sábado, 28 de novembro de 2015
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Holanda: Não ao multiculturalismo
A Holanda, em que 6% da população é muçulmana rejeita agora o multiculturalismo. O Governo holandês está cansado de ser pisado pelos muçulmanos e abandona o seu modelo de longa data de multiculturalismo, que não fez senão incentivar os imigrantes muçulmanos a criarem uma sociedade paralela e nociva dentro do país.
Um novo projecto de lei apresentado ao Parlamento pelo ministro do Interior holandês, Piet Hein Donner, em 16 de Junho, diz o seguinte:
«O Governo partilha a insatisfação do povo holandês face ao modelo de uma sociedade multicultural na Holanda e manifesta a sua intenção de agora concentrar as suas prioridades nos valores fundamentais do povo holandês. Sob o novo sistema de integração, os valores holandeses terão um papel fulcral e, portanto, o governo ‘não adere mais ao modelo de uma sociedade multicultural.’»
A proposta continua:
«Uma integração mais rigorosa é perfeitamente justificada porque isso é o que é exigido pelo Governo e todo o seu povo. Esta orientação é agora absolutamente necessária porque a sociedade holandesa está a desintegrar-se, em termos de identidade e já ninguém se sente em sua casa na Holanda.» A nova política de integração será muito mais exigente para com os imigrantes. Por exemplo, os imigrantes devem necessariamente aprender holandês e o governo holandês vai tomar medidas coercivas em relação aos imigrantes que ignoram os valores do país e desobedecem às leis holandesas.
Assim, o Governo holandês vai deixar de dar subsídios especiais aos muçulmanos para os integrar (até porque, de qualquer forma, eles não o fazem) porque, segundo Donner, «não compete ao governo e aos fundos públicos a integração dos imigrantes.»
O projecto prevê também a criação de legislação proibindo os casamentos forçados, bem como legislação impondo medidas severas para esses imigrantes muçulmanos que, por sua livre vontade, reduzem as suas hipóteses de emprego pela maneira como se vestem. Especificamente, o Governo vai proibir, a partir de Janeiro 2016, o uso de roupas que cubram o rosto, como o véu, burca, hijab, etc.
A Holanda deu-se conta, talvez tardiamente, que o seu liberalismo multicultural está em vias de fazer do país um território de tribos do deserto que está prestes a matar as origens do país e a sua própria identidade.
terça-feira, 24 de novembro de 2015
O terrorismo e as nossas crianças
Inês Teotónio Pereira, Ionline, 21 de Novembro de 2015
Os maus estão na televisão e na playstation. É fantasia, portanto. No mundo real não há maldade, há injustiças criadas pela nossa civilização
Fico sempre enjoada quando alguém pretende justificar barbaridades como ataques terroristas com teses sobre a falência do Estado social, as desigualdades, o desemprego, a pobreza, a falta de valores do Ocidente, os jogos violentos, etc. Ou seja, que a culpa dos atentados é, em última análise, das vítimas. É nossa. Isto não só é estúpido e enjoativo como é comum e perigoso. E é perigoso porque é assim que se vão educando animadamente as nossas crianças. Os nossos filhos são educados pelo grande educador social que é o politicamente correcto, segundo o qual o mal não existe. Os maus estão todos na televisão e nos jogos da playstation. É fantasia, portanto. No mundo real não há maldade, há injustiças criadas pela nossa civilização. Matar é um acto insano, não é uma maldade; fazer explodir uma bomba é desespero, não é crueldade; é na raiz do problema que se combate o problema, e não na resposta à violência.
Os meus filhos sofrem com esta tese. Eles não têm medo de nada. Acham que são imortais, imbatíveis, e que nada no mundo os pode atingir. Para eles, o mundo é feito de homens bons e de malucos. Eles não reconhecem o mal. O último mau de quem ouviram falar foi o papão, tudo o resto é exagero meu. E a culpa é das teses reinantes sobre educação, que vão todas no mesmo sentido: passar um atestado de estupidez às crianças para que elas se sintam sempre seguras, mesmo quando não estão. Mas os nossos filhos não são parvos, são apenas crianças. Os parvos somos nós, que ainda seguimos a Ana Gomes no Twitter.
Esta sociedade em que vivemos e educamos os nossos filhos achou e acha que protegê-los é esconder ou disfarçar a realidade, e por lhes termos mentido durante tanto tempo e tantas vezes, acabámos por acreditar na nossa versão da história: que o mal não existe. E é por esta falsa noção de protecção que é cada vez mais difícil despertar emoções nos nossos filhos. Eles comovem-se com pouco. São os pais, os psicólogos e os professores os primeiros a dizer-lhes que eles não podem sofrer pelos outros e que não há razão para ter medo. E eles acreditam.
Mas proteger os nossos filhos não é isto, não é desculpar o indesculpável ou fingir que não existe um exército de doidos espalhado pelo mundo que nos quer cortar a cabeça. E também não é disfarçar a nossa preocupação ou comoção pelos que sofrem e morrem como se isso não fosse uma tragédia. Proteger os nossos filhos é fazer-lhes ver a diferença entre os bons e os maus, explicar-lhes que eles são bons, ensiná-los a não praticar o mal em nenhuma circunstância e a chorarem pelos que sofrem. Só assim os preparamos e nos preparamos para ganhar a guerra contra os terroristas, sejam lá eles quem forem, venham de onde vierem e tenham as motivações que tiverem. Só assim ensinamos os nossos a filhos a ter uma consciência crítica, a criar uma consciência moral, a chorar pelos outros, a formar opinião, a acreditar em valores e a saber defendê-los. Só há uma maneira de explicar o terrorismo às criancinhas: «Sim, em Paris os terroristas mataram pessoas inocentes que podiam ser qualquer um de nós. E sim, eles são maus. Porquê? Porque gostam de matar inocentes: é assim como nos filmes que vocês vêem. A sério, a realidade é como alguns filmes.» E depois sossegá-los, explicando-lhes que, graças a Deus, a protecção deles não está dependente de pessoas como a Ana Gomes.
domingo, 22 de novembro de 2015
Alerta:
Consumo de sementes de chia pode causar
a morte através de oclusão intestinal
A nova
moda alimentar para pessoas que procuram emagrecimento e benefícios de saúde é
o consumo das sementes de chia (Salvia hispanica).
