terça-feira, 15 de março de 2016
sábado, 12 de março de 2016
As redes sociais e a cultura da imaturidade
Pedro Afonso, médico psiquiatra, Observador, 10 de Março de 2016
O Facebook funciona muitas vezes como um «buraco negro» que suga as mentes de muitas pessoas, criando um estado regressivo colectivo. O pensamento pára, a introspecção e a autocrítica deixam de existir.
As redes sociais vieram mudar significativamente as nossas vidas. A emigração maciça da vida social real para o mundo virtual das redes sociais da internet corresponde, num sentido lato, à maior emigração humana da história.

Ninguém sabe exactamente quais são as consequências que decorrem deste novo estilo de vida passado na internet, embora já haja alguns estudos. Por exemplo, a utilização excessiva da internet e das redes sociais está associada a depressão, a uma baixa auto-estima e a sentimentos de isolamento. Além disso, a utilização regular das redes sociais, e mais concretamente do Facebook, tem sido associada a um maior risco de divórcio e de relacionamentos extraconjugais.
Um inquérito realizado junto da American Academy of Matrimonial Lawyers (AAML) revelou que a utilização da rede social Facebook estava envolvida, como factor principal, em um em cada cinco divórcios nos EUA. O ecrã do nosso computador serve muitas vezes como uma espécie de janela para as nossas fantasias, onde se busca aquilo que não encontramos na vida real. Se um casamento está em crise, se alguém está infeliz numa relação, pode surgir a tendência para essa pessoa procurar uma alternativa amorosa. Essa procura faz-se cada vez mais nas redes sociais. Porém, essa busca pode revelar-se enganadora, uma vez que é essencialmente reactiva e emocional. Muitas vezes não se faz uma reflexão madura adequada sobre o que está mal na relação conjugal e o que poderá ser alterado, o que já foi feito para melhorar e o que ainda é possível fazer; há geralmente uma fuga para a frente.
Qualquer pessoa percebe que, com a rapidez com que tudo se passa actualmente na era da internet, a ponderação e a reflexão foram praticamente excluídas do nosso dia-a-dia. Muitas crises conjugais são intensificadas por uma baixa tolerância à frustração, uma falta de perseverança face à adversidade e por um certo egocentrismo. Com frequência, as justificações das rupturas são importadas das revistas cor de rosa e assentam nos clichês individualistas habituais: «não era feliz», «deixei de gostar», «tenho o direito de procurar a minha felicidade», «quero voltar a estar apaixonado(a)».
O mundo mudou e muitas vezes já não são as televisões, os jornais e as rádios que nos dão as notícias, mas são as redes sociais que, perante determinados acontecimentos que aparentemente seriam insignificantes, fazem a notícia. Todavia, em muitos casos a reacção é emocional, pouco profunda e elaborada, tal como grande parte dos comentários que lemos sobre as notícias dos jornais na internet. A agressividade prepondera, assistem-se a linchamentos públicos, e todos têm opinião sobre tudo.
Veja-se o caso recente do colunista Henrique Raposo, mais concretamente o ódio irracional de que foi vítima nas redes sociais, após a publicação do seu livro Alentejo Prometido. É certo que correu riscos, por ter abordado temáticas nesta obra que não domina propriamente (psiquiatria e sociologia), mas isso não invalida que emita opinião e pense sobre o assunto, ainda que se possa discordar. Ora, é precisamente «o pensamento» que está a desaparecer numa parte significativa da sociedade que emigrou para as redes sociais e que por lá passa cada vez mais tempo. O Facebook funciona muitas vezes como um enorme «buraco negro» que vai sugando as mentes de muitas pessoas, criando um estado regressivo colectivo. O pensamento pára, a introspecção e a autocrítica deixam de existir. Tudo é reactivo e instintivo, o hedonismo prevalece e o seguidismo emocional cego surge de forma recorrente e imprevisível. Numa palavra, as emoções dominam o ser humano e surgem dissociadas do pensamento e da inteligência.
Em ambos os exemplos citados anteriormente, há um elemento comum: estamos a assistir à promoção da cultura da imaturidade. Neste contexto, as redes sociais são autênticos «esconderijos emocionais», pois não estão a favorecer propriamente o conhecimento, a reflexão, a prudência e o autocontrolo. Existe uma exaltação febril da impulsividade, da superficialidade, da expressão de sentimentos e comportamentos mais primitivos, como a violência e os julgamentos sumários das pessoas. Estas características são imaturas, primárias e revelam uma reduzida inteligência emocional.
Cada vez mais pessoas passam demasiado tempo imersas no mundo virtual das redes sociais da internet, agarradas obsessivamente ao computador, procurando a sua auto-realização. Mas julgo que este caminho é enganador e não ajuda ao crescimento individual, nem à aquisição de uma verdadeira aprendizagem social. O mundo real é muito mais rico, profundo, e valioso do que o mundo virtual. É motivo para dizer «viva cá fora, não se refugie lá dentro».
quarta-feira, 9 de março de 2016
Do género da parvoíce
Inês Teotónio Pereira, Diário de Notícias, 5 de Março de 2016
A minha filha tem uma voz fininha que até podia achar
esganiçada se não estivesse a falar da minha filha. Ela é muito delicada, amua
e reclama que é muito sensível. Tem pânico de aranhas e quer ser educadora de
infância. Adora vestir-se de princesa e fica horas na casa de banho a
pentear-se. Ela e as amigas gostam de brincar aos cabeleireiros e sentam-se nos
cantinhos a falar e a rir de tudo e por nada.
