terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Convite de Casamento

O convite de casamento representa os noivos como o seu cartão de visita. Tradicionalmente, deve ser entregue pessoalmente por ambos os noivos, mas nem sempre isso é possível. Assim, muitas vezes os convites são enviados via correio, e-mail ou até mesmo via mensagem de texto no telemóvel. O convite é como o bilhete de entrada para um espectáculo muito especial, que contará apenas com a presença de pessoas queridas para os futuros recém-casados.

O tipo do convite de casamento depende do estilo que os noivos decidiram adoptar para o casamento. Pode ser mais formal ou mais informal. Elementos que devem figurar: Os nomes dos noivos, o nome dos pais dos noivos, a data, a hora, o local da cerimónia e da recepção. Inclua também vossos contactos e o prazo para confirmação de presença, o chamado RSVP. A assinatura dos noivos é também um elemento enriquecedor do convite.

Para a elaboração dos convites, existem várias opções. Os noivos podem escolher um modelo já pré-definido numa empresa, podem escolher personalizar seu convite a partir de modelos existentes ou até eles mesmos podem fazer seus próprios convites de forma artesanal. No que se refere à escrita, podem fazê-la de modo impresso e standard, contratar um caligrafo ou então escreverem eles mesmos o textos, ou pelo menos assinarem os convites.

Uma pequena dica para tudo correr bem na distribuição dos convites de casamento tão aguardado é criar uma lista com o nome e endereço de todos os que serão convidados e à medida que forem entregues marcar com um ok em frente do nome, mantendo um controlo sobre quem já recebeu convite ou não. Outra dica é que você faça a entrega dos convites cedo o suficiente para receber as respostas com antecedência suficiente de modo a facilitar-lhe a organização das mesas.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Filhos sem Pai

Pedro Vaz Patto







O projecto de lei de alteração da regulação da procriação medicamente assistida apresentado pelo Bloco de Esquerda, e actualmente em discussão, pretende garantir o acesso a essa técnica a mulheres sós ou numa relação homossexual, independente do diagnóstico de infertilidade. Já foi saudado por representar uma quebra da «desigualdade arcaica que reduz as mulheres a apêndices dos homens» (São José Almeida in Público de 24/12/2011), isto é, a que exige necessariamente o contributo destes para a procriação.
O alcance antropológico da alteração proposta, que a torna mais uma etapa da agenda fracturante, merece atenção e aprofundamento.
Na verdade, não se verifica uma «desigualdade ancestral» a este respeito. A natureza colocou, neste aspecto, homens e mulheres em estrito pé de igualdade: as mulheres não procriam sem os homens, mas os homens também não procriam sem as mulheres. Ninguém é mãe sozinha e ninguém é pai sozinho. Não se trata de um desígnio a corrigir ou anular, como se não tivesse sentido. Cada um dos sexos não pode deixar de reconhecer, assim, a importância do outro. Assim se exprime a estrutural relacionalidade da pessoa humana, que se realiza na comunhão com o outro. Essa comunhão está na origem da vida a partir da unidade da diversidade mais elementar: a que distingue homens e mulheres. Da riqueza da dualidade sexual nasce a vida. Associar a geração da vida à comunhão e ao amor (a vida é fruto do amor e o do amor nasce a vida), e à riqueza da dualidade sexual, não é um «engano» da natureza, mas um desígnio maravilhoso a aceitar e acolher.
A alteração proposta pretende consagrar uma visão radicalmente diferente: a procriação como instrumento de realização de um projecto individual, e não relacional. O filho tende, assim, muito mais, a ser encarado como espelho do único progenitor, e já não como dom a acolher na sua alteridade e unicidade. Passa a ser visto como objecto de um direito que se reivindica. É o «direito à parentalidade» que está em jogo - afirma-se em defesa do projecto em discussão.
A procriação medicamente assistida tem sido encarada, à luz da lei vigente (que não deixa de ser também merecedora de críticas) como forma de suprir a infertilidade, não como alternativa à procriação natural. Não é (como, num plano semelhante, não o é a adopção) um instrumento de «experimentalismo social» ou de «engenharia social» ao serviço de «novas formas de família». A criança gerada através de procriação medicamente assistida, como a criança adoptada, tem o direito a uma família como as outras, a uma família tanto quanto possível próxima da que tem origem na procriação natural.
Não se trata de impor um modelo de família ou uma forma de encarar a maternidade. Trata-se de dar primazia ao bem do filho, que não pode ser coisificado como objecto de um direito. Não há um direito ao filho; o filho é um dom. O bem do filho exige que ele seja fruto de uma relação, e não de um projecto individual. E exige que ele não seja intencionalmente privado de uma mãe ou de um pai. É ele que tem direito, não tanto a um progenitor indiferenciado (como pretende a ideologia do género, ao pretender que se fale em parentalidade), mas a uma mãe e a um pai.
Diz-se que interessa apenas a competência parental, e não o sexo dos progenitores. Mas a mais competente das mães nunca poderá substituir um pai, tal como o mais competente dos pais nunca poderá substituir a mãe; o que sempre afirmaram os estudos de psicologia do desenvolvimento infantil. Nenhum de nós tem como referência um progenitor indiferenciado, mas a sua mãe e o seu pai. E quem foi privado de alguma dessas referências não deixa de lamentar profundamente esse facto.
O que agora se propõe é que da procriação medicamente assistida nasçam crianças sem pai (sempre haverá um pai genético, necessariamente anónimo, mas apenas isso), já não por acidente inevitável, mas de forma intencional e programada. Numa fase seguinte, pretender-se-á que homens homossexuais possam recorrer à maternidade de substituição para que nasçam crianças sem mãe (o projecto em discussão ainda não dá essa passo, pois propõe a regulação dessa prática apenas como forma de suprir a infertilidade, mas tal passo já foi dado noutros países). Não me parece de saudar qualquer destas pretensões.  