Com propriedades nutritivas, possuindo cálcio, ómega 3, magnésio, manganês, fibras, antioxidantes, capazes de ajudar na desintoxicação, diminuição da ansiedade, do stress, dos níveis de colesterol e triglicéridos, retardar o envelhecimento, fortalecer os músculos e prevenir doenças cardiovasculares, a semente surgiu como um verdadeiro «milagre» para a saúde. Parece algo incrível, mas, é preciso tomar muito cuidado com o seu consumo.
Por
reter grandes quantidades de água, o seu peso pode expandir-se 7 vezes mais!
Isso já levou muitos consumidores assíduos de chia aos hospitais.
Porém,
o maior perigo é quando a semente seca é ingerida, podendo inclusive causar
risco de vida às pessoas.
Nos
EUA, um homem de 39 anos consumiu apenas uma colher de chia seca e depois bebeu água.
Foi parar ao hospital, pois o grão, em contacto com a água, expandiu e obstruiu o seu esófago.
Isso
bloqueou o seu aparelho digestivo, dificultando inclusive a sua respiração. Por
pouco, o acidente não lhe custou a vida. Segundo a norte-americana Nina
Manolson, consultora de saúde, se a semente não for depositada em algum líquido
antes do consumo, para que possa expandir o suficiente com a retenção do
líquido, ao entrar em contacto com o líquido no interior do organismo, uma
oclusão pode ocorrer.
Um estudo feito pela médica Rebeca Rawl, chamado «O Impacto da Semente de Chia no Esófago», explica que o consumo de chias secas não deve ser feito, de maneira alguma, sem antes consultar um médico, por vários motivos.
Entre
eles, existem grupos de risco, como os hipertensos (principalmente os
medicados), pois a semente reduz a tensão arterial, causando hipotensão; os
hipotensos, que, segundo um estudo do Hospital St. Michael’s, em Toronto, no
Canadá, podem sentir dor de cabeça, cansaço e sono em excesso, por causa da
redução da pressão arterial; pessoas que tomam anticoagulantes, por causa do ómega
3 da chia, que, potencializa o efeito da medicação; hemofílicos, podendo ter
hemorragias e hematomas pelo corpo; diabéticos, que, combinando com a insulina,
intensifica a redução do açúcar no sangue; pessoas que foram operadas ao
aparelho digestivo, por intensificar as actividades locais; e, por fim, pessoas
com diarreia, pelo mesmo motivo.
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
O golpe explicado às criancinhas
Inês Teotónio Pereira, ionline, 14 de Novembro de 2015
O menino passou a escola toda a jogar futebol e a roubar bolas sempre que perdia. Não fazia outra coisa. Ele não tinha mau perder porque nunca assumia que perdia
Era uma vez um menino que queria ser chefe. Ele não tinha muitos amigos porque tinha a mania de roubar a bola sempre que perdia os jogos. Às vezes até furava a bola, outras ameaçava chamar os rufias que partiam tudo se não o deixassem ganhar. Mas apesar de os meninos não gostarem muito dele, ele dizia que queria ser chefe quando fosse grande. «Mas chefe de quê?», perguntavam-lhe. «Qualquer coisa que dê para aparecer na televisão, viajar e mandar», respondia. O menino passou a escola toda a jogar futebol e a roubar bolas sempre que perdia. Não fazia outra coisa. Ele não tinha mau perder porque nunca assumia que perdia. O menino era, assim, um vencedor de derrotas. E quanto mais crescia mais vontade tinha de ser chefe: convenceu-se de que era um ganhador. Estava na hora de se inscrever num partido, pensou.
Foi
subindo no partido com alguma discrição durante uns bons anos. Conseguia sempre
vencer eleições, mesmo as que perdia, e conseguia sempre convencer os rufias a
apoiá-lo porque deixava-os partir coisas. O menino continuava a ter poucos
amigos, mas também não se importava muito com isso: tinha os rufias. Tal como
nos recreios da escola, conseguia ganhar sem ganhar e estava a adorar a sua
nova vida. Ali, no partido, até era mais fácil e não tinha os directores e os
professores da escola a castigá-lo. Os anos passaram e ele até aprendeu a
roubar a bola aos rufias, de tal maneira era competente na arte de roubar a
bola. As suas sucessivas vitórias nas derrotas tornaram-no importante e ele
já não era o menino franzino e tímido de antigamente; era um rapaz robusto e
orgulhoso das suas inúmeras vitórias sem ganhar.
Até
que um dia surgiu a oportunidade que o menino tanto tinha esperado para poder
ser um chefe a sério: ele só tinha de transformar a vitória do actual chefe em
derrota – coisa que passara a vida a fazer inversamente. E assim foi. Quando o
seu chefe ganhou umas eleições, ele rapidamente anunciou que, afinal, a vitória
do chefe tinha sido uma derrota e que ele, um vencedor, podia ganhar as
próximas eleições importantes com toda a facilidade. Os amigos do menino, que
ao contrário dos da escola eram parecidos com ele e não tinham jeito para as
contas, acreditaram nele e o menino chegou a chefe do partido. Estava radiante. Chegou a minha hora, pensou.