A minha filha cresceu com cinco irmãos a infernizar-lhe a
vida e ela a vida deles. Ao princípio, quando era mais pequenina, queria ser
maria-rapaz já que não podia ser rapaz – uma injustiça. Mas ela combatia a
injustiça: batia nos rapazes, gritava mais do que eles e levava uma bola para a
escola. E lá ia ela, com a voz esganiçada, medo de aranhas e bola debaixo do
braço. Acabou por desistir da bola porque, dizia: tiravam-na dos pés só por ela
ser rapariga.
Lá está. Quando a minha filha soube que o último irmão
seria rapaz, chorou. Perguntámos
pela razão do desgosto, já que ela seria sempre a única menina. Sem concorrência.
Mas ela só chorava. Até que gritou: «Eu queria ter uma irmã para poder brincar
com coisas de meninas.»
Ups... Mas o que é isto? Isto é sinal de que a minha
filha padece de «atitude discriminatória que reforça os estereótipos de
género», como diz a secretária de Estado da Igualdade – uma feroz opositora da
«prática de dividir brinquedos por sexo». A minha filha discrimina, divide. Ela
nunca gostou de carrinhos ou de futebol – coisas de rapazes, diz. E eles? Eles
também. Eles, Deus lhes perdoe, não apreciam a Barbie e evitam pintar as unhas.
Só há uma solução para isto: acabar com os Happy Meals
discriminatórios – óbvio, o fim da divisão das roupas, das palavras, mães e
pais e tudo o que se divida na cabeça da secretária de Estado da Igualdade. Já
agora, quando é que escolhem um homem para esta pasta?
LER MAIS EM:
sábado, 5 de março de 2016
O complexo social-industrial em acção
Carta revela drama de mais famílias
que perderam a guarda dos filhos na Noruega
Num
abaixo-assinado, trinta e oito famílias denunciam sequestro sistemático de
crianças pelo governo
da Noruega: «Os nossos filhos estão sendo literalmente arrancados das nossas
mãos.»
«O Barnevernet sequestra crianças!»: protesto de famílias
da Lituânia, um dos países mais afectados pelas políticas autoritárias da
Noruega.
Trinta e oito famílias escreveram um abaixo-assinado
denunciando o sequestro sistemático de crianças feito nos últimos anos pelo
governo da Noruega. Assinada no início deste mês por pais vindos das mais
diversas partes do mundo, a carta é um protesto contra as decisões arbitrárias
do Barnevernet – o
departamento de «protecção à infância» do país –, que simplesmente afasta as
crianças dos seus pais, sem motivo razoável, nem mandado judicial. O documento
foi enviado às Nações Unidas, ao Papa Francisco, bem como à Comissão e ao
Parlamento da União Europeia.
Embora a Noruega não pertença à União Europeia, as famílias reunidas na plataforma Stop Barnevernet pedem que a
comunidade internacional intervenha de alguma forma para defender os seus
filhos e outros tantos que estão retidos pelo governo norueguês. Os signatários
da carta vêm de países como Eslovénia, Estados Unidos, Índia, Inglaterra,
Iraque, Lituânia, Roménia, Rússia, Suécia, Turquia e até do Brasil. Alguns só
podem ver os seus filhos «quatro horas por ano»; a outros é negado qualquer
contacto com as crianças. Mesmo os lactentes são tirados às suas mães e uma família norueguesa está sendo perseguida pelo departamento há
cinco gerações.
A brasileira residente no país Daiane Alves Lopes, uma
das vítimas desta política arbitrária, revelou à TV Anhanguera, no ano passado, como perdeu
a guarda de um dos seus dois filhos, Yorrani, que hoje vive num lar adoptivo. «Eles
fizeram uma reunião e não falaram que iam pegar a criança. Depois me chamaram.
Falaram que iam me ajudar. E quando eu cheguei lá não era isso. Tinha dois seguranças, fecharam
a porta e pediram a criança. Arrancaram a criança de mim, do meu braço», refere ela.
Na carta endereçada às autoridades internacionais, os 38
pais condenam o que chamaram de um «inexplicável abuso de poder» por parte do
governo de uma nação «supostamente avançada», como é a Noruega. «Famílias
inocentes estão sendo destruídas por 'violar' um 'bem-estar infantil' de que
ninguém sabe a definição», diz o abaixo-assinado. «Muitas famílias têm que viver uma vida no medo».
A íntegra do documento foi disponibilizada pelo site espanhol Religión en Libertad e contém detalhes assombrosos sobre o que está acontecendo
no país:
«As crianças estão a ser literalmente arrancadas das mãos
dos seus pais. Tanto o serviço social quanto a polícia são implacáveis. As
crianças chorando e gritando, implorando por uma oportunidade de ficar com as
suas famílias, não são absolutamente nenhum obstáculo para eles. (...)
Geralmente, tudo começa com uma acusação infundada e, depois de um momento
iniciar, as crianças são levadas dos seus pais em estado de choque. Os pais,
então, colaboram com as autoridades e conformam-se, tudo na esperança de que os
seus amados sejam devolvidos um dia. Instruídos pelo Barnevernet,
permanecem em silêncio: não lutam contra o sistema, não vão à imprensa com as
suas histórias e pacientemente aguardam pelo próximo encontro com os seus
filhos, que é agendado para apenas um par de horas algumas vezes ao ano,
geralmente sob a vigilância pesada da polícia e do Barnevernet.»
