dezembro
de um homem de 29 anos, no Hospital de São José, depois de ter sido internado
no dia 11. No momento do internamento foi-lhe diagnosticada uma hemorragia
cerebral provocada por um aneurisma o que obrigava a uma intervenção cirúrgica
rápida. A intervenção nunca aconteceu porque dia 11 era sexta-feira e no
Hospital de São José ao fim-de-semana (a sexta-feira à tarde já entra no
conceito de fim-de-semana?), não se encontravam equipas de neurocirurgia. E
porque não se encontravam equipas de neurocirurgia em São José? Pela mesma
razão porque os tratamentos mais rigorosos são interrompidos com a maior das
naturalidades ao fim-de-semana e feriados: porque no país em que oficialmente a
saúde não tem preço nem se discute quanto nos custa e como funciona o que não
tem preço, florescem os mais fantásticos negócios e crescem destravados
privilégios à conta desses dogmas.
Tanto quanto se sabe – e sabe-se pouco porque em
geral nestas discussões sobre os serviços públicos ditos gratuitos evita-se dar
números enfatizado sim a questão abstracta dos «meios», dos «cortes», dos
«recursos» que ora existem ora são cortados… – em 2013, os enfermeiros do
Hospital de São José, declararam-se indisponíveis para fazerem turnos
extraordinários aos sábados e domingos. Médicos e radiologistas secundaram-nos.
Segundo o Expresso esta recusa deveu-se a uma redução de
aproximadamente 50 por cento dos valores que médicos e enfermeiros então
cobravam por cada dia de prevenção (sem presença física no hospital) durante o
fim-de-semana. Ou seja os médicos passariam de 500 para 250 euros e os
enfermeiros de 260 para 130 (valores aproximados).
Não estou a dizer que seja muito ou pouco. Bem ou
mal pago. Mas para uma saúde que não tem preço digamos que é um preço muito
alto para estar de prevenção. À conta da saúde que não tem preço, do «na saúde
não se poupa» e da imagem cara a Maria de Belém da tesouraria versus o valor da
vida acabámos a criar um monstro de duas faces. De um lado, resguardadas na
opacidade da saúde dita gratuita estão as corporações a aumentarem os seus
privilégios e os seus ganhos (neste caso concreto é dificílimo perceber quanto
se pagava às equipas de neurocirurgia antes de 2013, quanto se pagou em 2014 e
2015 e quanto se vai pagar agora que foi anunciado um novo acordo). Na outra
face estão os políticos a dizerem às pessoas aquilo que eles, políticos, acham
que os eleitores querem ouvir. E nenhuma destas faces está interessada em
discutir a sobrevivência do SNS ou a sua qualidade. O que lhes interessa é a
sua sobrevivência pessoal dentro do SNS (caso das ordens, sindicatos,
interesses na área do medicamento) ou, no caso dos políticos, evitar ser
destruído pelas corporações do SNS como aconteceu com Leonor Beleza ou acabar
discreto mas firmemente afastado por elas, como sucedeu com Correia de Campos.
Contudo, e para lá do que dizem e sobretudo do que
calam as duas faces, Portugal gasta muito com o SNS, gasta comparativamente
mais que outros países mais ricos – mesmo com os cortes, os gastos totais com a
Saúde em Portugal mantiveram-se acima da média da UE – e tanto Marcelo Rebelo
de Sousa como Maria de Belém sabem-no. Quanto a Marisa Matias não sei se sabe
ou se tal como Marcelo e Maria de Belém faz de conta que não sabe mas espero
que o mais rapidamente possível apresente dados, números e casos da «tanta
gente» que no seu dizer morreu em consequência dos «cortes na saúde». E de
caminho pode precisar quanta gente cabe em «tanta gente»?
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
Dinheiro de Natal
Inês Teotónio Pereira, Jornal I, 23 de Dezembro de 2015
Os miúdos são como a esquerda, se lhes damos dinheiro eles só pensam em gastar e só fazem asneiras.