Vale a pena casar-se... ou talvez não?

A título de introdução:
“O que é para si enamorar-se?”


Por Marta Román
Vale a pena casar-se? Se você se casa para amar e viver enamorado, certamente. Como não vai valer a pena triunfar na vida? Mas se você se casa por uma outra coisa ou por uma outra razão, não ...


Tomás Melendo é partidário do amor. No seu artigo permite-se o luxo de desenvolver deliciosamente sua argumentação de pensador e de homem vivido sobre a estreita relação entre enamorar-se e casar.

Mas o facto é de que amor e de se enamorar toda a gente sabe. Por isso fiz uma prova muito curiosa: perguntei aos meus filhos, como quem não quer nada e a cada um separadamente, o que é enamorar-se para ti? A um enquanto estava no Facebook, a outro enquanto vestia o pijama, a outra, quando ia falar às escondidas ao telefone, a outro, chamando-o como para pedir algo e soltando a pergunta à queima roupa... Assim, sem muita reflexão e sabendo onde eu queria chegar, não leram nenhum tratado sobre o amor, nem nada semelhante.

E, oh surpresa! As suas respostas parecem as conclusões do artigo de Tomás Melendo:

Minha filha de 16 anos: - Enamorar-se é gostar de uma pessoa com quem você se sente bem, sabe que ela está sempre lá, gosta de si e vê um futuro com ela.
Meu filho de 15: - Entregar a vida à pessoa que você ama.

Meu filho de 10: - É sentir algo por alguém.

- Algo bom ou mau? - pergunto.

- O que pode ser? - claro que é bom!


Meu filho de 6 anos: - Enamorar-se é casar.


E minha conclusão: que enamorar-se é uma questão que se tem muito clara antes que a televisão, a rua ou a má vida a turvem miseravelmente. Por isso, desde o princípio dos tempos, as pessoas têm procurado casar-se com alguém com quem valha a pena viver.


Meu filho de 13:- É quando alguém não lhe sai da cabeça.





Tomás Melendo









Vale a pena casar-se? Para quê?

Muitos jovens afirmam hoje que não vêem razão alguma para contrair matrimónio. Amam-se, e nisto eles encontram uma justificação de sobra para viverem juntos. Considero que estão errados, mas compreendo-os perfeitamente.

É que as leis e os hábitos sociais tiraram todo o sentido do matrimónio:

a) por um lado, a admissão do divórcio elimina a confiança de que se lutará para manter o vínculo;

b) por outro, a aceitação social de “namoros” extra matrimoniais, considerados quase como uma «necessidade», para não dizer um «direito»... ou um «dever», suprimem a exigência da fidelidade;

c) e, finalmente, a difusão massiva e indiscriminada de contraceptivos, unida à afirmação de sua total inocuidade – espiritual, psíquica e física –, desprove, de relevância e valor, os filhos.

O que resta então, da grandeza da união conjugal? O quê, da arriscada aventura que sempre tem sido? Com que objectivo «passar pela igreja ou pelo juiz»?

Vistas assim as coisas, a quem afirma a absoluta primazia do amor, teria que começar por lhes dar razão, para depois fazê-los ver algo de capital importância, que outras vezes apontei: é impossível o casal se amar, a sério, sem estar casados.

Fazer-se capaz de amar

O que acabo de afirmar é bem certo, embora possa suscitar uma certa admiração. Em todos os âmbitos da vida humana, é preciso aprender e  capacitar-se. Por que então não se faz isso no amor, que é a parte mais gratificante, decisiva e difícil de nossas actividades? Jacinto Benavente afirmava que «o amor tem que ir à escola». E é verdade. Para poder amar de verdade é preciso se exercitar, da mesma forma, por exemplo, que é preciso treinar os músculos para ser um bom atleta.

Pois bem, as bodas capacitam para amar de um modo real e efectivo.

Nossa cultura não entende o matrimónio: contempla-o com uma simples cerimónia (quanto mais luxuosa e extravagante, melhor), um contracto rescindível, um compromisso...

Algo que, sem ser falso, torna-se demasiado pobre.

Na sua essência mais íntima, as bodas constituem uma expressão refinada de liberdade e amor. É, sim, um acto profundíssimo, inigualável, pelo qual duas pessoas se entregam plenamente e decidem  amar-se por toda a vida. É o amor dos amores: amor sublime que, em primeiro lugar, «redime» o meu passado; e, além disso, e, sobretudo, me permite «amar bem», como diziam nossos clássicos: fortalece a minha vontade e habilita-a para querer outro nível: situa o amor recíproco numa atmosfera mais alta.

Por isso, se não me caso, se excluo este acto de doação total, estarei impossibilitado de amar realmente meu cônjuge; como aquele que não treina ou não aprende um idioma não é capaz de falá-lo.

