sábado, 22 de dezembro de 2012

Universidade Católica escancara
as portas a Herodes

Nuno Serras Pereira

Uma vez que existe o costume de matar o mensageiro como se ele fora culpado da autoria dos acontecimentos que noticia declaro-me, se Deus me conceder essa Graça, pronto para a fogueira, o linchamento, ou qualquer outra forma de tortura metódica conducente a uma aniquilação lenta e macabra.
 
Infelizmente dá-se o caso de a Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, apesar de prevenida por pessoas altamente qualificadas no sector da saúde mental, ter decidido organizar uma pós-graduação em serviço social na saúde mental leccionada por uma série de pessoas gravissimamente responsáveis por uma matança imensamente maior de crianças do que a de Herodes; autores de mentiras públicas escandalosas; advogadores da proibição de terapia para as pessoas homossexuais que o queiram; e instigadores da eutanásia.
 
Como se isto fora pouco, o curso destina-se a profissionais de serviço social, os quais, formatados por esta educação altamente católica, naturalmente trabalharão afincadamente em multiplicar caridosamente a carnagem.
 
Compreendo que alguém como eu que justamente não goza de nenhuma credibilidade seja objecto de qualquer confiança. Por isso deixo ao leitor interessado umas notas com notícias e citações que poderá examinar.
 
Av. Luís Bivar, 18
1069-147 LISBOA
Tel. 213171130
Fax 213171149
nunciaturapt@netcabo.pt
 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Três mitos sobre a marijuana

Manuel Pinto Coelho

«Não há nada mais terrível que a ignorância activa» Goethe

Continua a ler-se com inusitada frequência na imprensa nacional declarações de pessoas que, embora habitualmente responsáveis, desde há muito, de forma mais ou menos declarada, se vêm batendo pela legalização da marijuana.

A bem da verdade e da saúde mental do leitor, esclarece-se:
 
Mito 1 - A marijuana fumada pode ter um aproveitamento médico.

Verdade - Pela impossibilidade de controlar a dose, os ingredientes e a potência, o fumo nunca poderá ser um modo seguro de administrar uma droga. Entre os seus 483 compostos químicos, o THC é fortemente psicoactivo, a sua potência não pára de aumentar - no espaço de 40 anos, passou de 1% para 35% - sendo que as concentrações desconhecidas deste composto químico tornam impossível a criação de uma dose uniforme com aplicação médica. Acresce ainda que a já há muito suspeitada ligação entre cannabis e a esquizofrenia vem sido repetidamente confirmada por estudos recentes, de tal forma que hoje ela é comparada com a conhecida ligação ao cancro do fumador de tabaco. Além de inquestionáveis danos no cérebro e aparelhos respiratório e reprodutor, estudos também recentes têm vindo a comprovar, no seio dos seus utilizadores, descidas do QI que podem ir até aos oito pontos.

Mito 2 - A legalização da marijuana iria diminuir o crime relacionado. As prisões estão superpovoadas de indivíduos acusados da sua posse, obrigando os Governos a gastar milhões pelas custas legais da sua detenção.

Verdade - A legalização da marijuana, com a consequente descida da percepção de risco, do preço, bem como o aumento da sua disponibilidade, faria dos jovens um alvo e um potencial mercado muito maior para os dealers. Nos EUA, de todos os detidos por problemas de droga, só 1,6% foram sentenciados unicamente por posse, sendo a quantidade média apreendida de 52 quilos, ou seja, muito mais do que a necessária para uso pessoal. Passa pela cabeça de alguém que a melhor forma de prevenir o crime e o consequente castigo/sobrelotação das prisões ocupadas com os seus prevaricadores, seja também a de legalizar a fraude, o roubo, o assassínio, o incesto, o estupro, a violação, a pedofilia, a violência doméstica, o tráfico humano ou o fogo posto?

Mito 3 - Taxar a marijuana como o álcool e o tabaco traduzir-se-ia num encaixe de milhares de euros que poderiam ser aplicados em serviços vitais, tais como nas escolas.

Verdade - O tabaco e o álcool são precisamente os maiores indicadores da razão por que legalizar a marijuana seria devastador em termos económicos e de sofrimento humano. Quem advoga a ideia esquece-se de mencionar que o dinheiro dos impostos cobrados ao tabaco e ao álcool cobrem menos de 15% dos custos económicos devidos ao uso destas substâncias, que incluem cuidados de saúde, perda de produtividade, custos com a justiça, acidentes de viação e absentismo, para nomear só alguns. Assim é razoável concluir que, no mínimo, os custos da legalização da marijuana iriam reproduzir em espelho os do tabaco e álcool.