Depois de anos e anos a gastar dinheiro em carrinhos, videojogos, bolas, equipamentos, chuteiras e bonecas como presentes de Natal cheguei à mais triste conclusão que um conservador pode chegar: estou fora do tempo. Os meus filhos não querem presentes de Natal, querem dinheiro de Natal. Como socialista que é a criançada quer é ter dinheiro que não é dela para gastar e não lhes interessa para nada as tradições e o esforço que uma mãe faz, a palmilhar quilómetros nos centros comerciais e partir a cabeça para descobrir o que eles gostam e precisam. Para eles, o espírito natalício é terem dinheiro que não ganharam para poderem gastar naquilo que não precisam, cujo o benefício é no mínimo duvidoso e na maioria das vezes estúpido. Socialismo natalício puro.
No entanto, eu resisto. E contra a vontade dos meus filhos recuso-me em dar-lhes dinheiro. Primeiro, porque seria estranho embrulhar dinheiro – é sempre suspeito quando se tem de embrulhar dinheiro – e, depois, porque lá se ia a minha motivação para gastar tempo a pensar neles, naquilo que os faria sorrir e naquilo que eles gostariam de ter. Lá se ia o meu espírito de Natal, juntamente com os euros.
Os miúdos são de ímpetos, o que faz, caso ninguém os impeça, com que eles comprem coisas parvas com o nosso dinheiro só porque o anúncio na televisão é muita giro. A nossa esquerda é igual: se lhes damos dinheiro para a mão, uma vez que não lhe reconhecem o valor e acham mesmo que conseguem decidir melhor que nós onde o gastar, só fazem asneiras. Fazem coisas como, por exemplo, quererem comprar a TAP com o nosso dinheiro, custe o que custar, porque, lá está, é muita giro ter uma companhia de aviação de «bandeira». E por que é que o fazem: porque, lá está, o dinheiro não é deles, não são eles que pagam e é mesmo muita giro. O meu filho também queria dinheiro para comprar um carro telecomandado para transportar a Nerf e gatos (mesmo a sério, não é metáfora). Ora, por aqui se vê que dar dinheiro no Natal às crianças é a mesma coisa que permitir que os socialistas, comunistas e bloquistas comprem a TAP de volta.
Ou numa versão mais alargada, é o mesmo que deixar a esquerda governar e permitir que não haja qualquer controlo nos custos, na despesa e no benefício do nosso dinheirinho. É atirar o dinheiro que nos custou a ganhar pela janela fora, como se fosse apenas simples papel.
E como é que eu cheguei a esta conclusão? Uma vez larguei um dos meus filhos numa loja de brinquedos e disse-lhe que ele podia escolher o que quisesse dentro de um determinado orçamento. A criança só não levantou o punho por acaso; ela esteve mais de meia hora às voltas na loja a ponderar onde devia gastar o dinheiro – tinha de o gastar, está claro. Suou, agitou-se, enervou-se e no fim só escolheu porcarias. Arrependeu-se das compras que fez, depois de ter visto novos anúncios muita giros na televisão, logo no dia seguinte. E eu fiquei a arder, tal como os portugueses ficaram e ficarão a arder com o dinheiro que pagaram e que vão pagar durante os consulados socialistas.
Por tudo isto, e como conservadora que sou, afirmo-me frontalmente contra a nova moda de dar dinheiro às crianças no Natal. O nosso dinheiro só se confia a quem o sabe geri-lo e são raras as crianças ou os socialistas que o sabem fazer. Sendo que, justiça seja feita, ainda há crianças que o saibam fazer. No Natal dá-se relógios, jogos, brinquedos, bolas ou até cães e gatos – pelo menos enquanto o PAN não se pronunciar contra o comércio de animais e o PS achar esta uma ideia muita gira. Já o dinheirinho dá-se a quem precisa e não a quem tem a lata de achar que o gere melhor do que quem o ganhou.