À sua jovem esposa que lhe escreveu: «Você me esquecerá, a mim que sou uma provinciana, entre suas princesas e embaixatrizes?», Bismarck respondeu: “Você esquece-se de que eu a  esposei para amá-la?”

Estas palavras encerram uma intuição profunda: o «para amá-la» não indica uma simples decisão de futuro, inclusive imutável; equivale, no fim das contas, a «para poder amar» com um amor autêntico, supremo, definitivo... impossível sem o mútuo entregar-se do matrimónio, sem se casar.

Casar-se ou “conviver”

Não se trata de teorias. Tudo o que acabo de expor tem claras manifestações no âmbito psíquico.

O ser humano só é feliz quando se empenha em algo grande, que, efectivamente, compense o esforço. E o mais impressionante que um homem ou uma mulher podem fazer na terra é aprender a amar.

Vela a pena dedicar toda a vida a amar cada vez melhor e mais intensamente, porque só para isso viemos a este mundo.

Daí que, na realidade, essa seja a única coisa que merece nossa dedicação: tudo o mais deveria ser apenas um meio para consegui-lo; «Ao entardecer de nossa existência – repetia são João da Cruz – seremos julgados pelo amor».

E por nada mais! Acrescento eu: tudo o que em minha vida eu não transformar em amor, é inútil, vão e, inclusive, prejudicial.

Pois bem, quando me caso, estabeleço as condições para me consagrar sem reservas à tarefa de amar. Pelo contrário, se simplesmente vivemos juntos, e mesmo que não seja consciente, terei que dirigir todo o esforço «para defender as posições» alcançadas, para não perder o conquistado ou a conquistada, para outro ou outra.

Tudo, então, se torna inseguro: a relação pode  romper-se a qualquer momento. Não tenho certeza de que o outro vai  esforçar-se seriamente em  amar-me, em dividir as alegrias e superar os atritos e conflitos do trato quotidiano: por que haveria eu de fazê-lo? Não posso baixar a guarda, relaxar-me, mostrar-me de verdade como sou, porque a minha mulher pode descobrir os meus defeitos «insuportáveis» e decida que «vamos parar por aqui». Ante as dificuldades que com certeza surgirão, a tentação de abandonar a empresa  apresenta-se muito imediata, uma vez que nada impede esta deserção.

A simples convivência cria um clima psíquico que faz perigar o objectivo fundamental e entusiasmante do matrimónio: aumentar, intensificar e melhorar o amor e, com ele, a felicidade.

Amor ou «papéis»?

Tudo isso parece avalizar a afirmação de que «o importante» é querer-se. E é verdade!

O amor é efectivamente o importante. Esta ideia não nos deve dar medo. Entretanto, já expliquei que não pode haver amor de verdade sem doação mútua e exclusiva, sem se casar.

Os papéis, o reconhecimento social não são de modo algum o importante; mas com relação à confirmação externa da mútua entrega, tornam-se imprescindíveis.

Porquê?

Do ponto de vista social, porque o meu casamento tem repercussões civis claras, que aumentam mais ainda com a chegada dos filhos; a família compõe ou deveria compor-se a chave do ordenamento jurídico e o fundamento da saúde de uma sociedade; é indispensável, portanto, que haja certeza de que outra pessoa e eu decidimos mudar de estado e criar uma nova família.

Mas, sobretudo, a dimensão pública do matrimónio, a cerimónia religiosa e civil, a festa com familiares e amigos, as participações do acontecimento, anúncios nos meios de comunicação – melhor se puder ser na televisão – tudo deriva da enorme relevância que deve ter para os cônjuges, o que estão realizando. Se isto vai mudar radicalmente minha vida, fazê-la melhor, se vai me permitir algo que é uma autêntica e maravilhosa aventura, gostarei de que todos ou, ao menos, os autênticos amigos saibam, assim como apregoo com grande alarde as outras boas notícias.

Igual, não.

Muito mais, porque não há nada comparável a  casar-se: coloca-me numa situação inigualável para crescer interiormente, para ser uma pessoa melhor e tremendamente feliz (aquele que não acreditar....que faça a prova com seriedade).

Como não divulgar, então, a minha alegria?

Antecipar o futuro?

É verdade que, à vista do exposto, muitos se perguntam: como posso eu me comprometer a algo para toda a vida, se não sei o que me espera? Como posso ter certeza de que escolhi bem meu par?

Trata-se de uma pergunta típica dos dois últimos séculos, nos quais o desejo de segurança transbordou além do propriamente humano – às vezes com repercussões psíquicas inclusive graves – e, apesar das declarações contrárias, de modo inverso ao apego real pela liberdade, que sempre leva consigo algo de risco.

A única resposta possível, que dou sempre que me fazem publicamente esta pergunta, é: «de modo algum». «não há nenhum modo de saber», «o futuro é... o futuro»; indefinível por natureza, com a permissão dos “adivinhadores de plantão”, ainda que já sejam tantos, e o do turno mais utópico; eles  assediam-nos por todos os lados e a todo o momento.

Ao que acrescento, antes que o auditório desapareça, que para isso aí está o namoro, um período muito bom, que oferece a oportunidade de conhecimento mútuo e de começar a entrever como será a vida em comum.

Depois, se sou como devo, já sei suficientemente o que acontecerá quando me casar: sei, na realidade, que vou colocar todo o esforço para amar a outra pessoa e procurar que ela seja muito feliz. E se tiver sido um propósito sério, se tivermos sido prudentes e nos conhecemos o bastante, isso será compartilhado pelo futuro cônjuge: o amor chama o amor. Podemos, portanto, ter certeza de que vamos tentar por todos os meios. E então, é muito difícil, quase impossível, que o matrimónio fracasse.