Quando
vieram as eleições mais importantes da sua vida, o menino lembrou-se da sua
estratégia brilhante: ameaçar que se não o deixassem ganhar, ele ia chamar os
rufias e partia tudo. Ninguém acreditou que ele estivesse mesmo a falar a sério
porque ninguém o levava muito a sério. E a verdade é que o menino perdeu. Os
seus amigos ficaram com muita pena e pensaram que, desta vez, ele não se safava
e tinha mesmo de assumir a derrota. Mas não, não ele. Ele era aquele que nunca
perde apesar de perder. «Eu avisei», disse ele, esboçando um sorriso diabólico.
É então que o menino, perante o espanto de todos, resolve cumprir as suas
ameaças: chamar os rufias e partir tudo. E foi assim que o menino se fez homem,
apesar de não ter crescido, e chefe, apesar de ter perdido. O menino, agora
homenzinho, governou pouco tempo com a ajuda dos seus amigos rufias. Governou
até ao dia em que os rufias quiseram mesmo partir tudo e ele ficou sem amigos. Vitória, vitória, acabou-se a história.
domingo, 15 de novembro de 2015
sábado, 14 de novembro de 2015
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Resistir à javardice
Inês Teotónio Pereira, ionline, 31 de Outubro de 2015
Não tinha eu começado a jantar e já a minha página de Facebook, redes sociais e sites sinalizavam pessoas a cuspirem ódio, insultos e javardices.
«Nogenta» (o gê não é gralha), «fascista», «imbecil», «vómito», «cabra», «anormal», «gaja que devia estar na cozinha», «vê lá onde andas com os teus filhos...», «alguém devia tirar os filhos a esta gaja», «esta devia ser esmurrada no meio da rua», «dePUTAda», etc. E assim vai a extrema-esquerda.
Mas comecemos pelo princípio. Fui à Voz do Operário ao lançamento da candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa e quando cheguei a casa resolvi escrever a seguinte piadinha na minha página de Facebook: «Só o Prof. Marcelo para me levar a um sítio com operário no nome». Ou seja, e passo a explicar a piadinha, operário é um termo usado e abusado pela esquerda radical autoproclamada dona e defensora da classe operária.
Ora, sendo o prof. Marcelo de direita (digo eu), foi engraçado ter escolhido esta prestigiada instituição – com «operário» no nome – para lançar a candidatura. Fazendo uma interpretação alargada da minha ida, também é engraçado, sendo eu de direita, ter ido a um sítio com «operário» no nome – ligado à esquerda, portanto. Uma piadinha inocente – pois não ataco nem desprezo ninguém; no máximo sem graça, confesso – por ser inteligível a muitos, nomeadamente aos autoproclamados defensores da classe operária.
Ora, não tinha eu começado a jantar e já a minha página de Facebook, redes sociais e sites sinalizavam pessoas a cuspirem ódio, insultos e javardices. Até deputados da nação da extrema-esquerda, como Miguel Tiago, do PCP, alinharam e alimentaram no Facebook o massacre a um direito constitucional que me assiste, que é o do bom nome. Alguns atreveram-se até a publicar fotografias dos meus filhos e a divagar sobre a minha família.
A javardice e a ordinarice chegou a tal ponto que até o representante da nação resolveu exercer autocensura e eliminar a javardice que provocou na sua própria página. Em nome da democracia, da decência? Tenho dúvidas.
Vai daí, dediquei várias horas do meu sábado a bloquear pessoas no Facebook, a denunciar insultos na internet e fiquei, confesso, sem vontade de voltar a escrever. «Tu vê lá... Tens filhos e esta gente é maluca,» avisaram-me amigos. «Não podes sujeitar os teus filhos a lerem coisas destas sobre a mãe, tens de ter cuidado.» A intimidação resultou. Retirei a piadinha do Facebook, bloqueei maníacos e fiquei na dúvida se voltaria a escrever mais uma linha onde quer que fosse.
Portugal é um país de brandos costumes, dizem. Mas não é.
No meu
caso, a coisa agrava-se e é flagrante. E não é pela minha influência (duvido
que a tenha); o meu problema é fútil, tem a ver com um cliché que a
extrema-esquerda odeia. E a ela basta-lhe o cliché. Ou seja, esta gente
tolerava-me se eu fosse de direita mas ateia; permitiam a minha existência se
eu renunciasse ao apelido do meu paizinho ou do meu marido; não me insultavam
tanto se eu fosse, apesar de tudo, a favor da adopção por casais homossexuais,
por exemplo. Mas não sou, desculpem. É tudo mau, portanto: católica, de
direita, «parideira fascista» (outro mimo pelo número de filhos que tenho) e,
ainda por cima, não renuncio a apelidos. Ou seja, o ódio que desperto tem
fundamento na estupidez.
Tudo
isto é grave porque revela que a liberdade de expressão e de opinião não é, e
cada vez é menos, uma evidência: a sua tolerância depende do titular e o seu
exercício é limitado pela intimidação. É apenas um direito condicionado à
coragem de o exercer. No meu caso, os meus filhos são o meu principal
argumento: é exercendo a minha liberdade que lhes ensino o seu real sentido.
Com mais ou menos coragem, com mais ou menos insultos.
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Campanha de promoção da Deco
origina numerosas queixas de sócios
José António Cerejo, Público, 11 de Outubro de 2015
Tablets prometidos em troca da inscrição dos sócios demoram meses a chegar e suscitam críticas. Muitos dos novos sócios desistem após receberem a oferta. Associação diz que o assunto não tem interesse público.
A grande maioria das queixas prende-se com os atrasos na entrega de tablets prometidos a novos aderentes.