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Eslovénia rejeita em referendo
casamento entre pessoas do mesmo sexo
Mais de 60% dos eslovenos rejeitaram hoje em
referendo uma lei que autorizava o casamento entre pessoas do mesmo sexo,
aprovada em Março no Parlamento, segundo os resultados quase definitivos
divulgados pela comissão eleitoral.
O referendo foi realizado por iniciativa dos
opositores do casamento homossexual, que obtiveram 63,12% quando estavam
contados 96% dos votos, enquanto os apoiantes da lei ficaram com 36,88%, de
acordo com os resultados.
A votação contou apenas com a participação de
35,65% dos eleitores, mas mesmo assim o referendo é válido, dado que só
necessitava de uma participação de 20%.
No Parlamento, a lei alcançara uma larga maioria,
com o apoio da esquerda e do partido centrista do primeiro-ministro, Miro
Cerar, reconhecendo aos casais do mesmo sexo os mesmos direitos dos casais
heterossexuais, incluindo o direito de adopção, o ponto mais contestado pelos
opositores.
O Papa Francisco defendeu esta semana o «não»,
convidando os eslovenos a «apoiarem a família, estrutura de referência da vida
em sociedade».
Os defensores do «não» eram apoiados pela oposição
de direita e pela Igreja católica e lançaram este processo conseguindo reunir
as 40 mil assinaturas necessárias para a realização de um referendo de iniciativa
popular.
A organização do referendo suspendeu a aplicação da
lei e não chegou a realizar-se qualquer casamento ao abrigo da mesma.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Natal — 2015
É Natal! Já chove e faz muito frio
nos lugares nevados das serras beirãs,
nos agrestes campos que, de sol vazio,
branqueiam geados nas frias manhãs…
Lisboa, que acorda no seu burburinho
de fins-de-semana em compras banais,
recolhe o Natal, em cada cantinho,
com presentes novos, quase sempre iguais…
Já corre, nas ruas a chuva, em regatos,
a chuva que molha um corpo estendido
no nicho dum prédio, em becos pacatos,
um corpo qualquer, qualquer sem-abrigo…
Natal é NATAL, é quadra de amor,
do ser solidário, de justiça e esperança…
É Natal, p’lo tempo! Nasceu o Senhor,
o Menino-Deus, como uma criança…
Procuro na luz dos justos, a fé,
nos sonhos da vida, um dia maior,
na força do crer, em cada maré,
na humanidade, um mundo melhor…
Cada ano traz um Natal diferente
às montras das lojas em sítios iguais,
mas p’ra cada irmão, cada ser vivente,
nascerá Jesus em outros natais?...
Maria de Fátima Mendonça, Dezembro de 2015
domingo, 13 de dezembro de 2015
Os lamentos de Nuno Crato
não chegam ao céu
Heduíno Gomes
![]() |
| Justino e Crato: evolução na continuidade. |
Ainda o novo salvador da educação do governo de António Costa não tinha aquecido o lugar, já o ex-Ministro Nuno Crato filosofava no Público (12 de Dezembro de 2015) sobre o ensino, no bom estilo de Roberto Carneiro ou Velez Grilo. Coisa que não era o seu estilo e a que terá ganho o gosto na Avenida 5 de Outubro. Trata-se, apenas, de uma justificação para os resultados nulos da sua acção, tanto mais quanto as expectativas que tinha criado em algumas pessoas.
Crato deixou-nos no sistema de ensino a mesma dominante filosofia rousseauista, o mesmo pedagogismo paranóico, a mesma nomenclatura igualitarista e niveladora por baixo, os mesmos programas a condizer, os mesmos manuais escolares medíocres, a mesma indisciplina e permissividade nas escolas, a mesma fraude «generosa» na pseudo-avaliação, a mesma estupidez na colocação de professores, os mesmos dramas na vida dos professores, a mesma secundarização do ensino do Estado em termos de qualidade, o mesmo complexo pedagogico-industrial a mandar no ensino e a submeter o interesse nacional ao lucro e carreiras dos parasitas que o compõem — «especialistas» em «pedagogia», empresas editoras, sindicalistas do sector e outros de menor evidência.