É voz corrente que é impossível erradicar as drogas da sociedade; uma guerra perdida, diz-se. É nossa opinião que, embora seja impossível acabar com ela, qualquer sociedade consciente, com um mínimo de consciência ética, deverá caminhar no sentido da sua erradicação. O seu objectivo deverá ser sempre o de limitar o número de pessoas envolvidas e o correspondente impacto negativo. Do mesmo modo, o facto de ainda não se ter descoberto a cura do cancro não quer dizer que se deva deixar de a tentar. O mesmo raciocínio em relação a flagelos como a fome e a pobreza. Não passa pela cabeça de ninguém desistir de os combater pelo facto de os resultados estarem sempre muito aquém dos desejados.
 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Mulher narra o drama de ser
criada por pai homossexual

Dawn Stefanowicz
Com a finalidade de mostrar a influência negativa que as crianças sofrem quando são criadas por pais homossexuais, a canadense Dawn Stefanowicz publicou o livro «Out from Under: The Impact of Homossexual Parenting» (Fora da escuridão. O impacto da paternidade homossexual), onde narra a sua experiência de crescer num lar com um progenitor gay.

«A pequena Cynthia Dawn – este é o seu nome completo – nasceu em Toronto nos anos 60 numas condições de grave mal-estar familiar e pessoal, em grande parte, ignoradas deliberadamente pelo mundo dos adultos, começando pelos seus professores», explica um artigo escrito pela neuropsiquiatra infantil Caterina Saccà.

A menina, afirmou, «sente-se traída afectivamente por um pai ausente, na busca contínua de relações homossexuais com casais de convivência ou ocasionais, e sem o cuidado adequado de uma mãe que, por sua vez, precisa de ajuda (devido à diabete). Cynthia entra numa espiral de confusão e vergonha alimentada pela exposição directa e precoce a práticas de natureza explicitamente sexual».

O texto difundido através da página Web familyandmedia.eu, narra que logo depois de cair «num estado de destruição da personalidade e da dignidade humana», Dawn conseguiu na vida adulta reconciliar-se com o seu passado «complicado e traumático» graças a anos de terapia «e à profunda fé em Deus».

«Só depois da morte do pai – derrotado pela AIDS como muitos dos seus companheiros sexuais – e logo após a morte da mãe; esta mulher convertida com o passar dos anos em esposa e mãe de um menino e de uma menina, teve a coragem de tornar pública a sua terrível experiência, com o fim de ‘mostrar a todos como as estruturas familiares podem incidir negativamente no desenvolvimento das crianças’», acrescentou o site.

Actualmente, divulgar o seu testemunho converteu-se para Dawn Stefanowicz «numa batalha a favor do bem-estar dos filhos e da importância da família natural – instituição natural fundada no matrimónio entre um homem e uma mulher – e contra a legalização das adopções e das uniões homossexuais».

Neste sentido, Saccà esclarece que «qualificar precipitadamente como homófobas, enganosas ou desleais, as argumentações que defendem a paternidade natural, além de ser reducionista, não contribui com elementos significativos de crescimento e de novidade num debate destinado ao público, na ausência de uma mudança de rumo, para escorregar no pântano dos estéreis combates ideológicos».

Sobretudo, tendo em conta resultados como o da recente pesquisa realizada no Reino Unido pela agência ComRes (encomendado pela fundação Catholic Voices), que mostra «como os mesmos gays e transexuais não consideram o matrimónio homossexual uma prioridade».

«Portanto, em vésperas de decisões destinadas indevidamente a reavivar a polêmica (…), chegam também testemunhos fortes como o de Dawn Stefanowicz, capazes de oferecer elementos concretos para a reflexão sobre a identidade e responsabilidade dos pais de família. São testemunhos que podem, ao menos uma vez, colocar-nos com os pés na terra», finalizou.

Mais informações sobre o testemunho de Dawn Stefanowicz no site (em inglês):

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Adasca promove colheitas de sangue
no posto fixo


As Colheitas de Sangue vão decorrer nos dias 15, 21 e 28 de Dezembro entre as 9:00 horas e as 13:00 horas no Posto Fixo localizado no Mercado Municipal de Santiago, 1º. Piso.
 