Observar e reflectir

Certamente, esta decisão radical de entrega não basta para dar um passo de tanta transcendência. É preciso considerar também alguns traços do futuro cônjuge.

Quais?

Em primeiro lugar, por pura honestidade, devo avisar que a viabilidade de um matrimónio nunca pode ser conhecida tendo-se relações íntimas antes ou em lugar das bodas; como em seguida veremos, por mais que se choque contra o costume e as pretensões gerais, a situação que aí se cria é tão artificial, tão profundamente diferente do que um matrimónio sustentará, que não existe modo pior de avaliar se devo ou não casar com aquela pessoa.

Os traços que deveriam ser levados em conta são sempre outros. Por exemplo, se «me vejo» vivendo durante o resto dos meus dias com aquela pessoa, inclusive quando estiver sem se arranjar, ronque ou lhe cresçam os «pneusinhos» na barriga; também e antes, como age em seu trabalho e com seus colegas, como trata a sua família, os seus amigos; se sabe controlar os seus impulsos, incluindo os sexuais; porque, do contrário, ninguém me assegura que será capaz de fazê-lo quando estivermos casados e se apaixone por outro ou por outra; se gostaria que meus filhos se parecessem com ele ou com ela (que horror!)... porque de facto quer eu queira ou não, vão  parecer-se; se sabe estar mais atento ao meu bem (e de seu bem real, por mais que lhe custe) que de seus simples e quase inacabáveis anseios...

Em resumo:

a) Não fazer o menor caso do que promete.

b) Escutar - com todo romantismo que deseje, mas como quem ouve chover – o que me diz.

c) Prestar muita atenção ao que parece que é.

d) Mas principalmente ao que efectivamente faz e como se comporta.

e) E conceder um peso absoluto à sua maneira de agir... justamente quando não está comigo, uma vez que quando nos vemos, os dois encontramos-nos  dispostos naturalmente – sem a menor malícia – a agradar, uma vez que se trata do momento mais esperado do dia, no qual ambos podemos e queremos dar o melhor de nós mesmos.

Pelo contrário, se na sua casa, com os seus amigos, com os seus colegas de trabalho, comporta-se como um ou uma egoísta, ou como um ou uma déspota, se não leva em conta os desejos e o bem real dos que a ou o rodeiam, quem pode  assegurar-me que não vai acabar assim ... também na cama?

Relações antimatrimoniais


E aqui se deve considerar uma das questões mais decisivas e sobre a qual impera maior confusão. A necessidade de se conhecer, de saber se um e outra combinam, não aconselha viver juntos um tempo, com tudo que isto implica?

Trata-se de um assunto muito estudado e sobre o qual se vai lançando uma luz cada vez mais clara.

Um bom resumo do status quaestionis seria o seguinte: está estatisticamente comprovado que a convivência antes do matrimónio nunca produz efeitos benéficos: nunca!

Por exemplo:

a) os divórcios são muito mais frequentes – parece que o dobro – entre os que conviveram antes de contrair matrimónio;

b) as atitudes dos jovens que começam a ter trato íntimo pioraram notavelmente e a olhos vistos, desde este momento; tornam-se mais possessivos, mais ciumentos e controladores, mais desconfiados e resmungões, inclusive mais desagradáveis.

Mas por quê?

A causa, ainda que profunda, não é difícil de intuir. O corpo humano é, no sentido mais profundo da palavra, pessoal; e talvez muito especialmente em suas dimensões sexuais. Em consequência, a sexualidade deve falar um único idioma: o da entrega plena e definitiva.

Mas, nas circunstâncias que estamos a considerar, esta total disponibilidade  torna-se contraditória pelo coração e pela cabeça que, com maior ou menor consciência, a rejeitam, ao evitar um compromisso com a vida.

Surge assim uma ruptura interior em cada um dos namorados, manifestada psiquicamente por um obsessivo e angustioso fã de segurança, cortejado de receios, temores, rancores e suspeitas, que acabam por envenenar a vida em comum.

Por outro lado, como consequência do anterior, um e outra começam a sentir-se mal... e procuram de novo «estar juntos» como meio para evitá-lo; o mal estar  acalma-se momentaneamente, enquanto duram as relações, para logo crescer com mais força, «estar outra vez mais juntos», aumentar o aborrecimento persistente, numa espécie de espiral fatídica que culmina, quase sempre, com a separação...que é pior se não é definitiva!

Daí que, ao contrário do uso habitual, a este tipo de relações eu prefira chamar «anti ou contra-matrimoniais».

Para se conhecerem de verdade

Por outro lado, também é ingénua a pretensão de decidir a viabilidade de um matrimónio pela «capacidade sexual» de seus componentes: como se toda uma vida em comum dependesse ou se pudesse sustentar em uns actos que, em condições normais, somam uns poucos minutos por semana!

Mas é que a melhor maneira de conhecer o nosso futuro cônjuge neste âmbito, consiste, como antes sugeri, em observá-lo nos outros aspectos de sua vida, e talvez, principalmente, nos que se relacionam directamente connosco: reflectir sobre o modo como se comporta no seu lar, trabalho ou estudo, com seus amigos ou conhecidos... e com os «inimigos», pois em algum momento de nossa vida matrimonial seremos considerados como tais, etc.

