segunda-feira, 27 de julho de 2015


Juízes donos dos filhos dos outros...

Portugueses desde pequeninos


Alberto Gonçalves, Diário de Notícias, 21 de Julho de 2015

Permitam-me uma declaração de interesses ou, melhor dizendo, de completo desinteresse: não consigo imaginar porque é que alguém publica fotografias dos filhos no Facebook. Nenhuma criatura razoavelmente saudável está interessada na fisionomia dos rebentos alheios. Ninguém, salvo eventuais maluquinhos, sente curiosidade por retratos de crianças a tentarem uma pose «gira» ou a enfardarem um Cornetto. E só um caso perdido apreciaria acompanhar reportagens informais e ilustradas sobre as aulas de bailado de petizes que mal conhece ou desconhece de todo. Quem disser o contrário é mentiroso e, até pelos padrões do Facebook, falso amigo.

Dito isto, custa perceber a recente decisão dos tribunais de Setúbal e Évora, que proibiram um casal de exibir a filha nas «redes sociais». As razões avançadas foram sobretudo duas. A primeira prende-se com a ameaça de «predadores e pedófilos», os quais pelos vistos usam as ditas «redes» para descobrir que uma criança existe e espantosamente possui um par de olhos e um nariz.

A segunda razão é um primor: «os filhos não são coisas ou objectos pertencentes aos pais e de que estes podem dispor a seu belo sic prazer». No acórdão, fica lindo. No mundo real, fica a dúvida: os pais mandam ou não mandam nos filhos? Têm ou não têm legitimidade para obrigá-los a estudar ou a comer a sopa? Falta muito para as autoridades reservarem para si os encantos da amamentação? Goste-se ou não, a verdade é que nada prepara para a vida adulta tanto quanto a nacionalização precoce: tornar as crianças dependentes do Estado por lei é apenas antecipar aquilo que, crescidas, farão por vocação. Tudo está mal quando começa mal.






«Estamos a criar crianças totós,

de uma imaturidade inacreditável»




Rita Ferreira, Observador, 25 de Julho de 2015

Quanto mais recreio, mais atenção nas aulas. Quanto menos liberdade para brincar, maior o risco de acidentes. Carlos Neto, professor da FMH, explica por que tem de ser travado o «terrorismo do não».

Carlos Neto é professor e investigador na Faculdade de Motricidade Humana (FMH), em Lisboa. Trabalha com crianças há mais de quarenta anos e há uma coisa que o preocupa: o sedentarismo, a falta de autonomia dada pelos pais às crianças e a ausência de tempo para elas brincarem livremente, correndo riscos e tendo aventuras. É um problema que tem de ser combatido, diz. Porque a ausência de risco na infância e o facto de se dar «tudo pronto» aos filhos, cada vez mais superprotegidos pelos pais, acaba por colocá-los em perigo. Soluções? Uma delas passa por «deixar de usar a linguagem terrorista de dizer não a tudo: não subas, olha que cais, não vás por aí…».

Carlos Neto trabalha com crianças há 48 anos.
Há dez anos já se falava no sedentarismo das crianças portuguesas. Lembro-me que dizia que uma criança saudável é aquela que traz os joelhos esfolados. Como estamos hoje?

Há dez anos nós falávamos que as crianças tinham agendas, hoje digo que têm super-agendas! Há dez anos eu dizia que as crianças saudáveis eram as que tinham os joelhos esfolados. Hoje, acho que os joelhos já não estão esfolados, mas a cabeça destas crianças já começa a estar esfolada, por não terem tempo nem condições para brincar livremente. Brincar não é só jogar com brinquedos, brincar é o corpo estar em confronto com a natureza, em confronto com o risco e com o imprevisível, com a aventura.

As crianças brincam porque procuram aquilo que é difícil, a superação, a imprevisibilidade, aquilo que é o gozo, o prazer. E, portanto, as crianças que eu apelido de crianças «totós», são hoje definidas como crianças superprotegidas, crianças que não têm tempo suficiente para brincar e crianças que não têm tempo nem espaço para exprimir o que são os seus desejos. E o primeiro desejo de uma criança é o dispêndio de energia, é brincar livre e com os outros, mesmo que muitas vezes em confronto. Porque o confronto é uma forma preciosa de aprendizagem na vida humana. E nós estamos a retirá-los de tudo isso. Estamos a dar tudo pronto e não estamos a confrontá-los com nada. E isso terá muitas consequências.

Estamos a falar de que idades?