Todos os dadores de sangue e interessados em aderir pela primeira vez, estão convidados a comparecer, fazendo-se acompanhar do B.I. ou do seu substituto por forma a facilitar a inscrição junto do administrativo do IPST.
 
Lembramos que é necessário efectuar duas dádivas no ano económico para continuar a beneficiar da isenção das taxas moderadoras, ainda que só sejam válidas nos Centros de Saúde (cuidados primários).
 
O sangue é necessário todos os dias. O Sangue não se fabrica artificialmente. O Sangue corre nas suas veias. É saudável? Dê Sangue! Ajude os outros… Poderá ser você mesmo a precisar de ajuda!
 
Dádiva a dádiva… E a vida recomeça num adulto ou numa criança! Saiba como, quando e onde pode dar Sangue em Aveiro, contacte-nos pelos meios abaixo indicados.

Deixe-se levar pelo Coração. Dê Sangue, porque dar sangue é dar vida.

Na próxima Colheita de Sangue, vão ser efectuados diversos rastreios pelo Núcleo de Voluntários da ADASCA a saber: Verificação de Tensão Arterial, Controle de Peso, Índice da Massa Corporal, Glicémia entre outros, sendo todos gratuitos e abertos à comunidade, sob a coordenação no Enfº. Rui Conde.

Os questionários para a dádiva de sangue, vão ser distribuídos pela ADASCA no local a partir das 8:00 horas, para adiantar o atendimento dos dadores. 

NOTA: Artigo 7.º - Ausência das actividades profissionais

1 O dador está autorizado a ausentar-se da sua actividade profissional pelo tempo necessário à dádiva de sangue.

Diário da República, 1.ª série — N.º 165 — 27 de agosto de 2012, Lei n.º 37/2012 de 27 de Agosto, Estatuto do Dador de Sangue.
 

Joaquim Carlos – Presidente da Direcção

Informações adicionais através


E-mail: geral@adasca.pt, Site: www.adasca.pt 

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Colheita de Sangue Dia 13 de Janeiro em Cacia110.jpg
ADASCA PROMOVE COLHEITAS DE SANGUE NO POSTO FIXO.pdf
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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Mais padres pedófilos?

Nuno Serras Pereira
 
Como recebi um número significativo de missivas e perguntando-me das razões de ter enviado a notícia Ex-provedora da Casa Pia diz que há outros casos de padres pedófilos e escasseia-me o tempo para retorquir individualmente peço que me desculpem esta réplica geral, tanto mais que poderão existir outros leitores perplexos ou interrogativos.
 
Em primeiro lugar, considero que importa muito atentar nas malsinações, de enorme gravidade, lançadas por Catalina Pestana: há mais padres pedófilos, e somente na Diocese de Lisboa, de seu conhecimento, há cinco; o Cardeal Patriarca conhece-o mas alega não o saber, e juntamente com o Arcebispo de Braga (anterior Presidente da Conferência Episcopal) limitam-se a mudar os alegados padres abusadores de lugar.
 
Das duas, uma: ou estas recriminações são verdadeiras ou são falsas.
 
a) No caso de serem exactas isso significaria que membros da Igreja, ao mais alto nível, estariam a trair gravemente a sua missão e a boicotar o esforçado empenho de Bento XVI em purificar a Igreja, que não pode admitir que no Sacerdócio ministerial haja padres que abusam de menores, como o escreveu João Paulo II. Se assim for, a Santa Sé deveria ser informada pelo Núncio Apostólico para agir em consequência. A Igreja não teme a verdade, e faz parte da sua missão expulsar os demónios, mesmo, ou principalmente, quando os possuídos receberam Ordens.
 
b) Se, pelo contrário, são uma colossal calúnia o Cardeal Patriarca, bem como o Arcebispo de Braga, têm ao seu dispor quer o Direito Canónico quer o Civil para limparem o bom nome e a honra da Igreja disciplinando a detraidora.
 
Foi lançada uma suspeição geral sobre o clero em geral e sobre o que vive em Lisboa em particular. «Quem não se sente, não é filho de boa gente». Nós, pela Graça de Deus, somos filhos da Igreja, a melhor de todas as mães. Esta, por si só, é uma razão de peso quer para estar ao facto das arguições que nos são feitas quer para as vermos esclarecidas e resolvidas.
 