Pois se nessas circunstâncias é generoso, afável, paciente, serviçal, terno, desprendido... pode estar certo, sem ter medo de se enganar, que certamente esta atitude será a mesma na vida quotidiana e nas relações íntimas.

Enquanto que a «comprovação directa» e inclusive a forma de nos tratarmos, por responder a uma situação claramente «excepcional» – o namoro um tanto «avançado» –, não só não proporciona dados confiáveis sobre o seu futuro, mas que em muitos casos até os mascara.

Por isso, diante de uma opinião muito difundida, caberia afirmar que «viver (e deitar-se) juntos» é a melhor maneira de não saber em absoluto como vai agir a outra pessoa durante o casamento.

Repito que não se trata de mera ficção nem uma forma de «invenção piedosa» para desaconselhar esta convivência. Como acabo de apontar, fica bastante fácil dar-se conta de que a situação que se cria em tais circunstâncias é absolutamente artificial... e muito diferente do que será a vida em comum, dia a dia – não apenas «noite a noite» –, quando ambos estiverem casados.

Provar as pessoas?

Mas pode-se ir mais fundo: não é sério nem honrado «tratar» as pessoas, como se se tratassem de cavalos, de carros ou de computadores. As pessoas são algo tão grandioso que, na sua presença, só cabe a veneração e o amor; por elas arrisca-se a vida, «joga-se cara ou coroa» – como dizia Marañón –, «o futuro do próprio coração», a vida inteira.

Além do que, a desconfiança que implica o colocar à prova não só gera um permanente estado de tensão difícil de suportar, mas  opõe-se frontalmente ao amor incondicional – incondicionado e incondicionável – que está na base de qualquer bom casamento: e se não há base ou ponto de apoio, o casamento... cai.

E aí cabe acrescentar outro motivo, ainda mais determinante: não se pode realizar este «experimento», é materialmente impossível, ainda que pareça o contrário, porque o casamento muda muito profundamente os noivos; não apenas do ponto de vista psicológico, ao qual já me referi, mas no próprio ser: modifica-os profundamente, transforma-os em esposos, permite-lhes amar de verdade; antes não era possível este amor!

Mas este é um tema de tanta transcendência que prometo voltar a ele muito em breve.

 


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

DST:Clamídia atinge 9,8% das jovens
entre 15 e 24 anos, diz pesquisa

Notícia publicada no site SIS SAÚDE (28.10.2011) informa que um estudo nacional revelou que 9,8% das jovens entre 15 e 24 anos atendidas em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) foram diagnosticadas com infecção por Clamídia e 4% delas também tiveram resultado positivo para gonorreia.
O estudo foi feito pelo Centro de Referência e Treinamento em CRT-DST-Aids, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e abrangeu 2071 jovens, das cinco regiões do país.

Cerca de 90 milhões de novos casos de Clamídia ocorrem anualmente em todo o mundo, fato que configura a patologia na 1ª posição dentre as doenças bacterianas sexualmente transmissíveis mais frequentes, atingindo principalmente a população jovem.

A Clamídia é uma doença sexualmente transmissível causada pela bactéria Chlamydia trachomatis, que pode infectar homens e mulheres. Pode também ser transmitida da mãe para o bebé na passagem pelo canal do parto. Atinge a uretra os órgãos genitais, podendo chegar à região anal, à faringe e causar doenças pulmonares. Pode ainda causar infertilidade masculina e feminina, além de aumentar de três a seis vezes o risco da infecção pelo HIV.

De acordo com o coordenador do estudo no CRT-DST-Aids, Valdir Monteiro Pinto, a infecção pode não apresentar sintomas em até 80% das mulheres e em 50% dos homens. Quando existem sintomas, os mais comuns são dor ou ardor ao urinar, aumento do número de micções, presença de secreção fluida em homens e mulheres, e somente nas mulheres perda de sangue nos intervalos do período menstrual, dor durante as relações sexuais, dor no baixo ventre e doença inflamatória pélvica.
«A mulher infectada pela Chlamyda trachomatis durante a gestação está mais sujeita a partos prematuros e a abortos. Nos casos de transmissão vertical, na hora do parto, o recém-nascido corre o risco de desenvolver um tipo de conjuntivite e pneumonia», disse o médico.
De acordo com as informações do médico, não há vacina contra a Clamídia e a única forma de prevenção é o sexo seguro com o uso de preservativos. O tratamento é feito com antibióticos específicos e deve incluir o tratamento do parceiro ou parceira para garantir a cura e evitar nova infecção.

A notícia reforça a necessidade de se consciencializar os jovens para a opção de abstinência sexual, essa sim totalmente segura contra as DST's (Doenças Sexualmente Transmissíveis), e consciencializar os casados para manterem relações sexuais apenas com seu cônjuge.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal 2011

Meu Pai Natal faz-de-conta
Corre, de lado p’ra lado,
Com um saco de desejos,
P’ra não chegar atrasado!...
Mas, com um peso tão grande,
Embora já tenha prática,
Não sei se vai conseguir,
Pois anda com ‘ma ciática…

No saco gordo e vermelho,
Leva desejos de paz,
De saúde e de alegria
Que, a cada um, compraz;
E vontades de amor,
De sorte …felicidade …
Ou, fluindo na cor,
Sentimentos de amizade…
E, porque a crise instalada
Grassa sem ter clemência,
Também leva, doseada,
Mais alguma paciência!...
Apelos de humanidade
Irá entregar, sem termo,
Com projectos de humildade,
Sobretudo, ao Governo!...
Porém, p’ra vós, meus amigos,
Esperançoso e fraternal,
Leva abraços e sorrisos …
Votos de Santo Natal!...