Estamos a falar de crianças entre os 3 e os 12 anos. Significa que aumentou de facto esta taxa de sedentarismo, eu diria mesmo de analfabetismo motor, estamos a falar de iliteracia motora. Trabalho há 48 anos com crianças e sei avaliar o que se passou. As crianças têm menos capacidade de coordenação, menos capacidade de percepção espacial, têm de facto menor prazer de utilizar o corpo em esforço, têm uma dificuldade de jogo em grupo, de ter possibilidades de ter aqueles jogos que fazem parte da idade. Ao mesmo tempo, institucionalizou-se muito a escola. Nós hoje temos as crianças sentadas durante muito tempo, não há uma política efectiva adequada de recreios escolares. Os recreios são organizados muitas vezes em função de um modelo de trabalho, ou de um modelo de funcionamento pedagógico, que tem a ver mais com as aprendizagens pedagógicas obrigatórias ou consideradas úteis, e muito menos com as actividades do corpo em movimento. E, por isso, há alguns trabalhos de investigação que temos vindo a fazer, onde tentamos mostrar a correlação entre o tempo que as crianças têm de recreio, a qualidade de actividade que fazem no recreio e a capacidade de aprendizagem na sala de aula.

«Temos hoje crianças de 3 anos que, ao fim de dez minutos de brincadeira livre, dizem que estão cansadas, temos crianças de 5 e 6 anos que não sabem saltar ao pé-coxinho. Temos crianças com 7 anos que não sabem saltar à corda, temos crianças de 8 anos que não sabem atar os sapatos.»





sábado, 25 de julho de 2015


Namoro na era da pílula


George Sim Johnston

Fala-se muito, hoje em dia, da crise do casamento. Os níveis de divórcio são altos e demasiadas crianças vivem em famílias monoparentais e frequentemente as pessoas acabam por se sentir isoladas e sós quando chegam à meia-idade. Mas fala-se pouco de namoro. Como é que se chega a um casamento? Como é que uma pessoa de 25 anos devia lidar com toda a cena do namoro?

Segundo o filósofo Leon R. Kass, a razão pela qual se fala tão pouco de namoro é porque «os próprios termos: ‘cortejar’ e ‘pretendente’ são arcaicos e se hoje as palavras mal se usam é porque o fenómeno praticamente desapareceu. Actualmente não existem normas de conduta socialmente definidas para ajudar os jovens a orientarem-se para o casamento. Para a grande maioria o caminho para o altar é território desconhecido: É cada casal por si, sem bússola, frequentemente sem um objectivo».

Esta ausência virtual de guiões para o namoro não tem precedentes. Até há pouco tempo, a sociedade possuía normas claras para governar a «dança» entre um homem e uma mulher antes do casamento. Há razões pelas quais isso já não acontece, salvo raras excepções.

Em primeiro lugar, vivemos naquilo a que Barbara Dafoe Whitehead chama uma cultura de divórcio. Muitos jovens adultos têm os pais divorciados e por isso falta-lhes não só bons conselhos como um modelo convincente para o matrimónio. O fim doloroso dos casamentos dos seus pais deixa-os reticentes quanto à ideia de compromisso.

Em segundo lugar, tem havido uma grande mudança de prioridades em relação ao trabalho e à família. Hoje as pessoas querem ter independência financeira antes de pensar sequer em casar, enquanto os seus pais (e certamente os seus avós) costumavam casar antes de terem uma situação financeira clara. Há cinquenta anos esperava-se que os jovens casais subsistissem com pouco nos primeiros anos do casamento e isto tendia a fortalecer a relação.

«Se esperar até aos trintas», escreve Charles Murray, «é provável que o seu casamento seja uma fusão. Se casar antes é natural que seja um start-up… Quais são as vantagens de um casamento start-up? Em primeiro lugar, ambos terão memória das suas vidas em conjunto quando tudo estava ainda por definir (…) e cada um saberá que sem o outro não seria a pessoa que é hoje».

Em terceiro lugar, muitos solteiros tendem a viver o que Kay Hymowitz apelida de uma «adolescência pós-moderna». Este estado de suspensão emocional tem sido retratado em séries como Seinfeld. Homens novos (e algumas mulheres) que não vêem qualquer razão convincente para se tornar adultos; podem nem saber bem o que a palavra significa.

Para os homens este atraso em aceitar as responsabilidades da vida adulta explica-se em parte pela disponibilidade de sexo sem compromissos. «Se a cultura oferece acesso sexual sem exigir compromisso pessoal em troca», escreve James Q. Wilson, «muitos homens optarão sempre pelo sexo».