«Tratam-nos como assassinos, apesar do facto de não terem
nenhuma evidência de maus tratos. Não têm nenhuma evidência de que algo ilegal
tenha sido feito aos nossos filhos. O destino das nossas vidas é decidido pela
chamada fylkesnemnda, uma comissão para assuntos de família que
determina com que frequência poderemos ver os nossos filhos – se é que
poderemos vê-los – e se os nossos filhos serão obrigatoriamente adoptados.»
Os signatários do documento ainda acusam as ditas
comissões de se servirem de métodos fraudulentos para manter os filhos longe
dos seus pais biológicos. «São capazes de falsificar documentos e pareceres
de especialistas, e nós temos fortes evidências disso», refere o texto.
Alguns dos pais que assinaram a carta conseguiram
novamente a guarda dos filhos, ainda que em «circunstâncias estranhas». «Não
houve nenhuma intenção de indemnizar-nos pela dolorosa intervenção por que
passámos», afirma o documento, «nem sequer uma espécie de desculpas ou
explicação por tudo o que aconteceu.»
O abaixo-assinado também faz referência à base cristã em
que nasceu a Noruega, hoje em livre decadência. «Ainda que a Noruega não
seja um país predominantemente cristão, é um país baseado numa herança cristã»,
diz a carta. «Essa herança cristã está, agora, severamente ameaçada pelas
tendências a ignorar o que a unidade familiar significa, seja para os
indivíduos, seja para toda a sociedade.»
No caso dos Bodnariu, a família de ascendência romena que perdeu recentemente a guarda de cinco filhos, o motivo da intervenção parece ter sido
eminentemente religioso. A directora da escola em que as meninas estudavam
preocupava-se com o facto de Ruth e Marius serem «muito cristãos» e a avó
acreditar que «Deus castiga o pecado». Na opinião dela, a ideia criaria «uma
inabilidade nas crianças». Outras ocorrências, todavia, sugerem motivações de
ordem étnica e económica para o sequestro das crianças.
Porta-vozes da campanha Stop Barnevernet responsáveis por entregar
a carta às autoridades europeias. À esquerda, o eurodeputado Tomáš Zdechovský.
O eurodeputado polonês Tomáš Zdechovský, que também está
à frente da campanha Stop Barnevernet – reunindo na Internet várias
histórias similares ao caso Bodnariu –, explica que muitas das intervenções do
governo norueguês afectam principalmente os filhos de imigrantes.
«As famílias são forçadas a enviar os seus filhos à
pré-escola, a assistir a programas infantis da Noruega e a ter um número de
amigos noruegueses», escreve o deputado. «Não é suficiente
que vocês, como pais, planejem ensinar a língua norueguesa ao seu filho fora da
escola, nem que estejam prontos para obter o que é necessário quando a escola
começar. É o governo que decide o que é melhor para o seu filho. Os
legisladores desenvolveram medidas incrivelmente severas para forçar as pessoas
a fazer o que o governo acha que está certo.»
É sempre válido lembrar que, independentemente das leis
que vigoram num país, o direito dos pais de educar os próprios filhos é
um direito natural, reconhecido inclusive pelo art.º 26 da
Declaração Universal dos Direitos Humanos: «Os pais têm prioridade de direito
na escolha do género de instrução que será ministrada aos seus filhos».
terça-feira, 1 de março de 2016
sábado, 27 de fevereiro de 2016
Aprender a ser mãe
Inês Teotónio Pereira
Ao fim de anos a gritar ou a impor castigos por causa das notas, dos quartos desarrumados, das lutas e discussões, das mentirinhas e das desobediências, reformei-me.
Ao fim de 15 anos como mãe, de centenas de textos escritos sobre o assunto e de milhares de textos lidos sobre o assunto, cheguei a uma triste conclusão: sei muito pouco sobre o assunto. Ao fim deste tempo todo constato que repito os mesmos erros, mantenho as mesmas esperanças e tenho as mesmas angústias que tinha quando só tinha um filho e quando esse meu filho tinha meses. Na verdade, não cresci. Eles é que cresceram.
E ainda bem. Aprendi, no entanto, muitas coisas – embora nenhuma delas me tenha ensinado a ser melhor mãe (se é que há melhores mães ou pais). Aprendi que eles nascem com determinadas características que são só deles e que não há educação (boa ou má) que as possa alterar. E aprendi que educar não é construir ou destruir caracteres, personalidades, gostos ou crenças, mas sim moldar cada uma destas coisas. Ora, esta minha aprendizagem teve como consequência que hoje sou uma mãe muito menos mãe dentro do género mãe-galinha. Ou seja, poucas coisas me angustiam.
Ao fim de anos a gritar ou a impor castigos por causa das notas, dos quartos desarrumados, das lutas e discussões, das mentirinhas e das desobediências, reformei-me. Agora é preciso muito mais do que uma negativa ou um vidro partido com uma bola para me alterar a disposição. A minha disposição atingiu o ponto ansiolítico óptimo e as suas variações não são dignas de registo. Percebi, depois de muita energia gasta, que a maioria das batalhas estão perdidas e que a «Música no Coração» é mesmo um filme.