Entretanto, resta-nos rezar pelas vítimas daqueles que chamados a ser Cristo para eles, ao invés foram o demónio, e implorar a Misericórdia infinita de Deus para a conversão dos padres desGraçados.
 

Moção de resolução sobre direitos
fundamentais no Parlamento Europeu


Mensagem de Carlos Fernandes aos deputados portugueses do Parlamento Europeu. O autor convida os leitores a utilizá-la ou a redigir outra e enviar aos deputados.

Os endereços electrónicos dos 22 deputados portugueses encontram-se em baixo.

Ex.mos(as) Senhores(as),

Venho apelar a que votem desfavoravelmente a moção de resolução sobre direitos fundamentais aprovada pelo Comité Liberdades Cívicas, Justiça e Assuntos Internos que pode ser consultada na ligação abaixo.

http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?type=REPORT&reference=A7-2012-0383&language=EN

Levanta questões sérias para os cidadãos europeus que, ou não são da competência desse parlamento, como por exemplo o Aborto; ou tenta impor aos cidadãos europeus Leis que penalizam a liberdade de expressão em questões religiosas e sociais tendentes à censura. Ainda condicionam a formação social e cívica dos cidadãos alienando os seus valores civilizacionais e culturais.

Por favor pensem bem antes de votar sobre os direitos e deveres dos cidadãos europeus. Cada povo é um povo e tem a sua cultura e matriz civilizacional que deverá ser respeitada. Esta moção de resolução é na sua generalidade e na maioria dos casos particulares, absolutamente contrária aos valores civilizacionais da Europa. Viva a Liberdade!

Com os melhores cumprimentos,

Carlos Fernandes
CC 8177715

luispaulo.alves@europarl.europa.eu,
regina.bastos@europarl.europa.eu,
luismanuel.capoulassantos@europarl.europa.eu,
mariadagraca.carvalho@europarl.europa.eu,
carlos.coelho@europarl.europa.eu,
antonio.campos@europarl.europa.eu,
mario.david@europarl.europa.eu,
edite.estrela@europarl.europa.eu,
diogo.feio@europarl.europa.eu,
josemanuel.fernandes@europarl.europa.eu,
elisa.ferreira@europarl.europa.eu,
joao.ferreira@europarl.europa.eu,
anamaria.gomes@europarl.europa.eu,
marisa.matias@europarl.europa.eu,
nuno.melo@europarl.europa.eu,
vital.moreira@europarl.europa.eu,
mariadoceu.patraoneves@europarl.eu,
paulo.rangel@europarl.europa.eu,
alda.sousa@europarl.europa.eu,
rui.tavares@europarl.europa.eu,
nuno.teixeira@europarl.europa.eu,
ines.zuber@europarl.europa.eu

 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Função social da criança

Inês Teotónio Pereira

Não há. É um facto. Nos dias de hoje todos temos funções sociais, reclamam-se funções sociais, questionam-se as funções sociais, refundam-se as funções sociais, debatem-se as funções sociais. E não é só o desgraçado do Estado que está na berlinda. Nesta cruzada estamos todos na berlinda: ora é o papel da mulher, ora é o jovem, ora são os idosos e o seu envelhecimento activo, ora são as empresas e a sua responsabilidade social, ora é a escola, ora é a igreja, ninguém escapa. Cada bicho que anda, pumba, tem logo uma função social. Já não se pode passar pelos pingos da chuva nesta história das funções sociais e assobiar para o ar como se elas não existissem. Elas existem e de que maneira: hoje, todos devemos ser voluntários, colaborantes, cooperantes ou apoiantes de qualquer coisa. Dizem que a sociedade está egoísta e que o fim do mundo está próximo porque a sociedade está egoísta. Pois, não sei. Mas a verdade é que nunca na história a nossa sociedade foi tão solidária como agora. Nunca fomos todos tão funcionalmente sociais como agora. Nunca existiram tantos direitos como agora. Nunca a vida, os idosos, os doentes, os direitos humanos foram tão respeitados e protegidos como agora. E isto porque vivemos numa sociedade em que todos têm funções sociais.
 
No entanto, paira uma dúvida no meu espírito: qual será a função social das criancinhas? Detalhando: elas servem para quê, no presente? Pois bem, não sei.
 