O sexo, em tempos reservado para o casamento, é agora visto como parte essencial do namoro. Isto não clarifica o pensamento nem enriquece as emoções. O sexo casual criou um clima de cinismo entre os jovens, que entraram no hábito de tratar os membros do sexo oposto como um meio para atingir um fim. A transformação do sexo numa actividade casual faz mirrar o sentido do namoro e, portanto, do próprio casamento.

Estado de suspensão emocional
A modernidade dá muita importância à ideia de liberdade, mas diz pouco sobre como usar essa liberdade. Um caso concreto é a revolução sexual, que tem tido um impacto devastador sobre o namoro e o casamento. De forma geral é difícil, passados estes anos todos, afirmar que a revolução sexual tornou as pessoas mais felizes. Talvez seja mais fácil comprovar o contrário. Considere-se, por exemplo, o número de nascimentos fora do casamento, que agora já ultrapassa os 40% na América e no Reino Unido, ou a epidemia de doenças sexualmente transmissíveis.

A revolução sexual foi iniciada pela introdução da pílula contraceptiva para mulheres. A pílula era suposto «libertar» as mulheres, mas teve uma série de efeitos imprevistos – pelo menos pelos que a promoviam mais vigorosamente.

A pílula concedeu aos homens uma autorização em branco para ter sexo sem responsabilidades, tornou-se algo que podiam exigir sem se preocuparem com as consequências. Tornou-se fácil aos homens tratar as mulheres como objectos de prazer (e algumas mulheres adoptaram a mesma atitude). Esta transformação de prazer físico em comodidade esvaziou o acto sexual do seu sentido nupcial. Fez com que os homens e as mulheres passassem a olhar uns para os outros de formas que têm pouco a ver com a aliança de permanente doação própria que é o casamento.

A pílula também ajudou a criar uma cultura de engate que – como até escritoras feministas de tendência liberacionista como Donna Freitas admitem – tem causado muita dor e frustração, sobretudo entre mulheres. Não é difícil ver que a promiscuidade sexual tanto nos campus universitários como mais tarde tem resultado em muitos homens e mulheres a entrar para o casamento com uma atitude consumista em relação ao sexo.

A pílula também ajudou a criar uma cultura de coabitação antes do casamento. Em 1960, o ano em que a pílula foi introduzida, quase ninguém coabitava antes de casar. Agora 60% já o faz. E acontece que a coabitação não é uma boa rampa de acesso ao casamento. Para começar, ensina aos casais uma noção de compromisso «light». Apelidos diferentes e contas bancárias separadas, a certeza de que se podem separar «a qualquer instante». Muitos casais descobrem apenas tarde de mais que a coabitação e o casamento não são de todo a mesma coisa.

A transformação da instituição do casamento terá de passar pela restauração do namoro, embora de uma forma diferente do que era há 60 anos. Recentemente uma aluna de 23 anos contou-me que o que se faz actualmente é juntar-se a um tipo que pode ou não vir a ser seu marido e nem pensar em casar até perto dos trinta. A sua geração precisa de ouvir as razões pelas quais isto é uma fórmula para a infelicidade aos cinquenta anos.


(Publicado pela primeira vez no sábado, 4 de Julho de 2015 em The Catholic Thing)





sexta-feira, 24 de julho de 2015


Ferramenta de espionagem da Google

instala-se sozinha nos computadores



Um software da Google que é capaz de escutar o que é dito perto do computador instala-se automaticamente, sem pedir autorização ao utilizador. A denúncia foi feita por programadores que usam o software Chromium, a versão em código aberto do navegador Chrome, da Google, que foram os primeiros a aperceber-se desta funcionalidade.


LER MAIS:

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=4640666&page=-1






O aborto como «cuidados de saúde»

segundo as trupes liberalóides do PSD e do CDS


Heduíno Gomes

Acaba de ser debatido e aprovado na Assembleia da III República um diploma pelo qual os abortos praticados no Serviço Nacional de Saúde passam a estar sujeitos ao pagamento da chamada «taxa moderadora».


LER MAIS EM:

http://moldaraterra.blogspot.pt/2015/07/o-aborto-como-cuidados-de-saude-segundo.html





segunda-feira, 20 de julho de 2015


Maior rede de clínicas de aborto nos EUA

acusada de vender órgãos de fetos


Graça Andrade Ramos, RTP, 17 de Julho de 2015

Um vídeo publicado terça-feira e que rapidamente se tornou viral nas redes sociais, mostra a directora dos serviços médicos da Federação Planned Parenthood da América a debater, durante um almoço com actores que fingiam ser compradores de uma empresa biológica, a melhor forma de recolher partes dos corpos de fetos abortados.