O site da Deco, o Portal da Queixa e algumas páginas do Facebook, incluindo a da própria Deco, apresentam desde há meses centenas de reclamações de sócios daquela associação de consumidores que protestam contra o alegado incumprimento das obrigações por ela assumidas nas suas campanhas de angariação de membros.
A grande maioria das queixas prende-se com os atrasos na entrega dos tablets sem marca prometidos pela Deco aos novos sócios desde Outubro do ano passado. Mas há muitas outras que se dirigem genericamente àquilo que os seus autores designam de «publicidade enganosa» por parte da associação, nesta e noutras campanhas em que são prometidos brindes aos aderentes.
A direcção da associação de consumidores reconhece a existência de atrasos na entrega dos tablets, que atribui à «incapacidade do fornecedor dar resposta ao número de pedidos», muito superior ao esperado, mas recusa-se a responder às perguntas concretas que lhe foram dirigidas pelo PÚBLICO.
Apesar de a Deco se fazer notar há muitos anos por um estilo promocional muitas vezes classificado como agressivo, a campanha que está em curso até 31 de Janeiro deixou muitos consumidores estupefactos. «Um tablet por 2 euros? Não pode ser verdade!» Comentários como este encheram as redes sociais logo que as baterias de marketing da Deco levaram a mensagem a quem anseia por uma pechincha, e também a quem está farto de ser incomodado, por telefone, carta e email, com as campanhas.
A oferta da maior associação de consumidores portugueses aos novos sócios consiste no envio gratuito de quatro das suas revistas, no acesso às restantes vantagens atribuídas aos sócios e, finalmente, conforme se lê no seu site, na entrega de «um presente de boas-vindas: um fantástico tablet».
Em contrapartida, os interessados tinham inicialmente de pagar apenas dois euros, através de uma autorização de débito directa na sua conta bancária. Este valor correspondia a dois meses de subscrição, preço que subia para 6,75 euros nos dez meses seguintes e — percebia quem lesse a totalidade dos materiais promocionais — para o custo normal da subscrição ao fim de um ano: 13,60 euros mensais.
Entretanto o preço inicial de dois euros por dois meses subiu para cinco euros, sem que a Deco explique o motivo, nem sequer confirme a data em que isso aconteceu, provavelmente no início do Verão. Os «termos e condições da oferta» avisam, contudo, que «qualquer aumento no preço das subscrições será anunciado com antecedência [nas publicações da organização] e, em seguida, aplicado automaticamente».
De acordo com as «condições gerais» da oferta, os novos subscritores (é assim que a Deco se refere normalmente aos associados) recebem as revistas três semanas depois da recepção do pedido de adesão. Logo a seguir, sem se comprometer claramente com qualquer prazo, a associação diz que, «após o primeiro pagamento», recebem o «presente de boas-vindas» com uma garantia de dois anos.
Atraso ou expediente?
Particularmente atractiva para muitos dos alvos da campanha é a cláusula que fixa a possibilidade de cancelamento da subscrição em qualquer momento, sem qualquer explicação e ficando o ex-sócio «com o que já recebeu», neste caso o tablet e as revistas.
Foi graças a ela que um número indeterminado de candidatos ao tablet se fizeram sócios, desistindo logo após a recepção do «presente». A acreditar no que muitos escrevem nas redes sociais, o único objectivo que tinham era receber a «máquina», havendo quem confesse que se voltou a inscrever logo a seguir, para receber outro tablet — facto que as respostas da Deco a algumas reclamações acessíveis no seu site confirmam. Outros houve que inscreveram a família toda com o mesmo fim, cancelando de imediato as inscrições.
A enxurrada de novos sócios explica, segundo a Deco, a ruptura dos stocks de tablets, e os atrasos de meses na entrega dos mesmos. Alguns dos que aderiram à campanha e agora se queixam acusam no entanto a associação de atrasar as entregas como expediente para receber mais dinheiro, uma vez que a partir do segundo mês o valor mensal cobrado é de 6,75 euros.
A grande maioria das reclamações e protestos tem a ver com a demora dos tablets, sendo que muitas delas assumem erradamente que havia um compromisso de entrega no prazo de três semanas (o qual respeitava apenas às revistas). Muitas outras, porém, visam a alegada fraca qualidade e deficiência de funcionamento dos tablets. Com frequência, os queixosos perguntam então: e agora a quem é que os consumidores se vão queixar da Deco?
Contactada pelo PÚBLICO, a associação recusou-se a prestar qualquer informação concreta sobre temas como o número de pessoas que aderiram à campanha, o número de tablets já entregues, o número de cancelamentos de subscrições por parte dos novos sócios, o número de reclamações recebidas e respondidas, ou o investimento global feito com a campanha.
Em resposta, o novo director de edições da organização, Nuno Fortes (que entrou em funções no mês passado e não faz parte dos órgãos sociais da associação), diz que «a maioria dos dados» solicitados «fazem parte da estratégia de gestão» da Deco. «Embora [esses dados] sejam escrutináveis através dos relatórios que anualmente publicamos, não são partilháveis a priori, quando, no nosso ajuizamento, não está sequer em causa qualquer actuação menos lícita nem um tema de interesse público», escreve Nuno Fortes.
O Relatório de Actividades e Contas da Deco relativo a 2014 não faz, todavia, qualquer referência à campanha dos tablets, nem a qualquer outra do género. De acordo com esse relatório, a associação teve no ano passado um lucro de 289.931 euros, dos quais 271.597 respeitam a 25% dos lucros da Deco Proteste Editores Lda, a empresa proprietária da Proteste e das outras revistas distribuídas pela organização.
O capital da Deco Proteste Editores é partilhado pela empresa luxemburguesa Euroconsumers SA, que detém 75% das acções, e pela Deco, com 25%. As quotizações pagas pelos cerca de 400 mil sócios da associação somaram três milhões e quarenta mil euros.