Há coisas que, obviamente, ainda me irritam, e os gritos não cessaram, mas são tudo coisas pouco importantes. Por exemplo, irrito-me quando eles não penduram as toalhas molhadas, não arrumam as canecas que sujam, deixam roupa espalhada no chão, etc. Coisas práticas, portanto. Também me irrito quando eles abrem coisas sem autorização, como latas de salsichas, pacotes de bolachas, Nutella, etc. Não sei porque é que me irrito com isto, acho que é um hábito. Mas são só estas. Irritam-me coisas que me dizem respeito, a mim e não a eles, e todas elas por desafiarem um saudável convívio comunitário. As minhas manias, vá. Nada de estrutural, pedagógico ou educacional, portanto.
Finalmente aprendi a sobreviver como mãe e deixei de me preocupar em ser supermãe. Abandonei o projecto megalómano de construir pessoas como se estivesse a construir legos. Percebi que ser mãe é aceitar que há quem nasça desarrumado e quem nasça arrumado, quem seja organizado e quem não seja, quem goste de desporto e quem não goste, quem seja vaidoso e quem não seja, e quem seja ambicioso e quem não seja. E que contra isso não há quase nada a fazer.
Os meus filhos continuam teimosamente a ter as mesmas características que tinham quando eram mais pequeninos e não há força da natureza que os altere. Nem eu, ou muito menos eu. Aprender a ser mãe, aprendi eu, é aprender a viver com os nossos filhos sejam eles como forem. E fazer tudo para que saibam construir a sua autonomia, confiança e felicidade. Como? Não sei. Sei apenas que não vale a pena chatearmo-nos nem metade daquilo que nos chateamos. É que nem eles são bonecos nem nós somos Deus.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
A Eslovénia recusa em referendo
o chamado «casamento» entre invertidos
Luís Dufaur
Em Dezembro de 2015, a Eslovénia recusou em referendo a lei que pretendia permitir o «casamento» entre invertidos, noticiou o jornal francês Le Monde.
O referendo foi de iniciativa popular e os eleitores eslovenos rejeitaram a lei, aprovada pelos deputados há dez meses. A maioria vencedora atingiu 63,12% dos votos.
A participação no escrutínio foi fraca (35,65%), mas legalmente suficiente para validar a votação. Os defensores da família natural conseguiram o apoio de pelo menos 370 000 eleitores. Eram necessários 342 000 votos para vetar a lei.
Esta tinha sido aprovada por larga maioria dos deputados do Parlamento, constituída por partidos de esquerda e engrossada pelos representantes do partido centrista que, como é de praxe nessas formações de meio termo, no momento decisivo traem o seu «centrismo», a sua «moderação» ou a «equidistância» e aliam-se à esquerda.
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| A Eslovénia votou NÃO ao «casamento invertido» e à adopção de crianças por esses «casais». |
O partido centrista é o mesmo do primeiro-ministro Miro Cerar e tinha à sua disposição as alavancas do poder do Estado.
O texto legal, hoje despojado de valor, concedia aos casais invertidos e lésbicos os mesmo direitos dos casais heterossexuais bem constituídos, inclusive o direito de adopção de crianças, um dos pontos mais contestados pela população.
O referendo pôde ser realizado graças às 40 mil assinaturas recolhidas por grupos pela vida pedindo a convocação de uma consulta de iniciativa popular com poder de veto.
A lei não entrou em vigor antes do veredicto popular e hoje encontra-se revogada.
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| Santuário e castelo de Bled na Eslovénia |
Em 2012, numa consulta similar, os eslovenos já tinham dito «não» ao «casamento» sodomítico com uma maioria de 55%.
O país tem dois milhões de habitantes, pertence à União Europeia desde 2004 e é considerado o mais liberal das antigas nações que sofreram a imoral opressão comunista.
Contudo a lei antinatural acabou por ser rejeitada, facto que pressagia recusas análogas ou mais truculentas noutros países eslavos libertados da tirania soviética.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
Porque sofrem as mães, e os pais nem tanto?
Inês Teotónio Pereira, ionline, 16 de Fevereiro de 2016
Eles só sofrem quando tem mesmo de ser, não fazem telenovelas do assunto, não vão para o café carpir com os amigos e muito menos escrevem sobre o assunto.
Uma mãe nasce para sofrer. Não faz mal nenhum, mas é mesmo assim. Nós sofremos imenso e nem sabemos porquê. Achamos que temos culpa de tudo e principalmente de tudo o que não depende directamente de nós. Somos culpadas e sofremos verdadeiramente sempre que vamos ao médico com eles e que descobrimos que não tratámos devidamente a pele atópica, que não lhes damos todas as vitaminas, que os óculos estão riscados, que não lhes proporcionamos os desportos que eles merecem para crescerem saudáveis e ainda porque nos lembramos que um dia, há dois verões, não espalhámos protector solar na nuca da criança.