Crato herdou um sistema de ensino medíocre e, volvidos 4 anos de maioria no parlamento, o sistema de ensino permaneceu igualmente medíocre. Outra coisa não seria de esperar dada a sua superficialidade na abordagem do problema. Não fez o que devia, ou porque é rolha, ou porque não sabia o quê e como.
Agora pode «filosofar» o que quiser. O que fica para a história é a sua nula acção. Foi mais um que por lá passou a encher o currículo.
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
Fazer rir as criancinhas
Inês Teotónio Pereira, Ionline, 7 de Dezembro de 2015
Meus senhores, eleitos ou não, as nossas crianças contam convosco para se rirem: mostrar o ministro Mário Centeno não chega
Os meus filhos estão desiludidos com o PS. O PS, o partido com o qual eles sempre contaram para poderem rir em vez de estudar, afinal só acabou com os exames do 4.º ano. Apenas do 4.º ano. Não se faz. Isto revela uma notória falta de sensibilidade e um enorme desprezo pelo superior interesse da criança. E os outros exames e as outras crianças? Eu tenho filhos que vão fazer exames no 6.º e no 9.º e tenho outro que tem a legitima esperança de entrar em Medicina tendo em conta o apurado sentido de humor que tem, o facto de rir com os Monty Python e de até saber tocar viola. Mas afinal só a minha filha é que se safou. Só ela é que não vai fazer exame.
«Porquê só o fim de um exame? Só um?»- perguntam eles entre a incredibilidade e o horror. Sentem-se traídos e com razão. Expliquei-lhes que os senhores do PC e do BE, que são agora quem decide as políticas de educação, acham que os exames do 4.º ano traumatizam e provocam stress nas crianças. «Mãe, o que é traumatizam, eu tenho isso?», perguntou um deles que há dois anos fez o malfadado exame. Sosseguei a criança assegurando-lhe que ele está bem, e que se salvou do trauma. Mas eles não se conformam e lutam comigo como se eu fosse do PS. Eu...? A minha filha, de certeza fascista, diz que anda há três anos a preparar-se para o exame e quer fazê-lo. «Não tenho medo de apanhar o trauma», diz ela com a bravura dos incautos. Outro, quer ver revogada a nota do exame que fez há dois anos invocando o princípio da igualdade: «Lá por eu ser rapaz não posso ser prejudicado». O outro diz que não quer fazer o exame do 9.º ano porque há muitos países da União Europeia, muito mais desenvolvidos do que o nosso, que não têm este exame.
«Os exames são um ataque ao modelo de educação que vigora em toda a Europa», denuncia. Aquele que vai fazer exames no 6.º diz que não se importa de fazer exames a Educação Física ou a Música, já que são disciplinas tão fundamentais quanto a Português e Matemática, mas tem receio que os exames a Matemática e a Português o traumatizem: «apesar de me ter salvo há dois anos não quero arriscar outra vez». O mais velho, esse, está a rever todos os episódios da série Modern Family e pôs o livro de Biologia à venda no OLX; diz que acredita na Catarina Martins e no comité central do PC e tem esperança que o jovem ministro da educação da FENPROF acabe com os exames de ingresso à universidade. «Era o mínimo que ele podia fazer pela qualificação dos portugueses. Para ser engenheiro bioquímico chega ter visto o Meaning of Life».