Maria de Fátima Mendonça













terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Governo dos EUA promoverá defesa mundial
da homossexualidade por meio de concertos
de Lady Gaga

Ben Johnson



Como parte de uma campanha mundial visando promover a aceitação internacional da homossexualidade, o governo de Obama estabeleceu o «Fundo Global de Igualdade», orçado em 3 milhões de dólares, para financiar a defesa política da homossexualidade no mundo inteiro com o dinheiro dos cidadãos americanos que pagam impostos. As diretrizes do Departamento de Estado indicam que essa defesa poderia incluir de tudo, desde financiar ativistas políticos gays em outros países que fazem campanhas contra leis que definem o casamento como a união entre um homem e uma mulher até a organização de paradas do orgulho gay e concertos de Lady Gaga em países remotos.
Ler mais em:
http://maislusitania.blogspot.com/2011/12/governo-dos-eua-promovera-defesa.html




Estudo relaciona conteúdo sexual de TV
com gravidezes adolescentes

Um estudo da RAND Corporation, publicado na edição de Novembro da revista Pediatrics, revelou que existe uma forte relação entre as gravidezes adolescentes e o conteúdo sexual dos programas de televisão.

Segundo o estudo, difundido este domingo pela cadeia CNN, adolescentes com alto nível de exposição a programas com conteúdo sexual estiveram duas vezes mais propensas a ficar grávidas que as que viram menos programas desse tipo em um período de três anos.

«Sabemos que se uma criança está a ver mais de uma hora de televisão por dia, e sabemos que há uma cena sexual no conteúdo a cada 10 minutos, então está a receber uma quantidade considerável de conteúdo sexual», disse Anita Chandra, autora principal do estudo e científica condutual no RAND.

A investigação analisou os resultados de três pesquisas entre 2000 adolescentes de idades entre 12 e 17 anos durante os anos de 2001 a 2004. O estudo focou-se nos resultados dos mais de 700 participantes em todos os Estados Unidos que já tinham tido relações sexuais para o momento da terceira sondagem.

Para a professora de pediatria clínica da Escola de Medicina Morehouse e Directora médica do Centro de Excelência em Saúde Sexual, Wimberly Yolanda, a relação não é surpreendente.

Nesse sentido, a professora aconselhou os pais a falarem com seus filhos sobre estes temas e ensinem valores morais, porque poderão limitar sua exposição ao conteúdo sexual nos meios, já que também está a influência dos amigos e da Internet.

Conforme informou a CNN, os peritos assinalam que os programas de televisão quase nunca retratam os riscos do sexo. Indicou que anteriores investigações também mostraram que os adolescentes com maior exposição a estes conteúdos são mais propensos a terem relações sexuais pela primeira vez no ano seguinte.

Telemóveis: a doença do século?

António Gentil Martins 

 
Sempre pensámos que não é lícito extrapolar experiências com ratos com o que acontecerá no homem: porém, esses resultados não podiam ser simplesmente ignorados. Por outro lado, estudos feitos no ser humano, embora não seguramente esclarecedores, apontavam para indiscutíveis perigos, que agora, com a sua idoneidade, a Organização Mundial de Saúde veio confirmar. Daí impor-se ter consciência dos problemas e saber como melhor utilizá-los, agora que se tornaram, como os computadores, um elemento indispensável no mundo dito civilizado.Assim sendo, e não conseguindo prescindir do seu uso, importa fazê-lo com moderação e prudência, usando as suas vantagens mas evitando, tanto quanto possível, os seus inconvenientes. Cada um deve, pois, decidir-se, estando consciente do que faz.

Vantagens:
Facilidade de comunicação, mobilidade, mais as que cada qual achar ou entender.

Desvantagens:
Perigo de ficar «viciado» no seu uso; contas telefónicas crescentes e insustentáveis; perigo pelas radiações electromagnéticas, de baixa frequência: dores de cabeça, zumbidos, náuseas, calor local Insónias, fadiga; maior incidência de tumores cerebrais; perdas de memória, dificuldades de aprendizagem; dificuldades de visão, ardor irradiando à face; alergias cutâneas e sensação de queimadura; lesões genéticas nos glóbulos do sangue (quebra do DNA ).

Como minimizar as desvantagens:
Fale durante o menor tempo possível (só recados curtos e nunca longas conversas, como os namorados gostam de fazer).
Afaste, quanto possível, o telemóvel da cabeça, ao atender (pois é nesses momentos que se produz mais radiação.
Use alternadamente o lado esquerdo e o lado direito.
Ao ligar e ao atender faça uma pequena espera (é ao ligar e desligar que a radiação é mais intensa).
Tenha sempre o telemóvel com a carga máxima (com carga baixa emite mais radiação).
Afaste-se dos outros quando fala.
Evite falar no carro (mesmo parado...) ou em espaços fechados. Os objectos metálicos reflectem a radiação, acentuando a dose de radiação.
Se tem kit de mãos livres, assegure-se de que tem antena exterior.
Use o auricular apropriado (mas não coloque o telemóvel junto ao baixo ventre ou no bolso das calças, e não o vire para dentro).
Não use armações metálicas nos óculos (aumenta cerca de 20% a irradiação).
Use bolsas com écrãs protectores: estas reflectem as ondas electromagnéticas, afastando-as do utilizador.
Ao falar, mantenha o protector da antena subido.
Sendo as crianças particularmente sensíveis e vulneráveis à irradiação electromagnética dos telemóveis, deve-lhes ser vedado, ou pelo menos limitado, o seu uso ( situações de emergência).
Os telemóveis nunca poderão ser considerados como brinquedos!