No email enviado ao PÚBLICO, Nuno Fortes afirma que os problemas surgidos com a campanha dos tablets têm origem na «incapacidade do fornecedor em dar resposta ao número de pedidos, embora tenha acelerado a produção de novos aparelhos». A adesão de novos subscritores tem estado acima das «melhores expectativas» da Deco, acrescenta, garantindo que os atrasos de quatro e cinco meses referidos nalgumas reclamações respeitam, «na sua esmagadora maioria», a «casos excepcionais de novos associados que forneceram contactos errados e/ou insuficientes».
Em todo o caso, salienta Nuno Fortes, «o número de desistências/cancelamentos é ínfimo e incomparável com a entrada de novos associados». Para «minorar o impacto negativo» do atraso na entrega dos equipamentos, a associação assegura que tem tido o cuidado de informar «através de comunicação específica todos os novos associados desta demora e do seu fundamento, o que não é sinónimo de que todos estejam disponíveis para compreender o motivo alegado ou que não dêem conta do seu descontentamento publicamente».
Queixas idênticas noutros países
Tal como em Portugal, também nos outros três países europeus em que existem associações de consumidores ligadas à sociedade Euroconsumers SA surgiram inúmeros protestos relacionados com a campanha dos tablets. Isto porque a OCU (Organización de Consumidores Y Usuarios), de Espanha, a Test Achats belga e a Altroconsumo italiana têm no terreno campanhas idênticas às da Deco, em que são oferecidos os mesmos tablets aos novos sócios.
O conceito é exactamente o mesmo e os materiais promocionais utilizados são muito semelhantes, o mesmo acontecendo com os sites das associações e com as revistas publicadas. As diferenças mais notórias prendem-se com o preço da subscrição e com os prazos de entrega dos aparelhos.
Enquanto que a Deco e a OCU começaram por pedir dois euros para que os novos sócios pudessem receber o «presente» e depois subiram para cinco euros, a Test Achats e a Altroconsumo mantêm-se nos dois euros. Quanto aos prazos, ao contrário da Deco que não indica um prazo limite para a entrega, a OCU garante que ele será entregue no prazo máximo de dois meses, a Test Achats indica três meses e a Altroconsumo seis meses.
No caso espanhol há também uma diferença em relação à Deco. Enquanto esta se limita a lamentar os atrasos na entrega, a OCU tem em lugar de destaque no seu site um pedido de desculpas formal. Nos sites de todas estas organizações há numerosas reclamações semelhantes às que se encontram no site da Deco.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Os temas fracturantes e o PS (1)
Vasco Mina, Corta-fitas, 21.09.2015
Ao contrário do que acontece com a Segurança Social (que
desconhece por completo o que significam as suas propostas), aqui o líder do PS
é bem claro quanto às suas intenções. António Costa declarou que «Reabriremos
a legislatura revogando de imediato a legislação que aprovaram» sobre as alterações às regras da interrupção
voluntária da gravidez e que resultaram de uma Iniciativa Legislativa de
Cidadãos (ILC) e que recolheu o apoio de cerca de 50 000 cidadãos. Que medidas
foram então aprovadas no âmbito desta legislação e que António Costa quer
revogar:
a) A mulher em risco de aborto terá sempre apoio
psicológico;
b) A mulher em risco de aborto terá sempre apoio social;
c) A mulher no âmbito do processo de IVG terá
obrigatoriamente uma consulta de Planeamento Familiar;
d) Nos locais próprios (Hospitais, Conservatórias,
Centros de Saúde) será disponibilizada informação sobre o valor da vida, da
maternidade e da infância;
e) Na consulta prévia ao processo de IVG será também
fornecida informação de Apoio à Vida e à gravidez;
f) No aconselhamento à grávida participarão não só
organismos públicos como também IPSS;
g) dignificação dos médicos e enfermeiros objetores de
consciência e no reconhecimento da sua não discriminação;
h) introdução de taxas moderadoras.
São estas medidas que António Costa quer revogar e por
isso quem concorde tem apenas de votar PS
Os temas fracturantes e o PS (2)
Vasco Mina, Corta-fitas, 27.09.2015
Os temas fracturantes são exactamente o que querem
significar: questões que dividem as opiniões, fracturando a sociedade em duas
ou mais partes. Muitas vezes (para não dizer sempre) são acompanhados de
abordagens ideológicas da sociedade o que os torna ainda mais fracturantes e
com uma elevada carga emocional. Deveriam ser amplamente debatidos e, para
alguns deles, colocar à decisão dos portugueses, ou seja, recorrendo ao
referendo. Não é esta a opção do PS pois no seu programa eleitoral toma (e
destaco a frontalidade) a opção da defesa de soluções sem qualquer debate
prévio. Ou seja, o PS assume o compromisso de:
1) Eliminar a discriminação no acesso à adopção e no
apadrinhamento civil por casais do mesmo sexo.