E é assim, neste ambiente visivelmente crispado e irremediavelmente dividido, que a minha família abraça o espírito de Natal. E é por tudo isto que apelo daqui ao novo governo, ao BE, ao PC e à FENPROF (perdoem-me o pleonasmo) que tomem medidas mais corajosas que vão de encontro à felicidade dos meus filhos. É como mãe que vos peço que não se fiquem pelos exames do 4.º ano: acabem com tudo. Os meus filhos têm o direito a serem médicos, arquitectos ou advogados sem que para isso tenham de fazer exames, testes ou provas. Eles não podem ser magoados por um sistema que os stressa com avaliações sumárias como se de fuzilamentos se tratassem. Eles são crianças, jovens, com direitos e um interesse superior em não estudar ou em serem avaliados. E acabem com a discriminação: porque é que as crianças de nove anos têm mais direitos que as de 11 ou de 13? Todas elas precisam de rir seja qual for a idade e nenhuma delas precisa de ser fechada durante uma hora numa sala de aula a responder a perguntas, vigiada por uma pessoa que não conhece e que a impede de copiar ou até de falar. Isto pode deixar marcas para a vida. E se se magoam com o lápis?
Mas não acabem só com os exames: também na matemática se ensinam coisas complicadíssimas e deviam ponderar a continuação desta disciplina que não faz ninguém rir. E o Português: para quê ensinar Português se todos os computadores têm correctores? Não, assim não pode ser porque é assim que caminhamos para o desastre e para o fim do Estado Social.
Meus senhores, eleitos ou não, as nossas crianças contam convosco para se rirem: mostrar o ministro Mário Centeno não chega.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
Um dom, e não um direito
Pedro Vaz Patto
No início da nova legislatura, com a marca de prioridade ideológica por parte dos partidos proponentes, o Parlamento discute projectos que legalizam a adopção conjunta por uniões homossexuais e que alargam o recurso a técnicas de procriação medicamente assistida a mulheres sós ou em união homossexual. E parece que quase nem vale a pena discutir estas alterações de grande alcance antropológico e ético, tão dogmáticos são os seus apoiantes e tão menosprezados (nuns casos) ou tímidos (noutros) são os que as contestam. Mas vale a pena chamar a atenção (pelo menos isso) para o que está em jogo.
A adopção não pode configurar-se como direito dos candidatos a adoptantes. Não se trata, pois, e em primeira linha, de chamar à colação, no que a esses candidatos diz respeito, o princípio da igualdade e não discriminação em função da orientação sexual.
Decisivo é, antes, o bem da criança a adoptar. Sabendo que a finalidade da adopção não se compadece com qualquer experimentalismo social, nem se confunde com qualquer instrumento de afirmação de «novos modelos de família». Finalidade da adopção é a de proporcionar à criança uma família o mais possível igual à da família biológica (uma família igual à das outras crianças), não um qualquer espaço afectivo, mas aquele que é próprio da filiação.
O bem da criança supõe, no que à adopção conjunta diz respeito, a presença simultânea de uma mãe de um pai. Cada um deles tem um papel único e insubstituível. Uma mãe, nunca substitui um pai e um pai nunca substitui uma mãe. A configuração concreta desses papéis vai mudando com o tempo e em função de características peculiares de cada pessoa. Mas nunca a ponto de tornar indistinto o que há de ser sempre distinto, porque radica na natureza humana. As dimensões masculina e feminina só em conjunto, na sua complementaridade, compõem a riqueza integral do humano e só a presença simultânea das figuras materna e paterna proporciona à criança o benefício dessa riqueza integral. O progenitor do mesmo sexo, como modelo, ajuda a criança a encontrar a sua própria identidade, tal como o progenitor de sexo oposto lhe permite colher características desse outro sexo que também concorrem para a formação de uma personalidade humanamente completa e equilibrada.
No fundo, é a riqueza da dualidade e complementaridade dos papéis do pai e da mãe que justifica que, na adopção conjunta, os adoptantes sejam dois e não um, três ou mais.
Com o alargamento do recurso a técnicas de procriação medicamente assistida a mulheres sós ou em união homossexual, é eliminada a regra de que esse é um meio de procriação subsidiário, destinado a suprir uma infertilidade patológica, passando a poder ser encarado como um meio alternativo de procriação, ou seja, um instrumento de realização de qualquer projecto parental possibilitado pelo desenvolvimento científico. E torna-se lícito privar a criança da figura paterna, de forma deliberada e programada.