A Caverna Mágica

Era uma vez uma mulher que morava numa casinha modesta ao pé de uma montanha onde havia uma grande floresta. Tinha um filho  que amava muito.
No Verão, a mulher levou o filho para colher frutas que havia na floresta. Subiram a montanha e chegaram a um lugar cheio das maiores, mais vermelhas e mais saborosas frutas que já tinham visto.
Colheram as que conseguiram. Mas logo que a mulher encheu a cesta, viu abrir-se a porta de uma grande caverna diante dela. Enormes pilhas de ouro brilhavam no chão. Escutou então uma voz grandiosa que lhe dizia:
- Entre, boa mulher - disse – e leve todo o ouro conseguir carregar de uma só vez, até que oiça o barulho de um sino.
A mulher entrou na caverna e, segurando o filho pela mão, pegou um punhado de moedas de ouro e pôs no avental. Mas o toque do ouro despertou uma enorme cobiça e, esquecendo o filho, pegou em mais dois punhados de moedas e, ao escutar a batida do sino, saiu a correr  da caverna.
No mesmo instante ouviu um estrondo atrás dela e uma voz trovejou:
- Mulher infeliz! Perdeu o seu filho até o próximo Verão!
A porta da caverna fechou-se e a criança ficou presa lá dentro. A pobre mulher torceu as mãos desesperada, chorou e implorou, mas não adiantou, e  foi para casa sem o filho. Voltou todos os dias ao local, mas a porta nunca se abriu e ela não conseguiu mais encontrar a caverna.
No ano seguinte, no primeiro dia do Verão, ela acordou bem cedo e foi rapidamente ao local.
Ao chegar encontrou a porta aberta. As pilhas de ouro brilhavam no chão, e ao lado estava o seu filho num sono profundo. Escutou então a voz que lhe disse:
 - Entre, boa mulher, e leve todo o ouro puder carregar de uma só vez.
A mulher entrou na caverna e, sem sequer olhar para o ouro, agarrou o filho e tomou-o nos braços. A voz então  disse-lhe:
- Boa mulher, leve o menino para casa. Ele foi-lhe devolvido, pois agora o seu amor é maior que a cobiça.

 Fonte: autor desconhecido

sábado, 10 de dezembro de 2011

Ciúmes em Família: Brigas entre irmãos

André Pessoa *
Depois da chegada do novo irmão, e vencida a manifestação dos primeiros ciúmes, os pais esperam que os filhos se amem, naturalmente compartilhem tudo, sejam solidários e cedam com tranquilidade. Ao contrário, observa-se que os pais terminam por padecer com a crescente rivalidade, hostilidade e brigas intermináveis entre seus filhos.

Para correr, é natural que antes se aprenda a andar, o que acontece à custa de inúmeros tombos. O comportamento virtuoso também requer muito esforço, suor, aprendizagem e experimentação. No confronto, os irmãos aprendem a procurar saídas, a negociar, a ceder, a conhecer seus próprios limites e capacidades. As desavenças permitem a vivência da agressividade de maneira não destrutiva, e a oportunidade de adquirir controle sobre os próprios sentimentos. Reconhecer que a luta vale a pena ser disputada é uma conquista valiosa. Esse processo de aprendizagem não é instantâneo. Evolui com a idade e o objecto de disputa. É educação efectiva, estruturação do carácter e personalidade, que os irmãos proporcionam-se continuamente.  

As brigas entre irmãos deveriam ser resolvidas entre eles. O sábio ditado que entre marido e mulher não se mete a colher, vale também para as desavenças fraternas. Hoje é comum que os pais interfiram nessas brigas precocemente. Seja porque se revoltam pela irrelevância e banalidade do objecto e motivo da desavença, seja porque os ciúmes são os verdadeiros motivos. Os pais não deveriam interferir, pois é difícil que o façam sem tomar partido, o que acaba por gerar ressentimentos. Ambos amam os pais e desejam seu amor exclusivamente para si.

Os pais, que observam a briga, deveriam intervir somente se a discussão ficar violenta e injusta, em palavras ou actos, quando os filhos perdem o controlo e o respeito mútuo. Interferem, não para dar solução à desavença, mas para fazê-los ver que é possível se expressar e argumentar sem destruir e ofender o outro. Amainam os ânimos, sem exageros, para não dar a entender que os filhos são perigosos uns para os outros. Ao contrário, com carinho e um «deixa-te disso», para que aprendam a  controlar-se, a desculpar e a fazer as pazes. O adulto, com tolerância e controle, auxilia aos filhos a encontrar os seus limites.

Evitar que o ciúme se manifeste é uma tarefa árdua dos pais já discutida noutros artigos. Os mais novos reclamam das regalias e responsabilidades que desfrutam os mais velhos, e esses dos carinhos e atenção dispensado aos mais novos, que eles também tiveram à seu tempo. Há sempre a desconfiança de que o outro é mais privilegiado, assim como o jardim do vizinho é mais verde.