Sede da Planned Parenthood em Houston, Texas
No vídeo, gravado com uma câmara oculta no dia 25 de Julho de 2014, a dra. Deborah Nucatola, directora dos serviços médicos da Federação Planned Parenthood da América, discute em detalhe, entre garfadas, como podem ser recolhidas as partes que os seus interlocutores queiram comprar.

VER EM:

http://www.rtp.pt/noticias/mundo/maior-rede-de-clinicas-de-aborto-nos-eua-acusada-de-vender-orgaos-de-fetos_n845406






O doloroso crescimento dos filhos


Inês Teotónio Pereira, ionline, 18 de Julho de 2015

Quando, por fim, as nossas crianças crescem, mudamos de filhos. Um filho crescido é outro filho. Estou a passar por essa fase e sofro dos mesmos sintomas de quando estava grávida, tirando as dores de parto ou mais dez quilos.

Tenho um filho mais alto que eu. E não é de menos. Ter autoridade numa criatura mais alta é desafiante, o tamanho desafia a nossa autoridade. É difícil ser respeitado quando nos olham de cima para baixo. E nós, ao contrário dos políticos, não falamos com os nossos filhos maiores do que nós através da televisão onde aparecemos todos sentados. Não sei lidar com isto.

Também não sei lidar com o facto de não saber o que eles pensam, de não saber o que eles querem e de ter sérias dúvidas sobre aquilo que eles fazem e dizem longe do meu olhar. E isto é mau. É mau porque tenho filhos fora do meu controlo. Antes de nascer um bebé temos dúvidas, curiosidade e, obviamente, falta de confiança. Mas é passageiro. A boa notícia é que, quando eles nascem, passamos a controlar tudo. Tudo mesmo. Somos donos e senhores dos nossos filhos em pleno.

Desde a alimentação às horas de sono, passando pelas amizades e brinquedos. No fundo, mandamos neles. Agora, quando eles se autonomizam e aumentam, voltamos às nossas inseguranças, dúvidas e muita curiosidade. A tendência, humana, é querer saber. E quando digo querer saber é saber mesmo tudo. Ora isto não é mau, é péssimo. Temos, então, duas alternativas: ou os controlamos forçosamente e lidamos com os nossos filhos como se eles ainda fossem mais baixos do que nós ou confiamos e resistimos a essa tentação. Tento o segundo caminho. Todos os dias tento o segundo caminho. 

A questão é saber como é que isto se faz. Há livros, especialistas, programas e sites que nos guiam durante a infância dos nossos filhos, tratando-nos como se nós fôssemos todos estúpidos. O que acho bem: há que proteger as crianças dos pais. No entanto, toda essa inteligência abandona-nos quando os nossos filhos crescem.

Nesta nova fase há um desajuste perturbante: nós continuamos os mesmos pais incapazes de sempre e dispostos a assimilar todos os conselhos dos especialistas, mas os nossos filhos já não são os mesmos descritos nos livros dos especialistas. Eles passaram a ser gente. Pois nós, pais, não estamos habilitados a tratar de gente. Estamos programados para proteger, ensinar, influenciar, castigar, alimentar, disciplinar e brincar com criaturas mais pequenas do que nós. Tudo o resto sai do âmbito das nossas competências. 

E de repente, sem aviso prévio, somos obrigados a mudar o chip. Agora o que vale é confiar, dar liberdade e não duvidar das amizades que não conhecemos. E isto é o mesmo que obrigar um leão a transformar-se em herbívoro. Não é natural. Sempre que estes meus filhos altos mergulham a cabeça no computador, tremo. E sempre que pedem para ir «com um amigo ao festival», transpiro. Este desapego é doloroso.

A felicidade deles passa a ser a nossa infelicidade: a nossa falta de sono deixa de ser porque eles invadem a nossa cama a meio da noite aterrorizados com o papão, mas porque estamos aterrorizados com a possibilidade de eles estarem rodeados de papões no dito festival.

Nós, pais, sabemos perfeitamente que os nossos filhos não são gente e nunca serão. Que apesar do tamanho, da idade ou da proliferação de pêlos, serão sempre irresponsáveis, influenciáveis, imaturos e nunca se alimentam ou dormem como deviam. Não confessamos nada disto, pelo contrário, mas sofremos. E sofremos sozinhos a ambiguidade entre o respeito que queremos manter e a liberdade que temos de lhes dar. Porque, acima de tudo, a única coisa que queremos é continuarmos a ser indispensáveis.





sábado, 11 de julho de 2015


E se Laura Ferreira fosse de esquerda?