Ou seja, o pleno acesso ao regime de adopção por parte de
casais homossexuais. Retomando a argumentação do recente debate em torno de
legislação apresentada na AR sobre a co-adopção, sou dos que defende o direito
da criança (que deverá prevalecer sobre o direito de um casal homossexual) a
ter um pai e uma mãe. São vários os estudos que apontam neste sentido e muitos
os psicólogos e técnicos que acompanham crianças desprotegidas que igualmente
defendem esta posição. Reconheço e respeito a argumentação dos casais
homossexuais mas dela discordo. Saliento que muito recentemente foi publicada
legislação (ver artigo de Teresa Anjinho publicado no Expresso de 19 de
Setembro) que é, de alguma forma, uma reforma estrutural no que à criança diz
respeito: adopção, protecção das crianças e jovens em perigo e regime tutelar
cível. São três leis fundamentais que careciam de revisão e que agora foram
reformadas e tendo presente os principais destinatários: as crianças
institucionalizadas. Ora o PS em nada se refere à necessidade da reforma agora
traduzida na legislação e coloca em situação de paridade casais homossexuais
com casais heterossexuais. Ora em Dezembro do ano passado (e segundo o mesmo
artigo já citado) encontravam-se cerca de 400 crianças em condições de adoptabilidade
e cerca de 1 800 candidatos em lista de espera para adoptar. Para o PS os
casais homossexuais não deverão ser descriminados nos processos de adopção, ou
seja, terão igual prioridade à dos casais heterossexuais. O que não concordo e
por isso sou contra esta proposta eleitoral socialista.
2) Eliminar as restrições de
acesso, que ainda subsistem na lei, às técnicas de procriação medicamente
assistida por casais do mesmo sexo e por mulheres solteiras.
Faz sentido apoiar e dar condições de acesso às técnicas
de PMA (procriação medicamente assistida) aos que por opção própria escolheram
vidas familiares que, por natureza, são não reprodutivas? Em minha opinião não
faz e por isso deverão votar PS os que defendem esta solução.
3) Melhorar o regime da identidade de género, nomeadamente
no que concerne a necessidade de previsão do reconhecimento civil das pessoas
intersexo.
Família: do conceito à sua falsificação
Heduíno Gomes
Está na moda os políticos, até de esquerda e liberais de «direita», falarem na família.
Aquilo que, para a esquerda e liberais, era uma coisa «opressiva» deixou de sê-lo. O valor natural da família passou a andar também na boca da classe política de esquerda e liberal. Passou para a boca, não para as acções positivas. É que essa classe política viu que a palavra rendia nas urnas. Passou então a utilizá-la mas esvaziando-a do seu conteúdo, desvirtuando o conceito.
Ou seja, estamos perante um artifício da contracultura, uma descarada
manipulação de linguagem, em que a palavra valores é abusivamente
utilizada para designar contravalores e família para designar
a sua negação.
Portanto, quando ouvimos falar de «família», temos de olhar o que o
político ou o activista querem dizer com a palavra...
A preparação ideológica para a destruição da família
Se hoje a doutrina dominante e oficial sobre a família a colocou de
rastos, isso não foi obra de um momento. Ao longo dos anos, os seus inimigos
têm vindo a desenvolver paulatinamente uma acção de manipulação ideológica, de
intoxicação, moldando os espíritos mais frágeis, mais influenciáveis. Essa
acção de intoxicação tem vindo a ser incentivada na sombra pela maçonaria, mais
radicalmente pela maçonaria irregular.
Esta
investida contra a família e os seus valores, ao longo dos anos, tem vindo a
ser desenvolvida nomeadamente através da RTP e depois das outras televisões.
Nesta intoxicação tiveram especial responsabilidade Soares Louro, Carlos Cruz,
Júlio Isidro, Maria Elisa, Manuel Falcão, Teresa Paixão, Balsemão, Emídio
Rangel e tantos outros. E nem o mui católico Roberto Carneiro, na chamada
«televisão da Igreja», está isento de culpas ao escolher para os seus
quadros declarados inimigos da família e ao ter aprovado vários programas
antifamília.
Aliás, não está isento Roberto Carneiro como não estão isentos os
senhores bispos com responsabilidades no projecto que puseram tal
competência doutrinal e financeira à cabeça desse canal e tinham
obrigação de vigiar a prática do executante. Senhores bispos que,
aliás — com uma ou outra conhecida e honrosa excepção —,
«adaptando-se aos tempos», também não deram grandes passos para contrariar
a tendência modernista que se acentuava na sociedade portuguesa. Pensa-se que a
alguns até agradava.
Diversas formas de ataque à família
Os ataques à família processam-se quer frontalmente, nomeadamente com
promoção do relativismo cultural, do liberalismo e da ideologia feminista, quer
em áreas que para isso concorrem, nomeadamente nos planos da filosofia, da
psicologia, da ética, da moral, da religião, da demografia, da política, da
fiscalidade, do direito, da educação, da antropologia, da biologia, da própria
história...
Quando os maçons contemporâneos, a esquerda contemporânea, os liberais,
os políticos corruptos ou certos activistas falam de «família», temos de ter
presente que provavelmente estarão a falar de outra coisa que não a
família natural... Assistimos normalmente à manipulação de palavras e a uma
série de truques de retórica a que temos de estar atentos, identificar e
combater, que se escondem em cada uma das referidas disciplinas.
Tudo começou pela destruição do pudor
A destruição do pudor, de forma programada, começou há muito nos meios
de comunicação. Primeiro foram as «ousadias», depois a «ausência de tabus»,
depois o incitamento ao «amor livre», e acaba-se no incitamento
ao adultério e à homossexualidade. Os proprietários, directores, produtores e
jornalistas desses meios de comunicação transformaram-se em autênticos marchands
porno. Aquilo que, num canal de televisão, se revelava com sucesso entre a
populaça por ser mais despudorado era de seguida imitado e ultrapassado pela
concorrência. E assim sucessivamente, na disputa galopante de audiências e
leitores.
As televisões apuraram-se nesta actividade mercantil através de
programas de entretenimento, de programas «intelectuais» de suposta análise da
sociedade (com sociólogos, sexólogos, psicólogos e psiquiatras), e acabaram em
exemplos práticos de decadência moral nas suas telenovelas, que hoje contém
todos esses ingredientes.