Se ao mais velho, por exemplo, se passar o encargo de ajudar na educação dos menores, pode acontecer que queira assumir o papel dos pais tentando impor-se e corrigir aos irmãos sem autoridade de facto. Não devemos diminuir sua responsabilidade, mas sim lhe fazer ver que a ajuda que se espera é principalmente a de ser bom exemplo aos menores. Recai sobre o mais velho a dura tarefa de ser o primeiro a ceder nas brigas, principalmente se a diferença de idades é maior. Saber calar para terminar uma discussão interminável tem mais valor do que se concluir quem tem razão, pois o esforço de abdicar da réplica pressupõe crescimento em virtudes.

As brigas são naturais, mas incomodam aos pais pelo barulho que provocam e porque custa ver que os filhos são feitos de barro. Não são o problema, e sim a solução, pois por meio delas os irmãos aprendem a conviver. Há tantas outras situações que são mais graves, como a desobediência ou mentira, e que passam despercebidas ou esquecidas por serem silenciosas.

É importante que as desavenças aconteçam entremeadas de longos momentos de boa convivência e harmonia. À medida que os filhos entendem as diferenças de personalidade e opinião, encontram seus espaços e gerenciam o proteccionismo dos pais, conseguem manter uma relação de amizade e respeito mútuo, e as brigas espaçam-se. É sinal de amadurecimento.

O amor fraternal nasce no momento mágico da chegada do novo irmão, e perdura por toda a vida. Se antes achavam que o outro era um privilegiado, terminam por concluir que ambos o são por se terem mutuamente. Parabéns aos pais que proporcionam a seus filhos o privilégio de terem irmãos.


* André Pessoa é pai de seis filhos, Mestrado em Orientação Familiar por Navarra, ministra cursos e palestras de Educação de Filhos desde 1995; Graduado pelo IME (Engenharia), Pós-Graduado pela PUC (Administração), FGV (Contabilidade Gerencial), ISE (Programa de Treino de Executivos) e Navarra (Orientação Familiar); Consultor da Accenture.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

7 dicas para administrar a mesada dos filhos

Marcelo Guterman *
Dar mesada aos filhos é uma forma muito inteligente de educá-los financeiramente. A mesada permite que eles comecem a entrar no maravilhoso mundo do consumo pela porta correta, ou seja, sabendo que o orçamento é limitado. Mas algumas armadilhas devem ser evitadas, para que a experiência não seja frustrante para ambos os lados (pais e filhos).
1. Deixe bastante claro o que é abrangido e o que não é abrangido pela mesada: lanche da escola, passeios, CDs, créditos de celulares, etc. etc. Deve haver um "contracto" entre pais e filhos determinando o que deve ser pago com a mesada, e o que continua sendo pago pelos pais. Não há uma receita única, mas quanto mais velho o filho, mais coisas e actividades deveriam ser abrangidas pela mesada. Claro, é sempre muito difícil determinar tudo à priori. Os casos não especificados devem ser decididos caso a caso com cuidado, pois servirão de jurisprudência dali em diante.
2. O valor da mesada dependerá do item 1: quanto mais abrangência, maior deve ser. Mas não fique com peso na consciência se o cobertor do filho ficou curto, e eles começam a reclamar de que a mesada é pequena. A criança ou jovem devem começar o quanto antes a «praticar» o jogo do salário que não chega ao fim do mês.
3. Em hipótese alguma adiante mesada. Eles devem saber exercitar a paciência, que lhes será útil ao longo da vida, e conseguir poupar para comprar algo mais caro. Adiantar a mesada é dar crédito, e acostumá-los com isso desde cedo pode ser muito perigoso.
4. Para os jovens que reclamam do tamanho da mesada, incentive-os a fazerem alguma coisa para ganhar mais dinheiro: prestar algum serviço, dar aulas particulares, fazer bicos em lojas. Começarão a notar, na prática, o quão suado é ganhar dinheiro.
5. Deixe que eles gastem o dinheiro da mesada como eles bem entendem. Às vezes vemos que eles vão gastar o dinheiro com bobagem, e temos a tentação de interferir. Enquanto não envolver algo que pode ser realmente muito prejudicial para as suas vidas (drogas, bebidas) devemos deixar os filhos errarem, para que aprendam com seus próprios erros. A tarefa dos pais é, depois, ajudar o filho a raciocinar e concluir onde foi o erro.

6. Não gastar nunca nada é tão ruim quanto gastar tudo de uma vez. Há crianças que simplesmente não gastam o dinheiro com nada. É preciso estimulá-las a gastar o dinheiro com coisas boas, de que elas gostam. Um passeio em uma livraria, por exemplo, pode ser um bom lugar para gastar uma parte do dinheiro acumulado.7. Seja pontual no pagamento. Lembre-se, trata-se de um contrato, e que deve ser respeitado por ambas as partes, sob pena de perda de credibilidade.

* Marcelo Guterman é CFA (Chartered Financial Analyst), Engenheiro, Executivo do mercado financeiro, Professor do MBA de Finanças do IBMEC e pai de 7 filhos. É criador do Blogue do Dr. Money, onde passa conceitos e dicas sobre Finanças Pessoais de maneira leve e divertida.