Inês Teotónio Pereira, ionline, 11 de Julho de 2015

A mulher do primeiro-ministro deixou-se fotografar numa visita oficial sem peruca ou lenço para esconder os efeitos da quimioterapia a que tem sido sujeita, e a esquerda indignou-se, pasme-se!

A tolerância da esquerda com a diferença e a doença é comovente. Já sabíamos que são incontestável património da esquerda temas como pobreza, ambiente, cultura e grupos que tenham em comum serem minorias (desde que exóticas). Ser de esquerda, nos dias de hoje, é estar sentado num sofá, numa sala decorada ao estilo minimalista, a assistir ao «Borgen», a beber um gin tónico cheio de folhas e bolinhas lá dentro e, no intervalo da série, discursar com a companheira ou companheiro sobre cultura, ambiente, desigualdades sociais e minorias (exóticas). É assim desde que a esquerda é esquerda chique e, numa época mais recente, desde que o PSR inovou o espaço público – vulgo muros – com desenhos giros de carneiros para ilustrar o inimigo comum – vulgo os outros.

Têm sido tempos penosos, mas todos sobrevivemos ao crescimento desta esquerda mordaz, folclórica e vazia sem grandes indigestões. Até que a moda alastrou ao centro e hoje o PS, encalhado numa espécie de complexo social, se rendeu aos encantos desta forma de fazer política. Os comediantes e os espectáculos podem agora ser vistos em vários palcos que vão desde a blogosfera ao plenário da Assembleia da República. Sim, temos estoicamente sobrevivido a tudo isto sem grandes sobressaltos.

A indigestão deu-se esta semana. Esta semana, Laura Ferreira, mulher do primeiro-ministro da maioria de direita – o tal que vai todos os dias para casa magicar planos sádicos para roubar dinheiro às pessoas, tornar os pobres mais pobres, vender o país ao estrangeiro, expulsar portugueses e que, ainda por cima não tem ar de gostar de gin com folhas e bolinhas –, dizia eu que a mulher do primeiro-ministro se deixou fotografar numa visita oficial sem uma peruca ou um lenço para esconder os efeitos da quimioterapia a que tem sido sujeita. E, pasme-se, a esquerda indignou-se. Sim, a esquerda das minorias (exóticas, é verdade), dos desprotegidos, dos mais frágeis, acha – aliás, tem a convicção profunda – que Laura Ferreira só pode aparecer em público disfarçada, escondendo o cancro e sem aparentar qualquer vestígio de que está a fazer um tratamento doloroso. Porquê? Porque não escondendo está a provocar uma onda de sensibilização e isso não é mais do que um instrumento político para ajudar o marido a ganhar votos. Logo, o primeiro--ministro está a usar o cancro da mulher para ganhar votos. Sim, chegou o dia da indigestão. Do vómito, mesmo.

A esquerda tem o problema de achar que o mundo pensa como ela: através de um copo de gin. Esta esquerda gosta de falar das minorias (exóticas, é certo), da pobreza e da doença, mas na medida em que a pobreza, a doença e as minorias sejam conceitos e não pessoas. E Laura Ferreira, por ter casado com quem casou, está automaticamente excluída do conceito e não pode fazer parte do grupo de pessoas que comovem a nossa esquerda. Assim como o ministro das Finanças alemão, que por ser alemão, ser das Finanças e de direita, também não faz parte do grupo de pessoas com deficiência que comovem a esquerda e até pode ser satirizado com a sua cadeira de rodas, como fez António no «Expresso» da semana passada.

Laura Ferreira tem um cancro, tem um cancro e não tem medo, vaidade ou vergonha de mostrar que o tem. Quando a esquerda de Estrela Serrano, dos blogues e de outras personalidades de referência vê um asqueroso aproveitamento político onde só há coragem, isto não só revela o tamanho da sua hipocrisia, intolerância e incoerência, como, pior ainda, revela até onde pode chegar o pensamento estratégico desta gente. E se Passos Coelho fosse de esquerda, será que a sua mulher já podia aparecer sem lenço?





terça-feira, 7 de julho de 2015


Cancro: novo tratamento promete «revolução»

e chega a Portugal em Julho


Agência Lusa, 3 de Julho de 2015

O novo tratamento foca-se na activação do sistema imunológico e tem bons resultados nos estágios mais avançados. Chega a Portugal em Julho. A má notícia? É muito caro.