Também somos culpadas e sofremos cada vez que um professor nos chama à escola. Vamos de cabeça baixa, carregadas de culpa e de dor, qual Egas Moniz de corda ao pescoço, ouvir que o menino anda atrevido nas aulas, não faz os trabalhos todos, tem uma letra imperceptível e, claro, não trabalha o suficiente em casa. Tudo culpa nossa, mesmo que o professor não ache. Depois sentimo-nos culpadas quando o bebé espirra porque não lhe vestimos o casaco há dois dias, quando até estava sol, ou quando o menino se queixa por não ter um cão e a culpa é nossa por não estarmos a criar todas as condições para ele ter uma infância parecida com as crianças d’Os Cinco. Isto dói. Também nos sentimos culpadas e sofridas porque somos muito exigentes numas coisas mas, por outro lado, sofremos porque somos moles noutras coisas e assim não os estamos a preparar convenientemente para a vida.
Mas o pior sofrimento de todos é quando eles sofrem. Quando os nossos meninos sofrem é verdadeiramente o fim do mundo. E a culpa, claro, só pode ser nossa. Pelo que não fizemos para evitar o sofrimento ou pelo que fizemos provocando sofrimento – como seja fazer uma sopa de legumes não passada. Uma mãe até sofre porque não consegue dar de mamar e enche-se de culpa por isso, tal como sofre porque adormece a ler histórias, porque não gosta de brincar com legos ou porque está mais vezes cansada do que não. Sofremos de remorsos por tudo isto mais do que um criminoso de guerra arrependido.
Depois, no fim do dia, vamos para a cama e, no silêncio da almofada, prometemos que amanhã será diferente, que a partir de amanhã seremos melhores mães e teremos então menos razões para nos sentirmos culpadas e sofrermos. Fazemos isto 300 noites por ano e nas outras 65 adormecemos antes do arrependimento. Ser mãe é mesmo assim e não há psicólogo que nos cure. Viveremos com culpa e com culpa morreremos.
Já os
pais é outra loiça. Os pais são objectivamente mais espertos. Eles só sofrem
quando tem mesmo de ser, não fazem telenovelas do assunto, não vão para o café
carpir com os amigos e muito menos escrevem sobre o assunto. Um pai sofre
objectiva e concretamente. Ele sofre quando o filho é de outro clube que não o
dele, quando descobre que o filho tem mais jeito para desenho do que para
futebol, quando a criança não o deixa dormir à noite, quando percebe que vai
passar o resto da vida a guiar carrinhas e, só na outra encarnação,
descapotáveis, quando lhe comem as bananas ou roubam as meias, quando lhe vão à
carteira e/ou aos cigarros, quando lhe limpam a conta bancária numas férias das
quais ele sai arrasado, quando escorrega em brinquedos na casa de banho e,
claro, quando o primeiro estupor adolescente envia o primeiro sms à sua filha e
ela cora ou chora.
Um pai
sofre, mas só sofre depois da mãe. Ele sabe que a mãe sofre muito melhor, que o
filho, neste aspecto, está mais bem entregue ao sofrimento da mãe e que não
vale a pena estarem o dois a competir pelo mesmo. Chama-se também a isto
divisão de tarefas domésticas. Um pai só se preocupa verdadeiramente com a
febre da criança se a mãe não se preocupar ou se a mãe não se preocupar o
suficiente. Basta um sofrer e, sendo assim, que sofra o melhor. Ora, é um facto
que as mães, nisto de sofrer, dão cartas há milhares de anos. E neste capítulo não há paridade possível.
De que falamos quando falamos de eutanásia?
Filipe d'Avillez
O que é eutanásia voluntária? E involuntária? Qual é a diferença entre esta e outras práticas médicas como a ortotanásia, a distanásia e os cuidados paliativos? Explicamos estes e outros conceitos na semana em que se instalou o debate sobre a eutanásia.
A palavra eutanásia vem do grego e significa «boa morte». Em termos médicos, contudo, significa pôr termo intencionalmente à vida de uma pessoa, normalmente de alguém que sofre de uma doença incurável ou que está em grave sofrimento.
Há diferentes tipos de eutanásia, conforme envolvem a manifestação de uma vontade da pessoa doente ou em sofrimento, ou não, mas envolve sempre uma segunda pessoa que toma parte no acto, sendo isso que a distingue do suicídio.
A eutanásia é voluntária quando existe um pedido expresso por parte da pessoa para ser morta. É não voluntária quando essa decisão é tomada por outra, normalmente um familiar, porque o doente não tem capacidade para o fazer. Este último tipo não deve ser confundido com eutanásia involuntária, que é o acto de matar alguém doente, que tem capacidade para manifestar a sua vontade mas não o faz, ou porque a opinião não lhe foi solicitada, ou porque não quer morrer.
Há outras situações em que é a própria pessoa que toma a medida que põe fim à sua própria vida, mas fá-lo com a ajuda de outra que, por exemplo, lhe fornece uma dose letal de medicação. Nestes casos não se fala de eutanásia, mas sim de suicídio assistido.
Há ainda uma série de outros termos que frequentemente são confundidos com eutanásia. A palavra ortotanásia significa morte natural e por vezes é utilizada para situações em que são desligados ou retirados os meios extraordinários para manter a vida. O que é coloquialmente designado como «desligar as máquinas», ou o recusar tratamentos que podem curar uma doença ou eventualmente prolongar a vida, não são formas de eutanásia, nem são moralmente equiparáveis.
A distanásia é precisamente o contrário da eutanásia. A palavra significa «má morte» e é entendida como o prolongamento de uma vida, por meios artificiais, mesmo quando isso implica sofrimento para o doente. A distanásia é considerada universalmente uma prática médica inadequada.