Já houve quem saudasse esta inovação por representar uma quebra da «desigualdade arcaica que reduz as mulheres a apêndices dos homens».
Mas, na verdade, a natureza colocou, neste aspecto, homens e mulheres em estrito pé de igualdade: as mulheres não procriam sem os homens, mas os homens também não procriam sem as mulheres. Ninguém é mãe sozinha e ninguém é pai sozinho. Não se trata de um desígnio a corrigir ou anular, como se não tivesse sentido. Cada um dos sexos não pode deixar de reconhecer, assim, a importância do outro. Assim se exprime a estrutural relacionalidade da pessoa humana, que se realiza na comunhão com o outro. Essa comunhão está na origem da vida a partir da unidade da diversidade mais elementar: a que distingue homens e mulheres. Da riqueza da dualidade sexual nasce a vida. Associar a geração da vida à comunhão e ao amor (a vida é fruto do amor e o do amor nasce a vida), e à riqueza da dualidade sexual, não é um «engano» da natureza, mas um desígnio maravilhoso a aceitar e acolher.
A alteração proposta pretende consagrar uma visão radicalmente diferente: a procriação como instrumento de realização de um projecto individual, e não relacional. O filho tende, assim, muito mais, a ser encarado como espelho do único progenitor, e já não como dom a acolher na sua alteridade e unicidade. Passa a ser visto como objecto de um direito que se reivindica. É o «direito à parentalidade» que está em jogo – afirma-se em defesa do projecto em discussão.
Quando se rejeitam estes dois projectos, não se trata de impor um modelo de família ou uma forma de encarar a maternidade. Trata-se de dar primazia ao bem do filho, que não pode ser coisificado como objecto de um direito. Não há um direito ao filho; o filho é um dom a acolher. O bem do filho exige que ele seja fruto de uma relação, e não de um projecto individual. E exige que ele não seja intencionalmente privado de uma mãe ou de um pai.
sábado, 5 de dezembro de 2015
Os deputados e ex-deputados do PSD e CDS
em conluio com o lóbi dos invertidos
Alguns ainda não saíram do armário,
votam
abstenção, mas nenhum é de confiança.
Impõe-se a depuração das fileiras.
PPD-PSD
![]() |
| Ana Oliveira |
![]() |
| Ana Sofia Bettencourt |
![]() |
| Ângela Guerra |
![]() |
| António Leitão Amaro |
![]() |
| António Lima Costa |
![]() |
| António Rodrigues |
![]() |
| Berta Cabral |
![]() |
| Cristóvão Norte |
![]() |
| Duarte Marques |
![]() |
| Firmino Pereira |
![]() |
| Francisca Almeida |
![]() |
| Hugo Soares |
![]() |
| Inês Domingos |
![]() |
| João Prata |
![]() |
| Joana Barata Lopes |
![]() |
| Luís Menezes |
![]() |
| Maria José Castelo Branco |
![]() |
| Margarida Balseiro Lopes |
![]() |
| Mónica Ferro |
![]() |
| Nuno Encarnação |
![]() |
| Odete Silva |
![]() |
| Paula Cardoso |
![]() |
| Paula Teixeira da Cruz |
![]() |
| Pedro Pinto |
![]() |
| Rubina Berardo |
![]() |
| Sérgio Azevedo |
![]() |
| Simão Ribeiro |
![]() |
| Teresa Leal Coelho |
![]() |
| Vasco Cunha |
PP
![]() |
| Adolfo Mesquita Nunes |
![]() |
| Ana Rita Bessa |
![]() |
| Assunção Cristas |
![]() |
| Francisco Mendes da Silva |
![]() |
| João Rebelo |
![]() |
| Teresa Caeiro |
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
Subscrever:
Mensagens (Atom)

















