Noutros tempos, as crianças eram peças importantes na engrenagem social, ajudavam e colaboravam com as famílias através de tarefas concretas. Qualquer criança tinha uma função de maior ou menor responsabilidade que podia ser tomar conta dos irmãos, ajudar na horta, na lida, no negócio, nas coisas da casa, fazer companhia à avó, fazer o que fosse preciso. Mas tinham uma função. E tinham muitos deveres, para além dos trabalhos da escola.
 
Mas a verdade é que as coisas mudaram radicalmente. As crianças de hoje servem para nós lhes darmos beijinhos, para gostarmos delas. Mais nada. É essa a função delas. A criança já não é considerada investimento ou uma espécie de capital social da família, perdeu esse valor. Perdeu totalmente o seu valor social. Hoje, a função social da criancinha é apenas e só como aconchego afectivo dos pais. Ela vale apenas e só nessa medida porque, socialmente, é inexistente.
 
Tenho uma história para ilustrar essa disfunção social, uma história que também é passada num supermercado – como a história do Nicolau Santos sobre o menino que queria umas bolachas e a mãe não tinha dinheiro para as comprar; por isso, uma senhora da fila pagou as bolachas do menino, e isto vem provar que o primeiro-ministro não tem sensibilidade social. Ora, a minha história é sobre uma menina grande e forte, com cerca de 14 anos, que queria uma mochila de 50 euros. A mãe disse-he que não tinha dinheiro para aquela mochila e pediu-lhe para escolher outra. A menina disse que queria aquela mochila, só aquela: «Não me podes obrigar a não ter a mochila de que eu gosto.» E a mãe comprou-lhe a mochila. Qual é a função social desta menina? Simples: receber coisas de que gosta e apenas essas.
 
Já ninguém tem filhos como forma de investir no seu futuro, de melhorar a sua vida a médio e a longo prazo, co-responsabilizando os filhos desde pequeninos por todo o funcionamento da família, incluindo o futuro. Não, para isso temos a segurança social (?). Os filhos servem para receberem. Para receberem beijinhos, playstations e as melhores condições possíveis. Por isso é que, hoje em dia, é fundamental ter disponibilidade afectiva e financeira para os ter. Sem essa disponibilidade, o que podemos dar-lhes? E pronto, não há filhos.
 
Mas a pergunta não é essa, a pergunta é: o que podemos receber? É que os filhos não são umas coisas que vêm ao mundo para terem o nosso amor e pronto. Para isso existem os cães e os gatos. Os filhos são pessoas que trazemos ao mundo para nele terem uma função e, de caminho, o nosso amor. Caso contrário, até as árvores seriam um melhor investimento.
 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Não são os portugueses
que têm de escrever e falar «brasileiro».


Este (des)acordo não pode nem deve ser implementado,
 
A BEM DA «LÍNGUA DE CAMÕES». 

Já não é só o Centro Cultural de Belém, instituição de direito privado, sem tutela pública. Ou Serralves. Ou a Casa da Música.Já não são só a generalidade dos jornais que o ignoram: Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Público, i, Diário Económico e Jornal de Negócios, além da revista Sábado.

Já não só os angolanos que se demarcam, ou os moçambicanos. Ou até os macaenses. Sem excluir os próprios brasileiros.
 
Por cá também já se perdeu de vez o respeitinho pelo Acordo Ortográfico. Todos os dias surge a confirmação de que não existe o consenso social mínimo em torno deste assunto.
 
São os principais colunistas e opinadores da imprensa portuguesa. Pessoas como Anselmo Borges, António-Pedro Vasconcelos, Baptista-Bastos, Frei Bento Domingues, Eduardo Dâmaso, Helena Garrido, Inês Pedrosa, Jaime Nogueira Pinto, João Miguel Tavares, João Paulo Guerra, João Pereira Coutinho, Joel Neto, José Cutileiro, José Pacheco Pereira, Luís Filipe Borges, Manuel António Pina, Manuel S. Fonseca, Maria Filomena Mónica, Miguel Esteves Cardoso, Miguel Sousa Tavares, Nuno Rogeiro, Pedro Lomba, Pedro Mexia, Pedro Santos Guerreiro, Ricardo Araújo Pereira, Vasco Pulido Valente e Vicente Jorge Silva.
 