As revistas cor-de-rosa ou de mulheres, umas mais populares, outras
pretensamente mais «intelectuais» e dirigidas às classes médias, seguem
exactamente os mesmos passos das televisões. O mesmo sucede com as
revistas semanais, onde o psiquiatra António Gameiro, na Revista do Expresso do
Balsemão, se tornou um especialista com o seu «Pequeno Manual da
Infidelidade Conjugal».
Esta intoxicação acabou por atingir largos sectores da sociedade,
conduzindo a uma permissividade e «normalidade moral» realmente amoral. E quem
denunciar a situação é acusado de «medieval» pela progressista gentalha.
A invenção do conceito de «novas formas de família»
Uma das últimas invenções da sociologia e antropologia decadentes para
ataque à família, a família natural — única forma de família que existe —, é a
grande mentira a que chamam «novas formas de família». Tal conceito
serve simplesmente para dar cobertura moral e jurídica às relações contra
natura entre invertidos e entre lésbicas.
Quando do centenário da implantação da república, o então Grão-Mestre do
Grande Oriente Lusitano, António Reis, que fazia parte da comissão das
comemorações, fez questão de assinalar o acontecimento com a adopção do chamado
«casamento» contra natura entre indivíduos do mesmo sexo. E
Sócrates, o seu PS e outros dos diversos partidos, incluindo alguns da suposta
direita, obedeceram à directiva da maçonaria e passaram essas aberrações para a
ordem jurídica.
A maçonaria irregular está envolvida neste processo até à raiz dos
cabelos, enquanto a regular, pela confusão ideológica e moral que a sua igual
doutrina subjectivista semeia, também não está isenta de culpas.
A invenção da «ideologia do género»
A «ideologia do género» é uma invenção de invertidos simplesmente para
lavar moralmente as práticas homossexuais e incentivar o
homossexualismo. Trata-se de uma grosseira falsificação na área da antropologia
e da biologia, em que uns são «’cientistas’ em causa própria» e outros são
cobardes que não têm coragem para opor-se aos activistas do gangue.
A «ideologia do género» consiste numa ridícula falsificação
antropológica e biológica segundo a qual o indivíduo nasce com «género»
(baseado na anatomia), mas sem sexo definido. Segundo estes falsificadores
ultra-rousseaunistas, a «orientação sexual» seria coisa à parte, «imposta
pelo meio social» (portanto ser macho ou fêmea seria produto da
ditadura da sociedade...). E por conseguinte cada indivíduo poderia
recusar essa «imposição social» (não condição biológica...)
e heroicamente escolher a sua «orientação sexual», isto é,
homossexualidade ou heterossexualidade — aqui sem qualquer heroísmo. Ou
seja, o sexo não é coisa com que se nasça mas sim uma coisa que pode ser
(re?)programada.
E assim se transforma em «normalidade» e «ciência» antropológica e
biológica uma doença do sistema nervoso central. Mais concretamente, do
hipotálamo, doença da qual resulta uma perturbação no sistema endócrino e daí
no comportamento sexual, que se torna anormal. Doença psiquiátrica, de origem
somática, que, segundo os falsificadores, já não é doença e passa a ser
«variante» da normalidade...
A compaixão que devemos ter em relação a um doente discreto e sofredor e
a ajuda que lhe devemos prestar não se devem aplicar aos activistas antifamília
e anti-sociais, arrogantes, ditadores e provocadores. Estes merecem todo o
nosso repúdio. Mais do que repúdio, pelo verdadeiro crime que constitui o
incitamento de crianças à homossexualidade, deveriam encontrar-se sob a alçada
do Código Penal.
A gestão antifamília do problema da violência doméstica
A violência doméstica é um problema real, que assume por vezes aspectos
dramáticos. Contudo, sendo gerido por feministas, por políticos e jornalistas
antifamília ou cobardes, o problema é deformado e aproveitado para atacarem a
família.
A primeira grande questão é saber o que é violência doméstica.
Se é verdade que existem casos patológicos de violentos — e também de
violentas —, que devem ser criminalizados, também é verdade que as feministas,
como ministras da pasta, tendem a alargar o conceito de violência doméstica até
ao absurdo. Para estas traumatizadas, a ordem doméstica já é em si violência
doméstica... As feministas transportam todas as suas frustrações para a questão
e utilizam o poder que lhes é conferido pelos meios de comunicação e pelos
políticos para libertar toda a sua androfobia, não raras vezes sinónimo de
lesbianismo.
Em relação à violência doméstica real, em primeiro lugar, há que
procurar as suas causas.
Como se explicará que pessoas normalmente pacíficas entrem em processos
de violência? É simples de compreender se se considerar que qualquer ser humano
normal projecta construir uma família, ter filhos, viver em paz no seu lar. E o
que se passará na cabeça dessa pessoa normal e pacífica se esse seu projecto,
já iniciado e com filhos — sangue do seu sangue —, é ameaçado ou
destruído pela libertinagem ensinada nas telenovelas? Que se passará na cabeça
dessa pessoa normal e pacífica quando vê os seus filhos serem-lhe subtraídos
para ficarem sob a tutela de um estranho?
Assim se compreendem tantos crimes passionais. Perante a força dos
instintos em desespero, em defesa do seu território, de nada valerá invocar a
razão e a calma.
Ora bem. Os e as progressistas, tão dados a invocar a influência do meio
no comportamento individual, tão dados a valorizar os impulsos dos instintos,
aí têm uma ocasião própria para fazê-lo: valorizem o instinto da conservação da
espécie.
E como se banalizou a libertinagem e a desordem na família senão através
do vírus feminista e marchands porno? Lá vamos nós parar aos
verdadeiros responsáveis pelos dramas de violência que ocorrem hoje em muitos
lares e pela irremediável e «pacífica» destruição de muitos mais.