O tratamento é indicado para os estágios mais avançados da doença e é uma «revolução».
Para os cancros em fase inicial já há alternativas

Um novo tratamento para o cancro, baseado na activação do sistema imunológico, através de moléculas biológicas, tem «resultados muito interessantes», mas é caro e a sua aplicação vai depender da decisão dos responsáveis hospitalares, afirmou hoje um especialista.

«Estes tratamentos são uma grande revolução e estão indicados para cancros mais avançados, pois para cancros em fases iniciais temos outras alternativas», disse à agência Lusa o vice-director do Instituto de Medicina Molecular (IMM).

Bruno Silva Santos avançou que o tratamento, na área da imunoterapia, chamado pembrolizumab, vai estar disponível em Portugal a partir deste mês e «é necessário que o Sistema Nacional de Saúde tenha dinheiro para comparticipar», uma decisão que «tem de ser tomada ao mais alto nível nos vários hospitais», pois é «realmente caro», custando cerca de 100 mil euros.

Já o ipilimumab, o outro tratamento que segue o mesmo princípio, já está aprovado nos EUA e na Europa e é usado em Portugal para o melanoma metastático e «é impressionante o efeito que essa molécula teve», acrescentou.

O investigador falava a propósito de um encontro marcado para sábado, na Fundação Champalimaud, em Lisboa, para informar profissionais ligados à investigação pré-clínica e à prática clínica acerca do avanço desta alternativa.

«Trata-se de anticorpos, moléculas biológicas produzidas por células vivas», diferentes dos tratamentos feitos com drogas químicas, como a quimioterapia, e que começaram por ser usadas no tratamento do melanoma metastático, referiu.

No último ano, os resultados foram alargados a outros tipos de cancro, incluindo o do pulmão, e actualmente decorrem ensaios clínicos para perceber em que cancros sólidos estes anticorpos têm resultados mais interessantes.

«O que eles fazem é remover o travão que impede que o sistema imunitário, neste caso os linfócitos T, esteja activamente a combater o cancro», explicou, e o objectivo é «reverter o processo em que o sistema imunitário está a perder a batalha para o cancro».

Até agora, tentava-se focar a luta nas células cancerígenas, eliminando-as com quimioterapia, radioterapia ou com cirurgia, mas em muitos casos os cancros são resistentes a estas terapias.

Para poder receber este tratamento, o doente não pode estar demasiado debilitado ou ter doenças auto-imunes.

«Se tivermos um tumor em estádio 1 e 2, os estados iniciais, ainda são relativamente fáceis [de ser] alvejados pelos outros tratamentos mais baratos, mais estabelecidos na clínica e de mais fácil acesso», enquanto a imunoterapia «surge para os estádios 3 e 4 que são casos mais avançados».

E para o cancro do pulmão, «tipicamente induzido pelo fumo do tabaco, este tratamento pode dar uma nova esperança», realçou o responsável do IMM, um dos especialistas a participar no encontro.

Acerca do valor do novo tratamento, Bruno Silva Santos defendeu ser necessário fazer as contas ao custo dos outros tratamentos, nomeadamente quando se prolongam por vários anos.

«Os locais credenciados para tratamentos médicos de saúde têm todos e por igual acesso a este tratamento, depois é a questão de quem é que consegue pagar», admitiu.

Perante a taxa de sucesso entre 50% e 60% apresentada pela imunoterapia, os investigadores procuram «biomarcadores, parâmetros biológicos, que permitam prever a resposta dos doentes para optimizar os recursos».






O romantismo de uma família numerosa


Inês Teotónio Pereiraionline, 4 de Julho de 2015

Quando se tem crianças não é o número que importa, o que importa é mesmo o tamanho delas.

No outro dia pus a mão por baixo do banco do carro e encontrei dois bonecos da Playmobil, uma chucha, uma asa de um avião e quatro rodas de um carrinho. Tendo o meu carro sete bancos e duas cadeirinhas de criança, controlei a curiosidade e resolvi não pôr a mão por baixo de mais nada. No entanto, um cheiro estranho persistia e até eu, que dificilmente me vou abaixo com o que sai de dentro das fraldas, não consegui resistir. Saí do carro e, vasculhando debaixo de cada banco, tentei descobrir a origem do cheiro. Ganchos, uma meia de futebol, duas velas, a capa de um livro, mas nada com cheiro. Até que a minha mão tocou numa coisa mole e molhada: uma laranja em decomposição debaixo do sexto banco. Tentei tirá-la, a laranja desfazia-se em antibiótico perante a minha teimosia, mas acabei por conseguir.