Nos últimos anos tem-se falado bastante da expressão testamento vital. Também isto não pode ser confundido com eutanásia. O testamento vital é apenas um instrumento jurídico que permite a uma pessoa, em plena possa das suas capacidades, deixar instruções sobre como gostaria de ser tratada caso venha a encontrar-se incapacitada. O que se pede no testamento vital é que pode, ou não, ser polémico. Mas o pedido de não ser prolongada a vida por meios artificiais, quando não existe esperança médica de uma cura ou recuperação de consciência, por exemplo, mais uma vez, não é eutanásia. Naturalmente, enquanto a eutanásia não for uma prática legal em Portugal, não se pode requisitá-la num testamento vital.
Quando se fala de sofrimento em fim de vida, fala-se ainda de cuidados paliativos, os cuidados de saúde prestados a pessoa com doença incurável, avançada e progressiva, com o objectivo de intervir no sofrimento global (físico, psicológico, emocional), independentemente da doença de que sofre e do prognóstico (que pode ser de anos, meses ou semanas). Não se destinam apenas a moribundos e pretendem intervir globalmente no sofrimento, evitando que ele se torne intolerável, e apoiam também a família.
Uma das ferramentas terapêuticas, que não se utiliza como medida de primeira linha mas sim para sintomas que não podem ser tratados de outra forma, é a sedação paliativa.
O que é pedido a todos os profissionais de saúde, nomeadamente aos que trabalham em cuidados paliativos, é que não prolonguem a qualquer custo, nem encurtem, a vida dos doentes, mas sim respeitam a inevitabilidade da morte.
sábado, 13 de fevereiro de 2016
Como estacionar facilmente o seu carro?
Para alguns pode ser a coisa mais básica, mas a realidade é esta: muitas pessoas, mesmo com carta de condução há muito tempo, têm dificuldades no momento de estacionar o carro.
A pensar nisso, publicamos este vídeo com truques muito úteis que certamente vai ajudar quem não domina a técnica. Por favor partilhe com os amigos!
http://www.tabonito.pt/como-
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Tão inteligentes que eles eram
Inês Teotónio Pereira, Jornal i, 10 de Fevereiro de 2016
Por mim, eu parava de elogiar a criançada. E se eles fossem inteligentes nunca, jamais, lhes revelaria tal descoberta. Escondia a informação e até pedia a ajuda da Comissão Nacional de Protecção de Dados para garantir o sigilo
Quando os professores dos meus filhos escrevem nas avaliações que eles são muito inteligentes, levo as mãos à cabeça. Ao princípio, quando era mais novinha e menos experiente nesta lide maternal, ficava toda orgulhosa: «Ah, que maravilha, este meu rico menino é tão inteligente. Aprende tudo à primeira. Já o estou a ver a ganhar o Nobel.» Foi assim durante anos. O facto de os professores reconhecerem a inteligência da minha criançada era um consolo e, achava eu, o quanto baste. Depois cresci. Cresci eu e cresceram eles. E foi então, mais ou menos por esta altura, que percebi o óbvio: a inteligência é como a farinha, não serve para nada sozinha. Aliás, a inteligência, sozinha, morre. Ora, os meus filhos inteligentes andam todos a dormir à sombra da inteligência que os professores lhes deram há anos. E isso chega-lhes. Houve um dia, quando eles ainda lutavam para aprender a ler e a fazer contas de dividir com dois números, que alguém lhes ditou uma espécie de passaporte para o ócio: «Tu és muito inteligente, se quiseres consegues melhores resultados.» E todos os trimestres, com cada um deles, é a mesma coisa: «Tu és muito inteligente, se trabalhares vais longe, só tens de querer.» É o fim. Este reconhecimento de inteligência, que do ponto de vista dos professores serve para encorajar e motivar a miudagem, tem nos meus filhos o efeito contrário: eles enroscam-se na inteligência e trabalhar, que é bom, nada. Acham que não têm mais nada para provar e ficam pacientemente à espera que uma vontade vinda do além os faça trabalhar. E enquanto a vontade não chega, descansam.
Por mim, e desculpem os professores pelo atrevimento do conselho, eu parava de elogiar a criançada. E se eles forem inteligentes nunca, jamais, lhes revelaria tal descoberta. Escondia a informação e até pedia ajuda à Comissão Nacional de Protecção de Dados para garantir o sigilo. As crianças não têm maturidade para lidar com uma informação tão preciosa quanto esta. Se elas forem de facto inteligentes, não precisam que ninguém lhes diga; se não forem, muito menos precisam.
Uma criança com o rótulo de inteligente na testa acha que se conseguirá safar em qualquer circunstância. De facto, eles até vão passando de ano, até se safam nos exames, conseguem aguentar-se estudando apenas na véspera, apanham meia dúzia de coisas que os professores dizem nas aulas e, muitas vezes, até conseguem inventar outras tantas, revelando a sua inteligência e criatividade. Mas mais tarde ou mais cedo, a farra acaba. E quando lhes são exigidos hábitos de trabalho, treino e responsabilidade, eles nem sabem o que isso quer dizer.