O Estado contra a autoridade dos pais na educação dos filhos
Outro meio de ataque à família é a proibição pelo Estado dos pais
exercerem a sua autoridade natural para educarem os filhos aplicando castigos
quando necessário. Em nome da chamada «protecção da criança», os pais e
professores estão simplesmente proibidos de dar um tabefe a um filho ou aluno
mal comportado. Só podem chamar à razão o... irracional. O pequeno terrorista
pode impunemente partir a loiça, desobedecer, insultar, não estudar, perturbar
as aulas. Qualquer tentativa firme de pará-lo com aquela única linguagem que
ele percebe é... ilegal.
As televisões são inundadas por pedagogos e psicólogos de má fé ou
lunáticos das «novas pedagogias», onde impera a utopia e a permissividade.
O psiquiatra Daniel Sampaio é uma espécie de papa destas teorias da
permissividade.
O chamado «Instituto de Apoio
à Criança», de Manuela Eanes, criado, promovido e financiado durante o mandato
politico-militar do esposo, foi e é um dos grandes propagandistas deste modelo
permissivo de «educação» e de perseguição dos pais que não abdicam de realmente
educarem os seus filhos.
Afinal, a «protecção da criança» por essa gente resulta na sua
deseducação. A prova provada é o que hoje se vê nas escolas, a todos os níveis
de ensino, onde o ambiente é simplesmente de selva.
Nos meios de comunicação, os casos de violação de crianças
são frequentemente catalogados como acontecendo «no seio da
família», quando na realidade, na quase totalidade das vezes, o violador é
simplesmente alguém estranho à família que mantém uma relação com a mãe da
criança. O objectivo desta desinformação, como se torna evidente, é criar a
ideia de que a família não é um lugar seguro para as crianças, pretendendo
assim justificar, como veremos, a intervenção abusiva do Estado na família.
A manipulação de crianças na escola e nos meios de comunicação pela
contracultura
Assistimos igualmente ao
ataque aos valores da família nos programas escolares, nos meios de
comunicação, especialmente nas televisões. Faz-se a apologia da insubordinação
contra os pais, da imoralidade, da irresponsabilidade. Tornou-se comum a
utilização sistematizada da escola como veículo de propaganda do despudor e do
homossexualismo, adoptando nos programas uma série de ideologias antinaturais e
antifamília, como o naturalismo, o amoralismo, a «ideologia
do género» — e, quando convém, o seu contrário, o biologismo —, o
culto do jovem, a liberdade anarquista, etc.
O roubo de crianças aos pais e a sua entrega para adopção, incluindo a
invertidos
Os políticos inimigos da família já transportaram para o plano jurídico
todas estas anormalidades.
Aproveitando-se da existência de casos dramáticos que realmente
justificam uma intervenção, os políticos antifamília, recorrendo aos
sofismas «uma criança não é propriedade dos pais», «protecção da
criança» e «superiores interesses da criança», legislaram
no sentido de criar pretextos para roubar aos pais a tutela da criança e a sua
autoridade sobre ela e para passar o Estado a ser efectivamente o dono da
criança.
Quem pode definir as regras de educação dos filhos é o Estado.
Quem define o que são os «superiores interesses» dos filhos é o Estado.
E quem não preencher os mandamentos do Estado vê-se na contingência de
lhe serem roubados os filhos e entregues a uma instituição, privada ou da
Segurança Social, onde o Estado educa e cuida directamente da criança à sua
maneira ou encomenda o trabalho a fundações e associações com ele sintonizadas.
E quem é o Estado? São precisamente eles, os mesmos, os políticos
inimigos da família e seus executantes.
O cume deste atentado contra as crianças e a família é a sua entrega aos
chamados «casais» de invertidos. A adopção de crianças por esta espécie
é apoiada pela generalidade dos partidos da esquerda e por alguns membros
dos restantes, por sua vez comandados pela maçonaria, que destas causas
fracturantes faz ponto de honra. A lacrimosa «católica» Manuela Eanes, em
declaração do seu «Instituto de Apoio à Criança», teve o descaramento de
se pronunciar a favor deste crime.
Esta apropriação das crianças
pelo Estado só encontra paralelo no comunismo, no fascismo e muito
especialmente no nazismo. Pio XI, na sua encíclica Divini Illius
Magistri — Acerca da Educação Cristã da Juventude (1929),
denuncia frontalmente a apropriação das crianças pelo Estado fascista que o
cercava, definindo claramente o papel que cabe ao Estado e o papel que cabe à
família.
O complexo social-industrial como aliado das centrais antifamília
Quem pense que se trata apenas de opção ideológica ou de vício sexual
desta gente engana-se redondamente. A sua «actividade social» alimenta-se de
uma indústria. É a indústria do social, num volumoso complexo envolvendo verbas
gigantescas e os mais variados interesses que nele se cruzam: é o complexo
social-industrial.
O complexo social-industrial proporciona milhares de empregos e
carreiras a gente que vegeta no mundo deste «trabalho» e para quem a existência
da desgraça é condição sine qua non para esses empregos e
carreiras. E quando não há desgraça, toca a inventá-la, como acontece por todo
o mundo. Porque a indústria do social precisa matéria-prima, isto é, de
vítimas.
Como vimos, nos temas
predilectos do complexo social-industrial encontramos a falsa «protecção de
crianças» em falsos casos de maus tratos. E também a actividade da
«protecção de mulheres» em falsos casos de violência doméstica. Este complexo
industrial é sem dúvida o mais pernicioso para a Civilização e para a
humanidade. Muito mais pernicioso do que a poluição atmosférica porque estamos
a falar da poluição dos espíritos, da destruição da família, do desequilíbrio
das crianças e adultos, de ecologia humana.
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