Depois fui para casa. Entro sempre em casa a medo porque, invariavelmente, alguém me pisa, ou se atira ao meu pescoço, ou abraça a minha barriga e, invariavelmente, alguém me magoa. No Verão, com as sandálias, torna-se mais perigoso. Com os restos da laranja na mão, entrei. Três crianças correram na minha direcção e fizeram exactamente o que está descrito em cima. Equilibrei a laranja com mestria e consegui sorrir, fazendo crer que aquele era o momento mais feliz do dia e não o mais doloroso.

Falavam todos ao mesmo tempo, a televisão estava aos berros, o bebé atirava uma bola em todas as direcções e os mais velhos, deitados no sofá, nem se mexiam.

«Então? Que fizeram hoje?» Sorri. Não me lembro o que responderam porque entretanto o meu telemóvel tocou, alguém tirou a bola ao bebé e a berraria subiu de tom. Lembro-me que a segunda coisa que disse foi para se calarem, arrumarem a sala, darem a bola ao bebé para ele se calar, arrumarem a cozinha que estava um caos, calçarem os sapatos que estavam espalhados no meio da sala e baixarem o volume da televisão. A laranja ainda estava na minha mão, e apesar de ter como prioridade máxima chegar à casa de banho desde que tinha entrado no carro, não conseguia lá chegar.

O telemóvel continuava a tocar. Estupidamente, atendi: «Boa tarde, fala a Inês Pereira? Daqui é do jornal e queria saber o que votaria no referendo se fosse grega.» Entretanto, um estrondo: o bebé tinha deitado ao chão a gaveta dos talheres. «Espere, agora não posso.» Pedi que alguém, fosse quem fosse, arrumasse os talheres antes que o bebé pegasse num garfo. Ninguém podia porque estavam todos a recolher sapatos, a pôr a loiça na máquina e a arrumar a sala. O bebé pegou num garfo e fugiu a correr. Foram segundos de horror. Até que alguém o agarrou e recomeçou a choradeira.

Foi no meio do caos que alcancei a porta da casa de banho. Tranquei-me lá dentro. O telemóvel tocou outra vez, era outra vez sobre a Grécia. Respondi. Na paz da casa de banho, respondi sobre o referendo na Grécia. «Votava ‘sim’! Espere, eu estou habituada a votar ‘não’ nos referendos… ‘Sim’ é pela continuação das negociações, não é? Então ‘sim’, claro. O contrário seria o caos.»

Lá fora, no caos, as crianças discutiam sobre quem é que devia arrumar o quê, de quem era a culpa de o bebé ter apanhado o garfo e quem é que devia arrumar a gaveta dos talheres. O bebé, colado à porta, gritava pelo direito de ser pegado ao colo pela mãe.

Doía-me o pé da pisadela no momento em que entrei em casa.

Sobrevivi a este sofrimento durante duas horas, quando finalmente me sentei no sofá. Adormeci uns minutos depois, torta e de boca aberta como se tivesse sido apanhada pela lava de Pompeia e eternizada na minha miséria. Até que um grito me despertou novamente para a realidade. «O que é que uma laranja nojenta está a fazer na casa de banho?!» «Fui eu», respondi baixinho.

Não, quando se tem crianças não é o número que importa, o que importa é mesmo o tamanho delas.





sábado, 4 de julho de 2015

Adasca

Núcleo de Dadores de Sangue na Freguesia de Cacia



III Convívio do Núcleo de Dadores
de Sangue na Freguesia de Cacia
dia 12 de Julho


A ADASCA vai realizar o III Convívio do Núcleo de Dadores de Sangue da Freguesia de Cacia no próximo no dia 12 de Julho, (domingo) no Salão da Junta local.

O ambiente de alegria, o convívio salutar como os dadores sabem promover entre si, só por si já justifica a realização destes convívios. Além do mais os nossos colegas de Cacia não devem sentir-se discriminados em relação aos de Aveiro.

Considerando que se trata de uma iniciativa aberta à comunidade local, e dado que no ano transacto algumas pessoas não dadoras de sangue, fizeram questão de aderir também, para efeitos de organização, os interessados devem inscrever-se até ao dia 10 de Julho, solicitando a respectiva ficha de inscrição no Café Ti Juca, Rua Conselheiro Nuno Silva, n.º 5 (junto ao Apeadeiro da CP) e na Pastelaria Delicreme, localizada junto do Quiosque dos Jornais, efectuando o respectivo pagamento.

Programa:


No final da caminhada, os participantes podem beneficiar gratuitamente de uma massagem aos pés, como ainda massagem de recuperação à coluna.