É o ex-líder socialista, Francisco Assis, que se pronuncia sem complexos contra este «notório empobrecimento da língua portuguesa».
 
É o encenador Ricardo Pais, sem papas na língua.
 
É José Gil, um dos mais prestigiados pensadores portugueses, a classificá-lo, com toda a propriedade, de «néscio e grosseiro».
 
É a Faculdade de Letras de Lisboa que recusa igualmente impor o acordo. Que só gera desacordo.
 
Um acordo que pretende fixar norma contra a etimologia, ao contrário do que sucede com a esmagadora maioria das línguas cultas. Um acordo que pretende unificar a ortografia, tornando-a afinal ainda mais díspar e confusa. Um acordo que pretende congregar mas que só divide. Um acordo que está condenado a tornar-se letra morta, no todo ou em parte. Depende apenas de cada um de nós.
 
Passe para todos os seus contactos
 
É preciso evitarmos ser destruídos por intelectualóides ignorantes e arrogantes que procuram a celebridade com palhaçadas à custa daquilo que Portugal tem de melhor. E os políticos com medo de os chamarem ignorantes (que são) alinham com qualquer fantasia que seja apresentada com ares de inteligência. COITADOS!!!
 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Qual é o preço da dignidade humana?

Cardeal Odilo Pedro Scherer Arcebispo de São Paulo, Brasil

Eu teria preferido escrever sobre outro assunto esta semana, mas o leilão da virgindade de uma jovem brasileira, amplamente divulgado pela imprensa, requer uma reflexão. É um facto chocante e, ao mesmo tempo, parece tão banal que só chamou a atenção porque o leilão aconteceu de maneira aberta, pela internet, e porque o valor da licitação foi alto. (...)
 
Afinal, o que está acontecendo? As pessoas colocam livremente a sua própria dignidade em leilão em troca de dinheiro? O facto foi acompanhado com curiosidade mórbida e até com claque, para ver até onde a oferta chegaria. Chocar, porquê? Nas calçadas de certas ruas da cidade e em tantas «casas de amor», não acontece o mesmo todos os dias, sem que isso chame a atenção, ou cause consternação em ninguém? Há mesmo quem queira legalizar a prostituição, como se fosse uma profissão. Tudo se resolve ao nível económico, como traficar pessoas, reduzi-las a escravas, vender bebés, comercializar órgãos humanos...
 
Há quem compre ou venda votos nas eleições, comprando ou vendendo a própria dignidade; suborne a justiça, pondo em liquidação a própria consciência; compre armas, para usar contra os outros, faça violência, mate, tudo pela vantagem económica. Há quem trafique drogas, lucrando com o comércio da morte; e quem vai roubando o que é dos outros ou de todos: tudo pela vantagem económica que está em jogo...
 
Grande novidade nisto tudo não há; coisas que sempre aconteceram. O novo é que, sem nos darmos conta, estamos a assimilar uma cultura do mercado, na qual o factor económico passou a ser o maior referencial: de uma cultura de valores éticos e morais, para uma cultura de valor económico; o bem maior parece ser a vantagem económica, que tudo permite e legitima, amolecendo qualquer resistência do senso moral. Tudo fica justificado se há vantagem económica. Onde vamos parar?
 
Está na hora de colocar tudo isto em discussão novamente; será que essa tendência cultural vai levar a um aprimoramento das relações humanas? A uma dignidade maior no convívio social? A uma valorização real das pessoas, ao respeito pela justiça e a paz? Provavelmente não. Certamente não. O ser humano, avaliado sobretudo na óptica da razão económica, deixa de ser pessoa e torna-se objecto quantificável.
 
Nisto também não há grande novidade; no passado houve a exploração dos escravos, dos operários, das mulheres. Mas, sob protesto. O preocupante, agora, é que essa maneira de ver e fazer, passe por aceitável e normal e a própria pessoa «objectivada», outrora considerada vítima, agora seja vista como um sujeito autónomo e livre, que faz o que quer, com a sua dignidade; e tudo vai bem assim...
 
Voltaremos às feiras em que se vendem escravos? Livremente expostos à venda, aliás, ao leilão? O leilão da virgindade, por internet, é um facto que deve preocupar educadores, juristas, filósofos... Da curiosidade mórbida, é preciso passar à reflexão, talvez com um pouco mais de vergonha diante do que está acontecendo. A nossa dignidade comum está sendo leiloada! É deprimente!