A verdade é que para qualquer miúdo, inteligente ou não, o que conta na escola e na vida é a responsabilidade, a capacidade de trabalho e o esforço. E isso treina-se. A inteligência pode ajudar mas, em qualquer caso, é apenas um acessório. O mundo dos crescidos está cheio de crianças inteligentes que nunca acharam que fosse preciso esforçar-se, pois bastava-lhes a inteligência, e por isso ficaram a meio caminho do sítio onde queriam chegar. Afinal, nunca passaram de uma promessa.
Há uma altura na vida escolar e, depois, na vida profissional que o trabalho e a persistência dão 100 a zero à inteligência. E é aí que os nossos filhos inteligentes se arriscam a ficar para trás, agarradinhos à sua almofada de inteligência e a suspirar por um futuro e por uma vontade de trabalhar que não há maneira de cair do céu. É que é preciso ser-se esperto para usar a inteligência.
domingo, 7 de fevereiro de 2016
sábado, 6 de fevereiro de 2016
Eutanásia: uma compaixão falsificada
Pedro Afonso
A legalização da eutanásia abre um caminho
perigoso, pois há quem defenda, face aos custos crescentes de saúde, que a
medicina deve suspender os tratamentos mais onerosos a doentes idosos e
incuráveis
A eutanásia corresponde ao acto de provocar
deliberadamente a morte a um doente incurável para que, através deste «acto
piedoso», se ponha fim ao seu sofrimento. Numa altura em que a Assembleia da
República se prepara para discutir a legalização da eutanásia, justifica-se um
debate sobre este tema.
Um dos argumentos utilizados para a legalização da
eutanásia é que estas pessoas têm o direito a uma morte digna, o que não passa
de um eufemismo maniqueísta, como se a morte daqueles que decidem de forma
corajosa enfrentar os inúmeros sofrimentos e provações que lhes acarreta a
doença fosse uma morte indigna.
Uma outra ideia errada dos defensores da eutanásia
é a de que o nosso corpo é nosso, logo quando esse corpo é acometido de uma
doença incurável, a decisão de viver ou morrer também é nossa. Ora, ninguém é o
senhor absoluto de si, pois ninguém vive para si mesmo, e quando alguém morre
não morre apenas para si mesmo.
Neste debate, os defensores da eutanásia partem de
um pressuposto errado: a vida humana não tem sempre o mesmo valor, já que desde
que afectada pelo sofrimento associado a uma doença incurável, transforma-se
numa vida indigna e prescindível. Curiosamente, esta foi a mesma justificação
utilizada pelos nazis para aplicarem o seu programa de eugenismo e eutanásia,
designado por Aktion T4, durante o qual os médicos nazis assassinaram milhares
de doentes considerados como «incuráveis».
A legalização da eutanásia conduz a um caminho
perigoso, pois há quem defenda, perante os custos crescentes de saúde, que a
medicina deveria suspender os tratamentos mais onerosos a alguns indivíduos
(provavelmente começando-se pelos idosos, doentes incuráveis, etc.),
concedendo-lhes uma morte abreviada. Por detrás desta aparente morte
misericordiosa, há o risco de surgirem interesses economicistas, pois o Estado
vê-se livre destes encargos de saúde.
A depressão tem uma prevalência elevada ao longo da
vida. Esta patologia pode ser crónica, causando um sofrimento duradouro para o
doente, e nas formas mais graves é por vezes acompanhada por ideação suicida.
Se a eutanásia for legalizada, significa que se abre a porta ao suicídio
assistido. Afinal porque é que há-de ser diferente uma doença física incurável
de uma doença psiquiátrica incurável? Não será o sofrimento psíquico — muitas
vezes mais doloroso e insuportável do que o sofrimento físico — um motivo
legítimo para se respeitar a vontade do doente ao suicídio assistido? Porque é
que este pedido de morte há-de ter menos valor? A eutanásia aplicada às doenças
psiquiátricas pode abrir a porta ao suicídio assistido de milhares de
indivíduos no nosso país que sofrem de depressão, havendo o risco de uma parte significativa
da população se suicidar de forma legal. Mas será que uma pessoa com depressão
estará em condições de exprimir a sua vontade de uma forma livre?
Presume-se que os agentes da eutanásia sejam
médicos. Mas a condição de ser médico entra em contradição com o acto de
cometer uma morte a um doente, ainda que a pedido deste e com o aval legal do
Estado. A tradição hipocrática obriga a que o médico esteja sempre do lado da
vida, pelo que a um médico não se pode pedir que, conforme o desejo do doente, alterne
entre a posição de alguém que tudo fará para que nós possamos continuar a
viver, para alguém que afinal nos vai ajudar a morrer. Esta contradição
prejudicaria de forma gravíssima a confiança inabalável que se deve depositar
nos médicos.
A eutanásia é um mal que
contradiz a própria ética médica, porque se opõe ao dever do médico de
permanecer ao lado da vida, respeitando-a e procurando preservá-la em todas as
condições. A eutanásia trata-se, na verdade, de uma compaixão falsificada. As
súplicas dos doentes graves e deprimidos que pedem a morte são na esmagadora
maioria dos casos pedidos de ajuda, pedidos de afecto e de consolo. Todos os
dias os médicos escutam estas palavras de desespero, e todos os dias respondem
com palavras de ânimo e de conforto. Esta é a luta diária daqueles que prestam
cuidados de saúde; a luta contra a doença e o sofrimento, preservando a vida. A
morte não deve ser abreviada, mas antes humanizada, garantindo-se os cuidados
de saúde necessários, nomeadamente o alívio do sofrimento através dos cuidados
paliativos.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
A adopção («gay») e o engano
Abel Matos Santos, Público,
2 de Fevereiro de 2016
É deplorável, quando estão em causa questões tão
cruciais para a família e as crianças, ter de assistir à passividade do centro
e da direita.