Este III Convívio conta com o apoio do IPST, Junta de Freguesia local, na pessoa do seu presidente, como ainda da Escola de Condução de Santa Joana, que vai mais uma vez estar presente uma viatura para apoio aos participantes.

A iniciativa não visa fins lucrativos, também não pretendemos ter prejuízos. Como é lógico, só assim se explica o valor simbólico de inscrição, ainda no seguimento da comemoração do Dia Mundial do Dador de Sangue, que oficialmente decorreu no pretérito dia 14 de Junho em Aveiro.

Evitado será dizer que contamos com a participação dos colegas dadores desta localidade como de amigos, todos são bem-vindos.

Importa sim, efectuar a inscrição dentro do prazo estabelecido, para que sejamos o mais organizado possível.


Ficha de Inscrição para III Convívio de Dadores de Sangue de Cacia
Comemoração do Dia Mundial do Dador de Sangue
Inscrição até dia 10 de Julho

Dia 12 de Julho (domingo)                                                      Inscrição nº. _________ 

9:30 Horas - Concentração no Auditório da Junta de Freguesia de Cacia
10:30 Horas – Saída para Caminhada de 6 Kms
12:30 - Horas - Chegada ao local de partida, seguida de massagem aos pés e de reabilitação
13:00 Horas – Lanche Convívio com animação musical
5.00€ por participante, inclui 1 T-shirt, 1 Boné, 1 Esferográfica, água e participação no Lanche Convívio.

Nome completo:____________________________________________________

Telef/Tm: ________________________________________________

E-mail:

Data: ____/____/_____ Participa no Lanche Convívio? Sim______ Não_____

NB: O valor acima referido dá direito aos aderentes a participar no lanche Convívio. 

Informações: 964 470 432, Site: www.adasca.pt

Esta iniciativa é aberta à Comunidade.
Venha conviver, dar visibilidade e força à Solidariedade.

(Esta ficha pode ser fotocopiada e entregue no Café Ti Juca (junto ao Apeadeiro da CP) e na Pastelaria Delicreme no horário de expediente até ao dia 10 de Julho)

Amem a liberdade, sejam felizes.


Joaquim Carlos
Presidente da Direcção da ADASCA
Telef: 234 095 331 (Sede) ou 964 470 432

Onde posso doar sangue em Aveiro durante o ano de 2015?






quinta-feira, 2 de julho de 2015


Calendário Escolar 2015/2016


 Calendário Educação pré-escolar
Início das actividades lectivas
Termo das actividades lectivas
Entre 15 e 21 de Setembro de 2015, inclusive
1 de Julho de 2016

Interrupções das actividades educativas
para a educação pré-escolar
Interrupções das actividades educativas
5 dias úteis (seguidos ou interpolados)
1.º
Entre 18 e 31 de Dezembro de 2015, inclusive
2.º
Entre 8 e 10 de Fevereiro de 2016, inclusive
3.º
Entre 21 de Março e 1 de Abril de 2016, inclusive

 Calendário  Ensinos Básico e Secundário
1.º Período
Início
Entre 15 e 21 de Setembro de 2015, inclusive
Termo
17 de Dezembro de 2015
2.º Período
Início
4 de Janeiro de 2016
Termo
18 de Março de 2016
3.º Período
Início
4 de Abril de 2016
Termo
3 de Junho de 2016 – para os alunos dos 9.º, 11.º e 12.º anos
9 de Junho de 2016 – para os alunos do 1.º, 2.º, 3.º, 4.º, 5.º, 6.º, 7.º, 8.º e 10.º anos
12 de Julho de 2016 – para os alunos dos 4.º e 6.º anos que venham a ter acompanhamento extraordinário
(Período de acompanhamento extraordinário para os 4.º e 6.º anos de 22 de Junho a 12 de Julho de 2016.)

Interrupções
Datas
1.º
De 18 a 31 de Dezembro de 2015
2.º
9 de Junho de 2016
3.º
De 21 de Março a 1 de Abril de 2016

 Calendário  Estabelecimentos Particulares de Ensino Especial
1.º Período
Início
1 e 3 de Setembro de 2015, inclusivé
Termo
31 de Dezembro de 2015
2.º Período
Início
6 de Janeiro de 2016
Termo
9 de Junho de 2016

Interrupções lectivas para os estabelecimentos particulares
de ensino especial
Interrupções
Datas
1.º
De 18 a 24 de Dezembro de 2015, inclusive
2.º
De 8 a 10 de Fevereiro de 2016
3.º
De 4 a 8 de Abril de 2016