Chega de ser enganado! Estou cansado de ver mentir
sem pudor.
Nesta questão da confirmação parlamentar da lei
vetada pelo Presidente da República sobre a adopção por uniões do mesmo sexo,
sinto-me cansado, saturado, farto, ao ver o porta-voz do PS a faltar
descaradamente à verdade, afirmando que toda a comunidade científica e o mundo
inteiro são unânimes na ideia de que é igual para as crianças terem um pai e
uma mãe, ou só dois pais, ou só duas mães.
É particularmente chocante e reprovável a falta de
honestidade intelectual quando se convoca o testemunho da Ciência. É certo que,
infelizmente, a falsidade já se tornou moeda corrente na política; mas não
podemos deixar que essa mesma onda contamine a ciência ou a sua citação,
cavando o seu descrédito geral.
Percebo porque o povo se distancia do que considera
«políticos de pacotilha», ao ouvir-lhes falsidades e vê-los afirmarem todas as
inverdades possíveis sobre o tema, apenas para fazerem aprovar derivas
ideológicas, usando, neste caso, as crianças e desprezando o seu superior
interesse.
A lógica subjacente é apenas a do poder, o poder
circunstancial, e não a da razão, a serena e objectiva procura do que está
certo. Como a democracia é, formalmente, a aprovação das leis pela maioria, ou
seja pelo maior número de votos, mesmo que se aprovem coisas más, acreditam que
leis injustas, leis desajustadas ao bem da pessoa humana, estão «legitimadas
pela democracia».
Por isso, não hesitam diante de qualquer vulgar
técnica de propaganda, mesmo quando estão em causa valores humanos fundamentais
e até o bem de crianças desvalidas.
Seria mais correcto que afirmassem claramente
aquilo a que vêm: que é uma lei para defender os direitos e os interesses dos
homossexuais (ou melhor, da sua linha mais radical) e do lobby LGBTI.
Deviam também dizer, num assomo de seriedade, que é
certo que muitos homossexuais são contra esta lei, revelando e publicitando as
suas posições e os seus argumentos.
Deviam reconhecer que esta lei diminui os direitos
das crianças, em especial o direito natural a terem um pai e uma mãe.
Deviam ter a hombridade de reconhecer, noutro
assomo de seriedade, que os estudos e a comunidade científica não são de todo
unânimes e que, por sinal, os principais e mais credíveis estudos indicam que
esta lei vai permitir a pior opção quanto às crianças.
Tenham a simplicidade e a objectividade de dizer
tudo isto e, depois, em consciência, como agora se usa em política, votem!
Votem e aprovem esta lei, se é mesmo isto que
querem impor à sociedade e às crianças confiadas ao poder e aos serviços do
Estado (para que delas cuide efectivamente). Mas não confundam a opinião
pública, nem enganem os cidadãos menos informados, que não têm acesso aos
estudos.
E, por favor, não acusem o Presidente da República,
nem acusem o Mark Regnerus, o Paul Sullins, o Loren Marks, o Sarantakos, a
Kristin, o Nock, o Colégio Americano de Pediatras, e todos os demais clínicos e
investigadores com trabalhos publicados nas melhores academias e revistas
científicas, atacando-os e denegrindo-os só por provarem que existem diferenças
enormes, significativas, entre ser criado e viver com um pai e uma mãe e o
modelo que agora querem aprovar.
Não venham com os argumentos hipócritas de as
crianças estarem mal em instituições, porque não estão, desde que as
instituições sejam boas. Haverá sempre, infelizmente, crianças em instituições
– por isso, é fundamental que o Estado Social (ou também aqui querem destruir o
Estado Social?) assegure a existência dessas instituições pelo apoio à livre
iniciativa comunitária e garanta que sejam muito boas.
Não me venham também falar das capacidades dos
homossexuais cuidarem de crianças porque todos sabemos que não é isso que está
em causa – do que se trata é de impor a uma criança, dependente e desvalida,
que tenha dois pais (sem mãe) ou duas mães (sem pai).
Certo que é de amor que se trata. É que, quando se
ama, queremos o melhor para aqueles que amamos e não para nós próprios –
focamo-nos principalmente no outro e não nos centramos sobre o nosso ego.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
Estónia: grandes campanhas pela família
de acordo com a lei natural
Luís Dufaur
A Fundação para a Protecção da Família e da Tradição (SAPTK) da Estónia fez uma manifestação simbólica diante do Parlamento nacional – o Riigikogu – e na principal praça da capital com a intenção de enviar ao governo uma forte mensagem em defesa do casamento e da família, noticiou a agência «LifeSiteNews».
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| Estonianos enviam grande
mensagem aos políticos: a família é a base da nossa nação. |
http://revculturalfamilia.blogspot.pt/2016/02/estonia-grandes-campanhas-pela-familia.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed:+ValoresInegociveisRespeitoVidaFamliaEReligio+(Valores+inegoci%C3%A1veis:+respeito+%C3%A0+vida,+%C3%A0+fam%C3%ADlia+e+%C3%A0+religi%C3%A3o)
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